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Ramatisismo-Divinismo–Emmanuelismo–Andreluisismo–Joannismo–Ubaldismo,
etc.
Dr. Iso Jorge Teixeira*
isojorge@globo.com


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No dia 30 de maio/2005 recebemos
dois elogiosos comentários a propósito de nossa Coluna em PANORAMA ESPÍRITA e
versando sobre palpitantes questões do nosso atual Movimento Espírita:
“Prezado
confrade Iso Jorge, É com grande satisfação que escrevo essa missiva que lhe
será enviada por via eletrônica para apresentar-me e parabenizar-lhe pelos
excelentes artigos escritos, em particular o último intitulado “Resposta a um ramatisista e ao fogo da indignação de
um bombeiro”.
“(...), tenho 34 anos, resido em
Niterói, e tive a oportunidade de escrever a obra “Ramatis – Sábio ou
Pseudo-Sábio?”, publicada pela editora EME em 1997, com prefácio de Celso
Martins. Estive presidente do Centro Espírita Friburguense e hoje estou ligado,
na função de secretário, à ADE-RJ.
A referida obra de minha autoria
trata das teorias ramatisistas e suas discordâncias em relação à Doutrina
Espírita. Àquela época, eu já vinha percebendo as influências do roustainguismo
em nosso meio através de outros espíritos tidos como mentores e benfeitores
pelo Movimento, mas como não havia chegado a nenhuma conclusão, acabei por
utilizar muitos trechos contidos em livros de Emmanuel, Joanna de Ângelis,
etc., contrapondo-os aos ditados de Ramatis, o que certamente não o teria feito
hoje, uma vez que posso notar que esses também não estão verdadeiramente
comprometidos com o Espiritismo em sua original e verdadeira feição.
A conclusão que tiro disso é que, na
condição de pseudo-sábios ou mesmo de espíritos ainda impregnados pelo atavismo
religioso, esses não concordam entre si, diferentemente dos espíritos
superiores, cuja concordância é claramente perceptível e resultado natural,
como claramente identificamos nas obras da Codificação. De qualquer forma,
acredito que a obra tenha servido de
alerta para aqueles que confundem Espiritismo com Orientalismo, e que têm Ramatis
como um espírito de alta envergadura espiritual, algo em que eu,
particularmente, não acredito, devido
aos muitos absurdos contidos em suas comunicações.
Seus comentários sobre o Movimento
(dito) Espírita vão ao encontro de tudo que eu e mais um bom número de
confrades próximos temos achado disso tudo que aí está. Enquanto residia em
Nova Friburgo, tínhamos lá um programa de TV e dois programas de rádio em que
abertamente falávamos dessas coisas, agradando muito aos não-espíritas e
espíritas estudiosos e lúcidos, porém desagradando em muito aos “barões” das
federativas e seus sequazes, que sempre tentam “tapar o sol com a peneira” e
defender seus intere$$es, na tentativa de deixar tudo como está.
Acredito, prezado Iso, que teríamos
muito a dizer e a trocar em termos de experiências, já que,
pelo que tenho percebido, nossas idéias estão em total convergência.
Quem sabe não poderíamos unir forças de alguma maneira, dentro de nossas
possibilidades, no intuito de colaborar no esclarecimento acerca dessas e
muitas outras questões, para o bem geral? Pense nisso. De qualquer forma,
ficarei aguardando comentários seus, rogando a Deus que continue lhe dando
forças e coragem para prosseguir nesta árdua porém abençoada tarefa.
Um fraternal abraço do admirador e
confrade”
ARTUR FELIPE DE AZEVEDO FERREIRA –
Niterói - RJ
Barões do Espiritismo e seus sequazes
Sentimo-nos
extremamente felizes ao receber palavras tão carinhosas de um confrade com
inserção destacada no Movimento Espírita (ex-presidente de um Centro Espírita e
atual Secretário da importante Associação de Divulgadores de Espiritismo do Rio
de Janeiro - ADE-RJ) e sua afinidade de idéias e ideais nos dá a certeza de que
estamos no caminho certo ante tanta tolice em nosso “pobre movimento espírita”
brasileiro... A mensagem do confrade demonstra que não estamos sós, pensamento
que, às vezes, deve nutrir os “barões das federativas e seu sequazes” - no
dizer com muita propriedade do companheiro ARTUR FERREIRA -, inimigos do
Espiritismo, que desejam dominar os incautos e fanáticos...
Mas,
passemos a outra mensagem que recebemos, no mesmo dia, acima:
“Prezado
Dr. Iso, Toda semana
venho acompanhando seus comentários sobre diversos assuntos e tenho apreciado
muito.
Pena
que a maioria no movimento espírita não procura estudar as obras básicas com o
aprofundamento que é necessário o que evitaria inúmeras confusões e acabaríamos
por evitar essa enxurrada de livros que não encontramos embasamento na doutrina
para que possam figurar como pertencente ao movimento espírita.
Perguntando
sobre os estudos da obras básicas no Centro Espírita certa vez, me informaram
que os Centros possuem tais estudos. São estudos de um a dois anos, porém
trata-se de cursos preparatórios para médiuns, aplicação de passes, e por ai
vai.
O
que na sua opinião os Centros poderiam fazer reverter essa situação ?
Obrigado
pela sua atenção, continue com seu trabalho que muito nos ajuda.” MARCELINO
PERES – Piracicaba – SP
Bem, em primeiro lugar quero
agradecer a fidelidade do confrade MARCELINO PERES à nossa Coluna, esperando
não decepcioná-lo e isto aumenta, e muito, a nossa responsabilidade com os
nossos leitores e nos dá a impressão de estarmos atingindo um dos objetivos – a
interatividade com os Srs. leitores e Sras. leitoras.
O confrade tem toda razão: a maioria
dos simpatizantes do Espiritismo não estuda as obras básicas e isso, a nosso
ver, por culpa principal dos dirigentes das grandes Instituições espíritas, que
não dão o exemplo, interessados que estão no personalismo, nos interesses de
destacar a própria vaidade e alguns também com outros intere$$es referido pelo
companheiro ARTUR FERREIRA...
A informação, pífia, recebida pelo
Sr. MARCELINO, em relação ao estudo das obras da Codificação está a demonstrar
como atuam os dirigentes dos Centros Espíritas, em sua esmagadora maioria...
Depois, querem reclamar do último censo do IBGE, que revelou o número total de
espíritas no Brasil – um número tão pequeno, que deveria envergonhar os
dirigentes espíritas... Mas, a contra-partida dos sequazes dos “barões” é
acusar o método do IBGE, para não reconhecerem que estão no caminho errado,
pois as pessoas com bom-senso não vão embarcar numa canoa, sabendo de antemão
que ela está cheia de furos; a não ser as pessoas ingênuas, mas mesmo estas,
depois de algum tempo, por instinto natural, afastar-se-ão do Espiritismo ou,
no mínimo, quando perguntadas pela sua religião, dirão que são católicas ou
“evangélicas”, pois o diferencial da Doutrina Espírita não está bem claro no
íntimo das pessoas, porque ninguém consegue enganar a todos o tempo todo, como
diz parte de um adágio popular.
Que fazer?
O que os Centros poderiam fazer para
reverter tal situação, Sr. MARCELINO? Que procurem se afastar do domínio
doutrinário das “federativas”. Que os Centros Espíritas não fiquem mais
“adesos” a elas, ficando assim LIVRES para atuarem dentro dos preceitos
rigorosos da Doutrina codificada por ALLAN KARDEC, rejeitando os “vícios” e as
excrescências doutrinárias impostas, direta ou indiretamente, pelas federativas
e pela própria FEB... Muitos confrades desconhecem que os Centros podem se
pronunciar, não aceitando o documento de “adeso” às Federativas...
UNIFICAÇÃO, SIM! PADRONIZAÇÃO,
JAMAIS!
Que se criem grupos de estudos
sérios para iniciantes e, paulatinamente, aprofundem-se os estudos das obras da
Codificação, criticamente, e que os dirigentes espíritas sejam escolhidos por
seu valor MORAL e não o melhor político, como recomendava KARDEC em seu
Projeto... Dirão que isto é uma utopia, pois o homem é um ser político por
excelência; sim, é um ser político, mas para assuntos políticos!... A gravidade
do Espiritismo dispensa aqueles líderes de fala macio e falso evangelismo, o
Espiritismo tem por metas básicas o CONHECIMENTO DAS VERDADES ESPIRITUAIS e a
REFORMA ÍNTIMA PARA MELHOR, sem personalismos e sem mitificar quem quer que seja...
Aquele dirigente que atuar como um PSEUDO-SÁBIO deve ser afastado,
imediatamente, pela sua extrema periculosidade em relação aos destinos do
movimento espírita...
A nossa proposta é fácil de ser
aplicada? Certamente, não! As grandes chagas da Sociedade são o EGOÍSMO e a
VAIDADE; vamos combatê-las em nós mesmos e denunciando as dos companheiros, não
fiquemos na PAZ DE PANTANAL, como disse HERCULANO, em nome de uma falsa
tolerância; pois os espertos “barões” usam a palavra TOLERÂNCIA justamente para
perpetuarem-se no poder, são verdadeiros obsessores encarnados, fascinando os
companheiros, quase os subjugando, para que suas “vítimas” não esbocem
reação...
Infelizmente, a nosso ver, a
situação atual do movimento espírita é esta, muito semelhante à situação
política do nosso País, e isto me parece inconcebível por se tratar de uma
Doutrina ESPIRITUAL, pois o que se esperaria dela seria, exatamente, a evolução
moral dos homens e o que se vê é o uso, arbitrário, da Doutrina para um jogo
político, meramente terreno, sórdido, muitas vezes... Não obstante, não
fiquemos parados, lutemos contra este estado-de-coisas, especialmente contra a
corrupção que querem estabelecer na Doutrina, com óbvios interesses materiais e
nisto, muitos são insuflados por desencarnados que, por inveja do Bem, estão
endurecidos no Mal, são os que JESUS previu que sofreriam o “choro e ranger de
dentes”...
Lancemos as nossas sementes boas,
Sr. MARCELINO, como se costuma dizer: a semeadura é livre, mas a colheita é
obrigatória, tanto para os que semeiam para o Bem, quanto para o Mal; como
disséramos em outro artigo há alguns anos, no seu título: as árvores são boas,
mas temos muitos maus jardineiros. Plantemos o nosso jardim, com Amor, mas
racionalmente, e preparemo-nos para a colheita farta... Sinceramente,
acreditamos nisto, porque o Mal é ruidoso e o Bem é tímido! Saiamos da nossa
timidez!
Sectarismo no Espiritismo ?
Mas, passemos à outra mensagem que
recebemos no dia 02 de junho/2005, com algumas indagações e em cujas respostas
tentaremos demonstrar a inconsistência dos que desejam, consciente ou
inconscientemente, fazer o Espiritismo enveredar para o SECTARISMO RELIGIOSO:
“Olá Iso, tudo bem! Mais uma vez venho pedir os
seus esclarecimentos sobre os assuntos que mencionarei abaixo.
Digo mais uma vez porque em fevereiro deste ano
enviei um e-mail perguntando sobre a credibilidade do médium Carlos Bacelli,
cuja resposta você deu através de 2 artigos no panorama espírita.
Desta vez gostaria das suas considerações sobre os
seguintes pontos:
1) a respeito do que Herculano Pires diz para não
misturar conceitos espíritas com o Divinismo: o que é divinismo?
2) Gostaria que fizesse uma relação dos pontos
divergentes entre Emmanuel, André Luiz, Joana de Ângelis, com a
codificação Kardequiana.
3) Gostaria também da sua opinião sobre a obra de
Pietro Ubaldi e sua relação com a doutrina espírita.
Desculpe-me se estiver pedindo muita coisa, é que
estes esclarecimentos irão me servir muito, porque faço parte do setor de
divulgação da instituição espírita Vicente de Paulo, aqui do Recife, e acho que
ajudará muitos leitores dos seus artigos a estudar a doutrina espírita sem
empolgação idealista , tendo uma visão mais positiva, segundo Kardec (Obras
Póstumas).
Agradeço a sua atenção! Um grande abraço!”
EDEROBSON GUIMARÃES CORDEIRO – Recife - PE.
De
fato, o leitor assíduo de PANORAMA ESPÍRITA e de nossa Coluna em particular,
tomou conhecimento desses dois artigos referentes à suposta mediunidade de
CARLOS BACCELI, foram eles: “Fantasias
espirituais continuam na Terra e na Erraticidade” e “Erraticidade e fantasias espirituais
- Ainda sobre a natureza da vida depois da
morte” ...
Agora, o nosso estudioso leitor propõe-nos novas questões, algumas difíceis de
serem respondidas pela extensão que as respostas assumiriam... Mas, vamos tentar resumi-las!...
DIVINISMO

Essas imagens, colocadas no site de OSVALDO POLIDORO,
lado a lado, cômicas, fazem supor ao incauto, que haja identidade entre
ambos... Não há
nenhuma semelhança entre ambos, além disso, o espiritismo rejeita a Fisiognomia *********************************
1- o Sr. leitor
refere-se a uma das mais nefastas “concepções” surgida há anos no movimento
espírita, denunciada por HERCULANO PIRES, por exemplo, no livro A PEDRA E O
JOIO - o Divinismo...
O “Divinismo”,
caríssimo confrade EDROBSON, foi uma especulação absurda forjada por um
Espírito brincalhão, encarnado, chamado OSVALDO POLIDORO... Ele defendia
publicamente que seria a reencarnação de ALLAN KARDEC... Até aí, nada de mais,
pois nada impediria isso. No entanto, ele quis criar uma seita, e de fato criou
uma excrescência dentro do Espiritismo, e teve alguns adeptos!! Tal seita ele
denominou “divinismo”. Vejamos as próprias palavras dele:
“Deus é impessoal,
o Centro Gerador. É íntimo e não próximo, não precisa vir de fora, mas deve ser
descoberto no imo, por evolução de cada homem ou filho, em si mesmo.
Os clericalismos,
entretanto, colocam os filhos longe do Pai Divino, que eles impõem como sendo
antropomórfico e individual.
E
tanto aprendem a olhar para fora, a cultivar idolatrias, que se esquecem de que
são partículas de Deus, de que trazem no imo as virtudes que, desabrochadas,
desenvolvidas, resultarão em Luz, Glória e Poder. A “Ciência da Unidade”, dos
Grandes Iniciados, faz reportar a isso. Mas um tal estado não pode ser
adquirido exteriormente, porque é uma questão de autofazimento.”
Aí está, em linhas gerais, o Divinismo, isto é, nós seríamos
divinos, seríamos “partículas de Deus”,
ou seja, um PANTEÍSMO grosseiro, colocando DEUS na condição de sub-dividir-se;
aliás, KARDEC condenava, veementemente, a Doutrina PANTEÍSTA.
Mas,
o Sr. POLIDORO, não parou aí, não, com sua insensatez... Vejamos outro trecho
do seu pensamento, onde ele revela o seu Espírito brincalhão, para não dizer
outra coisa que a nossa ética proíbe; diz ele em relação a KARDEC:
“Em
verdade, sua vinda à carne remonta a conhecida profecia de Jesus quando, há
dois mil anos, avisou ao povo hebreu, simples, iletrado e espiritualmente
infantilizado pelo clero da época - “Tenho muito para vos dizer ainda, porém
vós não podeis suportá-lo agora” (por falta de capacidade assimilativa) e
“Quando Elias vier de novo, restaurará todas as coisas.”
Esse
Espírito, assim como Jesus, cristificou-se em outros mundos, teve várias encarnações
historicamente conhecidas, tais como: Rama, Crisna, Zoroastro, Orfeu, Hermes,
Pitágoras, Platão, Enoque, Moisés, Elias, Ezequiel, João Batista, Francisco de
Assis, João Huss, José de Anchieta, Voltaire e Kardec, e ensinou que, quando
ainda estava no plano astral, recebeu ordens para se preparar para uma nova
encarnação no Brasil.
Foi-lhe
dito naquela ocasião: “Filho Elias, arregimente a turma servidora e parta para
a Terra do Cruzeiro do Sul. Porque lá, na Atlântida Redescoberta, onde
entregaram a Bíblia mãe com o nome de POPOL BUGG, entregarão a última, que se
chamará O EVANGELHO ETERNO, prometido no Apocalipse, capítulo 14, versos de 1 a
6”.
Assim, cumprindo o determinado por
Deus e em consonância com as notícias contidas em “Obras Póstumas” (Allan
Kardec), reencarnou em 05 de junho de 1910, com o nome de OSVALDO POLIDORO, na
cidade que ajudara fundar, quando foi José de Anchieta.”
Simples, não, Sr. EDROBSON?! O Sr.
POLIDORO com um estalar de dedos “descobriu”
18 encarnações pretéritas dele mesmo e, diga-se de passagem, encarnações
bem longínquas, que se perdem no tempo... Ele “se esqueceu” de citar a
encarnação de KARDEC como sacerdote druida e a última não foi como ALLAN
KARDEC, e sim, como HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL... Ele ”se esqueceu” de que
JESUS e JOÃO BATISTA foram contemporâneos?!...
E a Ciência, onde entra aí? Em lugar
nenhum! He he he, só rindo… O pior é que nessa brincadeira muitos incautos
entraram. Nós mesmos temos um aluno do Curso de Especialização em Psiquiatria,
na UERJ, paulista, que nos afirmou que o pai dele era adepto do “Divinismo de
Osvaldo Polidoro”. É mole ou quer mais, Sr. EDROBSON?! Parece que as pessoas
têm prazer em serem enganadas!...
EMMANUELISMO
2- Bem, os pontos divergentes com a
Codificação kardequiana entre EMMANUEL, ANDRÉ LUIZ e JOANNA DE ÂNGELIS seriam
muitos extensos para abordarmos aqui... Vamos citar as mais flagrantes, a nosso
ver, até porque não conheço TODA a obra de EMMANUEL, ANDRÉ LUIZ e, muito menos,
de JOANNA...
A nosso ver, a primeira “divergência”
entre “EMMANUEL” e “JOANA DE ANGELIS” em relação à Codificação é que um
Espírito-Guia não costuma se identificar com tantos detalhes e o exemplo maior
disso foi o ESPÍRITO VERDADE, Guia Espiritual de KARDEC, que não se
identificou, apesar das insistentes perguntas de KARDEC... O Codificador
aconselha-nos a escolher um nome que admiramos e tratar assim o Guia
Espiritual, porque, há encarnações milenares de um Espírito-Guia e é
impossível, praticamente, saber-se CERTAMENTE encarnações anteriores dele, até
porque estando ele já purificado, não precisa ser denominado, só o devemos
fazer como um meio “para fixação de nossas idéias” [cf. item XII, da INTRODUÇÃO
de “O Livro dos Espíritos” – (OLE), de ALLAN KARDEC]...
Outros pontos divergentes de
EMMANUEL e KARDEC podem ser lidos no livro “O CONSOLADOR”, psicografado por
CHICO XAVIER, Ed. FEB. A propósito, alguns destes pontos divergentes foram
citados em nosso artigo PERISPÍRITO, SABEDORIA E BELEZA (jornal
espírita, julho/2001, Col. SAÚDE MENTAL, p. 8), destaquemos um trecho do
referido artigo:
“Se após ler a Doutrina dos Espíritos, Codificada por ALLAN KARDEC (aliás, não
existe outra) e levar em conta que os Espíritos Superiores nunca estão em “contradição” com a Verdade, perguntaria
ao leitor: com quem o Sr. LUIZ GONZAGA ficaria, com a Doutrina Espírita ou com
EMMANUEL e a FEB?...
Em
relação ao livro citado pelo confrade há, ainda, inúmeras outras “contradições” com a Doutrina e falhas
metodológicas. Observemos alguns exemplos:
Todos
sabemos que devemos fazer perguntas à Espiritualidade Superior para nossa “instrução”. Caberia perguntar-se aos
Espíritos Superiores, por exemplo: — Qual é a fórmula química da água ?! — Como
é meu nome?!... Enfim, é necessário saber-se o que se pergunta, a não ser que
não concordemos com o senso comum. No livro “O CONSOLADOR” podemos catalogar
dezenas e dezenas de perguntas cujas respostas já estavam na Codificação,
nesses casos as respostas foram ÓBVIAS ou
estavam EM CONTRADIÇÃO com a Doutrina como a de n.º 30, citada pelo confrade e
as de nº. 323 - 327 admitindo as “ALMAS GÊMEAS” [a propósito, leia a Nota final do livro “O Consolador” (p.
231-233) e observe o absurdo que a FEB praticou com CHICO XAVIER e com a
Doutrina Espírita], a de n º. 140, com a admissão parcial da validade dos
HORÓSCOPOS, a de n º. 142 admitindo a
NUMEROLOGIA, também parcialmente; a admissão da doutrina do PANTEÍSMO (questão
302) e a doutrina da “EVOLUÇÃO EM LINHA RETA DE JESUS” (questão 243), nesta, há
uma evidente defesa do indefensável “roustainguismo”!
Além da fuga de inúmeras perguntas, isto é, fala-se (ou escreve-se) e não se
diz nada de substancial sobre o que se perguntou (cf. respostas às questões 126
– 225 – 297 – 311 – 321 – 338 e outras do citado livro), como fazem alguns
políticos brasileiros em época de campanha eleitoral. Que espécie de
“revelação” seria esta de EMMANUEL, a um médium que ainda não tinha
conhecimento pleno da Doutrina (em 1940) ?!
EMMANUEL condena a EVOCAÇÃO DE
ESPÍRITOS (cf. resposta à questão n.º 369), no entanto, compareceu quando foi
evocado, por sugestão de outro Espírito, na reunião de 31/10/39!! (cf.
p. 19 , op. cit., 10.ª ed. FEB, 1984) !!
Em 1861, o
jornalista LOUIS JORDAN dirigiu
alguns questionamentos a KARDEC a respeito de “O Livro dos Espíritos”, especialmente sobre a EVOCAÇÃO de
Espíritos, tão condenada em nosso movimento espírita brasileiro conduzido pela
FEB; também condenada por EMMANUEL, como vimos! Eis o que KARDEC responde ao
Sr. JOURDAN:
“(...) e eis todo o mistério da evocação, que não tem outro fim senão
vos dirigir a quem quiserdes, ao invés de escutar qualquer que se apresente.” (REVISTA ESPÍRITA – Jornal de
Estudos Psicológicos. Direção de ALLAN KARDEC. Quarto Ano, 1861. EDICEL, São
Paulo, p. 115).
Teria, o jovem (em 1940) e
semi-analfabeto médium, CHICO XAVIER, condições de enfrentar os “sábios” da
inatacável FEB?! Existiriam “duas fases de
EMMANUEL”, como argumenta o Sr.
Professor IMBASSAHY? (cf. JE,
Jun./00, p. 5).
Por tudo isso, disse no início que a
nossa Doutrina vem sendo desnaturada com o aval da entidade Maior do
Espiritismo brasileiro. Por tudo isso, a dúvida nos confrades inteligentes...“
Enfim, Sr. EDROBSON, são dezenas de pontos
divergentes, em que cada um deles mereceria um comentário, o que foge das
pretensões deste artigo...
ANDRELUISISMO
E os pontos divergentes de ANDRÉ
LUIZ e a Codificação?... Bem, já fomos enfáticos neste Portal em relação à
falta de CONCORDÂNCIA UNIVERSAL em muitos trechos do livro “NOSSO LAR” e na
mesma situação poderíamos colocar os livros “MISSIONÁRIOS DA LUZ”, “EVOLUÇÃO EM
DOIS MUNDOS” e “MECANISMOS DA MEDIUNIDADE”, aliás, nestes, há uma série de
heresias científicas e, portanto, divergentes da Doutrina dos Espíritos, que
sempre está em consonância com a Ciência... Assim, em “MECANISMOS DA
MEDIUNIDADE”, há uma descrição, terrena, dos reflexos incondicionados e
condicionados estudados por I.P. PAVLOV; além, de ser uma descrição meramente
terrena, ela parece a de um aluno que estudou a matéria mas não a assimilou
bem, isto é, denota imprecisão e omissão. Que se leia ou releia a pág. 92 deste
livro (Edit. FEB, 10 ed., 1987) e compare-se com o livro de PAVLOV “Reflexos
condicionados e Incondicionados”... No livro “EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS”,
psicografado por CHICO XAVIER e WALDO VIEIRA, além daquelas descrições de
CHAKRAS, CORPOS ESPIRITUAIS, etc.; há o “conceito” de “PARASITAS OVÓIDES”, que
além de não haver nada parecido na Doutrina, é ANTIDOUTRINÁRIO. Sobre esta
excrescência doutrinária, comparável ao “conceito” de “CRIPTÓGAMOS CARNUDOS”,
de ROUSTAING et caterva, pretendemos escrever um artigo à parte,
oportunamente...
JOANNISMO ou DIVALDISMO
Com relação aos pontos divergentes
de JOANNA DE ÂNGELIS e a Doutrina dos Espíritos, não temos muito que citar, além do que já dissemos em nossos
artigos aqui neste Portal. Podemos acrescentar uma questão importantíssima, não
só para os livros de JOANNA, mas para seus livros em geral - é a questão dele
ser ROUSTAINGUISTA, fato corroborado por LUCIANO DOS ANJOS, maior líder
roustainguista do planeta e pelo próprio DIVALDO ao corroborar a EVOLUÇÃO EM
LINHA RETA DE JESUS. Vejamos um trecho da entrevista deste em O MENSAGEIRO –
REVISTA ESPÍRITA-CRISTÃ DO TERCEIRO
MILÊNIO. Ao prof. DIVALDO foi perguntado:
“P: O Espírito de Jesus alcançou a
Sua evolução, sujeitando-se às mesmas Leis a que se sujeitaram os demais
Espíritos? Há espiritualistas que
afirmam que Jesus evoluiu em linha reta. Como entender essa afirmativa?
Eis a resposta:
“R: Estudar Jesus e Sua
personalidade para defini-los em breves linhas parece-me uma ousadia sem limite
a que não me atrevo. Podemos, no
entanto, apresentar algumas considerações, dentro do espírito de liberdade de
pensar, defendido pelo Codificador em “O Livro dos Espíritos” como em toda a
Obra Espírita. Acredito que todos os Espíritos foram criados em igualdade de
condições, convidados a crescer de forma equivalente. SE JESUS EVOLUIU EM LINHA RETA É PORQUE,
certamente, as Suas foram sempre opções corretas, não necessitando de re-aprender, reparar ou reencarnar, pelo
menos, na Terra.(...) ” - o grifo é nosso.
Na mesma resposta, mais adiante, o
prof. DIVALDO dissemina, SUTIL e inteligentemente, um ERRO DE TRADUÇÃO da FEB,
na resposta à QUESTÃO 625
de “O Livro dos Espíritos”; conclui ele:
“(...) O certo é que, ao vir ter
conosco, no mundo, Ele já sintetizava a perfeição relativa que nos é dado
contemplar, sendo, por isso mesmo, O ESPÍRITO MAIS PERFEITO que Deus ofereceu aos homens para servir-lhes
de modelo e guia, conforme questão 625, de O Livro dos Espíritos.”
Abstraindo-se do erro de tradução,
lemos no comentário de KARDEC, que JESUS foi o “TIPO” de perfeição moral a que
podemos aspirar na Terra e o “mais perfeito modelo”. Em nenhum momento, nem
KARDEC nem a Espiritualidade Superior afirmaram que JESUS foi “O ESPÍRITO MAIS PERFEITO”,
como se depreende do erro de tradução (OMISSÃO) da FEB e da sua disseminação
pelo prof. DIVALDO...
Por tudo isso, Sr. EDROBSON,
sinto-me dispensado de citar as obras de JOANNA, se o próprio DIVALDO defende a
tese do nefasto livro trevoso de ROUSTAING, denominado “o cavalo-de-Tróia” do
Espiritismo! Seria bater na mesma tecla do que temos dito alhures, por exemplo,
a concepção meramente terrena da chamada “série psicológica” de JOANNA DE
ANGELIS, em total desacordo com o “caráter da revelação espírita” e com a sua
suposta superioridade...
Distorção de uma noite “fatídica”...
Complementando, leiamos um mail que
recebemos, do dia 09/06/05, a respeito de artigo nosso neste Portal:
“Querido
amigo Iso Jorge! Hoje ,
dia 09 de junho de 2005 , pela manhã , estava com o meu rádio sintonizado
na Rede Boa Nova , escutando o programa Presença Espírita que é
apresentado pelo Sr. Miguel de Jesus, qual não foi a minha surpresa ao ouvir o
sr. Miguel ler um email de um tal de Marcio Paulo ou Mario Paulo relatando o acontecido
do dia 09/05/05 sobre a noite de autógrafos do livro Diamantes Fatídicos, de
Divaldo Franco, só que ele relatou distorcidamente colocando até o meu nome no
email , fiquei muito chateada com o acontecido, pois este tal de Marcio ou
Mario Paulo , que acho que é um nome fictício, pois não teve coragem de identificar-se, eu acho que ele
nem estava na noite de autógrafos, e usou o meu nome para se promover. Pois eu
nunca falei mal do caráter de Divaldo Franco , sempre admirei o seu trabalho ,
eu somente comentei como fui tratada na noite de lançamento por sua equipe, e
não foi somente eu , meus amigos e muita gente saiu de lá sem ao menos
cumprimentá-lo.
Fico
chateada por pessoas mal resolvidas, que não se assumem e passar adiante um
relato que não foi vivenciado por ele , e ainda pior ele não escreveu por
suas próprias idéias, copiou o final do artigo todinho do senhor (Repercussões sobre o caso Divaldo Franco
X Daniel Dunglas Home) e mandou para o sr. Miguel de
Jesus.
Achei ridículo essa atitude do sr.
Mario ou Marcio Paulo.
Receba minhas vibrações de paz”
Marta Beluco – São Paulo – SP.
Como
os Srs. leitores poderão perceber, o fanatismo dos sequazes do prof. DIVALDO
não tem limites e usam de todos os meios para defenderem o indefensável... Pois
é, Sra. MARTA, há alguns anos um tal de “MÁRCIO”, numa lista da qual
participávamos na Internet, saiu em defesa do Sr. DIVALDO quando argumentávamos
que não julgávamos correto cobrar entrada para conferências espíritas de
MÉDIUNS e o tal “MÁRCIO” comparava uma conferência espírita com uma conferência
de um médico, o que é bem diferente!...
Concordo
com a confreira MARTA... Esse tal de “MÁRCIO” deve ser um heterônimo de um dos
sequazes do Sr. DIVALDO e, agora, é até capaz de DISTORCER os fatos, como tem
sido o caso dos FANÁTICOS, catatímicos. Nestes, predomina a emoção em
detrimento da razão. A referida “cópia” de trecho do nosso artigo está a
demonstrar a absoluta falta de argumentos racionais do fã-clube divaldista...
UBALDISMO
Quanto à obra de PIETRO UBALDI e sua relação com o
Espiritismo temos pouco a dizer, porque só li alguns fragmentos de sua obra e,
completamente, a sua obra “psicografada”: “A GRANDE SÍNTESE” . Ele escreveu
outros livros que não superaram este livro e é isso que diz o confrade CIRSO SANTIAGO:
“Seu livro de maior alcance foi "A
Grande Síntese". O movimento espírita brasileiro se deslumbrou diante
dessa obra. Mas muitos que a leram não a entenderam, apenas louvaram, pois é
muito mais fácil louvar do que confessar ignorância. Depois disso, que eu
saiba, não saiu mais nada de fôlego de seu lápis que ganhasse a mesma
notoriedade de "A Grande Síntese".(cf. artigo “Allan Kardec - o Codificador do
Espiritismo e as trajetórias de quatro espiritualistas” – publicado originariamente no
jornal Correio
Fraterno do ABC nº 365 de Junho de 2001) e republicado no PORTAL DO
ESPÍRITO, na Internet).
Um dos biógrafos de UBALDI informa: “Profundamente religioso, sempre que podia ia a Assis,
onde teve sua primeira visão: dois focos de luz dourada com as imagens de
Cristo e São Francisco de Assis. A partir dessa visão, Pietro Ubaldi começou a
receber mensagens do mundo espiritual de uma entidade que passou a chamar de ‘Sua
Voz’.”
Na verdade, a psicografia de PIETRO UBALDI era de uma
linguagem empolada, muito intelectualizada, e o que ele tentou foi implantar
mais uma seita - o UBALDISMO, como o afirma CIRSO SANTIAGO (op. cit.). Não há
dúvida da sua extrema vaidade e sendo ele italiano, foi acolhido pelos
espíritas brasileiros “novidadeiros”. A “novidade” da sua “mediunidade” era a
comunicação, “supraconsciente” COM UM SÓ ESPÍRITO, ao que ele denominou “SUA
VOZ”. Inspirado no livro “Ultrafania. Esegesi della fenomenologia
intellettuale dello spiritismo moderno” – Milão, 1936, de TRESPIOLI GINO,
ele afirmou vários pontos em desacordo com o Espiritismo o que lhe valeu uma
resposta do grande HERCULANO PIRES, leiamos, então o ocorrido, em outubro de
1963:
HERCULANO PIRES
responde a proposta de PIETRO UBALDI...
“A mensagem que Pietro Ubaldi enviou ao VI Congresso
Espírita Pan-Americano, realizado neste mês em Buenos Aires [outubro de 1963],
vem causando estranheza nos meios doutrinários. Depois de discorrer sobre a
estagnação das religiões, o autor de A Grande Síntese chega às seguintes
conclusões:
1 - O Espiritismo estacionou na teoria da
reencarnação e na prática mediúnica;
2 - Não possuindo “um sistema
conceptual completo”, não pode ele ser levado a sério pela cultura atual;
3 - A filosofia espírita é limitada, não oferece uma
visão completa do Todo e “não abrange todos os momentos da lei de Deus;
4 – O Espiritismo não construiu uma “teologia
espírito-científica, que explique o que a católica não explica”;
5 - O Espiritismo “corre o perigo de ficar parado no
nível Allan Kardec, como o catolicismo ficou no nível São Tomás e o
protestantismo no nível Bíblia”.

No dia 11 de agosto de 1951 na redação do “Jornal de
Notícias” conheceram-se (da esquerda para a direita) Herculano Pires e Pietro
Ubaldi. Em pé, Batista Lino, um desconhecido e Wandick de Freitas (Foto e texto extraídos
do livro “J. Herculano pires, o apóstolo de Kardec”, de JORGE RIZZINI,
Ed. Paidéia, p. 251) +++++++++++++++++++++++++++++++++
“Diante dessa situação, propõe Ubaldi a adoção, pelo
Espiritismo, dos livros de sua autoria, abrangendo a “série italiana” e a
“série brasileira”. E explica: “Trata-se de um produto realizado de uma forma
que permite que ele caiba dentro do Espiritismo, porque atingido por
inspiração, que é por ele julgada a mais alta forma de mediunidade, aquela
consciente, controlada pela razão”. E logo mais afirma: “Só assim o Espiritismo
poderá avançar paralelo à ciência e exigir atenção de parte dos materialistas,
porque usa a forma mental e os métodos racionais dele. Só assim o Espiritismo
poderá sair do trilho dos costumeiros conceitos que se repetem nas sessões
mediúnicas e colocar-se no nível do mais adiantado pensamento moderno,
penetrando no terreno da filosofia e da ciência e situando-se na sua altura”.
“A redação e a tradução dessa mensagem de Ubaldi,
como se vê, por estes pequenos trechos, estão muito abaixo do texto de suas
obras mais inspiradas, que pertencem à “série italiana”.
Por outro lado, verifica-se que faltou a Ubaldi a
percepção necessária para captar o processo espírita em suas verdadeiras
dimensões. O admirável médium de A Grande Síntese revela absoluta falta de
acuidade e de compreensão da realidade espírita no mundo de hoje, onde o
Espiritismo vem cumprindo serenamente a sua finalidade. A sua crítica ao
Espiritismo, resumida nos cinco pontos acima, coincide com a dos adeptos menos
instruídos na doutrina, e pode ser respondida, ponto por ponto, por qualquer
adepto de inteligência e cultura medianas, que conheça a Doutrina Espírita. Por
outro lado, o oferecimento de suas obras ao Espiritismo revela desconhecimento
da natureza da nossa doutrina e das exigências metodológicas para a aceitação
da proposta, que não cobre essas exigências. Ubaldi desenvolveu suas faculdades
mediúnicas à margem do Espiritismo. Seu primeiro livro, A Grande Síntese,
apresenta curioso paralelismo com o Espiritismo, o que lhe valeu a simpatia e a
amizade dos espíritas brasileiros. Na Itália ou no Brasil, porém, Ubaldi
recusou-se sempre a integrar-se no movimento espírita, filiando-se na península
à corrente da Ultrafânia, do prof. Trespioli, que pretende haver superado a
concepção espírita. Em seu livro As Noures, Ubaldi nos oferece a concepção
ultrafâníca da mediunidade, na qual enquadra o seu caso pessoal. É uma
pretensiosa concepção de mediunidade cósmica, fugindo à naturalidade e
simplicidade das comunicações espirituais entre espíritos desencarnados e
médiuns. As pretensões de Ubaldi o transformaram, de simples médium em autor
messiânico, agora arvorado em reformador do Espiritismo.”
Aí estão, meridianas, palavras do grande HERCULANO
PIRES. Só para darmos uma vaga idéia da pretensão de PIETRO UBALDI – aliás ele
tinha uma outra pretensão, pois ao que se sabe ele processou o Editor LINO da
Livraria LAKE, deixando esta Editora em péssima situação financeira... Vamos
citar palavras dele no livro “PROFECIAS” (5 ª edição, 2000, Revista pelo Depto.
Cultural da Fraternidade Francisco de Assis), quase autobiográfico, e
observarmos como era pretensioso:
“Assim sendo, viajei na
ocasião programada, saindo de Gênova em fins de novembro. Por ocasião do
embarque A VOZ me disse: ‘Eu mesmo guiarei o navio. Será uma travessia
esplêndida, calmíssima, sem tempestades. Isso te provará minha presença, que
luzirá na proa: serei o timoneiro de tua nave’.
“E assim realmente
sucedeu. O pessoal de bordo confessou que raramente havia visto uma travessia
tão tranqüila. Durante a viagem, dirigia-me, muitas vezes, à proa que estava na
direção sul. Avançava, majestosa, através do Atlântico imenso. E toda vez que
dela me aproximava, percebia, à frente da nave, a presença luminosa de Cristo,
que a guiava para os mares luminosos do sul, na direção da imensa terra do
futuro, o Brasil. E Ele me dizia: “Não temas. Estou contigo. A nave segue a
trilha da minha vontade. Confia-te a Mim. Vencerás”.
Aí
está: um “médium” que recebia SÓ UM ESPÍRITO – “A VOZ” e este não seria outro
senão o próprio “CRISTO”!!. Enfim, PIETRO UBALDI foi um pretensioso que ouviu
uma voz dizendo-lhe que teria uma missão a cumprir no Brasil e aqui veio e
“cumpriu-a”, isto é, ajudou a “construir” a “bagunça doutrinária”, como diria o
sargento MARCEL; construiu o “ubaldismo”, que pouca ou nenhuma ligação tem com
o Espiritismo.
De
fato, o livro “A GRANDE SÍNTESE” é um livro muito bem escrito, mas,
filosoficamente, encontramos nele uma apetitosa “salada”, nada mais, a nosso
ver; como há quem goste de “saladas”, que continuem no seu “vegetarianismo”
insosso, é uma opção...
Portanto,
Sr. leitor EDROBSON, esperamos que tenhamos trazido alguma contribuição para o
setor de divulgação da Instituição Espírita FRANCISCO DE PAULO, do Recife – PE
e que ela possa ajudar os nossos leitores “sem empolgação idealista”, com uma
“visão mais positiva”, em outras palavras, sem fanatismo...
Dentes do bom-senso para comer a Pão da
Verdade -
EPÍLOGO
Temos dito e repetido em nossos
artigos, que o MISTICISMO conduz à SUPERSTIÇÃO e sobre esta KARDEC escreveu matéria
na Revue Spirite, de maio/1860. Disse ele sobre o Espiritismo: “(...) não só
condena todas as práticas divinatórias, como lhes demonstra a nulidade.
Portanto, como temos dito muitas vezes, o estudo sério do Espiritismo tende a
destruir as crenças realmente supersticiosas.”
No final
dessa matéria, KARDEC acrescenta algo que reputamos realmente IMPORTANTE, disse
o metre lionês:
“A
existência de ESPÍRITOS ENGANADORES, que pululam à nossa volta, por força da
inferioridade do nosso globo, como insetos daninhos num pântano, e que se
divertem à custa dos crédulos, predizendo-lhes um futuro quimérico, SEMPRE
PRÓPRIO A ADULAR SEUS GOSTOS E DESEJOS, É UM FATO DO QUAL TEMOS PROVAS DIÁRIAS
PELOS MÉDIUNS ATUAIS.“ – grifos nossos.
KARDEC,
então conclui:
“O que se
passa aos nossos olhos aconteceu em todas as épocas, pelos meios de comunicação
em uso conforme o tempo e o lugar. Eis a realidade. Com o auxílio do
CHARLATANISMO E DA CUPIDEZ, A REALIDADE, PASSOU PARA O ESTADO DE CRENÇA
SUPERSTICIOSA.” – grifos nossos - (op. cit., EDICEL, São Paulo, p. 162).
Aí estão,
companheiros ARTUR
FELIPE DE AZEVEDO FERREIRA, MARCELINO PERES, EDEROBSON GUIMARÃES CORDEIRO e MARTA BELUCO, os riscos que pesam sobre a
Doutrina dos Espíritos, que foi codificada por vários motivos, dentre eles o de
combate da visão estreita do misticismo e da superstição. Pois bem, o que vemos
hoje é a “estratégia” dos espíritos enganadores, encarnados e desencarnados, em
dar o aplauso ou o silêncio ante o perigo da proliferação de “seitas”,
especialmente os “barões e seus sequazes” usam o silêncio e em muitos casos não
falta a cupidez, como bem referiu o confrade ARTUR FERREIRA... Disseminadas as
“seitas”, as pessoas ingênuas cairiam facilmente na armadilha para torná-las
SUPERSTICIOSAS e aí seriam presas fáceis para o domínio dos barões...
Lutemos
companheiros contra tudo isto que aí está, sigamos as palavras de KARDEC quando
afirma que o estudo sério do Espiritismo tende a destruir as crenças realmente
supersticiosas. JESUS não veio trazer a PAZ, mas a ESPADA; empunhemos o
“chicote do Templo”, em seu nome, e mostremos aos que apreciam “saladas”, que
nós gostamos de pão simplesmente e, a propósito, para concluirmos este artigo
que já se estendeu muito, repitamos palavras do prof. HERCULANO PIRES, contida no
capítulo VII, A MESA E O PÃO, do livro “MEDIUNIDADE (Vida e Comunicação)”:
“Para
comer o pão da verdade só necessitamos dos dentes do bom-senso. Por isso, o
comensal da estalagem de Emaús simplesmente desapareceu depois de partir pão
(...)”.
E
acrescenta o seu interessante ensino:
“Todos
os acréscimos de técnicas inventadas por homens vaidosos, de disciplinas
rígidas na hora da sessão, de palavras mágicas e gestos misteriosos não passa
de joio na seara. A prática espírita deve ser racional e simples, pois toda
encenação e aparato só servem para estimular mistificações'."
Preferimos
pão francês, de Lyon, à salada dos “barões”...
* Médico. Psiquiatra. Prof. Livre - Docente de
Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ). Coordenador do Curso de Especialização em
Psiquiatria (FCM - UERJ).
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