|
Jornal Universo Espírita
A interessante matéria publicada na revista
"Isto É" n.º 1489, de 14 de abril de 1998, intitulada "Estranhos
Poderes", tem como subtítulo o seguinte: "Eles dizem ouvir vozes,
assumir personalidades, receber mensagens de mortos. As habilidades dos
médiuns, por muito tempo explicadas só pela fé, atraem o olhar da ciência e
ganham novas interpretações." (grifo nosso)
Foi no seio da grande Confederação
americana, em 1850, que, pela primeira vez, as manifestações espíritas atraíram
a atenção pública. Rapidamente, multiplicaram-se as manifestações, preocupando
a opinião de certos sábios da época.
O célebre Robert Hare, professor da
Universidade da Pensilvânia publicou a obra "Experimental Investigations
of the Spiritual Manifestations", na qual estabeleceu cientificamente a
intervenção dos Espíritos.
Robert Dale Owen, sábio escritor, também se ligou a esse movimento de opinião,
e escreveu várias obras de esclarecimento do fenômeno, entre as quais, uma de
grande êxito: "Footfalls on the Boundary os Another World" -
(Investidas às Fronteiras de um outro Mundo, 1877).
Na Inglaterra, onde também houve muitas
manifestações espíritas, os sábios ingleses estudaram os fenômenos com uma
atenção perseverante e minuciosa.
Em 1869, a Sociedade Dialética de Londres
nomeou uma comissão de trinta e três membros, sábios, literatos, prelados,
magistrados, entre os quais Sir John Lubbock, da Royal Society, Henry Lewes,
hábil fisiologista, Huxier, Wallace, Crookes, etc, para examinar e
"aniquilar para sempre" esses fenômenos espíritas, que, dizia a
moção, "são somente produto da imaginação". Depois de dezoito meses
de experiências e estudos, a Comissão, em seu relatório, reconheceu a realidade
dos fenômenos e concluiu em favor do Espiritismo.
Um dos trinta e três, A Russel Wallace,
colaborador de Darwin, e, depois da morte deste, o mais eminente representante
do evolucionismo, prosseguiu suas investigações e consignou os seus resultados
numa obra de grande êxito: "Miracles and Modern Spiritualism".
Falando dos fenômenos, exprime-se nestes termos:
"Quando me entreguei a essas
experiências, era fundamentalmente materialista. Não havia em minha mente
concepção alguma de existência espiritual. Contudo, os fatos são obstinados;
venceram e obrigaram-me a aceitá-los muito tempo antes que eu pudesse admitir a
sua explicação espiritual. Esta veio sob a influência constante de fatos
sucessivos que não podiam ser afastados nem explicados de nenhuma outra
maneira."
Entre os sábios ingleses cujos testemunhos
públicos podem ser invocados em favor da manifestação dos Espíritos, também
citaremos Stainton Moses, professor da Faculdade de Oxford, que publicou um
livro sobre o assunto, intitulado "Spirit Identy", e uma outra obra
denominada "Psychography; Warley, engenheiro-chefe dos telégrafos,
inventor do condensador elétrico; Sargent Cox, jurisconsulto; A de Morgan,
presidente da Sociedade Matemática de Londres; o Professor Challis, da
Universidade de Cambridge; os Drs. Charbers, James Gully, G. Sexton, etc.
Além de todos estes nomes, justamente
estimados, há um outro maior e mais ilustre, que vem juntar-se à lista dos
partidários e defensores do Espiritismo; é o de William Crookes, um dos maiores
sábios de sua época, físico, químico, astrônomo, se ocupou ainda da medicina e
da higiene, membro da Royal Society (Academia de Ciências da Inglaterra).
Os trabalhos de William Crookes sobre o ouro
e a prata, sua aplicação do sódio ao processo de amalgamação, são utilizados em
todas as oficinas metalúrgicas da América e da Austrália. Com o auxílio do
heliômetro do Observatório de Greenwich, foi ele o primeiro que pode fotografar
os corpos celestes; as suas reproduções da Lua são célebres. Seus estudos sobre
os fenômenos da luz polarizada, sobre a espectroscopia não são menos
conhecidos. Crookes descobriu também o Tálio. Todos esses trabalhos, porém, são
excedidos por sua magnífica descoberta do quarto estado da matéria, descoberta
que lhe assegura um lugar no panteão da Inglaterra, ao lado de Newton e de Herschell.
William Crookes entregou-se, durante dez
anos, ao estudo das manifestações espíritas e, para verificá-las
cientificamente, construiu instrumentos de precisão e delicadezas inauditas.
Com o auxílio da uma médium notável, a jovem Florence Cook, e de outros sábios
tão rigorosamente metódicos como ele, operava em seu próprio laboratório,
cercado de aparelhos elétricos, que teriam tornado impossível ou mortal
qualquer tentativa de fraude.
Em sua obra "Researches in the
Phenomena of Spiritualism", Crookes analisa as diversas espécies de
fenômenos observados: movimento de corpos pesados, execução de peças musicais
sem contato humano, aparições de mãos em plena luz, aparições de formas e de
figuras, etc. Durante vários meses, o Espírito de uma jovem e graciosa mulher,
chamada Katie King, mostrou-se todas as noites, aos olhos dos investigadores,
revestindo, por alguns instantes, as aparências de um corpo humano provido de
órgãos e de sentidos, conversando com Crookes, com sua esposa e com os
assistentes, submetendo-se a todas as experiências exigidas, deixando-se tocar,
auscultar, fotografar, após o que se esvaia como tênue névoa. Essas curiosas
manifestações estão longamente relacionadas na obra "Fatos
Espíritas", de William Crookes, editora FEB.
Na Alemanha, os mesmos testemunhos da
existência dos Espíritos e de suas manifestações decorrem dos trabalhos do
astrônomo Zölner, dos professores Ulrici, Weber, Fechner, da Universidade de
Leipzig; Carl du Prel, de Munique. Esses sábios, cépticos todos, a princípio, e
igualmente animados do desejo de desmascarar o que consideravam trapaças
vulgares, foram constrangidos, pelo respeito à verdade, proclamar a realidade
dos fatos observados.
Na Itália, o Professor Ercoles Chiaia
realizou com a médium Eusápia Paladino várias experiências. Esse investigador
reproduziu vários fenômenos notáveis, como transportes, materializações,
levitações, impressões de pés e mãos e fisionomias em parafina derretida, assim
obtidas em recipientes isolados de todo e qualquer contato humano.
A publicidade dessas experiências na Itália
provocou uma crítica vivaz do ilustre Professor Cesar Lombroso, criminalista e
antropologista célebre. Oferecendo-se o Professor Chiaia para produzir
novamente os mesmos fenômenos, realizara, então, em fins do ano de 1891, várias
sessões na própria casa de Lombroso, em Nápoles. Este, auxiliado por outros
professores, os Srs. Tamburini, Virgillo, Bianchi, Vizioli, da Universidade de
Nápoles, pode assim verificar a realidade dos fatos espíritas, que depois se
tornou pública.
Foram realizadas dezesseis sessões com a
médium Eusápia Paladino, onde houve várias manifestações espíritas, desde
movimentos mecânicos até materializações de Espíritos de pessoas conhecidas que
já haviam falecido.
Dessas experiências foram feitas atas, as
quais foram publicadas em forma de suplemento do Jornal L’Italia del Popolo, de
Milão, em 18 de novembro de 1892. Esses documentos foram assinados pelos
seguintes eminentes sábios de diversos países:
- Schiaparelli, diretor do Observatório Astronômico de Milão;
- Alexander Aksakof, conselheiro de Estado da Rússia, diretor da
revista Psychische Studien, de Leipzig;
- Carl du Prel, de Munique;
- Angelo Brofferio, professor de Filosofia;
- Gésora, professor de física na Escola Superior de Agricultura, em
Portici;
- Ermacora e G. Frizi, doutores em Física;
- Charles Richet, professor na Faculdade de Medicina de Paris, prêmio
Nobel em Fisiologia 1923;
- César Lombroso, professor da Faculdade de Medicina de Turim.
Do conjunto dos fenômenos observados, dizem
eles, depreende-se a vitória de uma verdade que injustamente muitos têm querido
tornar impopular.
E, por fim, citaremos um jovem sábio, Dr.
Paul Gibier, discípulo favorito de Pasteur e diretor do Instituto Anti-Rábico
de Nova Iorque, que estudou os fenômenos de modo muito especial e publicou duas
obras: "O Espiritismo ou Faquirismo Ocidental"- 1887 - e
"Análise das Coisas" - 1889 -, nas quais estuda conscienciosamente e
afirma com coragem a existência dos mesmos fatos.
Deixamos de citar outros sábios cientistas e
pesquisadores dos fenômenos espíritas, como por exemplo, o célebre astrônomo
Camille Flammarion, o pesquisador Ernesto Bozzano, o Professor William James, o
Dr. Richard Hodgson, o Professor James H. Hyslop, o Sir Oliver Lodge, sendo que
os quatro últimos realizaram minuciosas investigações com a mediunidade da Sra.
Leonora Piper, comprovando a comunicabilidade dos Espíritos, conforme
encontramos no livro "Os Sábios e a Sra. Piper", de Antonio Cesar
Perri de Carvalho.
Deste modo, ao contrário do que afirma a
matéria publicada recentemente na revista mencionada no início deste artigo, a
mediunidade não é apenas explicada pela fé, mas sim objeto de estudos sérios e
profundos por eminentes sábios e cientistas do século passado.
Fontes de pesquisa:
·
Fatos
Espíritas, de William Crookes, Editora FEB;
·
Depois
da Morte, de Léon Denis, Editora FEB,
·
Os
Sábios e a Sra. Piper, de Antonio Cesar Perri de Carvalho, Editora O Clarim.
Fonte: Site do jornal Universo Espírita em
17/10/2005 - www.universoespirita.net
|