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Aflições: Impulsos Evolutivos

 

A. Merci Spada Borges

  

“O Processo de evolução constitui para o Espírito um grande desafio." ¹

Assim como o alpinista que para atingir o pico da montanha tem que enfrentar as dificuldades, as barreiras e os perigos que se lhe impõem desde a base até o cume, a alma, também, para atingir a angelitude tem que vencer todos os empecilhos da escalada até alcançar o cimo da evolução.

Existem situações que se apresentam como verdadeiros desafios, todavia, quando superados, proporcionam crescimento e sabedoria.

Nos dias atuais, em que imperam a insegurança, o medo, a violência,observa-se que a dor tem sido mais freqüente que em outros tempos, ora porque os meios de comunicação veiculam as notícias com rapidez, ora porque realmente o Homem vivencia um período de rebeldia, não só às leis humanas, mas principalmente em relação às divinas leis. As conseqüências dessa transgressão é assistida e sentida por todos. As Casas Espíritas, no seu papel primordial de divulgar e também de proporcionar a consolação aos sofridos, têm acolhido muitos irmãos mergulhados em terríveis aflições, outros em desequilíbrios inimagináveis. Uma grande parte desses irmãos acreditam que o Espiritismo irá libertá-los, de imediato, de todos os problemas.

Não é bem assim. A Doutrina Espírita não afasta dores, nem dificuldades que atingem as criaturas, pois do contrário os espíritas seriam privilegiados.

Todavia, a doutrina da Reencarnação, em sua justiça plena, mostra como administrar os problemas:

·  Infunde ânimo ao enfraquecido;

·  ensina ao espírita como enfrentar todos os reveses com força, coragem, resignação e sobretudo fé;

·  esclarece ao indivíduo que as dores, enfermidades, aflições foram geradas pelos próprios atos, nesta ou em vidas passadas, e têm por finalidade auxiliar o aprimoramento do Espírito;

·  demonstra que a dor é temporária e após vencida o ser ressurge mais experiente, mais bem preparado para prosseguir sem desfalecimento;

·  revela que a vida não termina no túmulo, ela prossegue em outra dimensão tão real quanto esta;

·  desvenda o poder do pensamento e da vontade e a ação curadora dos fluidos sobre o corpo e o Espírito;

·  explica que somente a transformação moral impulsiona o Homem para a felicidade dentro da mais perfeita justiça;

·  proclama: “ Fora da Caridade não há salvação”, lema que desfaz todas as diferenças sociais, aproximando os indivíduos como verdadeiros irmãos;

·  conclui de forma lógica e racional que Deus não pune suas criaturas. Jamais! E o Amor é a metodologia divina;

  Deus, em sua misericórdia infinita, deu ao homem a Terra por moradia, ornamentada de belezas naturais; ofereceu-lhe todos os recursos e elementos para a própria subsistência e progresso:

·  concedeu-lhe o livre-arbítrio para assegurar-lhe o mérito da própria evolução;

·  estabeleceu leis para preservar os direitos e deveres, uns dos outros, e a manutenção da paz, da concórdia, da fraternidade e respeito mútuos;

·  enviou Jesus como guia e modelo 2 para ensinar as regras do verdadeiro Amor entre os homens, esclarecendo as Verdades Eternas e a Soberana Justiça.

A vida apresenta um encadeamento de desafios necessários; a cada etapa vencida novos desafios se apresentam a impulsionar o Espírito para o progresso.

Mesmo assim, quantos se transviam!

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria Lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do Bem.

Aquele que acumulou dívidas geradas pela riqueza mal utilizada, pelo orgulho, vaidade, ostentação, requer uma nova existência de provações que lhe propicie cultivar a humildade e abater o orgulho; sobrevêm então os desastres econômicos, a perda inexplicável dos bens materiais; o nascimento em locais de extrema pobreza ou que lhe dificulte o acesso a uma vida de esbanjamentos ou futilidades.

Os que destruíram a natureza que prejudicaram os seres menores da Criação solicitam encarnações onde terão oportunidade de corrigir os erros praticados e reconstruir o que destruíram em vidas pregressas; habitam, então, sem possibilidades de mudanças, regiões onde são comuns as enchentes, as erupções vulcânicas, os tremores de terra, os furacões e tantas outras catástrofes da Natureza. É o papel da Lei reunindo todos aqueles que contraíram dívidas para o resgate coletivo e o trabalho redentor.

Aos que abusaram da saúde através de excessos alimentares, tabagismo, alcoolismo, drogas, e tantos outros vícios perniciosos, sobrevêm as doenças digestivas, circulatórias, respiratórias, genésicas como forma de valorizar o corpo que se deve harmonizar com a Natureza.

Quantos desrespeitaram os pais abandonando-os na velhice, ou na doença, e acordam na vida sob injunções dolorosas de miséria, orfandade e desprezo.

Se criminosos de guerra, assassinos ou suicidas, a prisão em corpos deformados, a idiotia, as mutilações congênitas ou adquiridas representam soluções abençoadas para devolver ao Espírito a paz de consciência.

Para cada dívida, a solução apropriada.

Por isso a Terra abriga tantas aflições, pois seus habitantes são almas que contraíram muitas dívidas contra as leis divinas. Todavia, o Amor do Pai é tão grande que junto à dor colocou o bálsamo que consola: a mãe amorosa que educa; a mão amiga que auxilia; a Ciência que pesquisa o remédio que cura; a fé que sustenta; a oração que ilumina; o Guardião que ampara; a Reencarnação que redime.

Concede oportunidade a todos de ressarcir os débitos no trabalho do Bem, quando então o Espírito acumulará valores que o auxiliarão na escalada da redenção.

Se a vida se limitasse a uma única existência, como apregoam outras doutrinas religiosas, as múltiplas aflições que atingem a Humanidade representariam grande injustiça e a Terra abrigaria seres privilegiados com o fortuna, a beleza, o poder, a fama, a saúde, a inteligência e uma grande parte de seres condenados às misérias sociais de toda ordem.

Jesus, o Mestre por excelência, o pastor de almas, veio à Terra para fazer luz sobre as verdades eternas e a Soberana Justiça, reconduzindo as ovelhas desgarradas ao aprisco através das reencarnações.

Os ensinos do Mestre, de aparência simples, encerram profunda sabedoria.

Suas parábolas se enquadram em cada situação da vida em todos os tempos; o capítulo das aflições compõe um dos mais belos poemas do Sermão do Monte:

“(...) Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a Terra. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (...)”. (Mateus, 5: 4-5 e 10)

Em outros tantos momentos de suas exortações Ele exalta através de parábolas o valor que representa o reerguimento do Espírito:

“Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la?

E achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso;

E, chegando a casa convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: alegrai-vos comigo porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (...)”. (Lucas, 15: 4-7).

Somente a Reencarnação proporciona oportunidade redentora para reparar os prejuízos causados a si mesmo e a outrem, recuperando-se perante a própria consciência a fim de se harmonizar com as leis da vida e participar do concerto harmonioso da Criação.

Com a multiplicidade de existências todos os problemas e desigualdades se explicam de forma justa.

Um número maior de encarnações, o esforço de cada um com certeza impulsionarão o discípulo para degraus acima daqueles que passaram por números menores de existências ou que preferem estacionar na acomodação.

Assim, o número de reencarnações varia de indivíduo para indivíduo e de acordo com a rapidez ou lentidão com que caminha o Espírito. “Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.” 3

Pode, a reencarnação, ocorrer não somente na Terra, mas também em outros planetas mais ou menos adiantados de acordo com a necessidade de cada um; geralmente entre aqueles que pertencem à mesma família espiritual ou entre os que se comprometeram nos mesmos débitos.

O tempo de retorno à Terra após a desencarnação, é variável, chegando até a séculos, sempre de acordo com os compromissos evolutivos do Espírito.

A reencarnação se efetua sempre com uma finalidade útil; portanto, utilizá-la bem ou mal é de inteira responsabilidade do Espírito que, de acordo com seu livre-arbítrio, irá traçar um futuro de trabalho ou de aflições redentoras.

Somente a reencarnação proporciona oportunidade de reabilitação, pois ao expiar as infrações cometidas, contra as Leis da Harmonia Universal o Espírito se liberta da culpa e se prepara para um futuro proveitoso de crescimento e paz.

Acessível a todos, o Evangelho – “mais perfeito código de ética moral” – apresenta-se redivivo no Espiritismo que, com seus três aspectos inseparáveis – Filosofia, Ciência e Religião – preenche todas as necessidades da alma imortal, esclarecendo, iluminando e consolando.

__________

1. FRANCO, Divaldo P. Jesus e Atualidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis.

2. KARDEC, Allan. O Livros dos Espíritos, 79. ed. FEB, questão 625.

3. Idem, ibidem. Questão 169

 

Fonte: Revista Reformado – fev/1999

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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