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Issam Farhat
Deve a faculdade mediúnica ser educada, ou
não? Eis uma questão de relevante importância. Vamos tentar analisá-la. Alguns
entendem ser perigoso o desenvolvimento de tais poderes psíquicos, ou porque
exaurem "a força nervosa ou por situá-lo (ao médium) na vizinhança das
esferas inferiores do Mundo Espiritual". Este, segundo Emmanuel, o
pensamento de alguns eminentes estudiosos dos problemas do Espírito. Outros
repelem o trato com as energias mediúnicas, arrastados por inequívoco
condicionamento religioso. E outros, ainda, pelo condicionamento científico. O
religioso, muita vez vencido pelo medo ou pavor. O cientista, pelo orgulho, não
admite a verdade além do que lhe possa comunicar a sua ciência. Sobre isso
creio que já nos pronunciamos várias vezes. Não podemos deixar de concordar com
Emmanuel quando equipara a "energia mediúnica" à eletricidade ou
outra energia da Natureza. Há que se estudar e controlar, tanto quanto possível,
as forças psíquicas que se extravasam através dos canais mediúnicos. E isso nós
só conseguiremos apossando-nos dos "mecanismos da mediunidade", a fim
de que, com o seu aperfeiçoamento, venhamos a alcançar esferas cada vez mais
altas no que diz respeito à nossa comunhão com a Espiritualidade Superior. O astrônomo
anseia sempre por um telescópio cada vez mais possante, que cada vez mais o
aproxime das esferas celestes, tanto quanto o laboratorista sonha com
microscópios que ampliem e aumentem a sua visão, para mais amplo conhecimento
do mundo microbiano. Ora, a espiritualidade nos revela, e o testemunho dos
médiuns é universal na confirmação dessa revelação, que a atuação do mundo
espiritual sobre o mundo moral e sobre o mundo físico constitui uma das potências
da natureza. Ora, se assim o é, o estudo e a educação da mediunidade
constituem, por sua vez, antes um dever, por cujo descumprimento a Humanidade
tem pago, até os nossos dias, pesado tributo. Vale aqui transcrever as palavras
de Emmanuel: "Mediunidade na família é semelhante a qualquer agente da
natureza, reclamando orientação e burilamento. Falem por nós os obsidiados de
todos os tempos".
Não podemos jamais esquecer que na
potencialidade mediúnica, latente em cada um de nós, desperta em alguns, em
despertamento em outros tantos, temos o sexto sentido, aquele que nos permite
alcançar o mundo extraterreno, as potências espirituais soltas no espaço, o
mundo invisível, mas real, concreto, dos Espíritos, individualidades imortais
que nos falam, que nos socorrem, que nos amam, que nos dirigem, em nome de Deus,
quando sejam bons ou superiores, auxiliando-nos nessa grande luta pela
depuração dos nossos sentimentos, pela nossa elevação e aperfeiçoamento moral.
E nem devemos temer a mediunidade, antes,
conhecê-la e educá-la, transformando-a, assim, em verdadeiro instrumento da
Verdade e do Amor. Por isso mesmo já nos advertia o codificador da Doutrina
Espírita, ao dizer que "a mediunidade é coisa santa, que deve ser
praticada santamente, religiosamente". Vale aqui lembrarmos também a lição
de Jesus, nosso Mestre e Senhor: "Dai de graça o que de graça
recebestes", o que significa não nos ser lícito negociar com os dons espirituais,
mas, sim, pô-los única e exclusivamente a serviço da instrução, da orientação e
do amparo ao próximo, no cumprimento exato do mandamento maior da Lei de Deus.
Dissemos acima: "... que nos dirigem,
em nome de Deus, quando sejam bons ou superiores..." isto, porque, convém
que o reconheçamos, não poderá haver desastre maior do que nos deixarmos
dominar por Espíritos inferiores, cheios de astúcia e de maldade. Não há dois
caminhos: ou a mediunidade é com Jesus, praticada com abnegação e devotamento,
ou nós a transformamos em pasto de aves de rapina, sob o domínio de entidades
vampirescas. Não são poucos os médiuns que, no mundo espiritual, choram o
haverem fracassado em razão dos transviamentos por culpa deles mesmos.
Fonte: Site do
Jornal Universo Espírita - www.universoespirita.net
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