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(O Livro dos Espíritos, questões 686 a 701)
Inaldo Lacerda Lima
População do Globo. A primeira indagação do Codificador é a propósito da reprodução dos
seres vivos como lei da Natureza. E os Espíritos Reveladores respondem que o
mundo corporal pereceria sem a reprodução deles.
Entretanto, diante da preocupação com a possibilidade
de a população do Globo tornar-se excessiva, respondem eles, sempre amparados
na lógica, que a tudo Deus provê, mantendo em tudo o equilíbrio da vida, pois
coisa alguma Ele faz inútil. Nós, os homens, é que temos o hábito de observar a
Natureza por partes, e quase nunca em seu conjunto.
Sucessão e aperfeiçoamento das raças. Constitui este um outro aspecto da lei de
reprodução. E ao falar de raças humanas, que evidentemente decrescem, indaga
Kardec em nome da Doutrina Espírita se ocorrerá um momento, na História, em que
estarão elas desaparecidas.
E os Espíritos informam que assim acontecerá de fato,
pois que outras raças, um dia, deverão tomar o lugar das que hoje existem.
Mas, esclarecem, em face da questão 689, que serão os
mesmos Espíritos que voltarão a aperfeiçoar-se em novas indumentárias físicas,
embora ainda imperfeitos.
Desse modo, a atual raça humana que tende a invadir
toda a Terra, substituindo as que se extinguem, terá também sua fase de
decrescimento e desaparecerá com o surgimento de outras mais aperfeiçoadas, tal
como os homens mais civilizados de hoje são descendentes dos seres brutos e
selvagens dos tempos primitivos, e tudo isso como lei natural. Já atendendo à
questão seguinte, em relação aos corpos das raças atuais, se são de criação
especial, respondem que “a origem das raças se perde na noite dos tempos”,
o que significa que os corpos humanos também se aperfeiçoam com a evolução dos
seres que os vestem.
Quanto ao caráter distintivo e dominante das raças
primitivas, em que se destacava o “desenvolvimento da força bruta, à custa
da força intelectual”, dá-se o contrário em nossos dias, quando o homem
realiza mais e melhor, pela inteligência, ao aprender como aproveitar os
recursos da Natureza.
Na questão 692, embora compreendendo-a bem, Allan
Kardec, ao salientar algo sobre o aperfeiçoamento das raças animais através da
Ciência, enseja aos Espíritos esclarecerem que tudo deve ser feito a serviço da
perfeição; que o próprio homem, nesse sentido, é instrumento de que Deus se
serve; a perfeição é meta a que tende a Natureza, de modo que facilitá-la é
corresponder à Sua visão divina. Ao objetar, ainda, o Codificador sobre o fato
de os esforços de que o homem se serve estarem relacionados sempre ao acréscimo
de seus gozos, não lhe diminui isso o mérito, respondem os Espíritos incumbidos
da revelação do Consolador com outra indagação:
“Que importa seja nulo o merecimento, desde que o progresso
se realize? Cabe-lhe tornar meritório, pela intenção, o seu trabalho. Demais,
mediante esse trabalho, ele exercita e desenvolve a inteligência e sob este
aspecto é que maior proveitotira.”
Obstáculos à reprodução. Já as questões seguintes – 693 e 694 –
relacionam-se com os obstáculos à reprodução, indagando se tais obstáculos não
são contrários à lei da Natureza. E a resposta não se faz esperar, com a mesma
logicidade de sempre: “Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é
contrário à lei geral.”
Allan Kardec, prevendo decerto novas objeções do
próprio homem, lembra que há espécies de seres vivos – animais e plantas –,
cuja reprodução indefinida poderia ser nociva a outras espécies; desse modo
praticaria o homem ação repreensível impedindo-a? Damos, aqui, destaque a três
advertências fundamentais dos Espíritos, nesse sentido:
1. Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres
vivos, um poder de que ele deve usar sem abuso, podendo pois regular tal
reprodução de acordo com suas necessidades.
2. A ação inteligente do homem é sempre um contrapeso
que Deus dispôs para estabelecer equilíbrio entre as forças da Natureza, desde
que haja conhecimento
de causa. E isso, inegavelmente, vem sendo mostrado
pelos cientistas atuais.
3. Mas, no caso dos animais, os mesmos também
concorrem para a existência desse equilíbrio, porquanto o instinto de
destruição que lhes foi dado faz com que, provendo à própria conservação,
obstem ao desenvolvimento excessivo, quiçá perigoso, das espécies animais e
vegetais de que se alimentam.
Cabe-nos, aqui, na oportunidade, lembrar que o homem,
mormente em nosso riquíssimo país, se comporta, em muitos casos, como ser
abusivo, contra a própria Natureza, sofrendo as conseqüências amargas desse
abuso, qual seja o caso do desmatamento em regiões que não o devem sofrer, de
modo descontrolado; do cultivo abusivamente excessivo de plantas como a
maconha, e de outros recursos para a fabricação perversa de drogas; e, ainda, a
extinção de espécies animais, tudo com vistas à manutenção de interesses
egocêntricos.
Há práticas humanas que consistem no propósito de
evitar a reprodução, como satisfações sensuais, o que levou o mestre Kardec – a
respeito da seriedade do assunto – a buscar o pensamento dos Espíritos
Reveladores. E responderam eles que tal prática “prova a predominância do
corpo sobre a alma e quanto o homem é material”.
Casamento e celibato. A seguir, nas questões 695 a 699, procura o
Codificador ouvir os Espíritos Superiores a fim de, através deles, oferecer-nos
preciosas orientações a respeito do casamento; e que efeito teria sobre a
sociedade a sua abolição;
se está na Natureza ou apenas nas leis humanas a sua
indissolubilidade absoluta e, ainda, se o celibato representa um estado de
perfeição meritório aos olhos de Deus.
Eles, pacientemente, nos levam a refletir, mostrando
que o casamento é um progresso na marcha da Humanidade, e a sua abolição seria
um regresso à vida irracional.
O Codificador nos faz sentir que, volvendo à infância
da Humanidade, o homem se colocaria abaixo de certos animais que lhe dão
exemplos de uniões constantes nesse sentido; e que a dissolução do casamento
não deixaria de ser lei humana contrária à Natureza, porquanto esta é imutável.
Quanto ao celibato voluntário, nada tem de meritório
aos olhos de Deus, salvo os que dele se utilizam, não por egoísmo, mas por uma
questão de renúncia ou sacrifício a serviço do Bem e da Humanidade, caso em que
o homem, nisso, não atenta contra a lei de Deus.
Poligamia.
No que tange às questões 700 e 701, referentes à poligamia, Allan Kardec indaga
se a igualdade numérica mais ou menos existente entre os sexos não é indício da
proporcionalidade de união entre eles. Os Espíritos o confirmam, mostrando, em
resposta à questão seguinte (701), que a abolição da poligamia, lei ainda existente
entre alguns povos, marcará um progresso social – que dizemos grandioso –,
porquanto “o casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na
afeição dos seres que se unem”. E concluem sabiamente:
“Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade.”
Fonte:
Revista Reformador – jan/2005
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