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Dr. Ricardo Di Bernardi
Considerando
a clareza meridiana do prisma pelo qual enxergamos a reencarnação, e, sabendo
que além do corpo físico, possuímos um corpo espiritual, o qual sobrevive a
morte biológica, nunca poderíamos imaginar ouvir um curioso e surpreendente
questionamento. No entanto ouvimo-lo, e é provável que outras pessoas também
tenham escutado a mesma indagação.
Eram, exatamente, 11 horas da manhã do dia
sete de janeiro de 1996. Estávamos atendendo em nosso consultório de pediatria
quando o avô da cliente, uma criança de 4 anos de idade, de chofre nos indaga:
--Dr. Ricardo, o meu filho que aqui esteve
ontem, adquiriu um livro de sua autoria sobre reencarnação*...
--O pai do Alexandre ?
--Sim, ele,
“inclusive”, é espírita e “acredita” na reencarnação. A propósito, não
consigo compreender o seguinte: se nós reencarnamos, o que sucede quando doamos
órgãos ? Estes não nos farão falta ? Quero dizer, em outras vidas ?
E acrescentou, levemente acanhado:
--Sabe, doutor, às vezes penso em doar algum
órgão meu, mas, esta dúvida me preocupa sobremaneira... Acredito que o Sr.
possa me esclarecer.
--Fitei os seus respeitáveis cabelos brancos
e percebi a mais profunda sinceridade naquele olhar. Não fosse sua veneranda
figura teria eu, sem dúvida, dado um sorriso menos respeitoso. Acometido por um
misto de surpresa e outros sentimentos não bem definidos, diante do absurdo da
pergunta, contive-me quase mordendo os lábios para não ser indelicado com o
simpático vovô.
--Não apenas posso lhe tranqüilizar a este
respeito informando que órgãos doados não farão falta na próxima encarnação
como, o que é mais importante, posso lhe explicar o porquê.
--Muito me alegraria poder ser útil ao
próximo mas receio cometer um erro do qual não possa voltar atrás.
--Veja, o senhor, diversos aspectos desta
questão:
--Ao desencarnarmos, isto é, voltarmos ao
mundo espiritual, deixando nosso corpo físico que, freqüentemente, é colocado 7
palmos sob o solo. Nossos órgãos, com o passar dos anos, são totalmente
absorvidos pela terra. Desta maneira, qualquer órgão físico deixa de ser
importante para aquele que retorna ao mundo espiritual.
--Mas, se voltarmos novamente com o corpo,
como é possível isto ocorrer ? O Sr. perdoe a insistência mas para mim é muito
confuso...
--Possuímos um outro corpo, o corpo
espiritual, designado por uma série de sinônimos (perispírito, corpo astral,
psicossoma, etc), por todos aqueles que estudam e pesquisam a vida espiritual.
E este corpo, sim, é importante para o espírito.
--A idéia da ressurreição dos corpos,
admitida por muitas religiões é que se confunde com o conceito de reencarnação.
Para nós, espíritas, a ressurreição é impossível, porque, cientificamente
sabe-se que as moléculas que fizeram parte de um corpo são reintegradas à
terra, decompostas em minerais por bactérias e depois absorvidas pelos
vegetais. Vegetais servem de alimentos aos animais que, por sua vez, são
consumidos pelos homens. Inúmeras moléculas que fizeram parte
integrante de outros homens, há milênios, podem ser parte de nossa estrutura
material , hoje. A Ressurreição, portanto, é anti-científica e difere
completamente do conceito de reencarnação.
--Como, ou de que forma, é este corpo
espiritual ?
--Quando determinadas pessoas, dotadas de
vidência ou clarividência, vêem os espíritos, como o senhor imagina que elas os
vêem ?
--- Bem, doutor, quando os “santos” são
vistos, eles se parecem com pessoas mesmo, gente como nós, apenas rodeados de
luzes.
--- Isso mesmo, vô, eles são vistos por
aqueles que tem sensibilidade especial para isto ( que se chama paranormalidade
e, em certos casos mediunidade ), conforme o aspecto do seu corpo espiritual ou
astral. Os espíritos, sejam eles “santos” ou não, não são vistos como nuvens ou
qualquer forma estranha. A vida espiritual
desenvolve-se baseada neste corpo espiritual nada tendo a ver com o
nosso corpo biológico.
--- Então, a doação... Fez uma pausa
pensativo...
--- A doação de um órgão do nosso corpo
físico não compromete a integridade do corpo espiritual nem sua anatomia. O que
poderia alterar esta integridade seriam as posturas de egoísmo, ódio e outras
de baixa freqüência energética.
* (
Reencarnação em Xeque )
--- Quer dizer que, a doação de órgãos, pelo
que o Sr. acabou de explicar, também não faz falta lá no mundo dos espíritos,
antes deles reencarnarem ?
--- Aliás, esta é a pergunta que normalmente
precede aquela que o Sr. me fez, no início da nossa conversa. As pessoas que crêem ou conhecem, a vida após a morte, e
sabem que os espíritos possuem um corpo
espiritual, indagam-nos freqüentemente a este respeito. Sabemos, por
informações dos espíritos amigos, não haver dificuldade de qualquer ordem, para
aquele que doou um órgão seu, por amor ao seu semelhante.
--- Mas, não há dificuldades, por quê ? Como
“funciona” isto ?
--- ao se doar um órgão, efetua-se um ato de solidariedade ao
próximo. Atos de solidariedade são atos fraternos, construtivos e harmônicos. A
pessoa, que assim procede, passa a estar em sintonia energética com vibrações
luminosas das entidades superiores. Atos de amor são atos de elevada freqüência
vibratória, portanto, atraem para o
indivíduo toda a proteção merecida. Ninguém, por um ato de amor, pode ser
“punido” ou prejudicado, ao contrário, atrairá o amor e a simpatia dos outros.
--- Uma sensação feliz de ter sido útil ?
---
Sim, à medida que estas energias são geradas estabelece-se sobre o corpo
espiritual, daquele que chega ao mundo extrafísico, uma aura luminosa e
brilhante que gerará a sensação de harmonia e felicidade.
--- Posso , então, ficar tranqüilo ?
--- A natureza que é sábia, reage sempre
favoravelmente em relação aqueles que atuam também em favor do próximo, pois o
mesmo igualmente faz parte do contexto da lei natural. Deus é sábio, e sábias
são as leis da natureza.
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