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Estudos
Espíritas
Joanna de Ângelis (Espírito)
Conceito - Os lexicógrafos conceituam o sexo como sendo a
"conformação particular do ser vivo que lhe permite uma função ou papel
especial no ato da geração". Biologicamente, são os "caracteres
estruturais e funcionais pelos quais um ser vivo é classificado como macho ou
fêmea..."
A reprodução sexuada é condição inerente aos
animais, e entre esses aos metazoários, sendo necessário particularizar como
exceção alguns que são constituídos por organismos inferiores, cujos processos
procriativos obedecem a leis especiais. Esse processo de reprodução entre os
animais sexuados se dá, obedecendo à faculdade de elaboração de células
próprias, tendo a Escola de Morgan, nas suas pesquisas, classificado e
diferenciado as sexuais das somáticas, que são muito diferentes na constituição
do organismo.
Fundamental na espécie humana para o
"milagre" procriativo, é dos mais importantes fatores constitutivos
da personalidade, graças aos ingredientes estimulantes ou desarmonizantes do
equilíbrio, de que se faz responsável.
Considerando as conseqüências eugênicas, que
o desbordar do abuso vem produzindo nas sucessivas gerações, pensam alguns
estudiosos quanto à necessidade de ser aplicada a Eutanásia nos
"degenerados", a fim de evitar-se um "crepúsculo genético",
incorrendo, conseqüentemente, na realização de um hediondo "crepúsculo
ético" de resultados imprevisíveis. Isto, porque o sexo tem sido examinado,
apenas, de fora para dentro, sem que os mais honestos pesquisadores estejam
preocupados em estudá-lo de dentro para fora, o que equivale dizer: do espírito
para o corpo.
Aferrados a crasso materialismo em que se
fixam, não se interessam esses estudiosos pela observância das realidades
espirituais, constitutivas da vida, no que incidem e reincidem, por viciação
mental ou simples processo atávico, em relação aos cientistas do passado.
O sexo, porém, queira-se ou não, nas suas
funções importantes em relação à vida, procede do espírito, cujo comportamento
numa existência insculpe na vindoura as condições emocionais e estruturais
necessárias à evolução moral.
Desdobramento - A princípio, considerado instrumento de gozo puro
e simples, através do qual ocorria a fecundação sem maiores cuidados, passou,
nas Civilizações do pretérito, a campo de paixões exorbitantes, que, de certo
modo, foram responsáveis pela queda de grandes Impérios, cujos governantes e
povos, alçados à condição máxima de dominadores, permitiram-se resvalar pelas
rampas do exagero encarregado de corromper os costumes e hábitos, amolentando
caracteres e sentimentos, que culminaram na desagregação das sociedades, que
chafurdaram, então, em fundos fossos de sofrimento e anarquia.
Perseguido e odiado após a expansão da
Igreja Romana, transformou-se em causa de desgraças irreparáveis, que por
séculos sucessivos enlutaram e denegriram gerações.
Pelas suas implicações na emotividade
humana, a ignorância religiosa nele viu adversário soez que deveria ser
destruído a qualquer preço, facultando sucessivas ondas de crimes contra a Humanidade,
crimes esses que ainda hoje constituem clamorosos abusos de que o homem mesmo
se fez vítima inerme.
Cultivado, depois, passou pelo período do
puritanismo, em que a moral experimentou conceituação aberrante e falsa, dando
lugar a nefandos conúbios de resultados funestos.
A Sigmund Freud, sem dúvida, o indigne
médico vienense, deve-se a liberação do sexo, que vivia envolto em tabus e
preconceitos, quando se propôs examiná-lo com vigorosa seriedade, tentando
penetrar-lhe as nascentes, através do comportamento histérico e normal dos seus
pacientes, tendo em vista a necessidade de elucidar as incógnitas de larga
faixa dos neuróticos e psicóticos que lhe enxameavam a clínica, e desfilavam,
desfigurados, padecendo sofrimentos ultrizes nos manicômios públicos.
Lutando tenazmente contra a ignorância dos
doutos e a estultície dos ignorantes, arrostando as conseqüências da impiedade
e da má-fé da maioria aferrada ao dogmatismo chão e às superstições a que se
vinculavam, teve o trabalho grandemente dificultado, vendo-se obrigado ao
refúgio do materialismo, transferindo para a libido a responsabilidade por
quase todos os problemas em torno da neurose humana. Graças a isso, passou a
ver o sexo em tudo, pecando, por ocasião da elaboração das leis da Psicanálise,
pelo excesso de tolerância a respeito do comportamento sexual, no que
classificou inibições, frustrações, castrações e complexos do homem como sendo
seus próprios problemas sexuais... Os cooperadores de Freud alargaram um pouco
mais os horizontes da análise, sem contudo, detectarem no espírito as nascentes
das distonias emocionais das variadas psicopatias...
Com a Era Tecnológica, ante as novas
realidades sociais, graças à "civilização de consumo", o sexo
abandonou o recato, a pudicícia, para ser trazido à praça da banalização com os
agravantes do grosseiro desgaste do seu valor real, num decorrente
barateamento, incidindo na vida da comunidade ao impacto dos veículos de
comunicação com o poder da sua ciclópica penetração, da maneira destruidora,
aniquilante...
Elevado à condição de fator essencial em
tudo, é agora razão de todos os valores, produzindo mais larga faixa de
desajustados, enquanto se faz mais vulgar, mais mesquinho, mais brutalizado...
Problemas de exigência psiquiátrica,
distonias de realidade esquizóide, gritando urgência de terapêutica
especializada, defecções morais solicitando disciplina, educação e reeducação
constituem manchetes da leviandade, como se fossem esses ou reais processos da
vida e a reflexão como o equilíbrio passassem a expressões de anomalia
carecente de execração...
Transsexualismo e heterossexualidade
expulsos dos porões sórdidos da personalidade humana doentia, deixaram as salas
hospitalares e os pátios dos frenocômios para os desfiles das ruas, acolitados
por desenfreada sensualidade, através de cujos processos mais aumentam as vagas
do desequilíbrio.
Incontestavelmente impressos nos painéis do
psicossoma os comprometimentos morais em que o ser se emaranhou, estes impõem a
necessidade da limitação, como presídio de urgência, no homosssexualismo, no
hermafroditismo, na frigidez e noutros capítulos da Patologia Médica, nos casos
dos atentados ao pudor, traduzindo todos eles o impositivo da Lei Divina que
convoca os infratores ao imperioso resgate, de modo a que se reorganizem nesta
ou naquela forma, masculina ou feminina, a fim de moralizar-se, corrigir-se e
não se corromper, mergulhando em processos obsessivos e alucinatórios muito
mais graves, que logo mais padecerão...
Sexo e Espiritismo - Ante quaisquer problemas de ordem sexual, merece
considerar-se a importância da vida, das leis de reprodução, contribuindo para
o fortalecimento das estruturas espirituais na construção da paz interior de
cada um.
Frustração, ansiedade, exacerbação,
tormento, tendências inversas e aflições devem ser solucionados, do espírito em
processo de reajuste ao corpo em reparação.
Mediante a terapêutica da prece e do estudo,
da aplicação dos passes e do tratamento desobsessivo, a par de assistência
psicológica ou psiquiátrica correta, os que se encontram comprometidos com
anomalias do corpo ou da emoção, recuperam a serenidade, reparam os tecidos
ultra-sensíveis do perispírito, reestruturando as peças orgânicas para a
manutenção do equilíbrio na conjuntura reencarnatória.
A preservação da organização genésica na
faculdade sublime das suas finalidades impõe-se como dever imediato para a
lucidez do homem convocado ao erguimento do Novo Mundo de amor e felicidade a
que se refere o Evangelho e o Espiritismo confirma, através do bem a
espalhar-se hoje por toda parte, repetindo a moral do Cristo, insubstituível e
sempre atual.
Estudo e Meditação:
"Que efeito teria sobre a sociedade
humana a abolição do casamento?
Seria uma regressão à vida dos
animais."
"Qual das duas, a poligamia ou a
monogamia, é mais conforme à lei da Natureza?
A poligamia é lei humana cuja abolição marca
um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar
na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há afeição real: há apenas
sensualidade." (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questões 696 e 701.)
"Para ser mais exato, é preciso dizer
que é o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas
necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida
que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra,
talha-o de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais;
cabe-lhe a ele empregá-los. É assim que as raças adiantadas têm um organismo,
ou se quiserem, um aparelhamento cerebral mais aperfeiçoado do que as raças
primitivas. Desse modo igualmente se explica o cunho especial que o caráter do
Espírito imprime aos traços da fisionomia e às linhas do corpo." (A
Gênese, Allan Kardec, cap. XI, item 11.)
Texto extraído do livro
Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de
Ângelis.
Fonte: Site Portal do Espírito em
08/11/2005 – www.espirito.org.br
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