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Estudos Espíritas
Joanna de Ângelis
(Espírito)
Conceito - Grupamento de raça, de caracteres e gêneros
semelhantes, resultado de agregações afins, a família, genericamente,
representa o clã social ou de sintonia por identidade que reúne espécimes dentro
da mesma classificação. Juridicamente, porém, a família se deriva da união de
dois seres que se elegem para uma vida em comum, através de um contrato, dando
origem à genitura da mesma espécie. Pequena república fundamental para o
equilíbrio da grande república humana representada pela nação.
A família tem suas próprias leis, que
consubstanciam as regras de bom comportamento dentro do impositivo do respeito
ético, recíproco entre os seus membros, favorável à perfeita harmonia que deve
vigir sob o mesmo teto em que se consorciam.
Animal social, naturalmente monogâmico, o
homem, na sua generalidade, somente se realiza quando comparte necessidades e
aspirações na conjuntura elevada do lar.
O lar, no entanto, não pode ser configurado
como a edificação material, capaz de oferecer segurança e paz aos que aí se
resguardam. A casa são a argamassa, os tijolos, a cobertura, os alicerces e os
móveis, enquanto o lar são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se
permitem àqueles que se vinculam pela eleição afetiva ou através do impositivo
consangüíneo, decorrente da união.
A família, em razão disso, é o grupo de
espíritos normalmente necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para
a reparação, graças à contingência reencarnatória. Assim, famílias espirituais
freqüentemente se reúnem na Terra em domicílios físicos diferentes, para as
realizações nobilitantes com que sempre se viram a braços os construtores do
Mundo. Retornam ao mesmo grupo consangüíneo os espíritos afins, a cuja
oportunidade às vezes preferem renunciar, de modo a concederem aos desafetos e
rebeldes do passado o ensejo da necessária evolução, da qual fruirão após as
renúncias às demoradas uniões do Mundo Espiritual...
Modernamente, ante a precipitação dos
conceitos que generalizam na vulgaridade os valores éticos, tem-se a impressão
de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca,
porém, o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da
soberania da própria Humanidade.
A família é mais do que o resultante
genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os
sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos
liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões
da elevação espiritual na Terra.
Quando a família periclita, por esta ou
aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro...
Histórico - Graças ao instinto gregatório, o homem, por
exigência da preservação da vida, viu-se conduzido à necessidade da cooperação
recíproca, a fim de sobreviver em face das ásperas circunstâncias nos lugares
onde foi colocado para evoluir. A união nas necessidades inspirou as soluções
para os múltiplos problemas decorrentes do aparente desaparelhamento que o
fazia sofrer ao lutar contra os múltiplos fatores negativos que havia por bem
superar.
Formando os primitivos agrupamentos em
semibarbárie, nasceram os pródromos das eleições afetivas, da defesa dos
dependentes e submissos, surgindo os lampejos da aglutinação familial.
Dos tempos primitivos aos da Civilização da
Antigüidade Oriental, os valores culturais impuseram lentamente as regras de
comportamento em relação aos pais - representativos dos legisladores,
personificados nos Anciãos; destes para os filhos - pela fragilidade e
dependência que sempre inspiram; entre irmãos - pela convivência pacífica
indispensável à fortaleza da espécie; ou reciprocamente entre os mais próximos,
embora são subalternos ao mesmo teto, num desdobramento do próprio clã, ensaiando
os passos na direção da família dilatada...
A Grécia, aturdida pela hegemonia militar
espartana, não considerou devidamente a união familial, o que motivou a sua
destruição, ressalvada Atenas, que não obstante amando a arte e a beleza,
reservava ao Estado os deveres pertencentes à família, facultando-a sobreviver
por tempo maior, mas não lobrigando atingir o programa estético e superior a
que se propuseram os seus excelentes filósofos.
A Roma coube essa indeclinável tarefa, a
princípio reservada ao patriciado, e depois, através de leis coordenadas pelo
Senado, que alcançaram as classes agrícolas, militares, artísticas e a plebe,
facultando direitos e deveres que, embora as hediondas e infelizes guerras, se
foram fixando no substrato social e estabelecendo os convênios que o amor
sancionou e fixou como técnica segura de dignificação do próprio homem, no
conjunto da família.
A Idade Média, caracterizada pela supremacia
da ignorância, desfigurou a família com o impositivo de serem doados os filhos
à Igreja e ao suserano dominador, entibiando por séculos a marcha do espírito
humano.
Aos enciclopedistas foi reservada a
grandiosa missão de, em estabelecendo os códigos dos direitos humanos,
reestruturarem a família em bases de respeito para a felicidade das criaturas.
Todavia, a dialética materialista e os
modernos conceitos sensualistas, proscrevendo o matrimônio e prescrevendo o
amor livre, voltam a investir contra a organização familial por meio de métodos
aberrantes, transitórios, é certo, mas que não conseguirão, em absoluto,
qualquer triunfo significativo.
São da natureza humana a fidelidade, a
cooperação e a fraternidade como pálidas manifestações do amor em desdobramento
eficaz. Tais valores se agasalham, sem dúvida, no lar, no seio da família, onde
se arregimentam forças morais e se caldeiam sentimentos na forja da convivência
doméstica.
Apesar de a poliandria haver gerado o
matriarcado e a promiscuidade sexual feminina, a poligamia, elegendo o
patriarcado, não foi de menos infelizes conseqüências.
Segundo o eminente jurista suíço Bachofen,
que procedeu a pesquisas históricas inigualáveis sobre o problema da
poliandria, a mulher sentiu-se repugnada e vencida pela vulgaridade e abuso
sexual, de cuja atitude surgiria o regime monogâmico, que ora é aceito por quase
todos os povos da Terra.
Conclusão - A família, todavia, para lograr a finalidade a que
se destina, deve começar desde os primeiros arroubos da busca afetiva, em que
as realizações morais devem sublevar às sensações sexuais de breve
durabilidade.
Quando os jovens se resolvem consorciar,
impelidos pelas imposições carnais, a futura família já padece ameaça grave,
porquanto, em nenhuma estrutura se fundamenta para resistir aos naturais
embates que a união a dois acarreta, no plano do ajustamento emocional e
social, complicando-se, naturalmente, quando do surgimento da prole.
Fala-se sobre a necessidade dos exames
pré-nupciais, sem dúvida necessários, mas com lamentável descaso pela
preparação psicológica dos futuros nubentes em relação aos encargos e às responsabilidades
esponsalícias e familiares.
A Doutrina Espírita, atualizando a lição
evangélica, descortina na família esclarecida espiritualmente a Humanidade
ditosa no futuro promissor.
Sustentá-la nos ensinamentos do Cristo e nas
lições da reta conduta, apesar da loucura generalizada que irrompe em toda
parte, é o mínimo dever de que ninguém se pode eximir.
Estudo e Meditação:
"Será contrário à lei da Natureza o
casamento, isto é a união permanente de dois seres? É um progresso na marcha da
Humanidade. (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 695.)
"(...) Não são os da consangüinidade os
verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os
quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.
Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo
Espírito, do que se o fossem pelo sangue (...)." (O Evangelho Segundo o
Espiritismo, Allan Kardec, cap. XIV, item 8.)
Fonte: Livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de
Joanna de Ângelis.
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