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Maria Helena Marcon
Dia desses assistimos a um comercial de
televisão que muito nos chamou a atenção.
O personagem, bem caracterizado, narrava o
fato de seu filho lhe pedir um computador e ele, olhando sua conta bancária,
somente a ver sem saldo. Naturalmente, equivalia a dizer que não tinha
condições de adquiri-lo. Até o momento que decidiu comprar uma determinada
cartela, tipo loteria, para concorrer a muitos prêmios em dinheiro. e agora,
tudo estava solucionado.
Em outro momento, o mesmo personagem
apresentava outra situação. Dizia que seu filho lhe falara do anseio de
trabalhar em determinada profissão mas que ele o aconselhara a adquirir a tal
cartela milionária. Muito mais fácil.
O marketing pode dar certo e a cartela ser
vendida em grande escala. O que é incorreto é justamente se utilizar de tais
expedientes para incentivar a lei do menor esforço.
Tais propagandas conduzem o pensamento da
criançada e da adolescência, bem assim de alguns maduros para tudo receber de
mão beijada. Trabalho? Nem pensar.
Aliás, por mais de uma vez, encontrando
alguém desempregado, temos escutado: até agora trabalhei. Agora, vou ganhar
dinheiro. Porque quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro.
Estranha forma de pensar. De que outra forma
será honesto o dinheiro senão pelo próprio esforço?
E os mesmos que assim falamos, somos os que
apontamos a corrupção em todos os níveis, do simples funcionário da empresa
pública aos altos escalões.
Mas, não estamos percebendo que estamos
aplaudindo, todos os dias, o dolce far niente? O não fazer nada e tudo merecer?
Não é de nos espantarmos, pois, quando os
jovens são atraídos pelo dinheiro fácil e caem nas redes da prostituição. Estão
respondendo às mensagens que lhes damos, diariamente, nos nossos diálogos e na
nossa forma de agir.
É no Evangelho que recolhemos os
apontamentos: "Digno é o trabalhador do seu salário." Referia-se
Jesus a qualquer tipo de trabalho, entendendo que toda ocupação útil é
trabalho.
O trabalho profissional bem realizado,
consciente e responsável, granjeia ao trabalhador o direito ao salário.
Salário que lhe haverá de garantir o
sustento e da sua família, a par da realização pessoal, que também é uma forma
de salário.
Digno do salário das bênçãos espirituais é
também o trabalhador do bem. Aquele que se doa, que se dá.
Meditemos a respeito e vejamos como estamos
nos comportando nos dias da atualidade. Quais os valores que elegemos para
nossas vidas e temos passado para nossos filhos.
Eles nos olham atentamente todas as horas do
nosso dia e com certeza nos copiam, modelos que lhes somos.
Fonte: Jornal Universo Espírita – jan/2002
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