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Eutanásia e a Sublimidade da Morte

 

Vários conceitos de morte física, a situação do Espírito e seu aprendizado

Dr. Iso Jorge Teixeira

isojorge@globo.com

  

No dia 09 de outubro/2005 escreveu-nos a estimada escritora (poetisa e cronista) BEL; disse-nos a confreira:

“Dr. Iso

Sinto-me em contradição quando digo que sou espírita sendo a favor da Eutanásia. Não aceito que sofrer alguns minutos a mais seja benéfico  ao  ser humano. Creio que as Religiões adotam uma postura muito retrógrada: a do culto ao sofrimento.

Outra questão que julgo comprometer o Espiritismo é a forma como atualmente as Casas Espíritas falam sobre  Jesus. Parecem  Igrejas. Não  existe diferença.  Já  não me sinto à vontade nas Casas, e prefiro ler os autores mais arrojados, os que abordam a ciência e a filosofia, deixando de lado a Religião. As Casas têm feito o contrário. Cansam a todos que necessitam ir mais a fundo nos estudos espíritas.”

Belvedere

BELVEDERE BRUNO – Niterói – RJ

Dra. ELISABETH KÜBLER – ROSS

Sofreu três acidentes vasculares cerebrais e permaneceu incansável na ajuda aos doentes terminais

Dra. ELISABETH KÜBLER – ROSS

Um exemplo de VIDA

Em resposta preliminar à confreira BELVEDERE, dissemos que concordávamos com ela, parcialmente, pois os casos nos quais alguns propõem a  "EUTANÁSIA", a pessoa doente nada sofre (os familiares, sim), pois em geral estão sendo mantidas vivas por aparelhos e o Espírito, há muito que está afastado daquele corpo em vida vegetativa...

            Fundamentando a nossa opinião a respeito do assunto e de outros relacionados ao tema, julgamos útil repetir aqui, com ligeiras modificações, um artigo nosso intitulado “A sublimidade da morte -  (Mortes cardíacas, cerebrais e encefálicas. Eutanásia. Situação do Espírito e seu aprendizado), publicado no "JORNAL DE ESPIRITISMO" (JDE - janeiro/fevereiro/2005, N º 8, pág. 4], de Portugal, órgão da ADEP (Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal), ... Vamos a ele:

            De Portugal, uma leitora escreve-nos carta que nos foi repassada:

            "Senhor Dr. Iso Jorge Teixeira, tenho vindo acompanhar sua coluna com muito interesse, e gostaria, caso possível, que me explicasse a diferença ente “Morte Cardíaca” e “Morte Cerebral”, suas implicações na Eutanásia e qual a situação desses espíritos. O espírito permanece ligado ao corpo em ambas as mortes? Se sim, como se encontra ele? Qual o seu aprendizado nessas situações?

Muito agradecida."  Maria José, Viseu.

            Muito importantes e de grande interesse o conteúdo das perguntas de nossa leitora... O assunto, de grande complexidade, conduz a conseqüências polêmicas, isto é, ao transplante de órgãos e à Eutanásia...

Morte cardíaca. A "Morte Cardíaca" é a parada do funcionamento do coração e a conseqüente parada da respiração sem que haja, necessariamente, a lesão das células cardíacas. Por muito tempo a definição de morte biológica ficou adstrita a essa concepção de "Morte Cardíaca" , tal a importância que se dava ao coração, inclusive, a pergunta 69 de O Livro dos Espíritos (OLE) de KARDEC tem essa conotação, mas a resposta da Espiritualidade foi esclarecedora e com um conhecimento Superior para a época:

            — O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.

            Com o desenvolvimento tecnológico do século 20 e o surgimento de transplante cardíaco e de medicamentos e máquinas capazes de restauração da vida poucos minutos após a parada cardíaca e, em alguns casos, de mantê-la por tempo indeterminado, o conceito de morte biológica teve de ser reformulado, o de "Morte Cardíaca" ficou ultrapassado cientificamente... Então, as autoridades médicas mundiais, passaram a considerar a "Morte Cerebral" como a definição biológica de morte.

Morte cerebral. Como vimos, em nosso primeiro artigo nesta Coluna SAÚDE (JDE, Ano I, n.º 3, março/abril de 2004, p. 4), uma pessoa pode restabelecer-se depois de passar pelo coma, nos chamados comas reversíveis. Entretanto, havendo a "Morte Cerebral" ou "Cortical", apenas a vida relação do indivíduo encarnado ficará comprometida, isto é, não poderá se relacionar com outras pessoas, pois perdeu a consciência, neurologicamente falando.... Além disso, a Morte Cerebral é um estado tal que a falta de oxigênio (anóxia) nos tecidos cerebrais acabam por produzir uma lesão irreversível de células cerebrais, pois, como se sabe, estas não se regeneram. Neste estado, não há atividade elétrica no cérebro e o eletroencefalograma (EEG) exibe um traçado isoelétrico, isto é, um traçado plano, sem ondas...Não obstante, pode ocorrer nesta situação que a pessoa mantenha seu coração e pulmões em funcionamento, se o tronco cerebral estiver funcionando...

            Assim, caríssimos leitores, também o critério de "Morte Cerebral" já não atende mais aos modernos conhecimentos científicos, por isso, passou-se a adotar, mundialmente, o conceito de "Morte encefálica", como definidora de morte biológica, não cogitado pela leitora Sra. MARIA JOSÉ...

Morte encefálica. A "Morte Encefálica" é a parada definitiva e irreversível, não só do cérebro, mas também do tronco cerebral (incluídos aqui, o mesencéfalo, a ponte, o  bulbo raquídeo e ... o cerebelo). Assim, a Morte encefálica além de comprometer irreversivelmente a vida de relação; também, naturalmente, compromete a vida vegetativa, pois esta é mantida basicamente pelos centros nervosos existentes no tronco cerebral, especialmente no bulbo raquídeo, que controlam a circulação sangüínea, respiração, metabolismo, etc...

            Em 1997, o Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil publicou os Critérios para a Caracterização da Morte Encefálica, num total de 10 artigos, ante as necessidades, dentre outras, de "judiciosa interrupção de emprego de recursos tecnológicos" para o prolongamento da vida vegetativa e ante a "necessidade da adoção de critérios para constatar, de modo indiscutível, a ocorrência de morte" (cf. Resolução N º 1480 do CFM, de 08 de agosto de 1997).

            Aí está: embora haja morte encefálica é possível manter o corpo vivo, artificialmente, às custas de medicamentos e através de aparelhos; o coração e pulmões voltam a funcionar, além do corpo ser alimentado endovenosamente; teríamos aí uma vida vegetativa artificial... A suspensão de tais procedimentos médicos que mantêm o coração e pulmões em funcionamento por longos períodos, ante a morte encefálica, levanta a difícil questão ética da Eutanásia, muito bem advertida pela nossa leitora MARIA JOSÉ...

Eutanásia. A Eutanásia é a indução de morte suave em casos específicos, que ainda não estão bem definidos, pois há polêmicas do ponto de vista do "Direito de morte" e da "Ética", pelos abusos que ela propiciaria...

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Não é homicídio

Não haveria homicídio ao se desligarem os aparelhos e suspenderem os medicamentos que mantêm uma pessoa em vida puramente vegetativa, artificialmente
                                                                (Iso Jorge Teixeira)
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A nosso ver, de acordo com os atuais conhecimentos científicos, mundialmente considerados, não haveria homicídio ao se desligarem os aparelhos e suspenderem os medicamentos que mantêm uma pessoa em vida puramente vegetativa, artificialmente; tanto assim que o nosso CFM baixou uma Resolução definindo parâmetros claros e específicos para a caracterização da Morte Encefálica e, conseqüentemente, da definição de Morte biológica. No entanto, é muito difícil estabelecer-se o momento exato em que se dá a Morte Encefálica, por isso a Resolução do CFM preconiza a repetição do exame para a constatação da Morte, para efeito de transplantes, por exemplo...

            Há uma grande polêmica sobre o assunto e há até um pensamento interessante, atribuído a VEGA DIAZ, que diz: "Um segundo pode ser a unidade de tempo que faça de um sujeito vivo um cadáver, mas também pode fazer da morte um homicídio".

            Portanto, tem razão a nossa confreira BELVEDERE ao opinar pela “postura retrógrada” de algumas Religiões em relação ao “culto ao sofrimento”, embora não haja sofrimento do paciente em coma encefálico... A posição de muitos confrades adapta-se perfeitamente ao chamado “igrejismo” daqueles “espiritólicos”, como diz o prof. IMBASSAHY, que se colocam DOGMÁTICA e RELIGIOSAMENTE contra a Eutanásia...

            Mas, prossigamos o nosso texto do JDE:

Situação do Espírito ante a Morte cardíaca, cerebral e encefálica. Seu aprendizado.

            Parece-nos que há uma tendência no movimento espírita a encarar a vida, biologicamente considerada, como propiciada pelo Modelo Organizador Biológico (MOB), de uma forma mecanicista e fatalista. Admitimos, sim, que o Espírito fornece a Diretriz da Organização Biológica (DOB), mas não é condição sine qua non  para a vida biológica, tanto assim é que há seres vivos sem Espírito, como as plantas, por exemplo, e até indivíduos encarnados sem Espírito, anencéfalos (sem cérebro) e natimortos [a propósito, leia-se questão 356 de O Livro dos Espíritos (OLE) de ALLAN KARDEC e resposta], que conseguem manter uma vida vegetativa, natural e artificialmente. O que mantém a vida biológica de um corpo é o fluido vital, extraído do Fluido Cósmico Universal do planeta em que o corpo habita (cf. Livro I - Cap. IV de OLE), e não o Espírito!

VIDA BIOLÓGICA

O que mantém a vida biológica de um corpo é o fluido vital, extraído do Fluido Cósmico Universal do planeta em que o corpo habita, e, não o Espírito!

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Por tudo isso, as perguntas da Sra. leitora MARIA JOSÉ em relação à situação do Espírito, diremos que tanto uma pessoa com Morte Cerebral quanto com Morte Encefálica não mais abrigam um Espírito em seu corpo, pois em ambas há lesões irreversíveis das células cerebrais e, sem cérebro não há vida de relação e a vida vegetativa pode ser mantida em ambos os casos não pelo Espírito, mas pelo fluido vital remanescente, naturalmente no primeiro caso e artificialmente no segundo...

            Quanto à Morte Cardíaca somente, sim, a pessoa pode estar abrigando um Espírito em seu corpo, mas este estaria ligado a ele por laços muito tênues. Em nosso primeiro artigo nesta Coluna já abordamos a questão da Near Death Experience (NDE) ou Experiência de Quase Morte (EQM), em que o Espírito goza de grande liberdade; mas não só aqui, também em doenças terminais o Espírito pode emancipar-se parcialmente; a este respeito, leiamos  a questão 407  de OLE e a resposta:

            É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito?

            — Não. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito de desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre" (o grifo é nosso).

            Nosso Espírito nunca permanece inerte, ele está em constante aprendizado, seja no sono, seja no sonambulismo natural ou artificial, no êxtase, na EQM, enfim, em todas as condições de animismo, principalmente "quanto mais fraco o corpo estiver", nas doenças terminais, por exemplo...

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Certeza da Morte

Muitas vezes as pessoas com doenças terminais possuem certeza de sua própria morte biológica e as tentativas, louváveis, dos médicos para manterem a pessoa viva só atrapalhariam a eventual evolução desta pessoa...
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Parece-nos que muitas vezes as pessoas com doenças terminais possuem certeza de sua própria morte biológica e as tentativas, louváveis, dos médicos para manterem a pessoa viva só atrapalhariam a eventual evolução desta pessoa... Compartilhamos esta opinião de uma das que mais estudaram o assunto,  a psiquiatra suíça ELISABETH KLÜBER-ROSS. Obviamente, não defendemos a Eutanásia, nem o suicídio, até porque a resposta à questão 950 é clara neste aspecto:

Que pensar daquele que tira a própria vida com a esperança de chegar mais cedo a uma vida melhor?

— Outra loucura! Que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la, porque, daquela forma, retarda a sua entrada num mundo melhor e ele mesmo pedirá para vir completar essa vida que interrompeu por uma falsa idéia. Uma falta, qualquer que ela seja, não abre jamais o santuário dos eleitos.

A propósito, disse a Dra. ELISABETH KÜBLER – ROSS  logo no primeiro capítulo do seu livro A Roda da Vida, em tom de blague: "Há anos tenho sido perseguida por uma certa má reputação."  E prosseguindo, esclareceu: "(...) Na verdade, tenho sido perseguida por pessoas que me vêem como Aquela senhora que Fala Sobre a Morte e o Morrer. Acreditam que o fato de ter passado mais de três décadas fazendo pesquisas sobre a morte e a vida depois da morte faz de mim uma especialista no assunto. Acho que não compreenderam bem. O único fato incontestável em meu trabalho é a importância da vida" (op. cit., Edit. Sextante, 7 ª ed., p. 13). 

ELISABETH KÜBLER – ROSS – uma grande vida dedicada aos moribundos e doentes terminais

            A  suíça  ELISABETH KÜBLER – ROSS  formou-se  em Medicina na Universidade de Zürich, em 1957. Começou seu trabalho pioneiro com doentes terminais na Universidade do Centro Médico Colorado, em Denver. Foi professora  de Clínica de Medicina do Comportamento e Psiquiatria na Universidade de Virgínia, em Charlottesville.

            Em 1979, o Jornal Ladies’ Home honrou-a com o prêmio de Mulher da Década, depois de ter sido eleita Mulher do Ano em Ciência e Pesquisa, em 1977.

            Há uma extensa lista de seus livros, citaremos alguns deles: O Túnel e a Luz; Perguntas e respostas sobre a morte e o morrer ; Para viver até dizermos adeus; Vivendo com a Morte e o Morrer; O estágio final do crescimento; Sobre crianças e Morte; AIDS: o último desafio; etc.

No livro A Roda da vida – Memórias do viver e do morrer, diz a Dra. KÜBLER – ROSS: “As adversidades sempre nos tornam mais fortes. As pessoas sempre me perguntam como é a morte. Digo-lhes que é sublime. É a coisa mais fácil que terão de fazer. A vida é dura. A vida é luta.” (op. cit. p. 18).

            Aí está: a morte é “sublime”! E isso é dito por uma das maiores (talvez a maior) especialistas sobre o fenômeno da morte e do morrer e, por que não dizer: sobre a VIDA.

Contra o igrejismo e contra os “dogmas religiosos” no Espiritismo

            Tem razão a confreira BELVEDERE BRUNO ao dizer que muitas Casas Espíritas “parecem igrejas” e tanto isso é verdadeiro em nosso País, que estão estabelecendo “dogmas religiosos” nas Casas “Espíritas” e a “carolice” deste tipo de adepto é evidente... Ratificando o que estamos afirmando, leiamos o testemunho da nossa estimada confreira ASTRID SAYEGH, figura de proa da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP), considerada por muitos a maior Casa Espírita do mundo, disse-nos ela  num trecho de sua mensagem de 7 de outubro/2005, a propósito de nosso artigo sobre “Dogmas e Dogmática”:

“Caro Dr Iso

Recebi sua matéria relativa à questão dos "dogmas” na Doutrina, com referência ao Wlademir e ao comentário da Sra. Marta. Fico feliz de alguém resgatar essa visão filosófica de Herculano Pires com relação a este conceito. Tenho enfrentado muitas criticas em nossa casa, pois afirmo sim que a doutrina possui dogmas. Mas uma coisa são os dogmas religiosos, como o Sr. bem colocou, e portanto inquestionáveis; outra coisa são os domas filosóficos, ou seja, princípios de razão, que se bastam pela lógica, e que não se comprovam pelo método experimental, e que por isso constituem “dogmas". A teoria da reencarnação é um dogma porque o seu fundamento está na lógica, na lógica da justiça de Deus e não no fenômeno. Por isso afirma Kardec que quem pensa que a força do Espiritismo está no fenômeno engana-se pois a sua força está na filosofia, na lógica. (...) ...

O Sr. não imagina como é difícil enfrenta os inquisidores ou " dogmáticos", como bem afirmou o Wlademir, mesmo em nossa Feesp.

Na alegria da compartilha da amizade e da reflexão.

Muita paz!”

    Astrid Sayegh – São Paulo – SP

            Palavras cristalinas da nossa ilustre e séria trabalhadora do Movimento Espírita Brasileiro, aí estão.

            Agora, leiamos outro testemunho, o da nossa leitora ÁUREA FARIA, que apesar de uma rica bagagem intelectual, como neófita em Espiritismo encontra dificuldades para encontrar uma Casa Espírita de bom-senso. Disse-nos ela, também no dia 07 de outubro/2005,  a propósito de um artigo nosso respondendo as suas ponderações:

“Prezado Dr. Iso Jorge,

Acabei de ler seus dois artigos. Parabéns, mais uma vez, pela clareza das idéias, discernimento e bom senso.

Já li todos os outros artigos seus postados no site e a cada dia admiro mais o seu trabalho, especialmente quando o comparo a tudo o que é dito/feito na maioria das casas espíritas.

Aliás, a esse propósito, gostaria de saber se o senhor poderia me indicar uma boa casa espírita em São Paulo. Já fui a várias, mas confesso-me bastante desapontada com o nível de desinformação da maioria de seus dirigentes/trabalhadores, sem falar na "carolice" exagerada, sessões de amparo a desencarnados (o que chamam de doutrinação) absolutamente inverossímeis, em que se percebe o total despreparo dos chamados "doutrinadores" e a absoluta crença generalizada de que todos os problemas decorrem de "espíritos obsessores". Sinceramente, não dá para engolir esses exageros e fanatismos.

Agradeço antecipamente sua resposta.

Um grande abraço

Áurea Faria – São Paulo – SP

           

            Vejam, Srs. leitores e leitoras: o “total despreparo dos chamados ‘doutrinadores’”, diz a confreira ÁUREA e em São Paulo! Talvez, o Estado onde haja o maior número de adeptos do Espiritismo... Que dizer, então, dos “inquisidores” e “dogmáticos” da FEESP?... Só estes fatos, exigiriam uma grave reflexão dos Dirigentes Espíritas...

Epílogo

            O dogma do “sofrimento” humano como condição sine qua non para atingir-se um mundo melhor e o dogma da proibição da Eutanásia em todos os casos, como a cantilena igrejista dos espiritólicos vem ressaltando, não encontra sustentação rigorosamente doutrinária, científica e filosófica no mundo contemporâneo.

            O verdadeiro espírita não é o “carola”, que nada faz para melhorar-se intimamente, freqüentando o Centro Espírita como num ritual, unicamente para receber passes e ingerir água, supostamente “fluidificada”; com seus olhares de santarrões, julgam que suas imperfeições (“pecados”) estariam justificadas pela fé e perdoadas com a prática de tais rituais. Por isso, repetimos: têm razão tanto a confreira BEL quanto a Sra. ÁUREA FARIA.

            Não fazemos apologia da Eutanásia, não obstante, na difícil questão da problemática da morte e da vida, vale o dito de uma das maiores autoridades sobre o assunto, que VIVENCIOU tal problemática na própria “pele” e na beira do leito de doentes terminais e moribundos – a Dra. ELISABETH KÜBLER – ROSS...

            Com o indisfarçável odor de sacristia e com os gestos premeditados de anjos do pau-oco, dizem os espiritólicos: ¾  A Eutanásia é um crime.

Com o esclarecimento doutrinário espírita e a evolução científica e com as contribuições da Dra. KÜBLER – ROSS, dizemos nós: nem sempre a Eutanásia é um crime. Tudo irá depender da intenção de quem a pratica... Como diz o povo: ¾  A estrada para o inferno está calçada de “boas” intenções... Será que a intenção dos dogmáticos religiosos contra a Eutanásia seria a favor da vida do corpo em detrimento do Espírito?...

            Enfim, ficamos com a Dra. ELISABETH KÜBLER – ROSS: o único fato incontestável em sua obra é a “importância da vida”. A morte é sublime!

            Abaixo a “carolice” nos Centros Espíritas, Sra. ÁUREA FARIA! Abaixo os “dogmas religiosos” no Espiritismo, caríssima Sra. ASTRID SAYEGH! Aleluia, caríssima BEL, rsss...

   

* Médico. Psiquiatra. Prof. Livre - Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da  Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria (FCM - UERJ).

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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