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Marcelo Henrique
Por que se teme a Morte? Qual ou quais os medos que tomam de
assalto a criatura humana, quando se fala em morrer?Geralmente, o homem tem medo do desconhecido. Isto é,
teme-se aquilo de que não se tem idéia, notícia, informação... Afinal de
contas, no adágio popular, quem foi, quem morreu, não voltou para dar-nos
notícias do “outro lado”, dizer o que lá tem ou deixa de ter... O homem médio,
de inteligência e conhecimento comuns, não tendo no que se basear, a não ser
nas informações trazidas pelas religiões tradicionais, que “pintam” um quadro
não muito esperançoso e atraente, arrepia-se só em pensar que a “dona” morte
possa, um dia vir visitá-lo. Temos, pois, a viva lembrança dos ensinos
(recebidos desde a mais tenra idade), das chamadas “verdades religiosas”,
relatos nada sedutores e ainda menos consolatórios.
Em grande parte das filosofias e seitas religiosas, o que se
divulga é a idéia de que, após a morte, poder-se-á vislumbrar a conquista do
Céu, que, então, decorre de práticas exteriores – rituais e sacramentos – ou
está acessível através das contribuições financeiras às agremiações religiosas.
Mas, com os espíritas, a história é um pouco diferente. Ou,
pelo menos, deveria ser...
Afinal de contas, o arcabouço doutrinário espírita, com
fulcro principalmente em O livro dos espíritos e em O céu e o inferno nos
oferecem informações completas, não só em relação ao processo de desencarnação
dos espíritos, como à dinâmica de vinda e retorno, nas chamadas reencarnações
sucessivas, às quais estamos submetidos, no processo evolutivo individual.
É bem verdade, também, que o homem já traz em si, no seu
íntimo, uma intuição, de que “a morte não é a última fase da existência”. E não
pode ser mesmo! Excetuando-se os chamados materialistas, ninguém em são
consciência pode crer que depois de uma vida atribulada e difícil como a nossa,
tudo se acabe, não é mesmo?
Mas o temor da morte também está associado ao excessivo amor
(apego) e valor que damos às coisas materiais, imaginando que elas serão para
sempre. Mas, quando chegar a nossa hora, deixaremos tudo, simplesmente pelo
fato de não podermos levar nada que é terreno para o mundo espiritual.
De outra parte, baseado no instinto de conservação, que
obedece a uma das leis divinas que governam os mundos, não nos sentimos lá
muito à vontade frente o fenômeno da morte porque, na realidade, gostaríamos
muito de continuar vivendo, conservando a vestimenta física – efeito da
sabedoria divina, que faz com que nos preocupemos com a mantença da energia
e/ou da saúde corporal.
Assim sendo, o homem que recebe as orientações espirituais,
livra-se da noção insuficiente (confusa) que tem acerca da vida futura, onde,
movido pela necessidade de viver, tem receio sobre a possibilidade de uma
destruição total que o desencarne propicia. Passa, pois, a encarar sob novo
prisma a questão da morte e é ensinado a preparar-se diariamente para ela, pois
não sabe (conscientemente) quando chegará sua hora, o instante de retorno à
pátria espiritual.
Desta feita, vai ele se livrando do temor da morte,
justamente porque raciocina sobre a questão e, neste aspecto, olvida as imagens
e impressões negativas a ela associadas. Isso porque, via de regra, a morte é
rodeada de cerimônia lúgubres, mais próprias a infundirem terror do que provocarem
a esperança. Todos os seus emblemas e símbolos lembram a destruição do corpo
físico. São, em suma, preconceitos diversos que apenas servem para lamentar a
partida do ente querido para o outro mundo.
Outro ponto relevante é a absurda imposição de barreiras
muitas das vezes insuperáveis por parte das religiões tradicionais que,
simplesmente, afirmam ser impossível e perigosa a comunicação entre vivos e
mortos, prescrevendo proibições e ameaças de variada ordem.
Conclusivamente, por que os espíritas não temem a morte?
Porque a Doutrina Espírita transforma completamente a
perspectiva do futuro, não somente pela pela própria revelação dos espíritos,
mas pelo esforço de compreensão e descoberta humanas, como resultado da
observação dos fenômenos e do desenvolvimento do raciocínio lógico – uma
realidade de nossos dias.
Assim, para o espírita, a vida futura é a continuidade da
terrena, havendo perfeita concordância destes com a lógica, a justiça e a
bondade de Deus, correspondendo, assim, às íntimas aspirações da humanidade,
que aspira ser feliz.
“Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem
ignorante – de senso moral obtuso – esteja ao mesmo nível do homem que atingiu,
após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade
práticas”. Allan Kardec
* Diretor de Política e Metodologias de Comunicação da Associação
Brasileira de Divulgadores do Espiritismo – ABRADE e
Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana para a Grande Florianópolis/SC
– CEPA.
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