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Octávio Caúmo
Serrano
Numa reunião
espírita, mais do que simples grupo, as pessoas devem formar uma força
vibratória para sustentar a harmonia do ambiente.
Quando perguntamos a uma pessoa o que a levou até o
centro, ela responderá: o ônibus, o carro ou simplesmente os pés. Jamais
responderá que foi levada ao centro pela CONSCIENTIZAÇÃO, que atende ao chamado
divino. Ela nem se dá conta!
Produto da observação de tudo o que acontece durante uma reunião espírita pública
ou de estudos, escrevemos pequena matéria sob o título Comportamento e
Participação, publicada recentemente no Jornal O Clarim. O mesmo nome que
usamos em artigo veiculado pela Revista Allan Kardec, em março de 1992, e que
se transformou no capítulo 18 do nosso livro Pontos de Vista, distribuído pela
Casa Editora O Clarim.
No mesmo livro, inserimos o capítulo 40, ao qual demos o nome de Um Diálogo,
que trata do mesmo assunto, e que já havia sido publicado na Revista Nueva Generación,
da Guatemala, em abril de 1994.
Como o leitor constata, há muito tempo pesquisamos sobre o comportamento das
pessoas no Centro Espírita. A reunião para divulgação do Espiritismo ou do Evangelho,
ainda é pouco valorizada porque os participantes vão ao centro como quem vai à
missa. Imaginam que a simples presença física por algum tempo já os deixa
quites com as obrigações perante a vida. E se ao final receber um passe, aí
tudo fica perfeito.
Na matéria de O Clarim, falamos da roupa que as pessoas usam para ir ao Centro,
nem sempre condizentes com o lugar e a ocasião. Falamos, também, do descaso e
da forma desinteressada como muitas se comportam durante uma palestra ou uma
aula. Olham no relógio, coçam a cabeça, tiram o sapato, removem esmalte das
unhas, agitam os cabelos, bocejam,
dormem, chacoalham as pernas e outras tantas coisas.
Com tal comportamento, deixamos evidente que não estamos ligados no grupo de
trabalho e nem temos interesse no que ali está sendo ensinado ou divulgado. A
presença é apenas física porque a alma está noutro lugar.
No artigo “Um Diálogo”, há uma conversa entre o palestrante e um freqüentador,
quando o primeiro explica que todos os que se encontram presentes são trabalhadores
do Cristo. Não é necessário estar cadastrado na casa para ser um participante.
Há ocasiões em que um assistente doa mais e melhor do que um colaborador que
não esteja bem naquele dia. Seus problemas pessoais o impedem de dar o melhor
que pode.
Para reforço do que defendemos, analisemos a lição 141 do livro Caminho, Verdade
e Vida, do lúcido mentor Emmanuel, ditado ao médium Francisco Cândido Xavier,
sob o título “PIOR PARA ELES”. Ele inicia com uma citação de Lucas, quando o
evangelista reproduz palavras de Jesus: “Então começou a dizer-lhes: Hoje se
cumpriu esta Escritura, em vossos ouvidos.” (Lucas 4:21).
Este é o conhecido episódio da Sinagoga de Nazaré, quando Jesus fala da profecia
de Isaías, com relação à vinda do Messias. Como Ele morava naquela cidade e
todos conheciam seus pais, Maria e José,
viram, na afirmativa de Jesus, uma blasfêmia. Intitular-se o Enviado,
quando todos sabiam que Ele era o filho do carpinteiro! Confirmava-se o dito
popular: “ninguém é profeta em sua terra”. Não nos damos conta de que muitas
vezes ao nosso lado, inclusive na nossa família, está um espírito evoluído que
tem importantes tarefas a realizar. Mas como “santo de casa não faz milagre”,
não percebemos a verdade à nossa frente. Nesse caso, somos o mais prejudicado.
Para maior crédito do que afirmamos, acreditamos ser interessante a reprodução
de parte do que afirma Emmanuel. Vejamos:
“Os agrupamentos religiosos são procurados, quase sempre, por investigadores
curiosos que, à primeira vista, parecem vagabundos itinerantes; todavia, é
forçoso reconhecer que há sempre ascendentes espirituais compelindo-lhes o
espírito ao exame e à consulta; eles próprios não saberiam definir essa
convocação sutil e silenciosa que os obriga a ouvir, por vezes, grandes
preleções, longas palestras e elucidações que, aparentemente, não lhes
interessam.”
“Em várias circunstâncias, afirmam tolerar o assunto em vista do código de gentileza
e de respeito mútuo. Entretanto, não é assim. Existe algo mais forte, além das
boas maneiras que os compelem a ouvir. É que soou o momento da revelação
espiritual para eles.”
“Muitos continuam indiferentes, irônicos, recalcitrantes, mas a
responsabilidade do conhecimento já lhes pesa nos ombros e se pudessem sentir a
verdade com mais clareza, albergariam a carinhosa admoestação do Mestre no
íntimo da alma.“Hoje se cumpre esta Escritura em vossos ouvidos.”
“A misericórdia foi dispensada. Deu Jesus alguma coisa da sua bondade infinita.
Cumpriu-se a divina palavra. Se os interessados não se beneficiarem com ela,
pior para eles.”
Não conseguiríamos maior lucidez do que Emmanuel para dizer com tanta fidelidade
da importância da reunião onde são reveladas as verdades divinas. Se não temos
a devida paciência para ouvir as mensagens e não alcançamos o que aquele
momento representa para as nossas vidas, desviaremos o pensamento para o teto,
para os problemas mundanos, para a figura do que está ao nosso lado.
Por isso Allan Kardec já afirmava: “A verdade não pode ser compreendida por todos”.
E por que não? Porque cada um está num degrau do entendimento e só tem
interesse por aquilo que compreende, ainda que sejam vulgaridades. O que é sublimado
dá mais trabalho para entender e sua aplicação em nossas vidas é, por vezes, de
caráter subjetivo. A evolução espiritual não se mede pelos valores materiais.
Quando alguém se dá ao trabalho de deixar o conforto do seu lar, privando-se do
repouso justo, do lazer relaxante, do convívio com a família para ir ao Centro
assistir à uma reunião, deve tirar desse momento o máximo que ele oferece. Se assim
não o fizer, vai mostrar que Emmanuel estava absolutamente certo quando
encerrou sua magnífica página doutrinária com a expressão: “Se os interessados
não se beneficiarem com ela, pior para eles.”
Fonte: Revista Internacional de
Espiritismo – Junho/2005
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