|
Marcus Alberto De Mario
O lema amor e caridade deve reger as ações
de todo espírita, motivo pelo qual diversos serviços ofertados pelo Centro
Espírita ao público se revestem dessas virtudes, como a recepção, o atendimento
fraterno, a promoção assistencial e outros, sempre utilizando o algodão do
consolo e da orientação esclarecedora. Tanto no trato com os encarnados como
com os desencarnados, temos visto trabalhos de real valor e importância, mas
não temos encontrado no Centro Espírita, salvo as felizes exceções, espaço para
atendimento ao trabalhador espírita, ou seja, aquele que se dedica
voluntariamente a atender o próximo, a fazer a palestra pública, a dar o passe,
a exercer alguma função diretora, a evangelizar a criança e o jovem. Esquecemos
que esse alguém também é uma pessoa humana, também é gente, também está sujeito
às vicissitudes da vida terrena.
Há uma velada consideração de que o espírita
trabalhador do Centro Espírita, pelo seu conhecimento doutrinário, tem plenas
condições de resolver os possíveis conflitos pessoais, os possíveis dramas
familiares, os possíveis traumas sociais que venham ao seu encontro. Nem
sempre. Quantas vezes não chegamos no Centro Espírita com uma dor de cabeça não
resolvida, uma discussão familiar em aberto, uma dúvida ética quanto ao
comportamento social, enfim, quantas e quantas vezes não tivemos dúvidas?
Quantas vezes não estamos no ponto de explodir em lágrimas? Quantas vezes
chegamos ao Centro Espírita querendo um ouvido e uma palavra amiga? Isso mesmo,
estamos falando do trabalhador e do dirigente espírita.
Precisamos abrir espaço no Centro Espírita
para que seus trabalhadores e dirigentes possam conversar, à luz do Evangelho,
sobre si mesmos, sobre as atividades desenvolvidas no Centro. Um diálogo
salutar, construtor, emocional, confraternativo.
Companheiros do estado da Bahia estão
desenvolvendo esse tipo de reunião com o nome de Evangelhoterapia. É o trabalho
de se buscar pensar e agir dentro da moral evangélica proposta por Jesus. Deve
ser realizada por todo Centro Espírita, junto aos seus trabalhadores,
aproximando a Doutrina e o Evangelho do trabalhador espírita, abordando temas
atuais, vividos no cotidiano.
A Evangelhoterapia deverá ser aplicada com
os trabalhadores do Centro Espírita, em reuniões reservadas onde todos
procurarão estabelecer um clima de sincera fraternidade, analisando os assuntos
tratados à luz do Evangelho, realizando inclusive dinâmicas de grupo onde os
envolvidos buscarão analisar o grupo como um todo, identificando seus problemas
coletivos e pessoais e juntos encontrando a solução para os mesmos através de
um consenso, estabelecendo caminhos e metas a serem atingidos. Neste trabalho
será realizada uma avaliação em moldes gerais e pessoais, buscando-se relembrar
que cada um dentro do Centro Espírita é um espírito em evolução com problemas
inúmeros advindos do lar, do trabalho, da sociedade, além da própria bagagem
espiritual que traz de outras experiências vivenciais. O companheiro que está
ao nosso lado nas lides espíritas não é um ser perfeito e acabado, assim como
nós ele também se encontra em processo de aperfeiçoamento e precisa ser
entendido nesse processo.
Vamos pensar seriamente em atender o
trabalhador do Centro Espírita? É uma questão de amor e caridade para com o
próximo mais próximo.
Fonte:
Site do GEPE – RJ em 09/08/2005 - www.gepenet.hpg.ig.com.br/Artigo%2005.htm
|