|
Adésio Alves Machado
O jornal O Globo
de 12 de agosto de 2001 estampou uma entrevista de página inteira com o
bioquímico greco-cipriota Panos Zavos, de 57 anos, naturalizado americano, ele
que é um dos responsáveis pela experiência científica que suscita a maior
polêmica dos últimos tempos: a clonagem humana. Ele garante que pode realizar a
clonagem com 80% ou mais de segurança. Garantiu que casais brasileiros
participarão da etapa inicial da pesquisa e que vai provocar uma revolução,
naturalmente não só nos meios científicos, mas também na opinião mundial. O
cientista é especialista em infertilidade masculina.
Ora, não somos
ingênuos, sabemos que estamos diante de um cientista com especialidade na
questão da clonagem, mas somos perfeitamente capazes de identificá-lo como mais
um cientista materialista opinando, cheio de empáfia, que imitará Deus,
igualar-se-á a Ele, mesmo o fazendo de forma inconsciente. Como se percebe,
claramente, ele trabalha suas pesquisas encima do aspeto estritamente material
da clonagem. E é por isso que vai se machucar, com certeza, porque até prova em
contrário, a reencarnação é um princípio doutrinário dentro da área restrita da
Espiritualidade Superior. Ficaríamos mal, numa posição bem desconfortável, caso
o cientista em questão tiver razão.
Como espíritas e
de posse, como estamos, de informações a respeito do processo reencarnatório,
caso a ciência lograr a clonagem de seres humanos interferirá nas reencarnações
dos Espíritos e estes chegariam aqui sem nenhuma programação de vida, seriam
jogados na correnteza ciclópica da vida na base do "salve-se quem
puder". Deus concordaria com isso?
A questão técnica
material da clonagem é uma realidade plenamente aceita pelo Espiritismo, porque
Emmanuel, em o livro O Consolador, perguntas 35, 36 e 37, já admitiu,
tacitamente, a interferência do homem no processo genético. Na questão 35 Ele
observa que "As leis da genética encontram-se presididas por numerosos
agentes psíquicos que a ciência da terra está longe de formular dentro de seus
postulados materialistas". Logo adiante adita que os geneticistas, entre
eles podemos agora incluir Panos Zavos, irão encontrar incógnitas inesperadas
que deslocarão o centro de suas anteriores ilações. Cremos que o Venerando Espírito
estava já antecipando, naquela época, 1940 mais ou menos, que por este caminho
a ciência materialista deparar-se-á com o Espírito, condutor inteligente da
formação do corpo físico. Na 36, Emmanuel salienta que a genética irá melhorar
o homem, fisicamente falando, e acentua que tal fato já ocorre,
continuadamente, nos seus processos de seleção natural. Nesse sentido a
genética somente copiará o trabalho da própria natureza. Isto é notório,
bastando que olhemos para trás e verifiquemos como era o homem das cavernas. A
ciência, prossegue Emmanuel, poderá criar um vasto serviço de melhoramento e
regeneração do homem espiritual no mundo caso estude os elevados princípios que
objetivam a iluminação das almas humanas. E é na 37 que o Mentor destaca o mais
importante aspecto da questão: as combinações da gênese não podem imprimir no
homem faculdades ou vocações, que é justamente a meta ambicionada pela ciência
materialista do senhor Panos Zavos. Diz Emmanuel que alguns cientistas
proclamam essas possibilidades, esquecidos de que vocação ou faculdade são
atributos do Espírito, da individualidade espiritual, inacessível às
observações dos cientistas materialistas. As experiências deles não passarão da
zona superficial já que temos para analisar as provações ou a posição evolutiva
dos Espíritos reencarnados.
Pudessem os
cientistas materialistas "reencarnar espíritos", nós espíritas, seríamos
forçados a abrir mão, postergar tudo quanto sabemos a respeito do processo
reencarnatório. Seria o caos.
Reencarnação e
clonagem humana têm, forçosamente, que caminhar juntas. Cientistas de
"lá", os Técnicos em Reencarnação e os cientistas daqui estabeleceriam,
através da mediunidade, todos os detalhes para o renascimento dos Espíritos na
carne. Sem isso é admitir a subordinação dos Planos Divinos ao talante do
orgulho, vaidade, ambição e egoísmo dos cientistas materialistas reencarnados.
Idéia absurda, inviável. A ordem e direção partiram, partem e sempre partirão
de "lá" para cá, não o contrário.
Imaginemos a
cena: o Plano Espiritual, em obediência à Lei Divina, providencia a
reencarnação de um espírito que precisa chegar aqui portando deficiências físicas
porque, inclusive, as matrizes degenerativas se acham no corpo espiritual do
reencarnante. Os pais, naturalmente, não irão aceitar um filho assim. E aí,
como ficam os cientistas daqui? Falarão, explicarão as razões para que esse
espírito nasça com tais deficiências? Imporão a sua vontade ou se sujeitarão às
determinações dos cientistas de "lá"? Problema sério este, não?
Somente
acreditaremos na possibilidade da clonagem humana acontecer um dia em série e
como se tornar um fato natural quanto a Terra já estiver povoada, em sua
maioria, por espíritos bastante evoluídos, em condições, pois, de trabalharem
em harmonia com o Plano Espiritual Superior visando a que o processo reencarnatório
não sofra solução de continuidade. Até lá só vemos nesta ambição da ciência
materialista o desejo de brincar de Deus e uma forma deles se aproximarem da
realidade tão explicitada por nós, os espíritas: somos espíritos e comandamos,
automaticamente, a aglutinação das moléculas formadores do corpo físico a ser
usado pelo espírito reencarnante.
Fonte: Site Lar de Chico Xavier em 23/08/2005 - www.larchicoxavier.com.br
|