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Paulo A. Ferreira
"... e porão as mãos sobre os
enfermos e os curarão."
Marcos, 16:18
Chama-se
"Imposição das mãos" o ato de se colocar as mãos sobre uma parte do
corpo de alguém, sem tocá-la, com o fito de curá-la. Esta prática é conhecida
desde as civilizações mais antigas e os cristãos passaram a utilizá-la após as
curas realizadas pelo nosso querido mestre Jesus. Após um período de
esquecimento, devido às perseguições aos cristãos, renasceu com Paracelso e
mais tarde com Mesmer, como passe magnético animalizado.
Vejamos algumas
definições dadas pelos espíritos, esta é de Emmanuel¹ :
"(...) Assim como a transfusão de
sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de
energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos são retirados
de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são de um reservatório
ilimitado das forças espirituais."
Esta é de André
Luís ²:
"O passe, como gênero de auxílio,
invariavelmente aplicável sem qualquer contra-indicação, é sempre valioso no
tratamento devido aos enfermos de toda classe, desde as criancinhas tenras aos
pacientes em posição provecta na experiência física, ...."
E esta outra
também de André Luís³:
"O passe não é unicamente
transfusão de energias anímicas. É o equilibrante ideal da mente, apoio eficaz
de todos os tratamentos."
Cabe-nos então
perguntar quem pode servir, em um Centro Espírita, como médium passista. A
resposta a esta pergunta foi dada claramente por André Luís4 :
"Todos, com maior ou menor
intensidade, poderão prestar socorro fraterno, nesse sentido, porquanto revela
a disposição fiel de cooperar a serviço do próximo, por esse ou aquele
trabalhador, e as autoridades de nosso meio designam entidades sábias e
benevolentes que orientam, indiretamente, o neófito, utilizando-lhe a boa
vontade e enriquecendo-lhe o próprio valor. São muito raros, porém, os companheiros
que demonstram a vocação de servir espontaneamente. Muitos, não obstante
bondosos e sinceros nas suas convicções, aguardam a mediunidade curadora, como
se fosse um acontecimento miraculoso em suas vidas e não um serviço do bem, que
pede do candidato o esforço laborioso do começo. Claro que, referindo-nos aos
irmãos encarnados, não podemos exigir a cooperação de ninguém no setor de
nossos trabalhos usuais; entretanto, se alguns deles vêm ao nosso encontro,
solicitando admissão às tarefas de auxílio, logicamente receberá nossa melhor
orientação, no campo da espiritualidade."
Vejamos ainda mais
uma pergunta e resposta em André Luís4, para não deixar dúvidas:
"-
Ainda que o operário humano revele valores muito reduzidos, pode ser mobilizado?
- Perfeitamente. Desde que o interesse
dele nas aquisições sagradas do bem seja mantido acima de qualquer preocupação
transitória, deve esperar incessante progresso das faculdades radiantes, não só
pelo próprio esforço, senão também pelo concurso do Mais Alto, de que se faz
merecedor."
Portanto, não
devemos pensar que o passe nos Centros Espíritas só pode ser aplicado por
Médiuns Ostensivos. Podemos mesmo verificar que, na maioria dos casos, o título
de Médium Curador tem sido auto-aplicado por espíritas equivocados, bastando
ver que se houvesse um médium curador em um dado Centro, um grande problema
teria sido criado pelas filas imensas que logo se formariam à sua porta, o que,
como todos sabemos, é raro acontecer. Além disso, a manifestação mediúnica,
durante o trabalho de passe, não é conveniente. André Luís5 assim se expressa:
"Interromper as manifestações
mediúnicas no horário de transmissão do passe curativo. Disciplina é a alma da
eficiência."
Imperfeitos como
somos, neste planeta de expiação e provas, deveríamos ter muito cuidado antes
de nos classificarmos como médium curador. Vejamos o que nos diz a respeito
Allan Kardec6:
"O médium curador recebe o influxo
fluídico do Espírito, ao passo que o magnetizador tudo tira de si mesmo. Mas os
médiuns curadores, na estrita acepção da palavra, isto é, aqueles cuja
personalidade se apaga completamente ante a ação espiritual, são extremamente
raros, porque essa faculdade, elevada ao mais alto grau, requer um conjunto de
qualidades morais, raramente encontradas na Terra; só esses podem obter, pela
imposição das mãos, essas curas instantâneas, que nos parecem prodigiosas.
Muito poucas pessoas podem pretender este favor. Sendo o orgulho e o egoísmo as
principais fontes das imperfeições humanas, daí resulta que os que se gabam de
possuir esse dom, que vão a toda parte contando curas maravilhosas que fizeram
ou dizem ter feito, que buscam a glória, a reputação ou proveito, estão nas
piores condições para o obter, porque essa faculdade é o privilégio exclusivo
da modéstia, da humildade, do devotamento e do desinteresse. Jesus dizia
àqueles a quem havia curado: "Ide dar graças a Deus e não o digais a
ninguém."
Mesmo porque
muitas das doenças daqueles que procuram o Centro são 'doenças-auxílio'
permitidas por misericórdia Divina, para que o paciente fosse chamado a
refletir sobre suas causas.
Vejamos o que nos
diz "O Livro dos Espíritos", na pergunta 556:
"556 - Têm algumas pessoas,
verdadeiramente, o poder de curar pelo simples contato?
R- A força magnética pode chegar até aí,
quando secundada pela pureza dos sentimentos e por um ardente desejo de fazer o
bem, porque então os bons Espíritos lhe vêm em auxílio. Cumpre, porém,
desconfiar da maneira pela qual contam as coisas pessoas muito crédulas e muito
entusiastas, sempre dispostas a considerar maravilhoso o que há de mais simples
e natural. Importa desconfiar também das narrativas interesseiras, que costumam
fazer os que exploram, em seu proveito, a credulidade alheia."
Assim, não é o
médium que cura, mas são os bons Espíritos que o fazem. Vejamos mais esta frase
de Kardec6:
"Sendo pois a mediunidade curadora
uma exceção aqui na Terra resulta que há quase sempre ação simultânea do fluido
espiritual e do fluido humano. (...)"
Todos os dedicados
servidores que aplicam passes espíritas estão realizando um sagrado serviço de
diminuição dos sofrimentos morais, espirituais e físicos daqueles que procuram
o Centro com a fé necessária. Deveriam por isso serem chamados de médiuns
passistas, ao invés de médiuns curadores. Mas seriam médiuns os que aplicam
passe? São os espíritos quem nos respondem no Livro dos Médiuns7:
"1ª - Podem considerar-se as
pessoas dotadas da força magnética como formando uma variedade de médiuns?
R - Não há que duvidar."
2ª - Entretanto, o médium é um
intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si
mesmo a força de que se utiliza, não parece seja intermediário de nenhuma
potência estranha.
R - É um erro; a força magnética reside,
sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em
seu auxílio. Se magnetizas com o propósito de curar, por exemplo, e invocas um
bom Espírito que se interessa por ti e pelo doente, ele aumenta a tua força e a
tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias."
Mas se ninguém tem
o poder total de cura para que o passe? É ainda Kardec6 quem nos responde:
"Se a
mediunidade curadora pura é privilégio das almas de escol, a possibilidade de
suavizar certos sofrimentos, mesmo de os curar, ainda que não instantaneamente,
umas tantas moléstias, a todos é dada (grifo nosso), sem que
haja necessidade de ser magnetizador. O conhecimento dos processos magnéticos é
útil em casos complicados, mas não indispensável. Como a todos é dado apelar
aos bons Espíritos, orar e querer o bem, muitas vezes basta impor as mãos sobre
a dor para a acalmar; é o que pode fazer qualquer um, se trouxer a fé, o
fervor, a vontade e a confiança em Deus(...)."
Finalmente, vejamos o que diz a USEERJ
a respeito dos requisitos iniciais para a escolha de um médium passista:
"A boa vontade sincera é, portanto,
a primeira condição para o médium passista, todavia, conseguida a qualidade
básica, certamente outros valores precisam ser acrescentados, para que possamos
aumentar nossas possibilidades e eficiência no trabalho de passe. Até porque,
considerando a imortalidade, nossos objetivos, na vida, serão sempre de
renovação de sentimentos, em última análise, a educação divina."
Mas isto não quer
dizer que todos têm o direito de servir como médiuns passistas. Infelizmente,
na impossibilidade de dar a todos a oportunidade de servir, após os cursos de
Introdução ao Espiritismo, Evangelização e Estudos Mediúnicos, nem sempre os
alunos poderão de ser aproveitados. Poderia ser feita uma escala de serviço
para os médiuns passistas visando o aproveitamento de todos aqueles que se
oferecessem espontaneamente para participação nos trabalhos do Centro? Não é
isto o que nos ensina André Luís9:
"Os trabalhadores espirituais, nas
tarefas de passe de cada espírita, assumem suas responsabilidades com seriedade
e são 'devidamente fichados, assim como ocorre a médicos e enfermeiros num
hospital terrestre comum'. Por essa razão, podemos entender que a equipe
encarnada deve sempre ser a mesma, para favorecer a sintonia."
Ou seja, a equipe
de médiuns deve ser fixa. Poderia ser aumentada até o limite da sala de passes,
e ter mais alguns substitutos eventuais que assumiriam no caso de impedimento
justo de um médium, porém não poderíamos ter uma equipe de trabalhadores a cada
mês. Isto dificultaria manter a harmonia do grupo e traria desajustes na
sintonia com o plano espiritual.
Jesus nos ensina
que o mais importante é servir e não ser servido. Não havendo vaga nos serviços
de passes o tarefeiro precisa procurar outros trabalhos da casa para prestar
seus serviços, desde que já não estejam todos ocupados. É difícil ajudar, mais
difícil do que pode pensar a maioria dos que estão iniciando. Mas é ainda em
André Luís10, que obtemos a resposta:
"Façamos todo o bem, sem qualquer
ansiedade. Semeemo-lo sempre e em toda parte, mas não estacionemos na exigência
de resultados. O lavrador pode espalhar as sementes à vontade e onde quer que
esteja, mas precisa reconhecer que a germinação, o crescimento e o resultado
pertencem a Deus."
E é ainda em André
Luís10 que encontramos uma
solução:
"O passe pode ser aplicado à
distância, desde que haja sintonia entre aquele que o administra e aquele que o
recebe. Nesse caso, diversos companheiros espirituais se ajustam no trabalho do
auxílio, favorecendo a realização, e a prece silenciosas será o melhor veículo
da força curadora (...)."
Rio de
Janeiro, 13 de Setembro de 1999.
Referências:
¹
- "O Consolador", Emmanuel, 1ª parte, Cap. V, questão 98.
²
- "Mecanismos da Mediunidade" - André Luís - Cap. XXII FEB.
³-
"Opinião Espírita" - André Luíz - Cap. 55 FEB
4 - "Missionários da Luz" - André Luis,
psicografado por Francisco Cândido Xavier. pág 320 Ed. FEB
5 - "Conduta Espírita" - André Luís, Cap.
28. FEB
6 - "Revista Espírita." - Allan Kardec -
Setembro de 1865.
7 - "O Livro dos Médiuns" - Allan Kardec -
questão 176, Cap. XIV FEB
8 - "O Passe e a Água Fkuidizada" - pág. 41,
3ªEd. USEERJ.
9 - "Mecanismos da Mediunidade" - André Luís
- Cap. 17 FEB.
10 - "Os Mensageiros" - André Luís - Cap.25,
FEB
Fonte: Site Universo Dual -
http://paginas.terra.com.br/religiao/unidual/Passe.htm
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