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Dr. Iso Jorge Teixeira*
isojorge@globo.com
Freqüentemente, ainda hoje, o filósofo FREDERICO
NIETZSCHE tem sido acusado de ter decretado a morte de DEUS e de sua Filosofia
ser anti-semita. Não
concordando com tais opiniões e observando, que jovens estudiosos estão sendo
levados por essa opinião (cf. revista UNIVERSO
ESPÍRITA, Ano 2, n.º 22, 2005, p. 64), fruto de uma leitura
ligeira das obras de um dos maiores filósofos de todos os tempos, resolvemos
repetir, aqui, um artigo que escrevemos há quase 19 anos atrás, quando éramos
principiantes no estudo da Doutrina Espírita, embora já tivéssemos uma boa
experiência de Psiquiatria e, conseqüentemente, algum conhecimento da obra de
alguns grandes filósofos.
O
referido artigo, que repetiremos aqui, especialmente para o Portal TERRA
ESPIRITUAL( http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/
) , com ligeiras modificações, foi publicado no Jornal Espírita (Órgão
da FEESP), no suplemento PARANORMAL EM NOTÍCIAS – Ano XI – n º 138,
dezembro/1986, p. 9. Vamos à leitura dele:
“O
propósito deste nosso estudo não é dissecar toda a obra de FREDERICO NIETZSCHE,
e sim resgatar a figura espiritual de NIETZSCHE como verdadeiro espiritualista
e relacioná-la, no que for possível, com o pensamento contido na Codificação Espírita. Não o consideramos
ateísta, anticristão, anti-semita e
figura das sombras como já se tentou enquadrá-lo...
No livro “Universo
e Vida” (Edit. FEB), atribuído ao Espírito ÁUREO,
psicografado por HERNANI T. SANT’ANNA, encontramos páginas admiráveis, [à
primeira vista], com um eruditismo unido à simplicidade de exposição impecáveis
[às vezes, até simploriedade]; entretanto, encontramos no Cap. X, um trecho que
julgamos injusto, quando lemos:
“A resposta do anticristo ao novo Pentecostes de
claridades eternas não se fez esperar. Karl Marx fundou o materialismo
dialético e abriu caminho para o bolchevismo ateu. Frederico Nietzsche desenvolveu a teoria do Super-Homem, exaltando a vontade de guerra: de superioridade e de domínio, e criando condições
para o racismo intolerante de Rosenberg e, para o nazismo de Hitler” – grifo nosso.
Teria NIETZSCHE
exaltado a “vontade de guerra”? Acreditamos que não e até o contrário disto,
como tentaremos demonstrá-lo, a seguir...
A guerra e a luta como necessárias, apesar de indesejáveis
De acordo com MÁRIO D.
FERREIRA SANTOS, no prólogo à tradução do livro “Vontade de Potência” (Der Wille Zur Macht) de
NIETZSCHE, à pág. 75 das Edições Ouro, 1966, lemos:
“Nietzsche falava num
futuro humano em que não mais fossem necessárias as guerras. Mas o homem
triunfaria quando pudesse vencer os períodos que o separam da super-humanidade
do futuro. Em uma de suas últimas páginas apensas à segunda edição de ‘Origem
da Tragédia’ disse: ‘Prometo uma idade trágica; a arte mais elevada na
afirmação da vida, a tragédia renascerá quando a humanidade tenha atrás de si a
consciência das guerras mais cruéis, mas as mais necessárias, sem delas mais
sofrer”.
Não está aqui o que a Doutrina Espírita preconiza? A
Humanidade não se regenerará? As guerras não são necessárias, segundo o
Espiritismo?! Parece-nos que sim. Elas não são desejadas, nem desejáveis, mas
têm uma finalidade Providencial de contribuir
para a liberdade e o progresso (cf. resposta à questão 744
de “O Livro dos Espíritos”) e é o que podemos interpretar, quando ALLAN KARDEC
nos diz no item 23 do livro “A
Gênese...”:
“Há também considerações morais de
ordem elevada. É necessária a luta para o desenvolvimento do Espírito. Na luta
é que ele exercita suas faculdades. O que ataca em busca do alimento e o que se
defende para conservar a vida, usam de habilidade e inteligência, aumentando em
conseqüência, suas forças intelectivas. Um dos dois sucumbe: mas, em realidade,
que foi o que o mais forte ou o mais destro tirou ao mais fraco? A veste de
carne, nada mais; ulteriormente, o Espírito que não morreu, tomará outro”.
Estaria KARDEC exaltando a “vontade
de guerra”? Obviamente, não!
©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©© Destruição “A destruição recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da Natureza,
uma das que, à primeira
vista, menos parecem
conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se por que lhes criou ele a
necessidade de mutuamente se destruírem, para se alimentarem uns às custas dos
outros”.- grifo
nosso (ALLAN KARDEC, “A Gênese...” – Cap. III- Destruição
dos seres vivos uns pelos outros – item 20, pág. 67, Edit. LAKE, 1982, São
Paulo). ©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©
Além disso, a guerra não é criada por DEUS. Ele deu o
livre-arbítrio ao homem, isto sim, e é defendendo o exercício do livre-arbítrio
em toda sua obra, que NIETZSCHE, como poeta-filósofo que foi, pleno de
aforismos, não foi entendido por seus
contemporâneos e por muitos, ainda hoje...
Por que um Teísta anunciaria a morte de DEUS ?
NIETZSCHE criticou a Igreja romana e luterana naquilo que
elas tinham de hipócritas; defendia a verdade, a realidade, a fé com raciocínio. Não era um
irracionalista. Opunha a Razão à Contra-Razão, para chegar à verdadeira RAZÃO,
com todas as letras maiúsculas...
Quando propalou a morte de DEUS, ele o fez em relação ao
Deus da Igreja romana e luterana, não como um ateu, mas, metodologicamente,
como o fizera R. DESCARTES na “dúvida metódica” e E. HUSSERL o fez, colocando-o
“entre parênteses”. Isso fica bem claro, quando lemos em “Vontade de Potência” (op. cit.), no
item 462:
“Afastemos a mais
alta bondade da idéia de Deus – ela é indigna de Deus.
Afastemos da mesma forma a mais alta sabedoria – ela é
vaidade dos filósofos, que têm na consciência a loucura desse monstro de
sabedoria que seria Deus: pretendiam
que Deus se lhes assemelhasse tanto quanto possível... Não! Deus a mais alta potência – isso basta! Dele resulta tudo, dele resulta tudo – ‘o mundo’! [grifos nossos].
E
no livro “Assim Falava Zaratustra”:
“Homens superiores – assim diz a populaça – não há homens superiores; todos somos iguais; perante Deus um homem não é mais do que outro; todos somos iguais.” [grifos nossos].
Perante Deus! Mas agora ESSE Deus morreu,
e perante a populaça nós não queremos ser iguais. Homens Superiores fugi da
praça pública.”
[grifo nosso].
Como
podemos constatar, NIETZSCHE combatia o Deus
antropomórfico, combatia a vaidade dos homens e demonstrou claramente que não
era ateu, pois disse: “Deus, a mais alta potência- isso basta!”. Também
aqui se desenvolveram os mesmos princípios defendidos pelo Espiritismo
[moderno]: DEUS não-antropomórfico, variedade de graus de adiantamento
espiritual – a Igreja romana diz que os Espíritos bondosos ganhariam o Reino
dos Céus e os maus o Inferno, como pena eterna e “a mais alta potência”
de bondade na Terra seria o Papa... Obviamente, que este Deus está morto. Deus
este que morreu na grande maioria dos espíritas, que foram católicos e
protestantes no passado... Esse Deus morreu e não foi NIETZSCHE quem o matou, e
sim, a própria Igreja.
Sobre o “Homem Bom” ou a hemiplegia da
virtude
Como
dissemos, anteriormente, NIETZSCHE foi um grande defensor do exercício do livre-arbítrio, ele próprio exerceu-o
enquanto pôde [até ser aniquilado pela doença]. Para ele, o homem bom é uma abstração, pois o
Bem e o Mal fazem parte, indissolúvel, da natureza humana. Eis o que ele diz em
“Vontade de Potência”:
“É-se bom com a condição de que também se saiba ser mau; é-se mau,
porque de outra forma não se poderia ser bom. De onde, portanto, provém esse
estado doentio, essa ideologia
contra a natureza, que nega esse caráter duplo –
que ensina como virtude suprema possuir somente um semivalor? De onde provém
essa hemiplegia da
virtude, invenção do homem bom?” [grifos nossos].
Mais
adiante, diz ele:
“Têm feito, em todos os tempos, e sobretudo nas épocas cristãs, o maior
esforço para reduzirem o homem a essa semi-atividade que é o “bem”; também hoje
não faltam seres deformados
e enfraquecidos pela Igreja, para quem essa intenção é idêntica à ‘humanização’ em geral ou à
‘vontade de Deus’ ou ainda à ‘salvação da alma’ ” [grifos
nossos]. E acrescenta o erudito filósofo:
“Talvez não tenha existido, até o presente, ideologia mais perigosa,
maior desatino in
psychologicis, que essa
vontade do bem: fizeram
desenvolver que é mister ser-se carola para se encontrar o verdadeiro caminho
de Deus, que a vida do
carola é a única vida que agrada a Deus.” - grifos nossos.
Portanto,
novamente vemos que NIETZSCHE tem sido muito mal interpretado. Ele não combatia
o homem “bom”, e sim alertava o carola que se tornava um joguete nas mãos da
Igreja; o que ele combatia era o conceito de “vontade” divulgado pela Igreja. O
livre-arbítrio implica em a dialética
do Bem e Mal... Desejar-se que as
pessoas sejam “boas”, aconselhando-as simplesmente que extirpem o mal, isto implica em
impedi-las de serem livres. Os Espíritos Superiores nunca induzem
ninguém a extirpar o mal... Às
vezes, até situações de prova seriam úteis para o exercício do livre-arbítrio... Na alegoria da
serpente, que tenta ADÃO e EVA, não está implícita a prova para o exercício da autodeterminação?...
Portanto,
NIETZSCHE pretendia era o homem inteiriço, livre, sem clichês que o embotassem
e que progredisse – exatamente o que a Doutrina Espírita postula.
Um Espiritualista que desconhecia o
Espiritismo – Um sonho de NIETZSCHE
Mesmo desconhecendo o perispírito
nas suas manifestações no sono e, em alguns casos, em vigília, NIETZSCHE não deixou de resgatar
o exercício do livre-arbítrio no homem carnal; talvez, por esse desconhecimento
é que ele achasse “o Espírito puro, uma pura tolice”, [aliás, o que ele referia
como “Espírito puro” não é exatamente o que nós, espíritas, consideramos]...“Se abstrairmos do sistema nervoso e dos sentidos o
‘invólucro mortal’, enganamo-nos no nosso cálculo, nada mais”, disse
ele. Se conhecesse, como nós, as manifestações do perispírito; se a sua preocupação
fosse mais científica e não filosófica somente, talvez a forma de defender suas
idéias seria outra; embora, também, não teria sido tão genial...
É claro que o “Espírito Puro”, na acepção nietzscheana,
no homem carnal é uma “tolice”, contudo, em situações de sono podemos ter idéia do
além-túmulo e, portanto, do “Espírito puro” [ou quase puro]. Mas, NIETZSCHE não
se preocupou com o estudo da vida além-túmulo. Se ele tivesse se aprofundado
num sonho que teve na
infância, talvez seria outra sua cosmovisão.
Eis o que ele escreveu, belissimamente, aos 14 anos de idade com relação à
morte do irmão, após a morte do pai (que era pastor e músico):
“Quando se despoja
uma árvore de sua coroa, ela seca e os pássaros abandonam os galhos. Nossa
família foi despojada de sua coroa, toda a alegria se desvaneceu de nossos
corações e uma tristeza profunda apossou-se de nós. E nem bem as feridas
estavam fechadas, já foram abertas dolorosamente. ¾ Nesse tempo sonhei ouvir o órgão ressoar surdamente como
num funeral. E como procurava a causa, um túmulo se abriu subitamente, e meu pai
apareceu caminhando envolto em uma mortalha. Atravessou a Igreja, veio até
junto a mim com uma criança nos braços. O túmulo abriu-se de novo, meu pai
desceu e as pedras fecharam o túmulo. No mesmo instante, o murmúrio do órgão
cessou, e despertei. De manhã contei este sonho à minha mãe. Pouco depois, meu
irmão José adoeceu, teve ataque de nervos, e morreu em poucas horas. Nossa dor
foi terrível. Meu sonho transformou-se exatamente numa realidade; e o pequeno
corpo foi depositado nos braços de meu pai. Depois dessa dupla desgraça, o
Senhor, nos Céus, foi a nossa única consolação. Isso aconteceu em fins de
janeiro de 1856”. (cf. MÁRIO D. FERREIRA SANTOS. In “Vontade de
Potência”, op. cit., p. 20).
Como se pode observar, NIETZSCHE não se aprofundou no
estudo do sonho premonitório,
ocorrido na sua infância [aos 12 anos de idade]. Talvez, pelo não
aprofundamento científico – era filho de religiosos e amante das artes –
é que ele não tenha pensado numa manifestação espírita, julgou,
simplesmente que o sofrimento aproximou-o, e a família, do Senhor...
Não obstante, nem por isso NIETZSCHE
deixou de ser um espiritualista por excelência e, por ser genial, não foi
entendido em sua época (século XIX), deixando uma mensagem que só a posteridade
(século XX) a entenderia, parcialmente. Foi ele, e o teólogo e filósofo
dinamarquês SÖREN KIERKEGAARD, um precursor do moderno Existencialismo,
cultivado por grandes filósofos do século 20: KARL JASPERS, GABRIEL MARCEL,
HEIDEGGER, SARTRE e outros... [E há quem veja, como nós, pontos de contato
entre a filosofia de NIETZSCHE e a de HENRI BERGSON , que sem dúvida,
estabeleceu diretrizes importantes no estudo da problemática do TEMPO, com seu “élan vital”, desenvolvido pela visão
existencialista]...
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Karl Jaspers
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Sören KIERKEGAARD
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Gabriel Marcel
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Martin Heidegger
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Henri BERGSON
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J.P. Sartre
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Foi
KARL JASPERS que, em 1950, falando da “Importância
de Nietzsche na História da Filosofia”,
quem ressaltou este aspecto:
“Nietzsche é um dos três pensadores que não começaram a significar algo
até o século XX, apesar de pertencer ao XIX. São os três pensadores que dominam
o pensamento filosófico atual e que todavia estão sem acabar de entender, apesar de que sem eles não se explicam nem as
idéias nem a linguagem da atualidade. Estes três são Kierkegaard, Marx e Nietzsche” –
grifos nossos.
E JASPERS esclarece, ainda:
“Na nova edição que se pretendia fazer de suas obras
completas, que era totalmente necessária, foi consideravelmente aumentado o
material. A anterior edição se retardara por falta de interesse na época tardia
do Nazismo”.
E
mais adiante, o grande filósofo e psiquiatra alemão compara os três pensadores
no aspecto prático:
“Marx preparou a revolução mundial e a ditadura do proletariado.
Kierkegaard desatou um terrível ataque contra a Igreja ao final de sua vida. E Nietzsche o fez contra o Reich alemão, com seus
telegramas famosos no início de sua doença: (‘Prezado Imperador Guilherme’ –
‘fuzilados todos os anti-semitas’ e outros no estilo” – grifo nosso
- [“Importância de Nietzsche na História
da Filosofia”, in “Conferencías y Ensayos Sobre Historia de la
Filosofia”, Ed. Gredos, Madrid, 1972, p. 313 e 319).
Aí
está, NIETZSCHE não preparou campo algum para o racismo e para o nazismo;
ele não foi entendido em sua época e ainda hoje permanece incompreendido...
Apesar de sua doença (Paralisia Geral Progressiva
– uma forma de sífilis cerebral tardia) deixou páginas magistrais, vazadas de
um autêntico Espiritualismo, que influenciaram todo o pensamento
existencialista contemporâneo...
Os Espíritos de escol não são compreendidos
Por que os Espíritos de
escol, encarnados, não são, em geral, compreendidos em sua época? Acreditamos
que a mensagem que trazem, transcende a época em que vivem, obviamente.
NIETZSCHE tinha plena consciência de que sua mensagem não seria compreendida,
pois disse:
“Pronunciadas estas
palavras, Zaratustra tornou a olhar o povo e calou-se.
Riem-se
– disse o seu coração. Não me compreendem: a minha boca não é boca que estes
ouvidos necessitam”. [Assim falava
Zaratustra].
Tanto
JESUS quanto NIETZSCHE trouxeram ensinamentos imperecíveis, colocaram a candeia
sobre o alqueire e só seriam entendidos postumamente, se é que foram entendidos...
+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?+?
Cesare Beccaria e Allan Kardec nos leva a
refletir sobre a condição humana atual, nos levando a questões como esta: o
homem que mata perde, com isso, o direito à própria vida?” E Kardec, mais uma
vez pergunta, agora na questão 761:
Cremos que não devemos criticar NIETZSCHE por não ter
sido entendido em sua época e por ter usado aforismos. Se o CRISTO não foi e
não é hoje entendido em seus ditos e suas parábolas!!! Como disse KARDEC:
“É
então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, pois sem a luz da
razão, a fé se enfraquece”. (“O
Evangelho segundo o Espiritismo”, Cap. XXIV). Como nas parábolas do CRISTO,
NIETZSCHE colocou a candeia sobre o candeeiro a fim de que todos os que entram possam vê-la... E a luz
se irradiou do século XIX até a era contemporânea.
NIETZSCHE
não foi Espírito das Trevas, e sim das Luzes – Luz intensa que sua doença não
conseguiu dosar, assim supomos nós, como assinalava uma quadrinha do Espírito
CASIMIRO CUNHA na pena de CHICO XAVIER:
Ante
os problemas dos outros
Emudece
os lábios teus.
Em tudo sempre supomos
Mas quem sabe é sempre Deus.”
Foi este o estudo que fizemos em nosso artigo no JE, há quase 19 anos e hoje o
repetimos aqui, especialmente para o Portal TERRA ESPIRITUAL, pois julgamos
importante o resgate da figura espiritual de FREDERICO NIETZSCHE e sua
correlação filosófica com o Espiritismo, numa época como a nossa, em que o
Homem está tão necessitado de valores espirituais realmente superiores e de
consolação...
Epílogo
O Espiritismo é a alavanca para penetrarmos nesses
valores espirituais e NIETZSCHE muito contribuiu para encontrarmos em nós o
verdadeiro “Além-Homem”, e não o “Super-Homem”, anti-semita, ateu, como tem
sido corrompida a Filosofia e a própria pessoa do grande precursor do
Existencialismo moderno.
O “super-homem” nietzscheano tem sido muito mal
interpretado. “Se se interpreta Vontade de
Potência, disse
NIETZSCHE, como desejo
de dominar, faz-se dela algo dependente dos valores estabelecidos. Com isso
desconhece-se a natureza da vontade de potência como princípio plástico de
todas as avaliações e como força criadora de novos valores. Vontade de
Potência, diz NIETZSCHE, significa
‘criar’, ‘dar’, e ‘avaliar’ ” (cf. encarte da Coleção OS PENSADORES
(p. 640, Abril Cultural S.A.: São Paulo, vol. XXXI – NIETZSCHE, 1974). E no
mesmo texto, lemos: “Nietzsche responde ao
pessimismo de Schopenhauer: em lugar do desespero de uma vida para a qual tudo
se tornou vão, o homem descobre no eterno retorno a plenitude de uma existência
ritmada pela alternância da criação e da destruição, da alegria e do
sofrimento, do bem e do mal.” (op. cit., p. 640).
NIETZSCHE tinha plena consciência da sua existência de exceção e da falta de
sintonia dos seus contemporâneos, e, provavelmente, por isso escreveu em “Para a Genealogia da Moral”:
“(...) No entanto com tal alarido e tagarelice de
agitadores não se consegue nada comigo: esses corneteiros da efetividade são
maus musicistas, suas vozes, bastante audivelmente, não vêm da profundeza,
neles não fala o abismo da consciência científica – pois hoje a consciência científica
é um abismo ¾ , a palavra “ciência”, nessas bocarras de corneteiro, é simplesmente
uma indisciplina, um abuso, uma sem-vergonhice.” (Coleção
OS PENSADORES, op. cit, p. 325).
Para os católicos e protestantes foi conveniente
estigmatizar NIETZSCHE como o “Anti-Cristo” e as razões são óbvias, pois ele
demonstrou que o Deus do Cristianismo dos vigários estava morto e foram os
próprios religiosos que, ao longo de quase dois mil anos, o “mataram”, não obstante, a obra do Mestre
JESUS, primitiva, seja intocável, pois foi realizada com Amor e compete ao Espiritismo
desenvolvê-la, pois a Doutrina dos Espíritos é o “Consolador" que JESUS
prometeu pedir ao Pai, mas disso já tratamos alhures...
* Médico. Psiquiatra. Prof. Livre -
Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade
de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria (FCM -
UERJ).
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