|
Manoel Philomeno de Miranda
(Espírito)
Portador de expressiva
capacidade plasmadora, o perispírito registra todas as ações do Espírito
através dos mecanismos sutis da mente que sobre ele age, estabelecendo os
futuros parâmetros de comportamento, que serão fixados por automatismos
vibratórios nas reencarnações porvindouras.
Corpo intermediário entre o ser
pensante, eterno, e os equipamentos físicos, transitórios, por ele se processam
as imposições da mente sobre a matéria e os efeitos dela em retomo à causa
geratriz.
Captando o impulso do pensamento
e computando a resposta da ação, a ele se incorporam os fenômenos da conduta
atual do homem, assim programando os sucessos porvindouros, mediante os quais
serão aprimoradas as conquistas, corrigidos os erros e reparados os danos
destes últimos derivados.
Constituído por campos de forças
mui especiais, ele irradia vibrações específicas portadoras de carga própria,
que facultam a perfeita sintonia com energias semelhantes, estabelecendo amas de
afinidade e repulsão de acordo com as ondas emitidas.
Assim, quando por ocasião da
reencarnação o Espírito é encaminhado por necessidade evolutiva aos futuros
genitores, no momento da fecundação o gameta masculino vitorioso esteve
impulsionado pela energia do perispírito do reencarnante, que naquele
espermatozóide encontrou os fatores genéticos de que necessitava para a
programática a que se deve submeter.
A partir desse momento, os
códigos genéticos da hereditariedade, em consonância com o conteúdo vibratório
dos registros perispirituais, vão organizando o corpo que o Espírito habitará.
Como é certo que, em casos
especiais, há toda uma elaboração de programa para o reencarnante, na
generalidade, os automatismos vibratórios das Leis de Causalidade respondem
pela ocorrência, que jamais tem lugar ao acaso.
Todo elemento irradia vibrações
que lhe tipificam a espécie e respondem pela sua constituição.
Espermatozóides e óvulos, em
conseqüência, possuem campo de força especifico, que propele os primeiros para
o encontro com os últimos, facultando o surgimento da célula ovo.
Por sua vez, cada gameta
exterioriza ondas que correspondem à sua fatalidade biológica, na programação
genética de que se faz portador.
Desse modo, o perispírito do
reencarnante sincroniza com a vibração do espermatozóide que possui a mesma
carga vibratória, sobre ele incidindo e passando a plasmar no óvulo fecundado o
como compatível com as necessidades evolutivas, como decorrência das
catalogadas ações pretéritos. Equilíbrio da forma ou anomalia, habilidades e
destreza, ou incapacidade, inteligência, memória e lucidez, ou imbecilidade,
atraso mental, oligofrenia serão estabelecidos desde já pela incidência das
conquistas espirituais sobre o embrião em desenvolvimento.
Sem descartarmos a hereditariedade
nos processos da reencarnação, o seu totalitarismo, conforme pretendem diversos
estudiosos da Embriogenia e outras áreas da ciência, não tem razão de ser.
Cada Espírito é legatário de ú
mesmo. Seus atos e sua vida anterior são os plasmadores da sua nova existência
corporal, impondo os processos de reabilitação, quando em dívida, ou de
felicidade, se em crédito, sob os critérios da Divina Justiça.
Certamente, caracteres físicos,
fisionômicos e até alguns comportamentais resultam das heranças genéticas e da
convivência em família, jamais os de natureza psicológica que afetam o destino,
ou de ordem fisiológica no mapa da evolução.
Saúde e enfermidade, beleza e
feiúra, altura e pequenez, agilidade e retardamento, como outras expressões da
vida física, procedem do Espírito que vem recompor e aumentar os valores bem ou
mal utilizados nas existências pretéritas.
Além desses, os comportamentos e
as manifestações mentais, sexuais, emocionais decorrem dos atos perpetrados
antes e que a reencarnação traz de volta para a indispensável canalização em
favor do progresso de cada ser.
As alienações, os conflitos e
traumas, as doenças congênitas, as deformidades físicas e degenerativas, assim
como as condições morais, sociais e econômicas, são capítulos dos mecanismos
espirituais, nunca heranças familiares, qual se a vida estivesse sob injunções
do absurdo e da inconseqüência.
A aparente hereditariedade
compulsória, assim como a injunção moral atuante em determinado indivíduo,
fazendo recordar algum ancestral, explica-se em razão de ser aquele mesmo
Espírito, ora renascido no clã, para dar prosseguimento a realizações que
ficaram incompletas ou refazer as que foram perniciosas. Motivo este que libera
"o filho de pagar pelos pais" ou avós, o que constituiria, se verdadeiro,
uma terrível e arbitrária imposição da Justiça que, mesmo na Terra, tem código
penalógico mais equilibrado.
Os pensamentos largamente
cultivados levam o indivíduo a ações inesperadas, como decorrência da adaptação
mental que se permitiu. Desencadeada a ação, os efeitos serão incorporados ao modus
vivendi posterior da criatura.
E mesmo quando não se convertem
em atitudes e realizações por falta de oportunidade, aquelas aspirações
mentais, vividas em clima interior, apresentam-se como formas e fantasmas que
terão de ser diluídos por meio de reagentes de diferente ordem, para que se
restabeleça o equilíbrio do conjunto espiritual.
Conforme a constância mental da
idéia, aparece uma correspondente necessidade da emoção.
Todos esses condicionamentos
estabelecem o organograma físico, mental e moral da futura empresa
reencarnacionista a que o Espírito se deve submeter, ante o fatalismo da
evolução.
O conjunto - Espírito ou mente,
perispírito ou psicossoma e corpo ou soma - é tão entranhadamente conjugado no
processo da reencarnação que, em qualquer período da existência, são
articulados ou desfeitos sucessivos equipamentos que procedem da ação de um
sobre o outro. O Espírito aspira e o perispírito age sobre os implementos
materiais, dando surgimento a respostas orgânicas ou a fatos que retomam à
fonte original, como efeito da ação física que o mesmo corpo transfere para o
ser eterno, concedendo-lhe crédito ou débito que se incorpora à economia da
vida planetária.
O mundo mental, das aspirações e
ideais, é o grande agente modelador do mundo físico, orgânico. Conforme as
propostas daquele, têm lugar as manifestações neste.
Assim se compreende porque a
Terra é mundo de "provas e expiações", considerando-se que os
Espíritos que nela habitam estagiam na sua grande generalidade em faixas
iniciais, inferiores, portanto, da evolução.
À medida que o ser evolve,
melhores condições estatui para o próprio crescimento, dentro do mesmo critério
da lei do progresso, que realiza com mais segurança os mecanismos de
desenvolvimento, de acordo com as conquistas logradas. Quanto mais adiantado um
povo, mais fáceis e variados são-lhe os recursos para o seu avanço.
O pensamento, desse modo, é um
agente de grave significado no processo natural da vida, representando o grau
de elevação ou inferioridade do Espírito, que, mediante o seu psicossoma ou
órgão intermediário, plasma o que lhe é melhor e mais necessário para marchar
no rumo da libertação.
Fonte: Livro Temas da vida e da morte
|