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Estudos Espíritas
Joanna de Ângelis (Espírito)
Conceito - Distúrbio espiritual de longo curso, a obsessão
procede dos painéis íntimos do homem, exteriorizando-se de diversos modos, com
graves conseqüências, em forma de distonias mentais, emocionais e
desequilíbrios fisiológicos.
Inerentes à individualidade que lhe padece o
constrangimento, suas causas se originam no passado culposo, em cuja vivência o
homem, desatrelado dos controles morais, arbitrariamente se permitiu consumir
por deslizes e abusos de toda ordem, com o comprometimento das reservas de
previdência e tirocínio racional.
Amores exacerbados, ódios incoercíveis,
dominação absolutista, fanatismo injustificável, avareza incontrolável,
morbidez ciumenta, abusos do direito como da força, má distribuição de valores
e recursos financeiros, aquisição indigna da posse transitória, paixões
políticas e guerreiras, ganância em relação aos bens perecíveis, orgulho e
presunção, egoísmo nas suas múltiplas facetas são as fontes geratrizes desse
funesto condutor de homens, que não cessa de atirá-los nos resvaladouros da
loucura, das enfermidades portadoras de síndromes desconhecidas e perturbantes
do suicídio direto ou indireto que traz novos agravamentos àquele que se lhe
submete, inerme, à ação destrutiva.
Parasita pertinaz, a obsessão se constitui
de toda idéia que se fixa de fora para dentro - como na hipnose, por sugestão
consciente ou não, como pela incoercível persuasão de qualquer natureza a que
se concede arrastar o indivíduo. Ou, de dentro para fora, pela dominadora força
psíquica que penetra e se espraia, no anfitrião que a agasalha e sustenta,
vencendo-lhe as débeis resistências.
Originária, às vezes, da consciência
perturbada pelas faltas cometidas nas existências passadas, e ainda não expungidas
- renascendo em forma de remorsos, recalques, complexos negativos, frustrações,
ansiedades -, impõe o auto-supliciamento, capaz, de certo modo, de dificultar
novos deslizes, mas ensejando, infelizmente, quase sempre, desequilíbrios mais
sérios...
Possuindo o homem os fatores predisponentes
para o seu surgimento e fixação (os débitos exarados na mente espiritual
culpada), faculta uma simbiose entre as mentes, encarnadas ou desencarnadas,
mas de maior incidência na esfera entre o Espírito desatrelado do carro
somático e o viandante da névoa carnal, constituindo tormento de larga expansão
que, não atendido convenientemente, termina por atingir estados desesperadores
e fatais.
Sendo, todavia, a morte, apenas um
corolário da vida, em que aquela confirma esta, compreensível é que o
intercâmbio incessante prossiga, não obstante a ausência da forma física.
Viajando pelo perispírito, veículo condutor das sensações físicas na direção do
Espírito e, vice-versa, mensageiro das respostas ou impulsos deste no rumo do soma,
esse corpo semimaterial, depositário das forças impregnantes das células,
constitui excelente campo plástico de que se utiliza a Lei para os
imprescindíveis reajustes daqueles que, por distração ou falta de siso, desrespeito
ou abuso, ambição ou impiedade se atrelaram às malhas da criminalidade.
O comércio mental funciona em regime de
amplas perspectivas, seja no plano físico, seja nas esferas espirituais; ou
reciprocamente.
Não sendo necessário o cérebro para que a
mente continue o seu ministério intelectual, constituindo o encéfalo
tão-somente o instrumento de exteriorização física, mentes e mentes ligam-se e
se desligam em conúbios contínuos, incessantes, muito mais do que seria de
supor-se.
O que é normal entre os homens não muda após
o decesso corporal.
Há sempre alguém pensando noutrem. O
estabelecimento dos contatos como a continuidade deles é que podem dar curso
aos processos obsessivos ou lenificadores, consoante seja a fonte emissora.
Através da Física Moderna, em ligeiro exame,
podemos constatar que, à medida que a matéria foi perquirida, experimentou
desagregação, até quase total extinção da idéia de estrutura.
Dos conceitos medievais aos hodiernos, há
abismos de conhecimento, viandando da constituição bruta à quintessência. Em
conseqüência, a Terra e tudo que nela se encontra ora se converte em ondas,
raios, mentes, energias...
Da idéia simples, que insiste, perseverante,
à fascinação estonteante, contínua, até à subjugação vencedora, a obsessão é,
em nossos dias, o mais terrível flagelo com que se vê a braços a Humanidade...
Espocando em condições próprias, quais
cogumelos bravos e venenosos, multiplica-se assustadoramente, conclamando-nos
todos à terapêutica imediata, cuidadosa, e a medidas preventivas, inadiáveis,
antes que os palcos do mundo se convertam em cenários nefandos de horror e
desastre.
Desenvolvimento - A História é testemunha de obsessões cruéis.
Atormentados de todo porte desfilaram
através dos tempos, vestindo indumentárias masculinas e femininas, em macabros
festivais, desde as guerras sanguissedentas a que se entregavam às dominações
mefíticas, cuja evocação produz estupor nas mentes desacostumadas à barbárie.
Não somente, todavia, nos recuados tempos do
passado.
Não há muito, a Humanidade foi testemunha da
fúria obsessiva dos apaniguados do racismo hediondo, que nos campos de
concentração de diversas nações modernas praticaram os mais selvagens e frios
crimes contra o homem e a sociedade, conseqüentemente contra Deus.
Isto porque a obsessão não se desenvolve
somente nos chamados meios vis, em que imperam a ignorância, o primitivismo, o
analfabetismo, os sofrimentos cruciais. Medra, também, e muito facilmente,
entre os que são fátuos, os calculistas e imediatistas, neles desdobrando, em
virtude das condições favoráveis da própria constituição espiritual, os semens
da perturbação que já conduzem interiormente.
Estigma a pesar sobre cabeças coroadas, a
medrar em berços de ouro e nácar, a fustigar conquistadores, a conduzir
perversos, esteve nos fastos históricos aureolada de poder e ovacionada pela
febre da loucura, condecorando homicidas e destruindo-os depois, homenageando
bárbaros e destroçando-os, em voragens nas quais se consumiam, em espetáculos
inesquecíveis pela aberração de que davam mostras.
Ferrete cravado em todos aqueles que um dia
se mancomunaram com o crime, aparece nas mentes e corpos estiolados,
arrebentando-se em expressões teratológicas dolorosas, exibindo as feridas da
incúria e da alucinação.
Não apenas no campo psíquico a obsessão
desarticulou, no passado, heróis e príncipes, dominadores e dominados, mas,
também, nas execrações físicas de que não se podiam furtar os criminosos,
jugulando-os às jaulas em que se fazia necessário padecerem para resgatar.
Hoje, em pleno século da tecnologia, em que
os valores éticos sofrem desprestígio, a benefício dos valores sem valor,
irrompe a obsessão caudalosa, arrasadora, arrancando o homem das estrelas para
onde procura fugir, a fim de fixá-lo ao solo que pensa deixar e que se encontra
juncado de cadáveres, maculado de sangue, decorrência de suas múltiplas e
incessantes desídias.
Obsessão e Jesus - Ensinando mansuetude e renúncia, quando o mundo se
empolgava nas luzes de Augusto; precedido pelos arregimentadores da paz e da
concórdia, que mergulharam na carne para lhe prepararem o advento, Jesus viveu,
todavia, os dias em que a força estabelecia as bases do direito e o homem era
lacaio das paixões infrenes, vitimado pelas loucas ambições da prepotência e
das guerras...
Embora as luzes do pensamento filosófico de
então, a espocarem em vários rincões, o ser transitava, ainda, das expressões
da selvageria à civilidade, acobertado por vernizes tênues de cultura, em que o
orgulho vão mantinha supremacia, dividindo as criaturas em castas e sub-castas,
a expensas de preconceitos muito enganosos.
A Sua mensagem de amor, no entanto,
sobrepairou além e acima de todas as conceituações que chegaram antes, e a
força do Seu verbo, na exemplificação tranqüila quão eloqüente de que se fez
expoente, abalou a pouco e pouco os falsos alicerces da Terra, injetando
estrutura salutar e poderosa sobre a qual ergue, há vinte séculos, o Reino da
Plenitude...
Nunca se escutara voz que se Lhe semelhasse.
Jamais se ouviu canção que transfundisse tal
esperança.
Outra vez não voltaria o murmúrio sublime de
tão comovedora musicalidade..
Ninguém que fizesse o que Ele fez.
Nenhuma dádiva que suplantasse a que Ele
distribuiu.
Pelo tanto que é, tornou-se também o Senhor
dos Espíritos, penetrando os meandros das mentes obsidiadas e arrancando de lá
as matrizes fixas, por meio das quais os Espíritos impuros se impunham àqueles
que lhes estavam jugulados pelos débitos pesados do pretérito.
Não libertou, no entanto, os obsidiados sem
lhes impor a necessidade de renovação e paz, por meio das quais encontrariam o
lenitivo da reparação da consciência maculada pelas infrações cometidas. Nem
expulsou, desapiedadamente, os cobradores inconscientes. Antes entregou-os ao
Pai, a Quem sempre exorava proteção, em inigualável atitude de humildade total.
Apesar disso, os que O cercavam, fizeram-se
por diversas vezes instrumento de obsessões temporárias, a fim de que
pudéssemos compreender, mais tarde, a nossa própria fragilidade, afastando
assim pretensões e regimes de exceção.
Enérgico ou meigo, austero ou gentil,
cônscio da Sua missão, ensinou que a terapêutica mais poderosa contra obsessões
e desgraças é a do amor, pela vivência da caridade, da renúncia e da
auto-sublimação.
Prevendo o futuro de dores que chegaria mais
tarde, facultou-nos o Consolador para que todos que "nele cressem
não perecessem, mas tivessem a vida eterna
Enquanto as luzes da cultura parecem
esmaecidas pelo sexo em desconcerto, de que se utilizam os Espíritos infelizes
para maior comércio com os homens; pelos estupefacientes e alucinógenos em
báratro assustador, que facultam mais amplas possibilidades ao conúbio entre os
Espíritos dos dois lados da vida; pela aflição na conquista da posse, que
estimula o exercício exagerado de paixões de vário porte; pela fuga espetacular
à responsabilidade, que engendra o desrespeito e acumplicia o homem às torpes
vantagens da carne ligeira; pela desesperação do gozo de qualquer matiz, que
abre as comportas do vampirismo destruidor, o Consolador chega lucilando
ao mundo e acenando novos métodos de paz para os que sofrem, e esses sofredores
somos quase todos nós.
Obsidiados, obsessões, obsessores!
Ei-los em toda parte, para quem os pode
identificar. Em arremedos de gozadores, padecem ultrizes exulcerações íntimas.
Sorrindo, têm a face em esgares.
Dominando, se revelam vencidos por incontáveis
mazelas que brotam de dentro e se exteriorizam mais tarde em feridas
purulentas, nauseantes...
Mais do que nunca, a oração do silêncio e a
voz da meditação, no rumo da edificação moral, se fazem tão necessárias!
Abrir a mente à luz e o coração ao amor,
albergando a família padecente dos homens, de que fazemos parte, é o impositivo
do Cristo para todos os que crêem e, especialmente, para os espiritistas, que
possuímos os antídotos eficazes contra obsessões e obsessores, com o socorro
aos obsidiados e seus perseguidores, sob a égide de Jesus.
Estudo e meditação:
"(...) A palavra obsessão é, de certo
modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas
principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação
e a subjugação."
(O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 237.)
"Na obsessão, o Espírito atua
exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do
encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como teia e constrangido a
proceder contra a sua vontade."
"Na obsessão há sempre um Espírito
malfeitor."
(A Gênese,
Allan Kardec, cap. XIV, itens 47
e 48.)
Fonte: Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco
pelo espírito de Joanna de Ângelis.
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