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Suposta
cientificidade das cartas natais O porquê do verdadeiro
espírita não acreditar em horóscopo
Dr. Iso Jorge Teixeira
isojorge@globo.com
No dia 19
de agosto/2005 escreve-nos o nosso estudioso confrade e propõe-nos mais um
assunto, que serve, a nosso ver, para esclarecer um tema que há muito vem
contaminando o pensamento de alguns “espíritas” e o caráter verdadeiramente
científico do Espiritismo - a
ASTROLOGIA. Disse o inteligente confrade:
“Oi Iso,
É comum depararmos com 'espíritas' adeptos da
astrologia, apesar do que a DE já se manifestou sobre isso.
Estou voltando de minhas férias e recebi do Centro de Pesquisas de
Parapsicologia da PUC, da qual faço parte, dois textos interessantes relatando
a opinião da Ciência sobre a Astrologia. Recomendo uma leitura
atenta destes sites:
http://www.if.ufrgs.br/ast/astrologia.htm
http://brazil.skepdic.com/astrologia.html
Abraços, Mabbo
Marcos
Mabbo - São Paulo – SP
Bem,
os sites que ele nos recomenda são: o primeiro, é do Instituto de Física da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, portanto, é uma entidade respeitável
e o outro, é do “The Skeptic’s Dictionary”, de ROBERT TOOD CARROLL, cuja excelência todos nós a
conhecemos, embora não concordemos com tudo que ele defende, pois é
radicalmente céptico...
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Sarcófago egípcio
Os signos do zodíaco adornam
a tampa de um sarcófago do último período egípcio
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CLAUDIUS PTOLOMAEUS , de Alexandria (120-180 d.C.)
Autor de
“Tetrabiblos”, foi o principal astrônomo e geógrafo de sua época
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Dirão
alguns que ambos os sites são de Homens-de-Ciência e, portanto, de “Ciência
Materialista” e por isso deveriam ser rejeitados por nós... Ledo engano!... Tem
razão o confrade MABBO ao anotar que há pessoas que se dizem espíritas e são
adeptas da Astrologia, o que demonstra o desconhecimento delas tanto do
Espiritismo quanto da Astrologia...
Materialismo
Filosófico e Ciência Materialista
É um grande equívoco de muitos confrades, negarem a
“Ciência Materialista”... Devemos combater, sim, o Materialismo filosófico, como “visão de
mundo” (Weltschaung), como
espíritas que somos, isto é, combatamos o MATERIALISMO dos homens e não a
CIÊNCIA materialista, pois negá-la é cair na superstição... Como temos repetido:
Ciência sem fé leva-nos ao
Materialismo e Fé sem Ciência conduz à superstição... Ou, como diz, muito melhor do que nós, o grande cientista ALBERT EINSTEIN
(Escritos da maturidade. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1994, p.30): “Não
posso conceber um autêntico cientista sem essa Fé profunda. A situação pode ser
expressa por uma imagem: a
Ciência sem Religião é aleijada, a Religião sem Ciência é cega.”
Talvez,
por não estar atento
a isto é que um insistente ramatisista fanático, novamente, escreve-nos,
demonstrando mais uma vez o seu desconhecimento de Filosofia e Ciência e,
paradoxalmente, julga-se muito capaz,
chegando a ponto de insistir para que leiamos RAMATIS, isto é, não entendeu
nada do nosso artigo em resposta anterior aos seus despautérios, deseja fazer
proselitismo, renovando a sua ignorância até mesmo daquilo que acredita, num
mail de 25 de agosto/2005, o qual
será respondido oportunamente.
A Ciência é uma só, os homens é que se subdividem em
filosofias materialistas e espiritualistas .
A Ciência material pode e DEVERIA ser estudada pelos espiritualistas,
especialmente por nós, espíritas...
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Galáxia
Os astros vistos de
muito longe dão a falsa impressão de estarem juntos e formando pareidolias,
isto é, figuras criadas pela nossa imaginação
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Olavo Bilac (1865-1918)
Em 1888 foi publicado o
seu livro “Poesias”, no qual constam os sonetos
de “Via Láctea”
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Via Láctea
“Ora (direis) ouvir estrelas!
Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto.
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.”
Direis agora: “Tresloucado
amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para
entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Soneto XIII da Via Láctea (Olavo Bilac, Poesias, 1888) .
O célebre soneto de “VIA LÁCTEA”, do nosso poeta OLAVO BILAC, mostra a um só tempo o assombro
do homem ante o desconhecido e o lirismo do estilo do poeta no século 19,
lirismo este que impregnava o pensamento dos Homens ainda nos primórdios da
Civilização e ainda impregna o das pessoas místicas, que insistem em conceder
foros de Ciência à Astrologia, que lêem KARDEC e não o entendem, como tem sido
o caso dos ramatisistas, por exemplo. Sejamos românticos, mas não em assuntos
científicos!... Por que seria que a Espiritualidade Maior “escolheu” o Espírito
KARDEC para Codificar a Doutrina e não o poeta parnasianista BILAC, por
exemplo?... Apesar do positivismo implícito no Parnasianismo, era necessário um
Homem no século 19, capaz de “ouvir estrelas”, sem abdicar da CIÊNCIA.
Que é Astrologia e
Horóscopo?
Embora os próprios astrólogos sérios
(a maioria deles é composta de embusteiros) dividam-se quanto à atual definição
de ASTROLOGIA, parece-nos que a mais abrangente e atual é a seguinte (traduzida
por nós):
“A astrologia é
a ciência da adivinhação pelos astros ou mais corretamente é a ciência das
correspondências entre as posições aparentes dos astros e a vida na terra dos
homens, animais e plantas. Também estuda as leis que regem a conduta humana, o
reconhecimento das leis que nos regem é fundamental para a consecução de uma
superação pessoal, de uma harmonia social, e em geral da felicidade.” (Edgardo Tousón).
O autor desta definição é coordenador de uma
“Comunidade Hermética”, cujo site tem o seguinte endereço http://edgartou.tripod.com/foroCom.html
O lema do site, sem nenhuma
comprovação científica, como veremos, é semelhante a de HERMES TRIMEGISTO (...o que está embaixo é como o que está em cima...
), ali está escrito: "Tudo aquilo que
contém o macrocosmo, também o homem o contém.”
Interessante anotar um texto de EDGARDO TOUSÓN, que
só o repetimos aqui para demonstrar a proximidade de alguns “espíritas” com
tais teorias e práticas mágicas
e de adivinhação,
diz ele respondendo a uma cliente (traduzimos):
“O desdobramento ou ‘viagem astral’ é nossa porta de
conexão com os outros planos existentes. Felizmente, existem os desdobramentos
casuais ou acidentais, como os de tua experiência. Estes servem para dar-nos
provas de que existe ‘algo mais’ que o plano material. De outro modo só a fé
manteria latente a idéia do espiritual.
A Tradição Hermética fala de um processo prévio de ascese
ou purificação, para logo iniciar sucessivos ‘ascensões e descensões’ da
matéria para o espiritual. A primeira etapa, ou de ‘purificação’, refere-se à
extinção, em grande medida, das paixões. A segunda, aos reiterados
desdobramentos necessários para que uma parte da consciência se amalgame ao
corpo astral. Isto gera como um novo ser, capaz de manifestar-se nos planos
astrais. Este novo ser transcende à morte do corpo físico. Se a primeira etapa
de purificação não está devidamente realizada, a mente tentaria utilizar este
novo estado para usos ambiciosos ou materiais, o que levaria a pessoa à magia
negra e a uma queda inevitável. Isto se refere aos perigos.(...).
Perceberam, Srs. leitores, quantos supostos espíritas
admitem o tal de “desdobramento astral”, idéia cultivada pelos ocultistas,
místicos? Por isso, sempre insistimos na linguagem dos Espíritos Superiores e
de KARDEC, ou seja, usamos
“emancipação do Espírito” e não “desdobramento”, pois este termo está contaminado pelo
hermetismo e orientalismo, como já tivemos oportunidade de tentar esclarecer a
propósito de uma pergunta de nossa leitora, alhures...
Mas, voltemos à
questão da definição e objetivos da ASTROLOGIA... Depreende-se da definição,
acima, atual, que o objetivo básico da ASTROLOGIA seria “adivinhar”, isto é,
prognosticar, através de horóscopos, ou melhor, de cartas natais das pessoas; ou seja, tais “cartas” forneceriam meios para as
pessoas atingirem um autoconhecimento, através da adivinhação; como se os astrólogos fossem os detentores de todo o âmbito
deste autoconhecimento.
A propósito, o excelente escritor e filósofo GOETHE teria dito,
sarcasticamente, que se conhecesse a si mesmo, sairia correndo; muitos
astrólogos contemporâneos, e alguns que se dizem “espíritas”, teriam a coragem
de fazer o mesmo? He he he...
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©©©©©©©©©©©©©©©©©©©© SAIRIA CORRENDO...
GOETHE teria dito que se conhecesse a si mesmo,
sairia correndo ©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©
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Que seriam os HORÓSCOPOS ou CARTAS NATAIS? Segundo a
definição clara e resumida constante no nosso dicionário AURÉLIO - horóscopo: [do gr. Horóscopos, pelo latim, horoscopu]. S.m. 1. Prognóstico acerca
da vida de uma pessoa, tirado, segundo pretendem os astrólogos, da situação de
certos astros na hora do nascimento dessa pessoa.”.
Quando e como surgiram a Astrologia e os horóscopos?
Astrologia e Astronomia
Pois bem, façamos um breve estudo
histórico da Astrologia e dos horóscopos e vejamos o que os diferenciam da
Astronomia...
Segundo o texto “Astrologia
não é Ciência” (março/2001), de KEPLER DE SOUZA OLIVEIRA FILHO, do
Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que nos foi
enviado pelo confrade MABBO:
“Quando a astrologia começou, no vale dos rios
Eufrates e Tigres, no atual
Iraque, cerca de 3000 a.C.,
os mesopotâmios e os babilônios acreditavam que os planetas, incluindo o Sol e
a Lua, e seus movimentos, afetavam a vida dos reis e das nações. Os chineses tinham crenças similares por volta de 2000 a.C. Quando a cultura babilônica foi absorvida pelos gregos, por volta de 500 a.C., a astrologia gradualmente se espalhou pelo
ocidente.”
Segundo
os nossos estudos, depreende-se que a Astrologia foi praticada misticamente
pelos antigos egípcios, que dependia do foco religioso e
econômico de sua civilização. Assim, o rio Nilo era a fonte de toda a vida,
cuja cheia trazia a fertilidade da região e os egípcios antigos acreditariam
que tal fertilidade seria ativada pela ação combinada do Sol e de Sírius, uma estrela brilhante que,
então, assumiu uma grande importância. Consta que na tumba de RAMSÉS VI, um dos
faraós que reinou durante a 20.a dinastia (1200-1085 a. C.) aparece
um notável mapa estelar na forma de um homem sentado.
Na Grécia, a Astrologia chegou
mais tarde e consta que o astrólogo babilônico BEROSO causou grande impacto no
mundo clássico com seus escritos astrológicos, chegando-se a criar uma escola
de Astrologia na ilha de CÓS, o que deve ter ocorrido aproximadamente no ano
500 a. C. A partir daí, a Astrologia começou a difundir-se para o Ocidente...
Não obstante, o livro Tetrabiblos é considerado
pelos astrólogos como o primeiro livro astrológico moderno, atribuído ao grande astrônomo,
matemático e geógrafo CLAUDIUS PTOLOMAEUS, de Alexandria, que viveu durante os
anos 120-180. Assim, “sob a
influência grega, e de Ptolomeu em particular, os planetas, casas e signos do
zodíaco foram racionalizados e sua função determinada, de modo que, DESDE ENTÃO, MUDOU NOTAVELMENTE POUCO.” – o destaque é nosso (“O Grande Livro da ASTROLOGIA”. DEREK e JÚLIA PARKER. Círculo do
Livro S.A., São Paulo, 1971, p. 16). Este destaque final nosso merece uma boa
reflexão daqueles que se dizem espíritas, adeptos da Astrologia, quando afirmam
sofismaticamente, que KARDEC previu que
a Doutrina Espírita “evoluiria”. A parte final do texto, acima, demonstra a
ESTAGNAÇÃO da Astrologia e não poderia ser de outra forma, apesar das tentativas
de elevá-la à condição de Ciência...
Na Roma imperial, a
Astrologia foi muito utilizada e consta que nos escritos de JUVENAL, por volta
do ano 100, ele registrou: “há
pessoas que não aparecem em público, jantam ou tomam banho sem consultar as
efemérides.” (op. cit., p. 16).
Na
Roma imperial o paganismo, o mítico e o místico se associaram; assim sob o
Imperador CONSTANTINO, que dizem ter se convertido ao Cristianismo, o
sincretismo era tão evidente que muitos não acreditam na “conversão de
CONSTANTINO”, vejamos alguns textos, não opinativos, de DANIEL LISANDRO ALEXIUS
- Londrina - Paraná – Brasil, no site www.historiadaigreja.rg3.net
referentes ao século IV:
“A lei
promulgada por Constantino, a sete de março de 321, relativa a um dia de
descanso assim reza: ‘Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e
todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não
obstante, atendem os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos;
visto acontecer a miúdo que nenhum outro
dia é tão adequado a semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se
deve deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu.’ Fonte: The Catholic Encyclopedia. Vol. 4, pág. 299-300, art.
“Constantine”.
Num
outro texto, lemos sobre a “Falsa
conversão de Constantino”, bem caracterizada em
Constantinopla:
“Constantino continuou a freqüentar os cultos pagãos
e proteger seus direitos. Na dedicação de Constantinopla em 330 foi usado um
cerimonial que era meio pagão e meio cristão. A carruagem do deus-sol foi estabelecida na praça do mercado e sobre ela estava a cruz de Cristo. Moedas feitas por Constantino apresentavam
a cruz, mas também representações de Marte e de Apolo. Enquanto professava ser um cristão, ele continuava
a acreditar em fórmulas mágicas pagãs para a proteção das colheitas e a cura de
enfermidades. Todas estas coisas são indicadas na The Catholic Encyclopedia [...] o conceito pelo qual
a Igreja Católica Romana desenvolveu-se e cresceu – o conceito de misturar o
paganismo com o cristianismo como força unida – está claramente ligado a
Constantino.” Fonte:
WOODROW, Ralph. Babilônia: a Religião dos Mistérios. Cap. 7, página 60-61.
Atualmente, também as “doutrinas” esotéricas,
herméticas, passaram a se utilizar da Astrologia, como vimos no texto de EDGARDO TOUSÓN; assim como os teósofos e os
ramatisistas; ou seja, em todas as doutrinas em que se apela para a magia, para
o místico-religioso, que não tem nenhum ponto de relação com o Espiritismo,
como veremos mais adiante...
A conclusão a que chegamos, depois deste resumo
histórico é a de que a ASTRONOMIA teve início juntamente com a Astrologia, por que esta foi a infância daquela, plena de
misticismo e crenças pagãs, como era próprio da Filosofia de então; não
obstante, a ASTRONOMIA desenvolveu-se e, hoje, não possui nenhum ponto comum
com a Astrologia (exceto no nome), a partir, do telescópio de GALILEU e
principalmente a partir dos estudos científicos de ISAAC NEWTON...

Astrologia e Ciência
A
concepção da Astrologia é Geocêntrica, isto é, os astros em geral, girariam em
torno da Terra e a Carta Natal é concebida a partir da eclíptica, isto é, da
trajetória do Sol em torno da Terra no exato momento em que nasce uma pessoa,
ou seja, uma concepção eivada de erros científicos, comprovados
(Iso Jorge Teixeira)
Em que consiste a Astrologia - Questionamentos
científicos
Os próprios astrólogos admitem
que são muitos os fenômenos astrológicos desconhecidos, mas insistentemente
dizem que a Astrologia seria uma “Ciência” e não demonstram as suas assertivas
e, o que é pior para eles, fazem afirmativas que demonstram o contrário daquilo
que almejam – a cientificidade...
Em
que consiste o processo de elaboração de uma carta natal? Ela seria determinante do futuro de uma pessoa ou, pelo menos, predisponente para determinado caráter,
doenças, sucesso em determinados ramos de negócios, etc.
Segundo
os astrólogos DEREK e JÚLIA PARKER, a carta natal é elaborada com base em “convenções da Astrologia”, dizem eles:
“O astrólogo parte da
SUPOSIÇÃO de que a Terra é um ponto fixo e de que todos os outros corpos cósmicos
revolvem à sua volta uma vez por dia(...) – grifo nosso.
Ora, aqui temos alguns erros metodológicos e provadamente absurdos
“científicos”, hoje. Senão vejamos:
1-
a “suposição” dos astrólogos é FALSA, pois a Terra não é
um “ponto fixo”... Há muito o sistema geocêntrico foi superado cientificamente;
2-
não são os outros corpos que revolvem em torno da Terra, é esta que gira
em torno de si mesma e revolve em torno do Sol, assim como os outros
planetas... A Lua, de fato, revolve em torno da Terra...
Mas, continuemos lendo o texto dos astrólogos de “O
Grande Livro da ASTROLOGIA”:
“(...) Em seguida, aplica esse sistema de 24 horas à
carta natal. O círculo principal da carta é dividido em doze segmentos iguais;
um segmento, ou casa, equivale a duas horas do total de 24. Fora desse círculo,
marcam-se os doze signos do zodíaco.” (op.
cit., p. 78).
Portanto, o pressuposto da elaboração da “carta
natal” é cientificamente falso, até porque a eclíptica (trajetória que o Sol
descreve anualmente no céu ou a projeção do plano da órbita da Terra sobre a esfera
celeste) não é rigorosa,
porque há o fenômeno há muito conhecido como precessão dos equinócios, isto é, o equinócio seria o
instante onde o Sol, passando de um hemisfério a outro, encontrar-se-ia
perpendicular ao equador, o que aconteceria 2 vezes durante o ano, em 21 de
março, quando o Sol situa-se frontalmente ao hemisfério boreal e em 22 de
setembro, quando volta a se situar em frente ao hemisfério austral. Mas, como a
Terra não é rigorosamente redonda e seu eixo é oblíquo, o instante do equinócio
encontra-se avançado em cada ano, de alguns
minutos...
Enfim, as constelações
não são um conjunto de astros, uniforme, como dá a impressão à vista desarmada,
e não são conhecidas todas... A propósito deste último questionamento,
dizem os astrólogos em sua maioria, parece-me:
“As ‘constelações’, inclusive o número delas, não
seriam essenciais em astrologia, é que as constelações visíveis não são de
importância primária. Servem como nomes para os signos astrológicos fixos, cada
um dos quais ocupa uma área igual de 30.o da eclíptica, começando em
Áries 0.o , e É INVESTIDO DE PODERES SIMBÓLICOS” –
destaque nosso (op. cit., p. 68).
Dizem os astrólogos prosseguindo no seu despautério
“cientifico” , ou melhor, na sua pseudologia
fantástica:
“Assim, embora Escorpião seja muito mais proeminente
no céu do que Câncer, os signos do Escorpião e Câncer, são igualmente
importantes. Além do mais, devido à precessão dos equinócios, os signos e as
constelações já não se correspondem; hoje Áries 0.o é encontrado na
constelação astronômica de Peixes.”
(op. cit., p. 68).
Portanto, caríssimos leitores, como o
fenômeno da “precessão dos equinócios” é um “tiro de Misericórdia” nas suas
concepções, os astrólogos apelam: para a Astrologia pouco importaria a posição
dos astros em si, o importante seria o
seu “simbolismo”, configurado nas 12 casas do horóscopo de uma pessoa no
momento do seu nascimento.
No cúmulo da insensatez dos
astrólogos, chegam a dizer, ao tentarem uma resposta para relação tão distante
entre o movimento relativo de dois planetas e o dia e hora de nascimento da
pessoa:
“Na verdade, DO PONTO DE VISTA CIENTÍFICO não é uma objeção válida dizer
que NÃO SE PODE DEMONSTRAR como é que alguma coisa funciona – uma demonstração
de que funciona DE FATO é suficiente. Obviamente, porém, uma avaliação acurada da
mecânica de qualquer sistema em funcionamento, seja no motor de um carro, seja
no campo da astrologia, seria o maior passo na direção de uma AUTÊNTICA
COMPREENSÃO desse sistema.” – destaques e grifo nosso
(op. cit., p. 51).
Que os astrólogos nos perdoem, mas parecem que vivem,
literalmente, no “mundo da lua”! Ora, qualquer principiante em Ciências sabe
que o simples levantamento de uma hipótese não a eleva à condição de um fato e, muito menos, de um fato científico. Se levantarmos a
hipótese, por exemplo, de que a chuva que vem do céu é o resultado do choro de
um anjo, é imprescindível que se prove, pelo menos, a existência material do
céu e do anjo e que este chore!... Dizer-se, ex-cathedra, que um anjo chora “de fato” é tão absurdo,
que dispensaria maiores comentários, como dispensáveis são estes para os
argumentos dos astrólogos, acima expostos...
Mas,
admitamos – só para conceder um argumento aos astrólogos – que os horóscopos
funcionem “de fato”... Os astrólogos poderiam prová-lo? Acreditamos que,
também, não! Vamos aos fatos, realmente científicos e a nossa crítica à visão
dos astrólogos...
A Lua (e o Sol) na produção das
marés – Os astros influenciam os líquidos corporais dos animais (e do
Homem) ?
Todos já devem ter ouvido o seguinte
argumento dos astrólogos: ¾ Como está
provado que a Lua influencia o movimento das águas dos Oceanos – dizem eles -,
a fortiori, ela influencia os líquidos corporais, orgânicos, dos animais e do
Homem... Aqui, o argumento é literalmente pseudológico... Leiamos um trecho do trabalho
intitulado “A Lua e os bebês”,
de FERNANDO LANG DA SILVEIRA, do Instituto de Física da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), contido naquele site recomendado pelo confrade
MARCOS MABBO, que aniquila o argumento, acima, dos astrólogos:
“Desde Isaac Newton (1643 - 1727) sabe-se que as
marés são devidas às forças de atração gravitacional da Lua e do Sol sobre a
Terra; os efeitos de maré causados pela Lua são um pouco mais do dobro daqueles
causados pelo Sol. As marés ocorrem porque o campo gravitacional, que tanto a
Lua quanto o Sol exercem sobre pontos diferentes da Terra, é variável em
intensidade e orientação. Essa variação se deve ao fato de que o raio da Terra
não é desprezível frente às distâncias ao centro de qualquer um dos dois
astros. “
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Marés – Pequenos volumes líquidos – Fases da Lua
Não há
efeito de maré em volumes líquidos pequenos, pois os distintos pontos destes
volumes estão eqüidistantes do astro atrator. As marés acontecem em qualquer
dia e não apenas em mudanças de fases da Lua.
FERNANDO LANG DA SILVEIRA ©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©
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A seguir,
o autor complementa o interessante ensinamento:
“As águas oceânicas, que se estendem por amplas
regiões da Terra, acabam sofrendo diferentes atrações gravitacionais pela Lua
ou pelo Sol, o que vem a ocasionar as marés. Mas não há efeito de maré em uma
região com volume tão pequeno quanto o de uma bacia (ou até mesmo o de um
açude), pois distintos pontos dessa região estão eqüidistantes do astro atrator.
Da mesma forma, os líquidos no útero da mãe (ou no bulbo capilar) não sofrem
efeitos de maré. Adicionalmente, cabe notar que as maiores marés ocorrem em Lua
Cheia e em Lua Nova, quando a Lua e o Sol estão quase alinhados com a Terra e a
composição das duas forças de maré resulta ser máxima; na Lua Minguante ou
Crescente as marés são menores. Entretanto, as marés acontecem em qualquer dia
e não apenas em mudanças de fase da Lua. Conclui-se então que, se realmente
nascessem mais bebês em mudanças de fase da Lua, tal fato não poderia ser
atribuído aos efeitos de maré”.
O artigo “Astrologia não é Ciência”, de
KEPLER DE SOUZA OLIVEIRA FILHO, a nosso
ver, complementa o assunto acima, de forma irrespondível, rigorosamente
científica; leiamos um pequeno trecho do interessante artigo:
“(...) Tanto a teoria gravitacional de Newton
e Einstein quanto a teoria
eletromagnética de Maxwell comprovam que o efeito dos astros nas pessoas é
completamente desprezível, isto é, muito menor do que o efeito dos outros
corpos na própria Terra. Naturalmente não estamos falando da luz do Sol,
principal fonte de energia na Terra, nem dos efeitos de maré da Lua, e em menor
parte do Sol, sobre a Terra. Também não estamos falando do efeito real da
colisão de um asteróide ou meteorito com a Terra, que muitas vezes tem
conseqüências catastróficas. O obstetra que realiza o parto de uma criança
exerce uma atração gravitacional sobre ela seis vezes maior do que o planeta
Marte, pois embora a massa de Marte seja muito maior do que a do obstetra, o
planeta está muito mais distante. O efeito de maré do obstetra sobre a criança
é ainda 2 trilhões de vezes maior do que o de Marte “.(op. cit., março/2001
– página do Instituto de Física da UFRGS).
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©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©© Influência dos astros nas pessoas
O efeito
dos astros nas pessoas é completamente desprezível, isto é, muito menor do que
o efeito dos outros corpos na própria Terra. O efeito de maré do obstetra sobre
a criança é ainda 2 trilhões de vezes maior do que o de Marte
KEPLER DE SOUZA OLIVEIRA ©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©
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A fertilidade da mulher e sua relação com o eixo
Sol-Lua
Segundo
o texto do livro de Astrologia dos autores DEREK e JÚLIA PARKER (op. cit., p.
57):
“O Dr. Eugen Jones, psiquiatra tcheco, determinou, com 87% de acerto,
que as mulheres ficavam férteis quando o Sol e a Lua restabeleciam a relação angular exata, que
apresentavam nas cartas natais das pacientes.”
Bem,
não conhecemos o Dr. EUGEN JONES, até porque é a primeira vez que vejo a
citação de um psiquiatra tcheco, por isso, não temos como avaliar a autoridade
dele, pois os autores não citam a sua titulação (aliás, falta o mínimo de rigor
nos escritos dos astrólogos)... Não
obstante, perguntamos: seria esta mais uma “hipótese” que funcionaria “de
fato”? Se assim fosse, os filhos de cada uma dessas mulheres nasceriam sempre
na mesma época, EXATA, e, talvez, no mesmo “signo”, e a prática demonstra que não é assim...
Além
disso, sabemos que toda mulher apresenta períodos
de fertilidade BEM DETERMINADOS, TODO mês e tais períodos não
têm nenhuma correlação com o Sol ou com a Lua, nem com a “relação angular”
destes, inclusive, o período fértil de
uma mulher pode ser anulado por substâncias químicas ou outros processos
contraceptivos... Ora, o período fértil de uma mulher não ocorre num dia e hora
EXATOS, como a “pesquisa” faz
pressupor-se, posto que relacionada à “carta natal”, suposta “exata”, e sim,
são vários dias de período fértil
e, portanto, a relação angular entre Sol e Lua não seria rigorosamente a mesma durante as várias horas
e os vários dias férteis de uma mulher normal...
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©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©© Correlação e Causalidade
Mesmo uma correlação estatisticamente significativa
entre x e
y não é uma condição
suficiente para uma crença racional numa correlação causal, muito menos para a
crença de que x causa y. Correlação
não prova causalidade
ROBERT TOOD CARROLL ©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©©
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Acrescente-se que também aqui, vale o sensacional
argumento do “Dicionário dos Cépticos” de ROBERT TOOD CARROLL:
“Um segundo argumento a favor da astrologia é o de
que ela é testável e que há indícios de que os dados apóiem a hipótese de uma
conexão causal entre os corpos celestes e os eventos humanos. Por exemplo, de
acordo com o assim chamado Efeito
Marte , grandes atletas
são natos, não feitos. Essa afirmação é baseada numa análise estatística das
datas de nascimento de grandes atletas e a posição de Marte quando nascem.
Diz-se que a correlação é maior do que o que se esperaria pelo acaso. Outros
discordam e alegam que os indícios não mostram uma correlação que não seria
esperada pelo acaso. No entanto, mesmo se houvesse uma correlação significativa
entre a posição de Marte na data do nascimento e o fato da pessoa se tornar um
atleta excepcional, isso não implicaria ou mesmo indicaria existir uma conexão
causal entre a posição de um planeta e o tipo de atividade em que a pessoa se
daria bem na Terra. A correlação entre x e y não é uma condição suficiente para
a crença racional de que x causa y. Mesmo uma correlação estatisticamente
significativa entre x e y não é uma condição suficiente para uma crença
racional numa correlação causal, muito menos para a crença de que x causa y.
Correlação não prova causalidade.” (Astrologia - The Skeptyic’s
Dictionary – ROBERT TODD CARROLL).
Os movimentos das ostras
Vejamos outro
argumento pseudológico,
extraído do mesmo livro de Astrologia que estamos citando, de DEREK e PARKER:
“Antes
que BROWN realizasse esse teste, já se havia confirmado que as carapaças das
ostras se abriam e fechavam com um ritmo preciso, que provavelmente acompanhava
a atividade das marés. Então, BROWN retirou um grupo de ostras de seu ‘habitat’
natural e levou-as em recipientes fechados para seu laboratório em Evanston, em
Illinois, a aproximadamente 1600 quilômetros de distância do mar. Lá, as ostras
continuaram a se comportar exatamente como faziam se estivessem perto do mar,
abrindo e fechando suas carapaças ao ritmo de suas marés “naturais”. Porém,
depois de mais ou menos 2 semanas, ocorreu uma mudança: as ostras ajustaram
seus “relógios” a um ritmo novo, que não correspondia a uma maré, mas sim às
fases da Lua em Evanston , comprovando assim ser a posição da Lua, e não as
marés – como sempre se havia acreditado – a responsável pelo ritmo do ciclo das
ostras.” (op. cit., p. 57).
Aqui, novamente,
podemos demonstrar a fragilidade dos argumentos (pseudo) científicos... Ora,
não entendemos o raciocínio acima! Se a Lua (e o Sol) afeta(m) diretamente o
fenômeno das marés (está provado desde NEWTON), conseqüentemente, as ostras se
adaptariam com o abrir e fechar de suas carapaças, de acordo com as marés e,
portanto, de acordo com as fases da Lua, indiretamente... Obviamente,
retiradas de seu “habitat”, não haveria mais o fenômeno das marés para explicar
o seu comportamento, não obstante, seu “relógio biológico” continua a funcionar
como “aprendido”, CONDICIONADO, isto é,
de acordo com as fases da Lua, indiretamente...
Não entendemos os astrólogos ao
dizerem que as ostras comportavam-se inicialmente como se estivessem em seu
“habitat” e mais ou menos 2 semanas depois “ocorreu uma mudança”!... Mas, que
mudança?! Se as carapaças abriam-se e fechavam-se no “habitat”, de acordo com a
ação da Lua (e do Sol) nas marés! Obviamente, elas continuariam a abrir e
fechar suas carapaças como se as marés existissem e no mesmo ritmo CONDICIONADO
pela atuação da Lua... Ou será que os astrólogos não conhecem os trabalhos de
I.P. PAVLOV sobre reflexo condicionado
de animais?...
Os “relógios biológicos” e a ação dos astros
É inegável a ação do cosmos sobre alguns comportamentos de animais e
homens, no entanto, ainda estamos muito longe de entender completamente tal
ação. Não obstante, os chamados “relógios
biológicos”, tão comuns nos seres vivos e estudados pela Biologia
são interpretados pelos adeptos da Astrologia como “alguma espécie de
cronômetro ou relógio cósmico”...
Sem dúvida, os “relógios biológicos”
são uma realidade e alguns são perfeitamente compreensíveis, sem se apelar para
o cosmos e sem se afastar da Biologia e dos mecanismos auto-reguladores (ou feedback) existentes no
inter-relacionamento das glândulas
endócrinas e das próprias estruturas cerebrais entre si...
Exemplifiquemos:
1- o cio na procriação de ratos e de outros animais é
controlado por estímulos luminosos
sobre a glândula pineal e
conseqüente produção, ou não (dependendo do claro-escuro) de MELATONINA,
substância importante nos chamados ritmos
circadianos na sexualidade de animais, assim como de sono-vigília,
por exemplo;
2-
o ritmo sono-vigília ainda não está
perfeitamente compreensível, mas indubitavelmente é produzido pelo nível de
substâncias nas interconexões das células cerebrais (sinapses neuronais),
provavelmente por monoaminas cerebrais, além da melatonina.
Não obstante, há evidências de uma ação cósmica global
sobre o comportamento humano, ainda desconhecida em seu mecanismo, mas,
certamente, não é a influência “da Lua” (ou “do Sol”), quem determina a maior
ou menor freqüência de crises
epilépticas, nem a recrudescência dos quadros de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) (a
antiga Psicose Maníaco-depressiva),
pois sabemos que esta doença é mais freqüente em determinadas fases do ano.
Seria a maior luminosidade do ambiente? É possível, pois sabemos que os
epilépticos pioram com a maior quantidade de estímulos luminosos, tanto assim
que são feitas provas de sensibilidade à
fotoestimulação intermitente quando determinados pacientes são
submetidos à eletroencefalografia
(EEG). Da mesma forma, parece que a
maior luminosidade de determinadas estações do ano propicia o recrudescimento
do TAB, mais freqüente nas regiões de “insolação primaveril”, o que foi
pesquisado e proposto por E. E. KRAPF e confirmado por uma interessante
pesquisa no Rio de Janeiro pelo nosso
mestre da Psiquiatria brasileira A .L. NOBRE DE MELO... Mas, estas são hipótese-de-trabalho,
nada mais, pois é a noção de clima,
muito mais amplo e global do que se costuma imaginar, a responsável por
inúmeras influências no comportamento do animal e do homem.
Astrologia e Espiritismo
– Epílogo
Em relação à carta
natal, base fundamental da Astrologia, vejamos o que KARDEC nos
esclarece no livro “A Gênese, os
milagres e as predições segundo o Espiritismo” (Cap. IX – Revoluções do Globo. Revoluções
periódicas, item 7):
“O equinócio é o instante em que o Sol, passando de
um hemisfério a outro, se encontra perpendicular ao equador, o que acontece
duas vezes por ano, a 21 de março, quando o Sol passa para o hemisfério boreal,
e a 22 de setembro, quando volta ao hemisfério austral.
Mas, em conseqüência da
gradual mudança na obliqüidade do equador sobre a eclíptica, o momento do
equinócio avança cada ano de alguns minutos (25 minutos e 7 segundos). A esse
avanço é que se deu o nome de PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS (do latim <proecedere>, caminhar para adiante, composto de <proe>, adiante e <cedere>, ir-se).
Com o tempo, esses minutos fazem horas, dias, meses e
anos, resultando daí que o equinócio da primavera, que agora se verifica no mês
de março, em dado tempo se verificará em fevereiro, depois em janeiro, depois
em dezembro. Então, o mês de dezembro terá a temperatura de março e março a de
junho e assim por diante, até que, voltando ao mês de março, as coisas se
encontrarão de novo no estado atual, o que se dará ao cabo de 26.868 anos, para
recomeçar indefinidamente a mesma revolução. (1).”
KARDEC, então , acrescenta em nota de rodapé:
_____
“(1) A precessão dos equinócios ocasiona outra mudança: a que se opera
na posição dos signos do zodíaco. Girando a Terra ao derredor do Sol em um ano,
à medida que ela avança, o Sol, cada mês, se encontra diante de uma
constelação. Estas são em número de doze, a saber: Carneiro, Touro,
Gêmeos, Câncer, Leão,
Virgem, Balança, Escorpião,
Sagitário, Capricórnio, Aquário, Peixes. São chamadas constelações zodiacais, ou signos do
zodíaco, e formam um círculo no plano do equador terrestre. Conforme o mês do
nascimento de um indivíduo, dizia-se que ele nascera sob tal ou qual signo. Daí
os prognósticos da Astrologia. Mas, em virtude da precessão dos equinócios,
acontece que os meses já não correspondem às mesmas constelações. Um que nasça
no mês de julho já não está no signo do Leão, porém, no do Câncer. Cai assim a idéia supersticiosa da influência dos
signos. – grifo nosso - (Cap. V, n.º
12)”.
Assim, o mestre de Lyon remete-nos
para o Cap. V, n.º 12 do mesmo livro, que é interessante que seja lido na
íntegra, mas por questão de espaço, pois este artigo está muito longo, só
citaremos um trecho por reputá-lo importantíssimo... Disse KARDEC:
”(...) Os grupos aos quais deu-se o nome de constelações são somente agrupamentos aparentes causados pela
longa distância; seus desenhos são efeitos de perspectiva, como o formam à
vista daquele que está colocado num ponto fixo as luzes dispersas num vasto
plano ou as árvores de uma floresta ; mas estes agrupamentos não existem na realidade; se pudéssemos nos transportar para a região de uma
dessas constelações, à medida que nos aproximássemos, a forma desapareceria e
novos grupos se desenhariam à vista. Desde que estes grupos somente existem em
aparência, a
significação que uma crença vulgar supersticiosa lhe atribui é ilusória e sua
influência somente poderia existir na imaginação.
Para distinguir-se as constelações foram dados
nomes, tais como: Leão, Touro, Gêmeos, Virgem, Balança, Capricórnio, Câncer,
Órion, Hércules, Grande ursa ou Carro de Davi, Pequena Ursa, Lira, etc., e,
foram representadas pelas figuras que estes nomes lembram, fantasiosas na sua maioria, mas que, em todos os casos, não têm nenhuma
relação com a forma aparente do grupo de estrelas. Seria, então, em vão que se
procurasse estas figuras no céu.
A crença na influência das constelações, sobretudo das que constituem os
doze signos do zodíaco, proveio da idéia ligada aos nomes que elas trazem; se
aquela é chamada leão fosse nomeada como asno ou ovelha, certamente, lhe teriam
atribuído uma outra influência”. (todos os grifos são nossos).
Mais claro KARDEC não poderia ser! Por isso diremos nós: a Astrologia é
uma crença vulgar, supersticiosa, criada pela imaginação das pessoas e,
aproveitada, hoje, pelos aventureiros que sabem que os incautos adoram o maravilhoso e o sobrenatural, embora haja raríssimas exceções
dos astrólogos neste particular...
Pela própria conceituação de Astrologia e de seus objetivos, como
vimos inicialmente, depreende-se ser ela uma forma de adivinhação, isto é, ela tem a
pretensão de assinalar conhecimentos futuros,
mesmo que os mais sérios não revelem isso a seus “clientes”. Ora, do ponto de
vista dos Espíritos Superiores,
contido em várias respostas na Codificação espírita, o futuro do homem lhe
é oculto e só excepcionalmente DEUS permite a sua revelação [cf. resp. à questão 868 de “O Livro dos
Espíritos” (OLE)], o que é corroborado também na resp. |