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Adésio Alves Machado
Maturidade
está no espírito, mas fase juvenil também a consolida
Hoje, mais do que ontem, a educação dos
nossos jovens vem constituindo-se, indiscutivelmente, num dos mais sérios
problemas a serem enfrentados e resolvidos pela nossa sociedade. Através de
quem? De pais, primeiramente; em seguida, de professores, sociólogos,
antropólogos, psicólogos, psicanalistas, psiquiatras e psicoterapeutas, sem
esquecimento dos religiosos.
A processo educacional, saibamos, torna-se quase inviável quando o educando já
adquiriu hábitos. Daí a infância ser o melhor período para educar.
O Espiritismo, logicamente, não ficaria alheio a uma questão humana deste
porte, não se mostraria insensível ao constatar a realidade educacional dos
jovens, seus conflitos, suas lutas reivindicatórias e o respeito que lhe é
devido, pela sociedade, aos seus legítimos direitos.
O jovem, em geral, mostra-se azedo, queixoso, atrevido em muitos momentos,
violento e profundamente sexual em outros. Como conseqüência procura apontar,
numa tentativa de justificação para o seu estado de desequilíbrio, os erros,
falhas das anteriores gerações. Esse comportamento não alivia seus momentos amargos,
e, pelo contrário, termina por fazê-lo derrapar pelos despenhadeiros da insensatez,
o que o leva a novas decepções e a novos desencantos.
Ele mergulha fundo na chamada “sociedade de consumo”, pleno de prevenções sem
justificativas, e o pior é que não apresenta um programa convincente capaz de
suplantar os apelos e as insinuações mercadológicos.
Muita incompreensão de pais e filhos, desajustes no relacionamento entre eles,
têm o seu ponto causal nas conquistas tecnológicas do momento, nos pais e mães
que debandam dos compromissos no lar para as lutas externas, sobrando os filhos
para os cuidados dos serviçais, das babás, das creches ou dos parentes mais
idosos sem estruturas orgânicas melhores, sem “pique”, como se diz popularmente,
para acompanhá-los. Daí resultam desamor e desajustes, alguns irreversíveis.
A vida fica comprometida quando ele quer e luta pela volta às origens
primitivistas da organização social, época em que os costumes eram intoxicados
pelo hipocrisia, o sexo era tabu e a liberdade era patrimônio exclusivo do
homem. Para ele, homem, tudo era válido; para ela, mulher, nada.
Impondo-se reações que os levam ao esquecimento dos patrimônios da inteligência,
dão livre curso aos instintos asselvajados que cada vez mais se desgovernam. É
uma clara demonstração de desejo de afrontar a vida, sobrepor-se a ela, mostrar-lhe
que ele existe e quer seu lugar respeitado.
Termina, no entanto, por enveredar por atitudes que o faz fugir da realidade ao
evadir-se nas drogas, nos alucinógenos e no sexo em desalinho, cada vez mais
exigindo prazer e novidades. Permite-se, nesses ensejos, o florescer dos sonhos
fantásticos que cedo se transformam em doses diárias de perturbações esquizofrênicas
nos inextricáveis tecidos sutis do psiquismo.
O jovem, no fundo, sempre lutou por se afirmar, demonstrando anseios, em algumas
ocasiões incontidos, pela renovação das estruturas sociais, políticas e econômicas,
açulando dentro de si interesses artísticos musicais e culturais, abrindo novos
horizontes.
Desrespeitar a ordem se tornou um hábito para ele, sob a alegação de que tudo
está errado e de que só ele tem a solução para as questões que afetam a vida do
homem. Para tanto, alega a necessidade de maior liberdade de ação, num grau que
termina por atingir o excesso que medra em sua mente há muito tempo. Quer, em
verdade, pintar o mundo com as tintas que lhe são próprias e, o mais grave, sem
condições de medir as conseqüências. É, incontestavelmente, a prova da
exteriorização de uma rebeldia nunca imaginada.
É notório que a juventude é um estado mental; não se encontra, assim, na aparelhagem
orgânica. Resulta, a mocidade, do otimismo, da alegria, do prazer de viver, do
amor à vida e ao semelhante, conseqüentemente a DEUS.
Os jovens estão envelhecidos pelo fato de carregarem as mentes envenenadas
pelos compromissos negativos, sentindo-se impossibilitados de recomeçar uma
nova ordem comportamental, amargurados e amargurantes como se encontram.
Enquanto isso acontece com eles, idosos rejuvenescem ao imprimirem aos seus
dias o exercício físico, a leitura nobre, a meditação, o trabalho edificante, a
participação ativa no bem, a alimentação equilibrada, a higienização mental...
Ser jovem é assumir obrigações com a própria evolução, ainda mais quando nos
referimos ao jovem espírita, ele que sabe a destinação de todos os espíritos –
a perfeição espiritual, e que ele, despertando para o Espiritismo na idade
jovem, é sinal de que tem pela frente compromisso sério, e que, assim sendo,
há, de sua parte, a necessidade de trabalhar-se interiormente e ajudar o
semelhante, de qualquer idade, a encontrar a reforma íntima.
Joanna de Ângelis nos diz através de seu livro psicografado por Divaldo Pereira
Franco, “Florações Evangélicas”, capítulo 45, que não devemos cogitar de valorizar
o jovem pelo corpo. Que o importante é se marchar sem remorsos nem constrições,
porque isto é o que mantém juventude e propicia a condição de mocidade no
indivíduo para que ele sustente a jornada.
Como jovem, deve o espírito reencarnado construir o seu futuro, enquanto se
mantém com as forças da carne. Pode melhor, nessa fase, dinamizar as possibilidades,
as quais engendram a harmonia que irá propiciar-lhe bênçãos de paz.
Feliz do jovem que a si mesmo impõe limites e os respeita, ao mesmo tempo assumindo
responsabilidade pelo que faz. Sem isso, não chegará à maturidade da vida
física e espiritual.
Importa, como Joanna de Ângelis anotou, termos JESUS como Modelo e Guia, ELE
que aos 12 anos já superava os Doutores da Lei e, ainda muito jovem, renovou
moralmente, pelo exemplo, as bases do Novo Mundo.
*O autor é corretor de imóveis, escritor,
expositor espírita e radialista em programas espíritas de rádio em quatro
cidades da região centro norte do Estado do Rio de Janeiro-RJ
Fonte: Revista Internacional de
Espiritismo – Junho/2005
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