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Marcelo Henrique*
Curiosa campanha a deflagrada pela Rede
Brasil Sul de Comunicações (RBS), em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul:
"O amor é a melhor herança. Cuide das crianças". Ilustram a
iniciativa, os principais "monstros" do imaginário popular, personagens
conhecidos das fábulas infantis: a bruxa malvada, a mula-sem-cabeça, o boi da
cara preta, o diabo e o bicho-papão e o lobo mau, todos "jogando a
bola" para o outro, no sentido de maltratar as criancinhas, para, ao
final, todos demonstrarem que, apesar de considerados "perigosos" ou
"temíveis" pelas nossas crianças, nenhum deles comete qualquer ato
negativo contra seus filhos.A intenção
finalística, é claro, destina-se à conscientização popular no sentido da
redução das agressões e maus-tratos dirigidos a crianças e adolescentes,
sobretudo pelas pessoas que com eles convivem mais proximamente, em virtude do
expressivo número de queixas policiais neste sentido. A vinculação com figuras
que tradicionalmente "metem medo" nas crianças é uma excelente
estratégia de marketing, sobretudo no que concerne à idéia de que, se
até os "maus" cuidam dos filhos, porque os "bons" não fazem
o mesmo?
Efetivamente, toda
e qualquer ação de conscientização popular quanto ao respeito dos direitos
fundamentais é louvável e merece de todos apoio e divulgação. No âmbito da
proteção aos direitos da criança e do adolescente, ainda, é fundamental não
deixar o assunto cair no esquecimento, nunca. Afinal, em termos nacionais, já
são passados treze anos da edição do Estatuto da Criança e do Adolescente
(Lei Federal n. 8.069/90), um dos mais modernos diplomas legais do planeta em
termos de previsão e sistemática de proteção às garantias fundamentais dos
sujeitos a quem ela se destina: infantes e adolescentes. Todavia, em função do
pouco interesse estatal e da falta de conscientização popular, a maioria dos
direitos não alcança a efetividade desejada, não passando de letra
(legal) morta. Assim, o processo deve atrair a sociedade (organizada ou não) e
os entes organizacionais (públicos ou privados) para ações concretas em termos
de medidas protetivas e de esclarecimento.
Neste sentido, é de
se perguntar: como você encara a questão? Há perspectivas de implantação de
alguma estratégia concreta, em sua comunidade, em termos de proteção de
crianças/adolescentes em situação de risco? É possível e viável a discussão de
tais temas, ou você - e os outros - ainda acham que "isto não é problema
nosso", ou "isto é responsabilidade do governo"? Não é, e nunca
será... Eis a hora da mudança de paradigmas e de posturas. Antes que o mal
possa estar albergado, até mesmo, dentro do teu lar, ou do lar dos teus mais
caros, fazendo vítimas e mais vítimas.
Chega de apatia e conformismo! Cada
um de nós precisa demonstrar seu desejo e sua ação na transformação do mundo,
saindo da falácia e do projeto, para os resultados. Não há mais tempo a perder,
caros amigos!
* Diretor de Política e Metodologias de Comunicação da Associação
Brasileira de Divulgadores do Espiritismo – ABRADE e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana para a Grande Florianópolis/SC
– CEPA.
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