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Estudos Espíritas
Joanna de Ângelis
(Espírito)
Conceito - Conjunto de regras que constituem os bons
costumes, a Moral consubstancia os princípios salutares de comportamento de que
resultam o respeito ao próximo e a si mesmo.
Decorrência natural da evolução, estabelece
as diretrizes seguras em que se fundam os alicerces da Civilização, produzindo
matrizes de caráter que vitalizam as relações humanas, sem as quais o homem,
por mais avançado nos esquemas técnicos, poucos passos teria conseguido desde os
estados primários do sentimento.
Da constante necessidade de defender-se e
defender as primeiras comunidades, ainda na fase agrária, surgiram as medidas
ora restritivas, ora estimulantes entre os chefes e os subalternos e nas
relações recíprocas dos indivíduos, do que resultavam produtivos
empreendimentos e proveitosos aprestos no concerto de interesses. Da observação
pura e simples, aglutinaram-se experiências que se transformaram, a pouco e
pouco, em regras para as trocas comerciais e os acertos políticos entre os
diversos grupos, evoluindo para os costumes que se fixaram nas gerações
sucessivas, em forma de leis e estatutos. Impostas por uns, espontaneamente
aceitas por outros, desprezadas por muitos, as diretrizes morais evoluíram e se
transformaram em Civilização e Cultura, conduzindo às diversas formas de
governo superior e à manutenção da ordem pelo indivíduo, em relação a outro, à
comunidade, ao Estado e reciprocamente.
Dividida em teoria e prática, a primeira
busca determinar o bem supremo, enquanto a outra se encarrega de expor os
múltiplos deveres, que constituem os princípios práticos, basilares da vida.
Observando suas regras o homem pratica o bem e evita o mal.
Desenvolvimento - À medida que a necessidade do crescimento
comunitário fomentava o povoamento de novas terras, encorajando a organização
social em bases de progresso, a Moral, a princípio arbitrária, depois racional
e lógica, sempre esteve presente, sustentando a disciplina e, simultaneamente,
tanto o equilíbrio individual como o coletivo, constituindo preocupação
fundamental de pensadores e governos, para a preservação dos princípios
conquistados a duras penas, nas experiências da evolução.
Somente a partir de Sócrates passou a Moral
a ser considerada pela Filosofia. Indubitavelmente muitas vezes a Moral esteve
sujeita a hábeis guerreiros, que a submetiam aos próprios caprichos, da mesma
forma que o pensamento padeceu não poucas aflições sob o predomínio de
conciliábulos nefandos de odientos políticos que, ardilosos no manejo das
situações, sabiam como manter-se, engendrando normas de tirania com que
asfixiavam ou tentavam dominar os idealistas e filósofos, a fim de se manterem
venais, na cúpula sempre transitória da governança.
A resposta, porém, da vida à dominação e à
arbitrariedade é a pequena duração da organização humana fisiológica e o
repúdio, quando não o desprezo da posteridade.
Muitos sofistas, aferrados à negligência,
ainda hoje tentam desconsiderar as linhas da moralidade, confundindo-as com os
preconceitos e as conveniências dos hábitos sociais, nem sempre, é verdade,
relevantes ou enobrecidos, assoalhando que, em variando entre os muitos povos,
a Moral é uma questão de opinião sem valor...
Todavia, em qualquer período em que o lar
esteve sob o estigma da dissolução dos costumes, a sociedade se corrompeu e a
Civilização malogrou, consumida pelo desprestígio generalizado, dentro e fora
das suas fronteiras, do que redundou o desaparecimento, malgrado o fastígio
atingido, reduzindo-se a escombros, abatida pela guerra da dominação estrangeira,
vencida que já estava pelo vírus da desordem interna...
Observando-se as conquistas do homem através
do conhecimento, fácil é constatar-se que as regras morais são, também, medidas
de higiene e saúde, com comprometimentos profundos nas atitudes e ações do
próprio Espírito.
Sendo o homem um animal em evolução, a
disciplina do instinto e o desdobramento dos recursos da inteligência, bem como
a necessidade da preservação da vida, impõem, a princípio, a disciplina,
depois, a lei e, por fim, a Moral, que se converte em nobilitante comportamento
com que se liberta das constrições primitivas e se põe em sintonia com as
vibrações sutis da Espiritualidade, para onde ruma na condição de Espírito
imortal que é.
A história da Filosofia é uma constante
busca de uma concepção otimista do mundo,
E nesse capítulo a Moral é relevante.
De Hermes, com as suas asseverações
espirituais, a Lao-tse, de Confúcio, com os princípios da família e da
sociedade fundamentando a Moral numa filosofia da Natureza, otimista, a Zoroastro
e Maomé, na concepção dualista da vida, de Sócrates, Platão e Aristóteles com
os conceitos políticos, morais e espirituais, às leis apresentadas por Moisés,
em Jesus a Moral assume relevante proposição, que modifica a estrutura do
pensamento humano e social, abrindo o campo a experiências vigorosas, em que
medram as legítimas aspirações humanas, que transitam do poder da força para a
força do amor... Jesus se preocupava com a perfeição íntima, ética,
intransferível, dos homens, conclamando-os a realizarem o "reino de
Deus" interiormente, numa elaboração otimista.
Conclusão - Certamente a moral cristã ainda não colimou os
seus objetivos elevados, conquanto os vinte séculos passados. Todavia, diante
dos esforços do Direito e da acentuada luta pacífica das organizações mundiais,
a Moral, em diversas apreciações tornadas legais, sancionadas por governos e
povos, atingirá, não obstante as dificuldades e transições do atual momento
histórico, o seu fanal nos dias do porvir, propondo ao homem moderno, na moderação
e na eqüidade, nos costumes corretos, aceitos pelo comportamento das gerações
passadas, a vivência do máximo postulado do Cristo, sempre sábio e atual:
"Fazer ao próximo o que desejar que este lhe faça", respeitando e
respeitando-se, para desfrutar a consciência apaziguada e viver longos dias de
harmonia na Terra, com felicidade espiritual depois da destruição dos tecidos
físicos pelo fenômeno da morte.
Estudo e Meditação:
"Que definição se pode dar da moral?
A moral é a regra de bem proceder, isto é,
de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem
procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de
Deus."
"Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo que é conforme à lei de Deus; o
mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a
lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la." (O Livro dos Espíritos, Allan
Kardec, questões 629 e 630.)
"A virtude, no mais alto grau, é o
conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser
bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.
Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as
desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação na sua virtude,
pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se
lhe opõe: o orgulho. A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de
estadear-se. Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à
admiração das massas (...)." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan
Kardec, cap. XVII, item 8.)
Fonte:
Livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de
Ângelis.
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