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Marcus Alberto De Mario
Desde o lançamento
do Espiritismo, em abril de 1857, através da edição de "O Livro dos
Espíritos", que não paira dúvida quanto à necessidade do estudo metódico,
sistematizado, dos princípios que formam a doutrina, por isso que campanhas
como "Comece pelo Começo", "Estudo Sistematizado da Doutrina
Espírita" e outras estão sempre sendo estimuladas no movimento espírita.
O estabelecimento
de semanas espíritas, seminários, congressos, workshops e outros eventos semelhantes,
propiciam o debate das idéias, a apresentação de estudos, a troca de opiniões,
tornando-se ferramentas muito úteis para a compreensão doutrinária.
No âmbito do
Centro Espírita devemos destacar as reuniões públicas de palestras, os grupos
de estudo, os cursos doutrinários, espaços generosos para que todos tenham
oportunidade de estudar e ampliar os conhecimentos.
Ainda temos que
destacar o crescimento da literatura espírita, com autores encarnados e
desencarnados ofertando obras as mais diversas, em todos os campos do
conhecimento e nas mais variadas formas literárias, para ampliação do conhecimento
espírita.
Entretanto, apesar
de tudo, temos tido a desagradável experiência de constatar o predomínio da
ignorância doutrinária, da falta de estudo. Em seminário com dirigentes
espíritas, num total de sessenta pessoas, apenas meia dúzia confirmou já ter
lido por completo "O Livro dos Espíritos", a obra básica,
indispensável para o conhecimento correto do Espiritismo. Em outra ocasião, num
grupo de estudo composto por vinte pessoas, que se reúne há vários anos para os
estudos da doutrina, apenas quatro pessoas confessaram ler mais de doze livros
por ano, ou seja, possuem média de leitura de um livro por mês. Pouca leitura,
pouco conhecimento, problemas na prática doutrinária.
Mesmo os Centros
Espíritas, na área do estudo, estão com problemas. Apesar da generosa oferta de
espaço físico, de dias e horários vagos, centenas, talvez milhares de centros
espíritas não dispõem de grupos de estudo sistematizado, não possuem cursos
doutrinários na grade de suas atividades. Limitam-se, perigosamente, às
palestras públicas, às vezes não mais do que duas vezes por semana. Conhecemos
casos em que os evangelizadores da infância e juventude reúnem-se na casa de um
deles para realizar seus estudos, porque não conseguiram autorização para
utilizar as dependências do próprio centro para essa tarefa.
Os dirigentes
espíritas precisam reconhecer a importância do estudo doutrinário, incentivando
a formação da biblioteca, da livraria, dos grupos de estudo e dos cursos dentro
do Centro Espírita, pois se assim não acontecer estaremos penalizados pela
ignorância, pela deturpação dos conceitos e pelas práticas estranhas ao Espiritismo.
É urgente
conscientizarmos freqüentadores e trabalhadores da necessidade da leitura, mas
entendendo o livro espírita como fonte profunda de conhecimentos, pois grande
maioria lê como se estivesse sempre diante de um romance agradável, do qual,
logo após a leitura, nem se lembra o nome.
Estudar o Espiritismo
é de suma importância, primeiro, para nosso aprimoramento, segundo, para a boa
prática no centro espírita. A conseqüência imediata é o progresso do grupo de
trabalho, e depois, se não ao mesmo tempo, o progresso coletivo da comunidade
do entorno ao centro, recebendo as benesses de um grupo ativo, dinâmico,
arejado, de firmes bases doutrinárias.
Pensemos
seriamente sobre o estudo doutrinário. O que fazemos da doutrina espírita é
responsabilidade individual e coletiva, da qual responderemos, e os quadros de
falência pessoal estão estampadas nas obras espirituais, via mediunidade.
Precisamos urgentemente mudar esse quadro
Fonte: Site do Grupo de Estudos e Pesquisas Espíritas em
19/11/2005 - www.gepenet.hpg.ig.com.br
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