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Marcus Alberto De Mario
O Espiritismo é uma doutrina muito séria
para que se aprenda seus princípios por mera curiosidade, ou se faça sua
prática sem a devida responsabilidade, sem medir-lhe a conseqüências.
Doutrina de educação por excelência, o
Espiritismo repousa em bases filosóficas e científicas com conseqüências morais
de profundo alcance para o indivíduo e a sociedade; por isso as advertências de
Allan Kardec e dos Espíritos Superiores aos espíritas, para que não procurem no
Espiritismo um passatempo ou uma fórmula mágica de cura dos males físicos e
emocionais.
Quem assim procede, banaliza o Espiritismo,
acomoda-o a conveniências personalistas e deturpa-o!
É a falta de estudo e compreensão das obras
da Codificação, ou seja, os livros organizados por Allan Kardec a partir do
ensino dos Espíritos Superiores, que tem levado muitos espíritas imprevidentes
a desviarem os objetivos e as práticas do Centro Espírita.
E qual é a função do Centro Espírita? Como
os Espíritos compreendem o Centro Espírita?
A bibliografia em torno do assunto, desde
Allan Kardec, é vasta, mas para nos atermos ao modelo didático de objetividade,
trazemos para análise o texto do Espírito Bezerra de Menezes, pela médium
Yvonne Pereira, que se encontra no livro "Dramas da obsessão", em sua
3a parte, item 3, editado pela Federação Espírita Brasileira.
Começa o venerável apóstolo do Espiritismo
no Brasil informando-nos que as vibrações de um Centro Espírita têm o cuidado
especial dos Espíritos encarregados de zelar pelas atividades e ambientes. Esse
cuidado se faz tendo em vista: 1. os fluidos úteis necessários aos diversos
trabalhos; 2. a aplicação desses fluidos à cura de enfermos, à desobsessão e à
explanação doutrinária; 3. que os fluidos são indispensáveis para a ação
espiritual a serviço do bem.
Aprofundando o assunto, diz-nos: "Essas
vibrações, esses fluidos especializados, muito sutis e sensíveis, hão de
conservar-se imaculados, portanto, intactas, as virtudes que lhe são naturais e
indispensáveis ao desenrolar dos trabalhos, porque, assim não sendo, se
mesclarão de impurezas prejudiciais aos mesmos trabalhos, por anularem as suas
profundas possibilidades.".
Vibrações, fluidos que possuem virtudes?
Tem razão Bezerra de Menezes. Basta estudar
"O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, para certificarmo-nos dessa
verdade, pois são os fluidos os agentes de que se servem os Espíritos para sua
ação, dando-lhes as propriedades necessárias de que carecem. Como os
cientistas, nos laboratórios, preparam suas substâncias medicinais.
Se o ambiente vibratório do Centro Espírita
estiver em desequilíbrio, os fluidos nele armazenados pela Espiritualidade
receberão uma carga negativa e ficarão impuros. O desequilíbrio ocorre das
seguintes maneiras: desrespeito dos freqüentadores, trabalhadores e dirigentes
aos fins das reuniões espíritas; frivolidade e inconseqüência na prática
espírita; maledicência e intriga entre os que estão no Centro Espírita;
mercantilismo e mundanismo nas dependências do Centro; ruídos e atitudes menos
graves durante as atividades.
Essas atitudes trarão para o Centro Espírita
aqueles Espíritos que se afinizam, sintonizam com tais perturbações,
ocasionando o afastamento dos Bons Espíritos, que nele não conseguem encontrar
o ambiente adequado para as realizações de ordem superior. É assim que os
processos sutis da obsessão começam a se instalar, desorganizando a prática
espírita e retirando do Centro o adjetivo "espírita" do seu conteúdo.
Quantos Centros há que ostentam, no estatuto
e na fachada, o título "espírita", mas neles não encontramos o
Espiritismo!
Voltamos a reafirmar a importância do estudo
das obras básicas, pois fora da Codificação, não há Espiritismo.
O Centro Espírita, através de seus
dirigentes, dos seus trabalhadores, e também dos seus freqüentadores, na medida
em que se esclarecem no estudo do Espiritismo, deve manter o bom padrão das
vibrações, dos fluidos espirituais.
É ainda Bezerra de Menezes que esclarece o
como conseguir isso: as mentes (os pensamentos) devem estar sintonizados com o
respeito; os corações precisam emitir fé, com convicção; as aspirações
necessitam ser elevadas para além dos interesses materiais; a palavra, nas
conversações e estudos, não pode resvalar para futilidades, fofocas e
comentários menos dignos; pensamento disciplinado no bem sintonizando com os
Bons Espíritos; comunhão mental com os Espíritos familiares ou guias
espirituais no lugar de cerimônias e passatempos infrutíferos.
A instrução espiritual lembra-nos que:
"(o Centro Espírita) fiel observador dos dispositivos recomendados de
início pelos organizadores da filosofia espírita, será detentor da confiança da
Espiritualidade esclarecida (...)".
Quem são esses organizadores? Acaso não
seria apenas um, ou seja, Allan Kardec? Não! Os organizadores da filosofia
espírita são os Espíritos Superiores, que através do concurso de diversos
médiuns, e com a colaboração de Kardec na organização dos ensinos, trouxeram
para nós o Espiritismo, ou Doutrina Espírita.
É de importância fundamental que os dirigentes
do Centro Espírita tenham essa compreensão, para que o estudo do Espiritismo
seja colocado na frente da prática espírita, pois o bom entendimento da teoria
previne contra os erros e oferece à Espiritualidade, como lembra Bezerra de
Menezes, campo propício ao bom trabalho em benefício do próximo.
Finalmente, uma séria advertência, para
nossa profunda reflexão: "Somente esses (os Centros Espíritas fiéis
observadores ...), portanto, serão registrados no Além-Túmulo como casas
beneficentes, ou Templos do Amor e da Fraternidade, abalizados para as
melindrosas experiências espíritas, porque os demais, ou seja, aqueles que se
desviam para normas ou práticas extravagantes, serão, no Espaço, considerados
meros clubes onde se aglomeram aprendizes do Espiritismo em horas de
lazer".
Apesar do conteúdo esclarecedor e orientador
da Codificação, e das advertências e ensinos dos Bons Espíritos, florescem pela
sociedade humana vários "clubes espíritas" que se fazem passar por
Centros Espíritas, disseminando práticas estranhas e deturpando o Espiritismo.
É para discernir sobre o que é Espiritismo e
o que não é, para esclarecer a verdadeira da falsa prática espírita, e do
verdadeiro papel que cabe ao Centro Espírita desempenhar na regeneração moral e
espiritual do indivíduo e da humanidade, que empreendemos este estudo, sem a
intenção de esgotar o assunto ou dizer a palavra final, mas alertando para a
superior finalidade da existência do Centro Espírita no seu trabalho de
promoção humana, de escola de almas, de detentor do ensino e da prática do
Espiritismo.
Nossa palavra não mereceria atenção se fosse
apenas a exteriorização de um pensamento individual, mas o que procuramos fazer
foi trazer para as páginas deste artigo o pensamento da espiritualidade.
Fonte: Dirigente Espírita no 64 - março/abril/2001
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