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Manoel Lourenço
Infelizmente existem pessoas que culpam os
Espíritos por tudo quanto lhes aconteça na vida. Não se pode ignorar a
influência dos Espíritos em nossas vidas. No entanto, pessoas há que vêem a
influência dos Espíritos em tudo, até nas mínimas incidências do dia a dia.
Allan Kardec esclareceu, de forma simples, que "os bons
Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência
dos maus e, se não os ouvem, retiram-se" (Livro dos Médiuns, item 237).
Percebe-se que os bons Espíritos estão empenhados na prática do bem, e
não são capazes de provocar o menor constrangimento a quem quer que seja.
Através do Espiritismo sabemos que os
Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e ações muito mais do que supomos.
Isto não significa que estejamos subordinados passivamente, de forma
incontrolável, à vontade dos Espíritos. A obsessão é fato real e concreto,
comprovado todos os dias. Sabemos os efeitos danosos que as obsessões provocam
no ser obsidiado. Um deles é o de fazer com que o ser não admita estar
obsidiado, dificultando o processo de tratamento desobsessivo. Afinal, qualquer
tratamento, para que surta o efeito esperado, é necessário que conte com a
colaboração do paciente.
É comum chegarem nos Centros Espíritos
pessoas de várias religiões, em busca de explicações para seus problemas
insolúveis pela ciência e a religião tradicionais. A Doutrina Espírita
esclarece até onde vão os fenômenos puramente materiais, e faz a divisão lógica
desses com os fenômenos espirituais. Apresenta os tratamentos adequados, sem
misticismos, sem segredos, sem mistérios, e gratuitamente. E assim, inúmeros
são os descrentes que se convertem ao Espiritismo, tornando-se defensores dessa
Doutrina iluminadora e libertadora.
Se de um lado existem os que não acreditam
nos fenômenos espíritas, de outro, há os que acreditam exageradamente neles,
com um certo fanatismo.
O que mais choca a razão é perceber que
essas pessoas são espíritas declaradas, que freqüentam as Casas Espíritas, e no
mais das vezes são também trabalhadores dessas instituições. Esses espíritas
consideram-se alvo constante dos habitantes do mundo invisível. Mostram-se
acossados por todos os lados, num combate desigual, onde os inimigos
invisíveis parecem levar certas vantagens.
Segundo eles, os Espíritos provocam sintomas
os mais diversos, concentrando energias negativas nos órgãos e no organismo
como um todo. Uma noite mal dormida, uma simples dor de cabeça, um pequeno mal
estar, uma contrariedade qualquer é para eles um sinal que os Espíritos estão
atuando, tentando atrapalhar-lhes a vida. Há, ainda, a crença de que os
Espíritos procuram atingi-los utilizando-se dos outros. Dessa forma, basta que
alguém lhes cause o menor constrangimento, ou até mesmo uma expressão de mau humor
do chefe, do amigo, do parente ou de um desconhecido, atribuem imediatamente
aos desencarnados a responsabilidade pelo ocorrido, na tentativa de atingi-los
através do próximo.
Para esses espíritas não importa se durante
a refeição ingeriram um alimento estragado, ou mesmos abusaram na quantidade.
Também não se dão conta de que os outros têm seus problemas, suas enfermidades,
seus momentos de tristeza e justamente por isso, às vezes, não conseguem
esboçar um sorriso nos lábios. Vêem os outros como pessoas obsidiadas, e
recomendam sempre a oração e a vigilância, como antídotos contra as
investidas danosas da espiritualidade inferior. Apresentam suas técnicas de
defesa espiritual, baseadas nas Obras Espíritas, pois são também
estudiosos da Doutrina, e no mais das vezes deturpam as técnicas desobsessivas,
criando técnicas próprias, às vezes esdrúxulas, e o que é pior: recomendam para
os outros.
Para esses, os Espíritos são seres
desocupados, que vivem unicamente para prejudicar ou atrapalhar as pessoas,
principalmente a eles, que se acham melhores que os outros, e por isso mesmo se
tornam alvos fáceis. Consideram-se vítimas da espiritualidade inferior, e
responsabilizam os Espíritos por tudo quanto lhes aconteça na vida, por menores
que sejam os incidentes. Até mesmo um simples tropeção "põem na conta
dos Espíritos".
(Sergipe Espírita –
julho/1998 – nº 62).
Fonte:
Jornal Mundo Espírita – Out/1998
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