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Nelson Moraes
O espiritismo avançou em termos de
divulgação, mas estamos carentes de comunicação, os livros, os periódicos e a
imprensa espírita em geral, com raríssimas exceções, tornaram-se repetitivos,
abordam temas velhos com terminologia moderna.
O mesmo se dá com a oratória revestida de
técnica, pode até ser brilhante em termos de cultura, mas quase sempre se
revela balda de comunicação, o objetivo que deveria ser alcançado, se apaga
ante o suposto brilho das palavras sofisticadas.
O importante na comunicação verbal ou
escrita, não está restrita apenas nas palavras, mas principalmente no
envolvimento do escritor ou orador com o público que deseja alcançar.
O Espiritismo não é um conhecimento que se
compara aos das academias, é a mais profunda revelação da nossa natureza
integral e das leis universais a que estamos submetidos. Se refere a um estado
de consciência que todos terão que alcançar um dia. São revelações que envolvem
o ser humano com responsabilidades que não estão restritas apenas nas questões
culturais, mas principalmente nas questões dos sentimentos, que é o ponto alto
das suas conquistas espirituais. Portanto, é um tema que não podemos tratar com
frieza acadêmica, pois abrange as questões da fé em Deus cultivada na razão, a
qual deve resultar na transformação moral da humanidade.
Quando Hemendra Nath Barnejee, Diretor do
Instituto de Parapsicologia da Índia esteve visitando o Brasil, num encontro
com Chico Xavier, afirmou: "Chico, não se preocupe, o tema reencarnação já
está se inserindo na cultura humana". Diante dessa afirmação, Chico
manifestou sua legítima preocupação: "De nada adiantará se o tema
reencarnação se inserir na cultura se não envolver as questões morais".
Devemos entender que, para nós espíritas, o
Espiritismo tornou-se uma verdade axiomática, mas para o povo, ainda é algo
inusitado, por isso mesmo, apenas divulgação, sem os autênticos elementos de
comunicação, estaremos abastecendo apenas o intelecto sem conseguirmos ajudar
na iluminação das consciências.
A grande sabedoria da comunicação está muito
mais no sentir, do que na terminologia, por mais atualizada que seja.
O que está causando as guerras, a miséria, a
fome e a violência? Como agir diante desses fatos?
Como estimular a autêntica religiosidade a
fim de superar o religiosismo exagerado?
Como ajudar o ser humano a equilibrar a
relação entre o cérebro e o coração?
Estes são os principais temas deste século,
sobre os quais, pesa a responsabilidade dos espíritas construir elementos de
comunicação para ajudar na transformação da humanidade.
O comunicador espírita deve ser um semeador
de luz clareando os horizontes da consciência humana. Nossa abordagem sobre
esses temas cruciais deve ser dirigida ao coração que é a chave que abre o
reduto da inteligência onde se consolida a consciência. Toda verdade ou
esclarecimento, se não calar fundo no coração, não altera o nível de
consciência do ouvinte ou do leitor. Na maioria das pessoas, inicialmente a
verdade bem colocada é mais sentida do que compreendida, e acaba estimulando a
busca do conhecimento.
Esse é o ponto crucial da comunicação!
Transmitir para despertar!
Para divulgar basta falar, porém, para
transmitir e despertar, é preciso vivenciar, para vivenciar é preciso renunciar
ao ego e interagir com aqueles que nos ouvem, colocando-nos como se fôssemos
cada um deles.
O comunicador espírita não deve jamais
assumir a postura de um professor, mas sim de um amigo, cujo conhecimento
adquirido o ajudou a superar grandes conflitos e dificuldades e que, agora,
deseja que os outros também se beneficiem desse conhecimento. Dotado dessa
postura, conseguirá acionar nos corações humanos um forte desejo de absorver
tais conhecimentos.
O comunicador que se propõe a trabalhar em
favor do despertar de uma nova consciência, tem na codificação espírita,
subsídios para abordar judiciosamente qualquer um dos temas aqui descritos,
entretanto, quase sempre, perde valioso tempo abordando questões doutrinárias
diante de um público carente de orientação no trato e na compreensão da causa
dos problemas que lhe roubam a paz, a segurança e a fé.
Temos um modelo de comunicador até hoje
inigualado e que deve ser a fonte de inspiração de todos os que se propõem
trabalhar a mensagem espírita. Surgiu no meio do povo contando pequenas
estórias amparadas no próprio comportamento, com as quais gravou no
subconsciente coletivo uma mensagem inapagável, acabando por construir em torno
do nosso planeta, uma egrégora que permanece há mais de dois mil anos e hoje
abrange o pensamento de quase a totalidade dos seus habitantes. Da mesma forma,
nós, os espíritas, precisamos construir a egrégora do pensamento espírita e
acoplá-la à Egrégora Cristã, suscitando a grande egrégora Espírita Cristã, que
deverá renovar o mundo, fundindo a Ciência, a Filosofia e a Religião numa
perfeita harmonia.
Fonte:
Site da FEAL em 25/11/2005 – www.feal.com.br
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