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Edson Tomazelli
A perguntar
860 de “O LIVRO DOS ESPIRÍTOS” nos fala sobre as questões de livre-arbítrio e a
conseqüente relação de causa e efeito, cujo teor parcialmente transcrevemos “Pode o homem, pela sua vontade e por seus
atos, fazer com que os acontecimentos que deveriam ocorrer não ocorram, e vice
e versa?” E a resposta: “Ele pode,
desde que esse desvio aparente possa se harmonizar com a vida que
escolheu.(...)”.
A Doutrina
Espírita vem nos mostrar que, se as causas dos fatos mais importantes de nossa
vida, felizes ou dolorosos, não forem localizadas na vida presente, com certeza
iremos encontrá-las em vida anteriores, pois os efeitos de nossos atos, de
acordo ou contrários à lei que rege a harmonia do Universo, podem ser imediatos
ou ocorrer em futuro mais ou menos distante.
Em razão
disso é possível entender as disparidades nas condições físicas, sociais e
morais dos seres humanos, no contexto da justiça divina, porque cada um de nós
encontra-se numa posição mais ou menos determinada pelo conjunto de nossos
atos, que praticamos nesta vida e nas anteriores, somando, ainda, os períodos
na erraticidade, sempre levando-se em conta as nossas necessidades de expiação
e de aprendizado de maneira geral.
Essa
possibilidade de interferirmos no curso dos acontecimentos, agravando ou atenuando
os efeitos ruins, promovendo ou dificultando os efeitos bons, é que nos
confirma a resposta dada pelos Espíritos na questão acima.
Demais,
precisamos entender que todas nossas ações, por mais insignificantes que sejam,
sempre serão acompanhadas de seus efeitos, e que irão se somando uns aos
outros, no curso de nossas existências.
Por isso a
importância prática de conhecermos as leis que regem a matéria e o espírito,
pois sabendo os efeitos e os resultados daquilo que fizermos, poderemos agir de
modo a criar situações mais favoráveis que nos aproximem da felicidade. Somos,
portanto, os construtores de nossos próprios destinos.
Com esse
entendimento, as questões da fatalidade e do destino deixam de ter o caráter
místico com que freqüentemente são colocadas. Nada do que nos aconteça é questão
de sorte ou azar. Bobagem acreditar que as ocorrências em nossas vidas são determinadas
pelas influências dos astros, nomes, números ou por outros fatores externos
semelhantes, pois não encontram amparo na lei de causa e efeito e na justiça
divina.
Nossos
sofrimentos acontecem na hora e na medida certa, sempre em conseqüência das
ações más que praticamos, nesta vida ou em vida anteriores. Por outro lado, a situações
felizes que vivemos não são obras do acaso, mas foram preparadas por nós mesmos
quando agimos de acordo com as recomendações dos princípios cristãos, isto é,
quando fazemos o bem.
Na verdade,
o destino existe e aquele do qual nós somos os próprios artífices. Destino esse
que podemos ir modificando a cada dia, no quadro geral das leis naturais que regem
o Universo, acrescentando ao nosso aperfeiçoamento a beleza e os nossos valores
próprios, construindo o edifício de nossa consciência. Tal é o objetivo da
evolução humana.
Emmanuel,
no capítulo “Fatalidade e Livre Arbítrio”, do livro Nascer e Renascer, destaca:
“O mapa de regeneração volta conosco ao
mundo, consoante as responsabilidades por nós mesmos assumidas no pretérito
remoto e próximo; com tudo o modo pelo qual nos desvenciliamos dos efeitos de
nossas próprias obras facilita ou dificulta nossa marcha redentora que o mundo
oferece”.
Fonte:
Ação
Espírita Abril/ Maio/ Junho de 2001
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