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Três espécies vivendo em meios diferentes revelam estar em caminhos seguros rumo ao reino hominal e além
Renato
Costa*
rsncosta@terra.com.br
Em artigo nosso na edição de maio passado desta RIE, intitulado Os Diversos Caminhos da Evolução Anímica, ficamos de apresentar exemplos de caminhos evolutivos tomados por três espécies animais, uma vivendo na terra, outra, no mar e uma terceira deslocando-se pelo ar.
É o que passamos a fazer.
O golfinho roaz-corvineiro (Tursiopis
Truncatus) pertence à ordem dos cetáceos, mamíferos que migraram de volta às águas há cerca de 60 milhões de anos.

Os estudiosos têm descoberto vários comportamentos inteligentes desses animais, fazendo eco a uma tradição que remonta à antiguidade grega. Entre tais comportamentos vários se devem ao sofisticado sistema de comunicação que possuem, incluindo um padrão de assobios próprio que cada indivíduo usa para se identificar, como se fosse uma espécie de nome próprio, o uso de dialetos de assovios específicos por cada grupo, capacidade dos indivíduos comunicarem entre si conceitos abstratos, como provado em um experimento feito pelo Dr. Javis Bastian e capacidade de aprender vocalizações e repeti-las.
Igualmente notável é sua elevada inteligência emocional. A maior parte do tempo são alegres, brincalhões e afetuosos entre si, mesmo quando em cativeiro, tendo demonstrado sempre uma amizade especial pelos humanos. Possuem senso de humor, fazendo molecagens com peixes e aves marinhas somente para se divertirem.
Exibem estratégia, usando batedores para sondar pela primeira vez algo novo em seu caminho ou formando alianças entre seu grupo e um outro para enfrentar um terceiro com que têm algo em disputa. Decidem o que fazer usualmente por consenso, depois de demoradas interações entre os membros do grupo. Em interação com o Dr. John Lilly, um golfinho alterou a regra de um jogo de sons e, ao perceber que um assobio seu não estava sendo ouvido, baixou a freqüência do mesmo até se assegurar que a comunicação se havia estabelecido. A partir desse momento o golfinho guardou a faixa de escuta do Dr. e se manteve dentro dela até o final. Foi um caso singular de um animal fazer um experimento com um ser humano.
A Ciência hoje se
divide principalmente entre duas hipóteses para o surgimento das aves, uma que afirma
terem elas descendido dos dinossauros e outra terem tanto elas quanto os dinossauros descendido
de uma terceira forma, comum a ambas.
Entre as aves, várias espécies têm
revelado comportamento inteligente. Dentre elas, escolhemos
para nosso estudo o papagaio cinza africano (psittacus
erithacus), espécie que vem
sendo estudada há várias décadas pela Dra.
Irene Maxine Pepperberg, da Universidade do
Arizona.

Alex é o nome do simpático papagaio que vemos na
foto . Ele é o papagaio cinza africano mais velho dentre os estudados
pela Dra. Irene e por seus colaboradores.
Alex aprendeu a responder a perguntas sobre mais de 100 objetos diferentes. Sabe designar corretamente cores, formas e números,
utilizando tais conceitos com sentido e de forma
combinada, lidando ao mesmo tempo com conceitos abstratos como o tamanho relativo e a noção de igual ou diferente. Sabe como e quando dizer “não”, “venha
cá”, “eu quero
<tal coisa>” e
“quero ir a <tal lugar>”. Sua capacidade lingüística equivale
à de uma criança de dois anos, ao passo que seu raciocínio na solução de problemas corresponde
a uma de quatro, pelo menos. Como diz a
Dra. Pepperberg, se Alex é incapaz de conversar como um ser humano, por outro lado consegue
dizer com clareza o que deseja e responder |