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Marcelo Henrique Pereira
Cobiça, traição, inveja, ilusão, obsessão...
Sentimentos comuns à condição imperfeita dos Espíritos em marcha na atualidade
planetária. Eis a trama que iniciou nesta semana, o novo folhetim noturno da
Rede Globo de televisão, “Alma Gêmea”. Composta de um título e um enredo que
despertam a curiosidade do público em geral e, em face do entusiasmo do
segmento espírita pela temática, que enquadra situações explicáveis à luz do
Espiritismo, seus primeiros capítulos já nos dão a exata noção de que não se
trata de uma história que “obedecerá” aos padrões espíritas, enfocando
conceitos e princípios espiritistas com acuidade e/ou profundidade. Primeiro,
porque a intenção não é fazer prosélitos (nem a emissora tem a intenção de
“declarar-se” espírita). Segundo, porque, por mais bem assessorada
“tecnicamente”, com a presença de consultores e especialistas na temática, a
tendência da rede, ao apresentar histórias com fundo espiritual, não é “cativar”
adeptos para a filosofia espiritista. Há, em foco, o interesse comercial e a
luta por recuperar a audiência tendo em vista os recentes fracassos das últimas
produções globais. E, para isto, não importa ter que valorizar esta ou aquela
doutrina ou filosofia, como, aliás, a emissora já fez diversas vezes, inclusive
encenando histórias com teor espiritual, como “A viagem”, a mais conhecida de
todas, apresentada em duas épocas distintas para o público brasileiro.
Todavia, logo de início, a cena do homicídio
de uma das atrizes protagonistas da trama, logo nas primeiras cenas do capítulo
inicial, e o seu desencarne no leito de um hospital, tiveram nuances espíritas.
A perturbação do acidente, a revisão das principais cenas de sua vida, o
encontro com pessoas simpáticas, o possível ingresso no Plano Espiritual, e o
chamado espiritual para um novo reencarne, num lugar distante – e, assumindo,
em outra vida, a mesma tipologia feminina – apresentam mais elementos de
concordância do que “absurdos” ou “contrariedades” em relação à teoria
espiritista.
O novo milênio apresenta-se, deste modo,
como uma época onde as pessoas acham-se mais suscetíveis ao despertamento para
determinados conhecimentos e a aproximação – a partir de leituras ou
acompanhamento de filmes e novelas e a freqüência a eventos ou locais espíritas
ou espiritualistas – daqueles que buscam explicação para as principais dúvidas
e questionamentos deste e dos tempos anteriores. Há um destacado contingente
populacional, no Brasil, que se considera “simpatizante” das idéias espíritas,
em razão do reconhecimento dos valorosos trabalhos assistenciais desenvolvidos
por grupos e instituições espíritas. Em paralelo, diversas pessoas, mesmo não
se afirmando espíritas, sentiram na própria pele ou muito proximamente
(parentes, amigos, etc.) o benefício do atendimento e do acompanhamento
físico-psicológico que é realidade nos centros espíritas, destacando-se, neste
particular, as terapias alternativas (como os passes), os tratamentos
espirituais (muitos, com assistência clínica material) e a comunicação mediúnica,
com mensagens confortadoras e de procedência indiscutível (em face dos
elementos e das informações nelas contidas), daqueles que morreram aos que
ficaram (sobretudo em situações imprevistas, como acidentes, mortes violentas,
doenças incuráveis, etc.).
Voltando ao folhetim, elementos como o
perfume da pessoa amada no ar, os objetos de que ela mais gostava (o anel de
noivado, o piano) e a sensação de um futuro reencontro, são circunstâncias que
podem ser explicadas à luz do conhecimento espírita.
E, no plano da reencarnação, a criança
índia, nas cenas que se seguiram, demonstrava portar conhecimentos egressos de
outra vida, como manifesto em sala de aula, ao desenhar uma rosa, casas e uma
cidade (onde se destaca uma igreja com detalhes específicos), demonstrando,
déja-vú, que as vidas sucessivas são mais que uma suposição ou fantasia.
Independentemente da seqüência do roteiro
(que, é claro, terá contornos românticos e trágicos, com a iminência da
descoberta de crimes praticados por uma das atrizes principais – que levou ao
desencarne da outra – e o reencontro, em futuro próximo, das tais “almas
gêmeas”, o público espírita (e o espiritualista, também) já podem manter a
“animação” e o entusiasmo em face da possibilidade da discussão dos temas
espíritas, em conversas, na imprensa especializada e nos programas de
auditório.
Se é certo, para os espíritas estudiosos,
que o conceito de alma gêmea é apenas fruto da imaginação (romântica) dos
humanos, uma vez que não há predestinação eterna de um espírito para outro,
sendo, todos nós, irmãos em humanidade, as questões ligadas à afinidade
espiritual (simpatias e antipatias psico-afetivas) e as dificuldades de
relacionamento poderão despertar inúmeras criaturas para a leitura e a
freqüência a reuniões ou sessões espíritas.
Só por isto, já vale o investimento “global”
na novela. Os espíritas agradecem...
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