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A Questão dos Passes em Animais

 

DEUS e a Criação

Dr. Iso Jorge Teixeira

isojorge@globo.com

  

                 

O CIRCO – Henri de TOULOUSE- LAUTREC

Há uma diferença fundamental na absorção dos “fluidos” entre o Homem e os animais e entre os animais domésticos e os selvagens
                                        
Iso Jorge Teixeira
***********************

No dia 05 de agosto/2005, escreve-nos a nossa leitora um mail com o assunto: OPINIÃO, diz  ela:

“Caro Dr. Iso! Como sempre, continuo a importuná-lo com meus questionamentos espíritas.

Na sala Paltalk Filosofia Espírita, tivemos um pequeno debate sobre transmitir passe em animais.

Particularmente não encontro lógica para essa prática, e gostaria de saber sua opinião, sempre sensata e racional.

Obrigada mais uma vez por sua atenção.

Desejo ao Sr. e sua família muita saúde e harmonia.”

Rose Ribas - Ponta Porã – MT e São Paulo – SP

Nossa resposta imediata foi a seguinte: “Suas perguntas de nenhum modo nos importunam, tenho prazer em respondê-las, pois elas sempre me obrigam a refletir.

Também não encontro lógica para a prática de "passes" em animais, exceto se eles forem aplicados por um animal da mesma espécie, he he he. Confunde-se Fluidos Magnéticos com Fluidos Espirituais e mesmo considerando-se os Fluidos Magnéticos, há uma diferença fundamental entre os Fluidos de um animal e os do Homem... O Espírito ERASTO, se não me engano (depois vou conferir, quando elaborar mais um artigo sobre sua pergunta) afirma que há casos de morte de um animal ao se tentar "mediunizá-lo"...

            Bem, o assunto apresentado pela confreira tem uma certa relação com o tema que ela propusera anteriormente, isto é, o entendimento de um texto do livro “A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo”, que gerou nosso artigo “ENIGMAS DA ORIGEM DOS CORPOS HUMANOS”, sendo publicado no Portal TERRA ESPIRITUAL; pode ser encontrado no link  http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1665.html .

DEUS e a obra da Criação – Da concepção física do Universo

A propósito do artigo referido, recebi as seguintes considerações do conceituado físico, prof. CARLOS DE BRITO IMBASSAHY, no dia 07 de agosto/2005:

            “Li com bastante calma seu arrazoado, sempre prudente, caro Dr. Iso.

            Evidentemente, é uma área cujo meu conhecimento é deveras restrito, motivo pelo qual evito abordar. Mas, há algo que, embora Kardec jamais pudesse supor em sua época, porque é um estudo que se iniciou em 1975 com Murray Gell Mann, dar-lhe-ia enorme subsídio para sua tese e deixaria o Emmanuel em palpos de aranha para se justificar.

É a tese dos "agentes estruturadores" ou frameworkers como alguns preferem definir. Ela viria corroborar a hipótese de que cada raça advenha de uma forma estrutural distinta, como ocorre em tudo mais, a começar pela química: no caso dos álcoois, haveria um estruturador para os metílicos, outro para os etílicos, os propílicos e etc., que seriam agentes distintos, embora de mesma família orgânica (os álcoois), mas que, pela sua natureza, estruturariam substâncias cuja divergência, apenas, seria a de um grupo CH² a mais em cada tipo.

Ora, portanto, o que se pode ter em mente é que as raças escolheram os climas propícios para darem origem às espécies humanas distintas, o que contraria a Igreja e Emmanuel, posto que esta seria a obra prima de Deus, enquanto que, pela Ciência moderna, a obra da Criação seria a Espiritualidade (em nossa linguagem) a que a Ciência conhece como domínio dos estruturadores e do qual têm origem os aludidos agentes para atuarem em nosso cosmo, modulando sua energia (dita material), dando-lhe forma e vida.

Aquele abraço

Imba”

            Como não sou físico e neste assunto o meu conhecimento é verdadeiramente MUITO restrito, tecerei algumas considerações ligeiras, fruto dos meus estudos primários de Física, aproveitando os subsídios trazidos pelo ilustre prof. e espírita, tanto no texto acima, como em inúmeros artigos que ele tem escrito sobre o assunto, um deles, que dá uma idéia mais completa do que vem defendendo, há anos, pode ser encontrado no Portal do ESPÍRITO, no link http://www.espirito.org.br/portal/artigos/correio-fraterno/geracao-espontanea.html

            Concordamos com a maioria das teses do amigo prof. IMBASSAHY, não obstante, acreditamos, com a Codificação, que não há nada ESPIRITUAL inerente aos MINERAIS, por exemplo; ou seja, no particular, admitimos o que dizia o Dr. ARY LEX, grande expoente da Pureza Doutrinária:

            “Dizem, por exemplo, que tudo no Universo tem vida, desde o átomo até as estrelas; que em tudo há a manifestação divina, através de um princípio espiritual, que impregna toda a matéria. Não, não e não. O átomo, a molécula, os minerais, a água, o ar, estão simplesmente sujeitos a leis físicas, não às leis do Espírito. Não queiramos ver nas leis de atração, que regem o Universo do átomo às estrelas, qualquer coisa de espiritual. Também nas afinidades químicas, como a que faz os átomos de cloro buscarem uma combinação com os de sódio, formando o cloreto de sódio, ou sal de cozinha. Nessa combinação não há amor ou afinidade psíquica, como dizem os sonhadores, mas simplesmente afinidade química.”

                                         

ARY LEX

Médico, cirurgião, um dos maiores expoentes paulistanos da Pureza Doutrinária, faleceu aos 85 anos em 29 de junho/2001, segundo

EDUARDO CARVALHO MONTEIRO
++++++++++++++++++++

A seguir, o Dr. ARY LEX  cita o ilustre prof. IMBASSAHY:

“Mas não são só os orientais, nas suas meditações nos píncaros do Himalaia, que dizem isto. Infelizmente, pensadores do mais alto gabarito estão querendo fazer uma simbiose entre idéias desses religiosos místicos em êxtase com a física quântica. Tais pensadores lembra a atuação de um "agente estruturador externo ao Universo material, para que se forme a mais elementar das subpartículas atômicas", dando origem ao átomo. Por exemplo, diz Carlos de Brito Imbassahy, em A Bioenergia no Campo do Espírito, item 2.1, que experiências no acelerador do LEP mostravam "que algo comandava as ações dessas partículas, como se tivessem uma alma ou espírito próprio, evidentemente distinto do que se considera alma animal".

Argumenta,  o então chamado “Velho Guerreiro”:

“Haverá, então, dois dirigentes da estruturação material, um que agiria nos átomos e outro nos seres vivos? Não, o assunto já é complexo demais; não vamos complicar mais ainda. Essas são elucubrações teóricas de mentes cultas e avançadas, mas inteiramente destoantes dos ensinos da Codificação. Mineral não tem vida, não abriga nenhum princípio espiritual.

A matéria, como ensina Kardec, é apenas substância usada pelos Espíritos para sua trajetória no mundo terreno. Não evolui, não tem individualidade ou personalidade. Não queiramos inovar, em terreno tão escorregadio." (ARY LEX -“Atuação do Princípio Inteligente Não Começa nos Minerais” ("7o. JORNAL ESPÍRITA, SETEMBRO DE 1999 - EM DEBATE", republicado no Portal do ESPÍRITO).

Concordo plenamente com o Dr. ARY LEX, embora não sejamos físicos.

A propósito disto, após contato com o prof. IMBASSAHY, em que perguntávamos sobre o que disse o Dr. ARY LEX, acima, e o que ele (prof. IMBASSAHY) considera a "Lei da Criação" e se esta foi estabelecida por DEUS, disse-me ele em dois mails de 09 de agosto/2005:

“Criar é uma coisa, Dr. ISO, estruturar é outra.

Não é um agente estruturador que cria a substância, mas, agindo sobre a energia, elabora sua forma que pode ser transformada em outra, até mesmo através de reações químicas.

Quanto aos comentários do Dr. Ary, evidentemente, não vou criticá-lo agora. Na época não o fiz porque não ia dizer que entre ele e Gell Mann, a autoridade dele era nenhuma.”

            Imba

            Certamente, a autoridade do Dr. ARY LEX, como a nossa, é “nenhuma” para criticar Gell Mann, não obstante, ainda acrescentou o respeitável prof. IMBASSAHY:

“Quando eu comecei a estudar, Dr. Iso, ainda na velha acepção, existiam dois verbos distintos: "crear" e "criar", Deus era Creador e nossa cozinheira era criadora (de pintos) porque adorava chocar as galinhas.

Hoje os dois verbos são um só, com duas origens distintas.

            A minha opinião perante a posição da Ciência, não tem nenhum valor.

O que a Ciência admite é que deva existir uma Causa Suprema para a existência disso tudo e que foge à nossa capacidade de compreensão, sequer para admitir o que possa sê-lo.

Há uma corrente, do grupo de Palomar, que estuda um novo e recente fenômeno descoberto e conhecido como "peso sem massa". Este agente que realiza tal fenômeno é que modularia a energia cósmica dando-lhe forma e vida, sem ter criado nada, no sentido de "crear"; apenas, elabora as formas.

E para-se por aí.

Quanto ao Deus antropomórfico, preocupado com a humanidade, ou coisa que o valha, pregada pela Bíblia, por Emmanuel e por Joanna de Angelis, este Deus, segundo Kardec, na Gênese (cap. III - ? acho), na verdade, seriam Espíritos amigos que acorrem para nos ajudar, quando apelamos a Deus.

Culpar Deus disso que existe por aí, é muito cômodo, todavia, não coincide com os conceitos dados a Ele.

            Em Física só se afirma o que se prova.

Sobre Deus, sua existência, forma e ação, não existe prova de nada. A única afirmativa verdadeira é que existe uma causa para a existência do Universo, do qual fazemos parte.

Mas, seria este o único Universo? Por que não admitir que, além deste, existam outros? Afinal, nós somos limitados, senão, o Universo não poderia se expandir. Para onde?

Meu caro Dr. Iso, independente de Kardec, do que ele escreveu, a idéia de Deus nem por ele pôde ser concebida.”

            imba

Sem dúvida, somos totalmente contrários ao “evangelismo emmanuelista” que se instalou no Movimento Espírita Brasileiro, entretanto, as conseqüências do conceito de partículas estruturantes dos corpos humanos, e mesmo do Universo, certamente seria um tiro de Misericórdia nas concepções dos “espiritólicos”, mas poderia ser um estímulo aos “orientalistas” e, não obstante, a concepção de GELL-MANN também pode ser criticada  nas suas conseqüências científico-filosóficas, como a de Michael Riordan, prof. Adjunto de Física (http://physics.ucsc.edu/people/faculty/riordan.html ) por exemplo,  que diz:

“Sim, os quarks que nós reconhecemos são hoje substancialmente mais do que o que Murray Gell-Mann predisse em 1964. (...) As teorias jogam certamente o papel central em estabelecer o significado físico de nossos conceitos, e assim seu significado evolui. Mas eu não concordo que jogam o único papel neste processo histórico normal.

Mesmo quando o modelo padrão dominante de hoje da Física da partícula tenha sido substituído por uma teoria mais ampla, mais ainda no futuro próximo, tanto como os físicos esperam, estamos certos de que os quarks continuarão a existir em algum sentido. Os prótons e os nêutrons não cessaram de existir apenas porque nós descobrimos quarks nos 1960s e nos 1970s. Mas nosso retrato físico deles mudou dramaticamente.

Apesar das objeções de Juan Pablo Pardo-Guerra, eu continuarei a afirmar que os “teoristas” que geram os modelos físicos que não podem razoavelmente ser testados estão mais engajados na Metafísica do que na Física.” [are engaging in metaphysics rather than physics).  (“The Brilliant Hallucination of Untested and Unmeasured Theory (Part 2)” - Michael Riordan, Universidade de Califórnia - Santa Cruz, cf. site  PHYSICS TODAY - http://www.physicstoday.org/vol-57/iss-8/p16.html .

 

Ainda demonstrativo de que a Moderna Física, apesar de seu rigor, tem de ser vista como concepção TEÓRICA (aliás, o título do trabalho, acima, é bem significativo), o conceituado Astrofísico e filósofo CARL FREIDRICH FREIHERR VON WEIZSÄCKER, dizia em 1943, em seu livro traduzido como “PARA UMA CONCEPÇÃO FÍSICA DO UNIVERSO”:

“(...) Nesta modificação das funções da onda por saltos bruscos, provocada pelo ato da nossa observação (a chamada “redução dos feixes da onda”), manifesta-se o fato de AS ONDAS, na Mecânica quântica, NÃO SEREM AFINAL REALIDADES FÍSICAS EM SI MESMAS, mas apenas EXPRESSÃO DE UM CONHECIMENTO ADQUIRIDO PELO EXPERIMENTADOR mediante certas medições, podendo por isso aquelas funções ser momentaneamente modificadas por virtude da aquisição dum novo conhecimento.” – grifo nosso (op. cit., Coimbra, 1945, adaptado para o Português do Brasil atual, p. 95).

Aí está, cristalinamente, um texto de um entusiasta da Física Moderna em 1943, um nome de referência mundial da Astrofísica e da Filosofia, onde se nota que todo o conhecimento da Física, implica sempre em uma construção TEÓRICA, sem a qual a Moderna Física não sobreviveria... O átomo e, por extensão, as partículas em geral, NÃO SÃO UMA REALIDADE FÍSICA e sim  CONCEBIDOS como tais...

Aí está, prof. IMBASSAHY: “(...) modelos físicos que não podem razoavelmente ser testados”, disse um Phd em Física, uma “autoridade” no assunto... E WEIZSÄCKER reafirma o caráter TEÓRICO do conhecimento da Física... Aí está o seu engajamento na “Metafísica”...

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EXISTÊNCIA DE DEUS

Não existe prova da existência (ou não) de DEUS, através da Física e duvidamos muito que se chegue a ela através da Física, mas existem provas da existência de DEUS do ponto de vista FILOSÓFICO

(Iso Jorge Teixeira)

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Certamente, prof., não existe prova da existência (ou não) de DEUS, através da Física e duvidamos muito que se chegue a ela através da Física, mas existem provas da existência de DEUS do ponto de vista FILOSÓFICO, aliás o item II do Capítulo I de “O Livro dos Espíritos – Filosofia Espiritualista” tem este título: Preuves de l'existence de Dieu (PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS)...

Enfim, permanecemos sem compreender exatamente como se origina o corpo humano, embora haja algumas teorias que tentam explicá-lo; a nossa, por enquanto, é NEOCRIACIONISTA, que, aliás, não é incompatível com a “hipótese”, com a “baliza” do prof. IMBASSAHY...

A problemática questão dos Espíritos em animais – Os PASSES

            Por tudo isso, vamos encontrar, também aqui neste trabalho, respondendo à nova pergunta da Sra. ROSE RIBAS, algumas incógnitas e, como bem anotou a leitora, daremos a nossa OPINIÃO, pois os vários temas relacionados aos animais ainda não estão definitivamente resolvidos para nós, encarnados, do ponto de vista de um todo doutrinário... Eis um trecho da OBSERVAÇÃO feita por KARDEC, em 1865, sobre a questão do Espírito dos animais:

“(...) Quando tivermos reunido documentos bastantes, resumi-lo-emos num corpo de doutrina, metódica, que será submetida ao controle universal. Até lá são apenas balizas postas no caminho, para o esclarecer.” (REVISTA ESPÍRITA – jornal de estudos psicológicos, 1865, trad. JÚLIO ABREU FILHO, EDICEL, p. 129).

Não sabemos como se dá a passagem do esboço de Espírito de um animal para o Espírito humano, até porque não são conhecidas “formas intermediárias” dessa passagem; há algumas boas hipóteses, como esta que um Espírito transmitiu em 21 de abril de 1865, Paris, através da mediunidade do Sr. E. VÉZY:

“Mas tudo não pára em apenas crer no progresso incessante do espírito, embrião da matéria, desenvolvendo-se ao passar pela peneira do mineral, do vegetal, do animal, para chegar à humanimalidade, onde começa a ensaiar-se apenas a alma que se reencarnará, orgulhosa de sua tarefa, na humanidade. Entre essas diversas fases existem laços importantes, que é necessário conhecer, e que chamarei períodos intermediários ou latentes; porque aí é que se operam as transformações sucessivas. (...)” (op.cit., acima, p. 128).

Como se operam essas “transformações sucessivas” da “humanimalidade” para a “humanidade” é que desconhecemos...

            Bem, por que estamos buscando detalhes sobre o conhecimento do eventual Espírito de um animal? Exatamente porque sendo o PASSE uma transmissão de fluidos magnéticos ou espirituais é necessário conhecer, um pouco, tanto a natureza dos fluidos do transmissor do PASSE quanto os do receptor (no caso, os do animal)...

Além disso, se estudarmos a possível, ou não, mediunidade em animais, compreenderemos analogicamente a possibilidade e utilidade, ou não, da aplicação de PASSES.

Sobre a questão da mediunidade em animais, já escrevemos algo, por isto remeto os Srs. leitores para nosso artigo “A MEDIUNIDADE DE ANIMAIS EM QUESTÃO”, nos Portais A JORNADA e no PORTAL DO ESPÍRITO, nos seguintes links:

http://www.ajornada.hpg.ig.com.br/colunistas/isojorge/iso-0004.htm

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/iso-jorge/mediunidade-de-animais.html .

Haveria um psiquismo animal? Tal psiquismo teria diferenciação para receber os fluidos mais diferenciados partidos do psiquismo do homem, que lhe é infinitamente superior?... É possível a transmissão parcial de “fluidos” de Espíritos Superiores para nós, encarnados, Espíritos inferiores; seria possível a transmissão de nossos fluidos para os animais, inferiores a nós?...

São perguntas cuja resposta será OPINATIVA, pois, como vimos, somente podemos colocar “balizas no caminho”, orientando-nos em assunto tão complexo...

Após a morte, MIKA, uma galga, “comunica-se” com uma família

Uma pessoa escreve a KARDEC, de DIEPPE, num texto  tocante, relatando minuciosamente um fato relativo à sua cadela, uma galga, de nome MIKA, muito estimada por toda a família, que após uma grave doença, morreu...

               

(Detalhe)

http://digilander.libero.it/vaimaia/Occhi%20galga.html - Grayhound ADOPT CENTER ITALY, em colaboração com a Liga Nacional de Defesa de Cães.

Após a morte da cadela, o missivista relata, que “ouviu partir dos pés do seu leito aquele pequeno gemido que soltava a pequena cadelinha, quando queria alguma coisa”, etc.etc. Outros da família ouviram o mesmo gemido...

KARDEC, então faz um comentário:

(...) Um fato importante a constatar é que, entre os seres do mundo espiritual, jamais se fez menção de que existissem Espíritos de animais. Disso pareceria resultar que aqueles que não conservam a sua individualidade após a morte e, por outro lado, que a pequena galga, que se teria manifestado, pareceria provar o contrário.” (op. cit., p. 127-128).

A comunicação em Paris, 21 de abril/1865, sendo médium o Sr. E. VÉZY, assim prossegue:

 “Entre os animais domésticos e o homem as afinidades são produzidas pelas cargas fluídicas que vos rodeiam e sobre eles recaem. É um pouco a humanidade que se detém sobre a animalidade, sem alterar as cores de uma ou da outra. Daí esta superioridade inteligente do cão sobre o instinto brutal do animal selvagem e é só a esta causa que poderão ser devidas essas manifestações que vos acabam de ler.

Assim, não se enganaram ouvindo um grito alegre do animal reconhecido pelos cuidados de seu dono, vindo, antes de passar ao estado intermediário de um desenvolvimento a outro, lhe trazer uma lembrança. Assim, a manifestação pode dar-se, mas é passageira, porque o animal, para subir um degrau, necessita de um trabalho latente, que aniquila, em todos, qualquer sinal exterior de vida.

Esse estado é a crisálida espiritual, onde se elabora a alma, perispírito informe, não tendo nenhuma figura reprodutiva de traços, quebrando-se num estado de maturidade, para deixar escapar, nas correntes que a arrastam, os germes de almas que aí são contidos. Assim, ser-nos-ia difícil falar-vos dos espíritos de animais do espaço, pois não existem, ou antes, sua passagem tão rápida que é como se fosse nula e no estado de crisálida não poderiam ser descritos.”

(...)

“Compreendeis bem? Sem dúvida eu necessitaria explicar-me melhor, mas, para terminar esta noite, e não vos deixar supor o impossível, asseguro-vos que o que é do domínio da inteligência animal não pode ser reproduzido pela inteligência humana, isto é, que o animal, seja qual for, não pode traduzir seu pensamento pela linguagem humana, suas idéias são apenas rudimentares; para ter a possibilidade de exprimir-se, como faria o Espírito de um homem, ele necessitaria de idéias, conhecimentos e um desenvolvimento que não tem, nem pode ter.

Tende, pois, como certo que nem o cão, o gato, o burro, o cavalo ou o elefante, podem manifestar-se por via mediúnica. Os espíritos chegados ao grau de humanidade, e só eles, podem fazê-lo, e ainda em razão de seu adiantamento, porque o Espírito de um selvagem não vos poderá falar como o de um homem civilizado.”

OBSERVAÇÃO (de KARDEC): “Estas últimas reflexões do Espírito foram motivadas pela citação feita na sessão, de pessoas que pretendiam ter recebido comunicações de diversos animais. Como explicação do fato precitado, sua teoria é racional e, no fundo, concorda com a que hoje prevalece nas instruções dadas na maior parte dos centros.

Quando tivermos reunido documentos bastantes, resumi-lo-emos num corpo de doutrina, metódica, que será submetida ao controle universal. Até lá são apenas balizas postas no caminho, para o esclarecer.” (op. cit., p. 128-129).

 

Aí está a prudência de KARDEC, apesar das instruções dadas em diversos Centros, concordantes, elas não foram suficientes para chegar a um “corpo de doutrina, metódica” para que fosse submetida ao controle universal...

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Semelhança

Os semelhantes atuam com seus semelhantes e como seus semelhantes. Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos, senão os Espíritos, encarnados ou não?
Espírito ERASTO

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Matérias refratárias à mediunidade e ao PASSE – Assimilação de “fluidos”

Em “O Livro dos Médiuns” (OLM) há uma longa dissertação do Espírito ERASTO a respeito da suposta “mediunidade nos animais” (OLM, Cap. XXII, item 236, Edit. FEB, 30 ed., p. 292), diz ele:

            “Há um princípio que, estou certo, todos os espíritas admitem, é que os semelhantes atuam com seus semelhantes e como seus semelhantes. Ora, quais são os semelhantes dos espíritos, senão os espíritos, encarnados ou não? Será preciso que vo-lo repitamos incessantemente? Pois bem! Repeti-lo-ei ainda: o vosso perispírito e o nosso procedem do mesmo meio, são da natureza idêntica, são, numa palavra, semelhantes. Possuem uma propriedade de assimilação mais ou menos desenvolvida, de magnetização mais ou menos vigorosa, que nos permite a nós, espíritos desencarnados e encarnados, pormo-nos muito pronta e facilmente em comunicação. Enfim, o que é peculiar aos médiuns, o que é da essência mesma da individualidade deles, é uma afinidade especial e, ao mesmo tempo, uma força de expansão particular, que lhes suprime toda refratariedade e estabelecem, entre eles e nós, uma espécie de corrente, uma espécie de fusão, que nos facilita as comunicações. É, em suma, essa refratariedade da matéria que se opõe ao desenvolvimento da mediunidade, na maior parte dos que não são médiuns.”

            Então, podemos concluir, com ERASTO, que aquela matéria que não têm “afinidade especial” com os Espíritos, que não tem “força de expansão”, é REFRATÁRIA à mediunidade. Mais, adiante, ERASTO afirma que o Homem é um “ser essencialmente perfectível: o homem,  rei da Criação”... E prossegue no seu ensinamento:

”Ora, não é essa condição fundamental de perfectibilidade o que constitui a superioridade da espécie humana sobre as outras espécies terrestres? Reconhecei, então, que não se pode assimilar ao homem, que só ele é perfectível em si mesmo e nas suas obras, nenhum indivíduo das outras raças que viveu na Terra.” (op. cit., º 292-293).

Portanto, podemos concluir que sendo o PASSE uma transmissão de “fluidos”, estes têm de ser “assimilados” por um “ser semelhante”.

E mais diante, na pág. 295 de OLM (op. cit.) conclui o Espírito ERASTO:

“Mas, repito, não mediunizamos diretamente nem os animais, nem a matéria inerte. É-nos necessário o concurso consciente, ou inconsciente, de um médium humano, porque precisamos da união de fluidos similares, o que não achamos nem nos animais, nem na matéria bruta.”

Cremos, que as mesmas palavras, acima, podem ser aplicadas literalmente no que se refere aos PASSES. E diremos mais: se tentarmos magnetizar os animais (e o PASSE seria uma espécie de magnetização) poderemos matá-lo, como argumenta o Espírito ERASTO, levando o animal a uma “espécie de atonia, de langor”, como aconteceu ao cão do Sr. T..., magnetizado por este (cf., OLM, op. cit, p. 295); como alertamos à Sra. ROSE RIBAS em nossa resposta preliminar, na qual tínhamos dúvidas se a afirmação seria ou não, de ERASTO...

 

Diferenças de “fluidos” entre animais domésticos e selvagens - Epílogo

A seguir, ERASTO traz um subsídio interessante em relação à distinção entre animais domésticos e selvagens, para nossa compreensão do caso da cadela galga MIKA, mais acima referido, e de outros casos amplamente citados em nosso movimento espírita, dizendo:

“Isto posto, reconheço perfeitamente que há nos animais aptidões diversas; que certos sentimentos, certas paixões, idênticas às paixões e aos sentimentos humanos, se desenvolve neles; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odientos, conforme se procede bem ou mal com eles. É que Deus, que nada fez incompleto, deu aos animais, companheiros ou servidores do homem, qualidades de sociabilidade, que faltam inteiramente aos animais selvagens, habitantes das solidões. Mas, daí a poderem servir de intermediários para a transmissão do pensamento dos Espíritos, há um abismo: a diferença das naturezas.” (OLM, op. cit., p. 295).

Aí está, o Espírito ERASTO nos fala das diferenças entre os animais domésticos e os animais selvagens, concordantemente com o que disse aquele Espírito através da mediunidade do Sr. E. VÉZY sobre o caso da cadela MIKKA:

“Daí esta superioridade inteligente do cão sobre o instinto brutal do animal selvagem e é só a esta causa que poderão ser devidas essas manifestações que vos acabam de ler.”.

Podemos deduzir do que foi exposto que os nossos fluidos atuam, de alguma maneira, sobre os animais domésticos, mas não a ponto de “magnetizá-los”, porque falta a eles a AFINIDADE “fluídica”, eles são REFRATÁRIOS aos PASSES, porque possuem NATUREZA DIFERENTE daquela dos Homens. Por isto disse, chistosamente, à Sra. ROSE RIBAS, na minha resposta preliminar, que “também não encontro lógica para a prática de "passes" em animais, exceto se eles forem aplicados por um animal da mesma espécie...” e, ante o exposto, reafirmo o que disse, seriamente; pois consideramos o Homem também um animal, embora com características especialíssimas – “o rei da Criação”... E esta Criação foi e continua sendo feita por DEUS, não um DEUS antropomórfico, mas um DEUS que seja INTELIGÊNCIA SUPREMA, CAUSA PRIMÁRIA DE TODAS AS COISAS (cf. resp. à questão 1 de O Livro dos Espíritos), cuja existência pode ser provada, não por teorias, mas através da FILOSOFIA, única “ferramenta” capaz de penetrar, não na Sua essência, mas nos seus atributos...

 

* Médico. Psiquiatra. Prof. Livre - Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da  Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).   Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria (FCM - UERJ).

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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