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Eliseu F. Mota Jr.
O segundo princípio básico da Doutrina Espírita é a imortalidade da alma humana, que
preexiste ao corpo e a ele sobrevive. Os homens não são meros equipamentos
fisiológicos animados, mas são antes Espíritos imortais que usam dois corpos,
um temporário e perecível, o corpo humano, instrumento de trabalho, expiação e
provas, e outro fluídico, que durante a encarnação serve de intermediário entre
a matéria e a alma, da qual é inseparável após a morte.
Vejamos, a seguir, algumas características
decorrentes do princípio da imortalidade da alma, extraídas e adaptadas de O Livro dos Espíritos, especialmente nas
questões 88, 128 a 134 e 148.
P. Que é a alma ?
R. “Alma é
um Espírito encarnado.”
P. Que era a alma antes de se unir ao corpo?
R. “Espírito.”
P. E que é o Espírito ?
R. “O Espírito é uma chama, um clarão, ou uma
centelha etérea.”
P. Essa chama ou centelha tem cor ?
R. “Tem uma coloração que vai do colorido escuro e
opaco a uma cor brilhante, como a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos
puro.”
P. As almas e os Espíritos são idênticos, a mesma coisa?
R. “Sim, as almas não senão os Espíritos. Antes de se
unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível,
os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e
esclarecerem.”
P. Existem anjos e demônios?
R. “Os anjos
não são seres à parte na criação, mas Espíritos puros, que chegaram ao objetivo
depois de terem percorrido o caminho do progresso, como todos indistintamente
percorrerão. Os demônios nada mais são do que Espíritos ainda atrasados e
imperfeitos, que praticam o mal no espaço como praticavam na Terra, mas que se
adiantarão e aperfeiçoarão.”
P. Como podemos
acreditar que a alma sobrevive ao corpo, se dizem que ninguém voltou do além-túmulo
para nos dar tais informações?
R. “É erro dizê-lo e a missão do Espiritismo consiste
precisamente em nos esclarecer acerca desse futuro, em fazer com que, até certo
ponto, o toquemos com o dedo e o penetremos com o olhar, não mais pelo raciocínio
somente, porém, pelos fatos. Graças às comunicações espíritas, não se trata
mais de uma simples presunção, de uma probabilidade sobre a qual cada um conjeture
à vontade, que os poetas embelezem com suas ficções, ou cumulem de enganadoras
imagens alegóricas. É a realidade que nos aparece, pois que são os próprios
seres de além-túmulo que nos vêm descrever a situação em que se acham, relatar
o que fazem, facultando-nos assistir, por assim dizer, a todas as peripécias da
nova vida que lá vivem e mostrando-nos, por esse meio, a sorte inevitável que
nos está reservada, de acordo com os nossos méritos e deméritos.”
P. Essas afirmações não são contrárias à religião?
R. “Muito ao contrário, porquanto os incrédulos
encontram aí a fé e os tíbios a renovação do fervor e da confiança. O
Espiritismo é, pois, o mais potente auxiliar da religião. Se ele aí está, é
porque Deus o permite e o permite para que as nossas vacilantes esperanças se
revigorem e para que sejamos reconduzidos à senda do bem pela perspectiva do
futuro.”
Fonte: O
Clarim - Set/1997
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