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Vitor Ronaldo da Costa
vitorrc@brturbo.com.br
O advento do Espiritismo
serviu para confirmar a veracidade de expressivo alerta evangélico: a
humanidade terrena jamais se sentirá abandonada pelo Senhor Jesus. O consolador
prometido pelo Mestre estabelecer-se-ia na crosta com a finalidade de relembrar
as suas palavras e nos brindar com outros ensinamentos alvissareiros.
De fato, a literatura
mediúnica espírita premia a sociedade terrena com informações valiosas,
estimula a esperança dos que enfrentam a aflição das enfermidades e melhor
qualifica a fé daqueles que confiam na providência divina. Assim sendo, o que
vamos comentar serve para destacar a participação da espiritualidade maior a
serviço do Cristo, nas questões relativas à saúde humana.
As intercessões do Alto em
favor dos desvalidos abrangem imensa parcela da população, muito embora, nem
sempre, a criatura encarnada se aperceba dos benefícios espirituais recebidos.
Até onde temos conhecimento, as ações terapêuticas dos bons espíritos em
princípio, se concretizam de duas maneiras: nas chamadas reuniões de
"curas" realizadas na intimidade das instituições espíritas; e,
durante o desdobramento perispirítico, geralmente, à noite, quando as pessoas se
encontram adormecidas, independentemente da formação religiosa de cada uma.
O conhecido espírito André
Luiz, em uma de suas obras, comenta o intenso intercâmbio assistencial entre os
dois planos da vida, a se processar diariamente em locais da crosta, previamente
escolhidos, por conta das condições vibratórias ambientais favoráveis. É senso
comum, desde épocas remotas, que determinadas regiões se prestam à recuperação
de grande número de enfermidades e os bons espíritos são profundos conhecedores
desses detalhes. Não há como negar a excelsitude do clima de montanha, propício
ao repouso da mente e ao fortalecimento do corpo físico; a qualidade energética
do ar atmosférico bem mais concentrado de prana vital nas proximidades da orla
marítima; assim como a atmosfera rarefeita e suave dos bosques, matas e locais
densamente arborizados. Em verdade, apesar de estagiarmos num planeta de
provações e expiações, a providência divina o dotou de regiões aprazíveis e
propícias aos que expiam suas faltas por meio de enfermidades complexas. Sinal
de que a misericórdia do Pai sempre se fez presente em nosso favor.
Pois bem. No livro
"Entre a Terra e o Céu" (FEB), André Luiz, o destacado repórter do
Mundo Maior, descreve o auxílio prestado a uma enferma portadora de câncer,
cujo perispírito desdobrado pela ação da hipnose, foi trazido para a orla
marítima e ali submetido ao recebimento de intensas cargas de energias
revigorantes. Ora, por se tratar de uma enfermidade grave André Luiz questiona
se aquele tipo de tratamento poderia repercutir favoravelmente no doente
encarnado e, sustar, até mesmo, a multiplicação desordenada das células
cancerígenas. Recebe, então, os seguintes esclarecimentos do orientador
prestimoso:
"- Realmente, na obra
assistencial dos espíritos amigos, que interferem nos tecidos sutis da alma, é
possível, quando a criatura se desprende parcialmente da carne, a realização de
maravilhas." (1)
A informação é preciosa e
nos convida a algumas reflexões. Em média, o corpo físico, passa a terça parte
do dia adormecido. Porém, o espírito não adormece. Durante o sono, a alma pode
dissociar-se do invólucro carnal com maior facilidade e estabelecer contatos
estreitos com os desencarnados. Tais ocasiões são propícias as intervenções dos
bons espíritos no corpo espiritual de imenso contingente de enfermos, com o
objetivo de promover o reequilíbrio e a restauração da saúde física.
"Atuando nos centros do
perispírito, por vezes efetuamos alterações profundas na saúde dos pacientes,
alterações essas que se fixam no corpo somático, de maneira gradativa. Grandes
males são assim corrigidos, enormes renovações são assim realizadas." (2)
O corpo espiritual ou
psicossoma, na condição de modelo organizador biológico, canaliza para o campo
físico a energética espiritual responsável pelo estado de equilíbrio e saúde ou
desarmonia e doença. Por isso, no diálogo travado com André Luiz, o seu
instrutor espiritual ressalta a importância do desdobramento pelo sono físico,
ocasião em que o perispírito do enfermo pode ser transportado para um dos
locais anteriormente citado, com a finalidade de submeter-se à mediação
assistencial dos espíritos amigos. Tais entidades detêm a possibilidade de
intervir profundamente nos tecidos sutis da alma, nos centros de força do
perispírito, nos órgãos diferenciados da anatomia astral, por enquanto,
inacessíveis à manipulação costumeira dos médicos terrenos.
Tudo aquilo que repercute na
matéria orgânica origina-se nos escaninhos da alma. A doença nada mais é do que
o resultado da desarmonia plasmada no corpo astral em decorrência dos atentados
cometidos contra a Lei de Harmonia Cósmica. Por conseguinte, nada mais justo do
que se induzir a harmonia psicofísica de dentro para fora, do perispírito para
o corpo físico, assim como rezam os postulados da verdadeira medicina
espiritual, logicamente na dependência do grau de merecimento do próprio
enfermo e de seu esforço no sentido da renovação moral.
Absorvidos pela rotina
hospitalar, em inúmeras ocasiões, os médicos não entendem a rápida recuperação
de doentes relativamente graves. Poucos imaginam que a súbita melhora possa
resultar da intervenção invisível dos terapeutas desencarnados durante o sono
físico daqueles portadores de moléstias variadas e complexas.
"... os centros vitais
a que nos referimos são também exteriorizáveis , quando a criatura se encontre
no campo da encarnação, fenômeno esse a que atendem habitualmente os médicos e
enfermeiros desencarnados, durante o sono vulgar, no auxílio a doentes físicos
de todas as latitudes da Terra, plasmando renovações e transformações no
comportamento celular, mediante intervenções no corpo espiritual, segundo a lei
do merecimento, recursos esses que se popularizarão na medicina terrestre do
grande futuro." (3)
Por isso, consideramos
oportuno que se conheça, desde já, os procedimentos invisíveis executados nas
estruturas mais profundas do agregado humano nos trabalhos de cura física
executados pelos espíritos amigos. Procedimentos que, segundo o autor
espiritual, estarão suficientemente popularizados na medicina do porvir. E qual
a importância da generalização de tais conhecimentos? Facilitar na prática as
tais operações transcendentais, mediante a adoção de postura receptiva dos
candidatos aos benefícios consentidos pelos socorristas do Mundo Maior.
Motivados pelos fatos
reconhecemos o quanto, os ensinamentos espíritas, servem para ampliar a nossa
percepção a respeito da ação fluídica da espiritualidade.
Os mensageiros do bem
recebem de instâncias superiores a permissão para minimizar as dores humanas, cooperando
assim, com a medicina na recuperação das enfermidades mais críticas. Prova de
que a misericórdia do Pai se constitui verdadeira lei acatada por aqueles que
cultivam em grau maior os sentimentos de compaixão e fraternidade.
O tratamento médico dispensado
pelos socorristas invisíveis é amplo e indistinto, repercutindo favoravelmente
sobre as desarmonias psicofísicas dos enfermos confiantes na providência
divina.
Portanto, não é justo pensar
que os encarnados devam se beneficiar apenas dos procedimentos desobsessivos
dispensados pelas casas espíritas, e que devam deixar para a medicina comum os
problemas de ordem física. Ao nosso ver, urge uma postura conciliatória, pois
nada impede a conjugação interplanos de esforços terapêuticos, visando a restauração
da saúde integral. Ao mesmo tempo em que os médicos terrenos desempenham o
papel que lhes compete, os terapeutas desencarnados contribuem com técnicas
altamente sofisticadas capazes da recompor o corpo astral enfermiço, de forma a
predispor o organismo físico ao processo de restabelecimento mais rápido e
suave.
Diríamos, finalizando:
entendemos que as preces intercessórias podem e devem ser dirigidas aos que
enfrentam graves enfermidades orgânicas, com a certeza de que os benfeitores do
Alto, de acordo com os méritos pessoais de cada doente, ali estarão dispensando
os recursos de ordem médica jamais sonhados pela ciência acadêmica.
REVISTA INTERNACIONAL
DE ESPIRITISMO, JULHO DE 2003.
Referências bibliográficas:
(1) André Luiz/Fco. C. Xavier; "Entre a
Terra e o Céu"; Cap.V; pg.30; 13ª edição, FEB, 1990.
(2) Idem.
(3) André Luiz/ Fco.C.Xavier e Waldo
Vieira; "Evolução em Dois Mundos"; Cap. II; pg.29; 3ª edição, FEB,
1971.
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