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Iracema Linhares Giorgini
Mesmo depois de notificado sobre os reais interesses
que devem animar o Espírito, quando encarnado, o homem cercado pela própria
limitação detém-se ao redor de interesses menores.
Assim, perde oportunidades preciosas em que poderia
agir com segurança facilitando o caminho evolutivo.
Vive a Humanidade em estado de sono, de letargia,
detendo-se em enfermidade dominadora: a ignorância. Ignorância de si mesmo, da
destinação de cada um, do significado da existência.
Voltada aos interesses imediatos, mergulhada em
sombras, permanece sem perceber o prazer do crescimento interior.
Outras vezes, busca “acordar” através de gurus que
indiquem caminhos, poupado de agir sem o esforço pessoal, estimulado na
paralisia, em improdutivos estados de meditação refletidos em fugas aos
trabalhos enobrecedores da vida.
Exteriorizam-se essas buscas como transferência de
responsabilidade longe dos compromissos que exigem esforços, mudanças,
renovações.
Joanna de Ângelis em “Dimensões da Verdade” chama a
atenção para essa situação, referindo-se ao fato como utilização de “bengalas”,
“desculpas” que ela chama de “Velho Arrimo” sob o qual ocultamos indolência,
inércia, que se facilitam passar o tempo e impedem as realizações íntimas, estruturadoras
de valores imperecíveis.
Frisa que é preciso “acordar” para as necessidades de
avançar conquistando distâncias espirituais.
A existência para cada um tem objetivos definidos, um
chamamento, uma finalidade superior. Será nessa identificação que, através das
reencarnações, se processará o desenvolvimento espiritual pelo trabalho pessoal
no trato a esses valores que jazem latentes. Etapa a etapa, passo a passo, o
progresso, a superação realizada vai se fixando, formando hábitos que
incorporam à personalidade, configurando-a individualidade como seres
espirituais que somos.
Os diversos patamares, as variadas experiências vão
se estruturando em patrimônios favorecedores do crescimento mental e moral.
Atravessando o período mais difícil e laborioso da
fase inicial vão desabrochando níveis de consciência, de lucidez que capacitam
a compreender e desejar viver as leis divinas. Quando finalmente compreender a
grandeza do amor engaja-se no ideal de trabalhar pelo bem comum, empenhando-se
na conquista de si mesmo, como mecanismo irradiador de Bem para o próximo, para
o meio e para a vida enfim.
Nesse objetivo, atendamos a recomendação de Emmanuel:
“Que ninguém se engane nas estações do falso repouso.
É preciso caminhar sempre, (…), no terreno das
conquistas interiores.
Importa trabalhar, conhecer-se, iluminar-se e atender
ao Cristo, diariamente. Para fixarmos semelhante lição em nós, temos nascido na
Terra, partilhando-lhe as lutas, gastando-lhe os corpos e nela tornaremos a
renascer”.
Bibliografia.
FRANCO, Divaldo P. “Dimensões da Verdade: velho arrimo”.
Ditada pelo Espírito Joanna de Ângelis, 2.ª ed. Salvador – BA Livraria Espírita
“Alvorada” - 1977.
XAVIER, Francisco Cândido. “Pão Nosso: a marcha”. Ditada
pelo Espírito Emmanuel, 12.ª ed. Rio, RJ – FEB – 1986.
Fonte: Jornal Verdade e Luz
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