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A Paz começa em Mim

 

José Antonio Ferreira da Silva

  

Diante de tanta violência mostrada na televisão no dia a dia, como seqüestros, assaltos, assassinatos, guerras e terrorismos. Nós nos perguntamos como viver bem em dias como esses? Como ter paz diante de tamanho caos?

A paz tem sido a grande ansiedade, o grande desejo da criatura humana desde os primórdios da humanidade. Ainda hoje nós esperamos que algo ou alguém nos traga essa paz que tanto sonhamos. Porém nos escondemos por trás de conceitos ultrapassados, do tipo “a terra é um vale de lagrimas” ou que “somos criaturas imperfeitas” e ficamos esperando um milagre, algo mágico ou que alguma religião nos der a paz que sonhamos.

Precisamos raciocinar e ver que a violência, o tumulto e o desequilíbrio de lá fora é reflexo direto da nossa violência e desequilíbrios internos, e que ninguém tem o poder de nos dar a paz tão sonhada, a não ser nós mesmos. Ainda ecoam a palavra de Jesus de há dois mil anos “os homens desejam a paz, mais não buscam as coisas que proporcionam a paz”. Não devemos apenas desejar a paz, devemos buscá-la e buscá-la no lugar certo.

A paz não estar em nos vestirmos de branco, em quebrarmos as armas e dar - mos abraços simbólicos em monumentos. A paz é nos vestirmos interiormente de harmonia, desarmamos-nos interiormente e abraçarmos verdadeiramente uns aos outros.

A PAZ, para Aurélio Buarque de Holanda em seu dicionário é:

1. Ausência de lutas, violência ou perturbações sociais; tranqüilidade publica; concórdia; harmonia.

2. Ausência de conflitos entre pessoas; bom entendimento, harmonia.

3. Ausência de conflitos íntimos; tranqüilidade de alma; sossego.

A na visão espírita a paz coletiva é conquista individual, fruto do esforço de cada um, em ser hoje melhor do que ontem e assim sucessivamente. Allan Kardec percebeu nos ensinamentos dos espíritos dicas importantes para facilitar esse nosso processo de crescimento espiritual. É sem dúvida a reencarnação a grande resposta para a maioria de nossos desassossegos, tormentos e conflitos íntimos.

Reencarnação consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas. Sendo que a cada nova existência o espírito dá um passo na caminhada do progresso; Cada um no seu próprio ritmo há aqueles que avançam rapidamente e outros que demoram mais. Porém todos tendem á perfeição, e Deus nos proporciona todos os recursos para chegarmos lá. E é nisso que consiste a justiça divina. Somos nós os construtores de nosso próprio destino. Diz Léon Denis: “Tua obra mais bela é tu mesmo”.

A reencarnação nos mostra sentido para vida, explica o porquê dos acontecimentos, mais também nos chama atenção para nossa própria responsabilidade diante do nosso fanal evolutivo que é a felicidade, a paz, a perfeição. Todos esses recursos são para serem usados agora e não num futuro longínquo. Todo o conhecimento que adquirimos com a reencarnação já poderia está facilitando nossas vidas, nos proporcionando paz interior e consecutivamente paz social, pois segundo Joanna de Ângelis quando um homem se levanta a humanidade se levanta com ele.

A espiritualidade nos mostra que os conceitos da reencarnação pode nos ajudar a encontrar a paz interior, simplesmente alterando a nossa maneira de ver e avaliar as pessoas e os acontecimentos da vida.

A reencarnação nos ensina: Que ninguém é perfeito. Temos os germes da perfeição, estamos fadados a ela, porém ainda estamos a caminho e quem está a caminho, ainda não chegou lá. Por isso não podemos cobrar perfeição absoluta nem nossa e nem dos outros. Ninguém é igual a ninguém. Temos a mesma origem, fomos criados simples e ignorantes. Temos a mesma destinação a perfeição. Porém estamos em estágios diferentes, precisamos respeitar essa realidade em nós e nos outros. Os outros são como são. Cada um tem sua própria bagagem evolutiva, o que faz com quer tenhamos gostos diferentes, valores diferentes e principalmente opiniões diferentes. Porém temos que aprender a usar a alteridade, ou seja, aprender a conviver com o diferente, dado a ele o direito de ser diferente. Os outros são os outros e só. Tudo é transitório, a vida não se resume a esse curto intervalo de tempo entre o berço e túmulo. Iremos viver várias experiências e nessas varias experiências iremos passar na vida de muitas pessoas e muitas pessoas iram passar na nossa vida. Mas não somos de ninguém e nem ninguém nos pertence. Temos que aprender a nos desapegar. A vida é cíclica e trás alegrias e tristezas. Estamos aqui reencarnados para experiência e aprendizagem, dentro dessa realidade iremos vivenciar momentos bons e ruins, porém com o mesmo objetivo. Tirar o melhor de tudo, aprender sempre. A vida tem turbulência. Estamos aqui para aprendermos usar os nossos potenciais, um deles é a serenidade. A serenidade é o nosso farol, a iluminar a consciência para as melhores atitudes nos piores momentos. A vida é ambivalente. Na vida há coisas que podemos e devemos modificar. Porém, também há coisas que só nos resta aceitar. Devemos buscar a lucidez necessária para distinguir uma coisa da outra. A vida está sempre certa. Só receberemos das leis soberanas o que a ela tivermos ofertado. É a lei de ação e reação. Disse Jesus “Não cai um fio de cabelo nosso que não esteja dentro da vontade do Pai”.

Todos os conhecimentos que a espiritualidade tem nos trazido até hoje são recursos para aprendermos a criar a paz que tanto sonhamos. Por pense nisso: A paz começa em mim.  

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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