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Prof. Dr. Nubor Orlando
Facure
A doutrina espírita contém em seus fundamentos
uma série de informações que nos permitem identificar uma classe especial de
fenômenos que sugerimos tratar-se de fenômenos “psico-físicos de natureza
espiritual”. Correspondem ao processo de atuação da alma no corpo físico.
É
muito fácil reconhecermos os fenômenos da realidade física e da esfera
psicológica que fazem parte de toda nossa vida. Queremos, no entanto, pôr em
destaque, uma outra classe de fenômenos que só a atuação do Espírito é capaz de
explicar.
No mundo físico conhecemos a natureza da
matéria e os processos que regem seu movimento e suas combinações.
No mundo psicológico identificamos os
mecanismos inconscientes que impõem nossos comportamentos e aprisionam nossos
desejos.
No domínio espiritual a literatura,
especialmente de Kardec, André Luiz e Emmanuel, já nos indicaram mecanismos
interessantes que atuam na interface corpo/alma.
O paradigma atual da Medicina, embora tenha
esclarecido grande parte da anatomia e da fisiologia do organismo humano, não
tem abrangência suficiente para perceber ou interpretar o complexo mecanismo de
atuação do Espírito sobre o corpo. Essa será, possivelmente, a maior descoberta
da Ciência.
Um modelo interessante para exemplificar a
extensão dessa dificuldade é visto na glândula pineal. Conhecemos sua anatomia
minúscula, sua relação com os ritmos biológicos, sua sensibilidade à luz, sua
precária ligação com o cérebro, sua produção química modesta e sua expressão
clínica pouco significativa.
É por isso que causaram surpresa os relatos
que nos chegaram da espiritualidade, apontando expressivas atividades da
glândula pineal, que ultrapassam o que até hoje fomos capazes de constatar com
nossos estudos macro ou microscópicos.
Precisamos deixar claro que o que enxergamos
“do lado de cá”, é apenas a expressão anátomo-funcional da glândula. Por não
termos os instrumentos de acesso ao mundo espiritual, não sabemos como é que se
processa sua atividade na interação cérebro/mente.
Podemos identificar as células da pineal e sua
microestrutura, registrarmos suas trocas metabólicas, identificarmos as
secreções dos humores e a transmissão dos influxos nervosos. Entretanto, no
domínio da atividade espiritual, os possíveis componentes e como atuam, são
ainda indetectáveis pelos nossos instrumentos. Extrapolar nosso conhecimento
“daqui para lá” ainda permanece no campo da metafísica.
Não seria prudente imaginarmos que “por aqui”
poderemos um dia conhecer toda extensão desse fenômeno que chamamos de
“psico-físico de natureza espiritual”. Pressupondo, de antemão, que “do lado de
lá” a dinâmica espiritual do fenômeno é muito mais ampla e significativa do que
nossa anatomia pode registrar.
Aprendemos com a doutrina espírita que existem
três elementos fundamentais que direcionam a fisiologia dos processos orgânicos
que nos condicionam a vida: o Espírito, o perispírito e os fluidos que
intermedeiam a intercessão corpo/alma.
Parece-nos ser desnecessário anotar os detalhes
já bem conhecidos dos três. Os livros básicos da Doutrina são suficientes.
Nosso propósito será o de apontar alguns fenômenos que nos parecem ilustrativos
para a apresentação da fisiologia metafísica que estamos interessados em
estudar.
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A fixação do pensamento
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A coesão da população celular
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Os Centros de força
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A corrente sangüínea e a energia vital
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A glândula pineal e sua fisiologia espiritual
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A ectoplasmia
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A respiração restauradora
Nossa
sugestão é que fenômenos desse tipo sejam rotulados de “fenômenos
espírito-somáticos” . Seu estudo abrange uma grade de fenômenos que pode nos
levar conhecer leis gerais da fisiologia que integra o corpo à alma.
A fixação do pensamento
A neurofisiologia sugere que o pensamento é um
processo contínuo que se expressa na atividade dos neurônios do cérebro. Nossas
idéias nascem a partir de estímulos externos que atingem os órgãos dos sentidos
ou por mecanismos internos de percepção e memórias acumuladas no decorrer da
vida.
O neurônio foi identificado como célula
fundamental a partir do momento que técnicas de coloração permitiram o
reconhecimento da sua estrutura. Quando Camillo Golgi em 1873 usou uma tintura
de prata para corar o cérebro, foi possível perceber que alguns neurônios se
impregnavam com essa coloração revelando o corpo celular e seus prolongamentos,
inaugurando, a partir daí, uma revolução extraordinária no conhecimento do
cérebro.
Nessa mesma época (final do século XIX), Franz
Nissl, consegui corar os neurônios com o violeta de cresil, descobrindo no
citoplasma o amontoado de uma substância de aparência “tigróide” que ficou
conhecida como “corpúsculos de Nissl”. Os estudos atuais revelaram que esses
corpúsculos correspondem a uma estrutura membranosa denominada Retículo
Endoplasmático Rugoso que tem a função de construir proteínas dentro dos
neurônios. Algumas dessas proteínas farão parte das membranas celulares e
outras participarão de enzimas que atuam na produção de nurotransmissores.
A membrana que reveste os neurônios é formada
por duas camadas de uma substância gordurosa fosfolipídica. Essa camada é
impermeável, isolando o conteúdo interno dos neurônios dos fluidos
extracelulares. Ela é, porém, interrompida por “portões” de proteínas que
constroem os canais que permeabilizam as membranas. É através desses canais de
constituição protéica que entram ou saem íons e substâncias que afetam a
atividade dos neurônios (sódio, potássio, cálcio, neurotransmissores,
tranqüilizantes, antidepressivos e drogas como a cocaína, para citar exemplos
mais conhecidos) .
Por outro lado, as enzimas são indispensáveis
para a produção dos neurotransmissores que realizam toda transmissão da
informação entre os neurônios.
Pode-se depreender que os corpúsculos de
Nissl, estando diretamente ligados a produção de proteínas, exercem um papel
fundamental na fisiologia cerebral.
André Luiz, em psicografia de 1958 (Evolução
em dois Mundos), destacou a importância dos corpúsculos de Nissl ensinando
que aí a mente fixa seus propósitos transmitindo pelo pensamento as idéias que
o Espírito projeta no cérebro. A partir das percepções dos sentidos, o Espírito
renova suas idéias, projeta na rede de neurônios sua energia que resulta em
pensamentos capazes de se adequarem no cérebro, produzindo nossos atos.
Um neurônio, em constante atividade, vai
expandindo suas sinapses fixando o aprendizado que a experiência vai lhe
fornecendo. Em cada sinapse se ajustam os canais de transporte químico
fundamentais a troca de informações entre os neurônios. Tanto esses canais,
como os neurotransmissores, são construídos a partir de proteínas montadas,
principalmente, dentro dos corpúsculos de Nissl. Portanto, afirmar que o
Espírito exerce atuação direta nos corpúsculos de Nissl, como ensinou André Luiz,
nos permite supor que é o Espírito que em última análise constrói o tipo de
neurônios que estrutura o cérebro de cada um de nós.
A coesão da população celular
O organismo humano é formado por mais de 300
trilhões de células em constante renovação. Os diversos órgãos que o compõem,
se estruturam em diferentes camadas de tecidos que reúnem células típicas e
variadas. Temos em nosso corpo para mais de 250 tipos diferentes de células,
incluindo os neurônios, as células da glia que sustentam o cérebro, os
hepatócitos, as células musculares, as gordurosas, as epiteliais que revestem a
pele e assim por diante.
A Ciência atribui ao programa impresso no
genoma todo esse projeto de distribuição e organização do gigantesco universo
celular que constrói nosso corpo. Falta-nos, entretanto, uma teoria adequada ao
gigantismo dessa tarefa, já que, só de neurônios temos dezenas de tipos
morfológicos, num total de 100 bilhões de células, exigindo conexões sinápticas
que ultrapassam a trilhões de ligações absolutamente precisas. Precisamos
lembrar que no útero materno o embrião constrói 250 mil neurônios por minuto.
Torna-se uma tarefa espantosa para os poucos 33 mil genes que trazemos como
patrimônio genético.
A doutrina espírita ensina que o molde que nos
estrutura o corpo físico é função do perispírito que nos ajusta ao mundo
espiritual. Estão nesse perispírito todos os traços que identificam nosso mundo
mental. Entretanto, a feição física que aparentamos e os estigmas de doenças
nos marcam não se reproduzem como uma cópia fotográfica fiel do nosso
perispírito. As pessoas de aparência simples mas de Espírito nobre irradiam uma
tessitura espiritual que se sobressai diante das imagens de beleza que a mídia
costuma dar destaque, especialmente para o corpo feminino. A presença de
deformidades físicas está ligada aos nossos méritos e necessidades, adequadas
aos débitos pretéritos que acumulamos, mais do que a aparência do perispírito.
Nem sempre os aleijões acompanharão o Espírito após a desencarnação.
Allan Kardec sugere que o conhecimento do
perispírito tem muito a colaborar com a Medicina para esclarecimento de nossas
doenças. Mas recorremos de novo a André Luiz para nos surpreender com suas
revelações. Ele ensina que pela atuação de nossa mente, mantemos coesas as
trilhões de células que compõem o nosso corpo. Essa atividade dá às nossas
atitudes uma responsabilidade enorme no compromisso que temos em zelar pelo
nosso equilíbrio físico. Porém, as surpresas não param por aqui. André Luiz
afirma que cada uma dessas células é um universo microscópico onde estagia o
princípio inteligente, constituindo cada célula que abrigamos em nosso corpo
uma unidade com individualidade própria, sobre as quais temos imensa
responsabilidade de sustentar e conservar. São “almas” irmãs, que em estágio
primitivo, percorrem conosco as lutas da vida física, emprestando ao Espírito
humano a dádiva do seu metabolismo.
Os centros de força
A
cultura milenar do oriente registra em seus livros sagrados a existência de
centros de força, ou chacras, de localização constante no corpo
espiritual de todos nós. Eles se localizam no cérebro e em plexos distribuídos
pelo nosso corpo nas regiões da laringe, do estômago, do baço, do plexo celíaco
relacionado com o trato digestivo e região genital.
São
em número de dois no cérebro, o chacra cerebral localizado na região frontal e
o chacra coronário nas regiões centrais do cérebro.
Os
lobos frontais passaram por um processo extraordinário de expansão quando se
iniciou a evolução do ser humano na Terra. O lobo frontal é a região que mais
nos distingue do cérebro de um chimpanzé. Estão relacionados com nossos
pensamentos abstratos, com nossa capacidade de classificar os objetos, de
organizar nossos atos e programar nosso futuro. Sem o lobo frontal o homem se
torna irresponsável, perde a capacidade de organizar as coisas num ambiente,
deixa de se preocupar com os outros, pode se tornar jocoso e não percebe a gravidade
da situação em que vive. É o lobo frontal o que mais nos torna humanos.
André
Luiz nos diz que o chacra cerebral, de localização frontal, nos permite estar
em união com as esferas mais altas que direcionam nossos destinos na Terra.
Através da oração, projetando a súplica piedosa ou o agradecimento sincero,
mantemos contato com os seres sublimes que nos orientam e protegem.
Na
região coronária podemos apontar três níveis estratificados anatomicamente. O
córtex, os núcleos da base e o diencéfalo. O córtex cerebral da região
coronária se relaciona com a atividade motora que nos facilita os movimentos voluntários.
Nos núcleos basais (tálamo, putamem, globo pálido e caudado) são organizados
nossos movimentos automáticos, que nos permitem realizar a respiração, a
deglutição, a mastigação e a marcha, para citar exemplos fáceis de compreendermos.
E, finalmente, o diencéfalo reúne um agrupamento de células que desempenham
papel importantíssimo no controle de nossas funções metabólicas, intimamente
associadas a nossa sobrevivência. No hipotálamo, que compõe parte importante do
diencéfalo, são produzidas dezenas de substâncias que controlam a atividade das
nossas glândulas, funcionando como estimuladores da produção de hormônios na
hipófise, na tireóide, na supra-renal, nos ovários e nos testículos entre
tantas outras glândulas.
André
Luiz ensina que no chacra coronário estão situadas as forças que mantém em
equilíbrio a atividade dos trilhões de células que obedecem nosso comando
mental, mantendo a forma e as funções do nosso corpo físico.
Os
milhares de anos que nos separam do espiritualismo oriental não trouxeram
maiores esclarecimentos à ciência médica, que não consegue identificar em seus
fundamentos qualquer sinal da existência dos chacras. Mesmo assim, convém
considerarmos alguma hipótese para tentarmos relacionar os chacras com a
atividade cerebral. É clássico estudarmos o cérebro em seu aspectos modulares
destacando as funções motoras, sensoriais, linguagem, memória, calculo, emoções
entre tantos outros. Essas atividades são processadas por circuitos limitados a
uma determinada área cerebral. Existe, porém, um outro arranjo funcional que a
neurologia destaca como um conjunto de agrupamentos neurais que exercem sua
ação de modo difuso, incluindo múltiplas vias neurais e suas áreas de repercussão.
É o caso, por exemplo, dos sistemas de ativação ascendente que tem a propriedade
de nos manter alertas ou em pleno sono.
De
maneira simplificada, podemos considerar pelo menos três sistemas de atuação
global, habitualmente rotulados de “sistemas modulatórios de projeção difusa”.
O sistema hipotálamo-secretor, o sistema neurovegetativo e, o sistema de
relação com neurotransmissores como o dopaminérgico, o seratoninérgico e o
noradrenérgico, estando os três fortemente relacionados com transtornos mentais
diversos. São eles que, nesse artigo, queremos sugerir, com hipótese, estarem
relacionados com os chacras cerebral e coronário.
Considerando
os chacras que se expressam no cérebro, podemos notar sua coincidência com os
“sistemas de atuação difusa”. No chacra frontal, predomina o sistema
dopaminérgico responsável pela expressão do pensamento abstrato e insersão na
realidade física. Doenças como a epilepsia e as demências frontais levam a uma
deteriorização da mente desses pacientes que se tornam completamente
dissociados do mundo físico em que vivemos. Na região do chacra coronário,
vimos o significado do controle endócrino realizado pelo eixo diencéfalo-hipofisário.
Essa atividade glandular orquestrada é indispensável para a manutenção do nosso
metabolismo, sem o qual a vida nos seria impossível.
A Corrente Sanguínea e a Energia
Vital
É
muito fácil de se aceitar a idéia de que nossa vida está intimamente ligada ao
coração. Aristóteles afirmava que a Alma aí se localiza porque qualquer ferimento
nele leva imediatamente à morte.
Nos
dias de hoje, alunos do primário já aprendem que os batimentos do coração
impulsionam o sangue pelas aterias, que depois se difundem pelos capilares e
retorna pelas veias. Nesse retorno o sangue passa pelos pulmões de onde retira
o oxigênio que a respiração fornece. Temos cerca de seis litros de sangue circulando
pelo nosso corpo e mais ou menos vinte por cento dele vai para o cérebro.
Enquanto entra pelas artérias e sai pelas veias, o sangue circula dentro do
cérebro em exatos seis segundos.
Assim
que ocorre a morte, as artérias do cadáver estão vazias, já que a última batida
impulsiona todo sangue para as veias. Essa observação levou Galeno a sugerir
que as artérias estariam sempre cheias de ar. Ele propunha, também, que circula
junto com o sangue um elemento imaterial que denominou pneuma vital. Esse fluido
nasce no coração, distribui-se pelo corpo e, se transforma no pneuma animal ao
atingir o cérebro, nos permitindo perceber o mundo pelos sentidos e a reagir
com os nossos movimentos aos seus estímulos. A idéia de um “espírito animal”
produzindo nossos reflexos, foi também adotada por René Descartes e por Thomas
Willians, tendo aceitação médica por muitos séculos. Para Willians, os
corpúsculos do “espírito animal”, percorreriam os nervos para pôr em ação os
nossos movimentos.
Nos
dias de hoje, sabemos da importância da circulação sanguínea distribuindo por
todo organismo não só o oxigênio que nos sustenta a vida mas um número
insuspeitável de substâncias ligadas à manutenção do metabolismo celular e de
todo sistema imunológico.
André
Luiz nos traz conhecimentos novos nessa área também. Diz o conhecido Espírito
que junto com a circulação sanguínea circula o “princípio vital” indispensável
à sustentação da vida. Ensina Kardec que é o princípio vital quem dá vida à
matéria orgânica. Cada um de nós o tem disponível enquanto encarnados,
consumindo nossa cota com o decorrer dos anos. Ele procede do “fluido cósmico
universal” que nos abastece conforme nossas atitudes nos compromissos da vida.
A meditação, a prece e o impulso que nos predispõe a amar ao próximo, fornecem
a substância e a renovação do princípio vital. Ele nos penetra pela respiração,
o que nos faz lembrar um dos mais belos versos da Bíblia – E Deus fez o Homem
do barro da Terra e soprou em suas narinas o sopro da vida.
Anaxágoras
considerava que o ar era a substância primitiva de onde procede tudo que
existe. A relação do ar com a vida sempre foi aceita em muitas culturas. Nos
livros de Galeno, as expressões espíritos e pneumas (ar) são
equivalentes.
Aprendemos
com André Luiz que o princípio vital é absorvido pela respiração e percorre
todo organismo acompanhando a circulação do sangue.
A Glândula Pineal e sua fisiologia
espiritual
Essa
glândula situada no meio do cérebro já é conhecida há mais de dois mil anos e,
mesmo assim, o que sabemos sobre ela é tão pouco que, nos tratados clássicos da
neurologia, ela ainda não despertou interesse para merecer mais que citações
curtas de algumas linhas sobre o hormônio que ela secreta - a melatonina.
A
pineal é o relógio biológico que sinaliza um dos momentos mais importantes da
vida, o despontar da sexualidade. Por ocasião da adolescência a pineal reduz a
produção da melatonina ocorrendo, a partir daí, o desenvolvimento dos órgãos
externos ligados a atividade sexual.
Até
hoje é possível de se perceber, em determinados animais, que a pineal pode se
comportar funcionalmente como um terceiro olho. Nesses animais a pineal está
situada acima do crânio funcionando a modo de um periscópio que exerce um papel
de vigilância para o animal. Não se deve estranhar, portanto, a forte
sensibilidade que a nossa pineal tem para com a luz. A entrada da luz, que
atinge a pineal pelas fibras nervosas que nosso nervo óptico conduz, reduz a
produção de melatonina. No ambiente escuro, aumenta acentuadamente a produção
do hormônio. Todos sabemos que os ursos hibernam em cavernas durante meses de
escuridão e, nessa ocasião, o aumento da melatonina produz o entorpecimento do
seu interesse sexual, que depois volta a se revelar no alvorecer da primavera.
O
hormônio da pineal tem ligação direta com o depósito de melanina na nossa pele.
Ele tem um efeito clareador diminuindo a pigmentação da pele. Isso justifica,
por exemplo, a cor esbranquiçada dos bagres que vivem nas profundezas de águas
escuras.
A
melatonina tem sido utilizada como tranqüilizante produzindo relaxamento e
sonolência. Foi experimentada também no tratamento de dores de cabeça e de
epilepsia, mas em todos esses quadros o efeito da melatonina é muito pobre.
André
Luiz, através de Chico Xavier, trouxe-nos informações inéditas e surpreendentes
sobre o papel da pineal quando observada a partir do plano espiritual.
Sensível
às irradiações eletromagnéticas, nossa pineal é sintonizador dos fenômenos de
comunicação mental, mantendo-nos em permanente ligação com todos aqueles que
compartilham conosco a mesma faixa de vibração.
Nos
processos mediúnicos, a aproximação espiritual se vale da pineal para difundir
sua mensagem até as diversas áreas cerebrais que ressoam sua transmissão.
Nas
encarnações, que a misericórdia divina nos permitiu transitar pela Terra, nos
enredamos em situações onde tivemos oportunidade de cultivar relações afetivas
profundas, ao mesmo tempo em que fomentamos rivalidades e discórdias das mais
variadas conseqüências. Como a Lei divina não exclui ninguém dos reajustes
necessários, será através da pineal que iremos encontrar, mais cedo ou mais
tarde, aqueles mesmos amores sinceros que nos incentivarão a progredir e os
inimigos do passado que nos exigirão saldar as dívidas e os compromissos.
Entretanto,
por mais que a anatomia cerebral possa nos revelar, não reconhecemos nas vias
que emergem da pineal qualquer indicação dessa extraordinária participação da
glândula em nossa vida mental. Como explicar, em vista disso, o que nos
esclarece André Luiz? Pressuponho que será necessário conhecermos qual é o
mecanismo de atuação do Espírito sobre o cérebro. Daí, nosso propósito de
reunirmos esse conjunto de fenômenos que sugerimos sejam tratados de fenômenos
“espírito-somático”.
No
quadro dessa notória “fisiologia espiritual” que André Luiz dá destaque, creio
que a chave para sua compreensão está na participação do chamado “fluido
universal”, tão conhecido no meio espírita.
Ensinam
os Espíritos que elaboraram a doutrina com Allan Kardec que os fluidos servem
de veículos para a transmissão do pensamento. Derivado do fluido cósmico
universal, ele inunda o Universo, nos envolvendo a todos, nos permitindo
compartilhar do “Hálito Divino” que nos alimenta.
Na
vida física, atuamos pelas vias nervosas que nos estrutura os neurônios, suas
imensas redes de comunicação e sua extraordinária química que sintetiza e
conjuga os neurotransmissores. Na dimensão espiritual estaremos usando esse
elemento sutil, fluídico, que obedece a vontade que a mente direciona,
permitindo-nos criar através da fisiologia espiritual uma dispersão muito mais
ampla nos seus efeitos fisiológicos.
Quando
Louis Pasteur, descortinou o imenso campo da microbiologia, esse conhecimento
novo nos permitiu esclarecer a dinâmica da etiologia das doenças infecciosas. A
descoberta do DNA abriu novas áreas para esclarecimento das chamadas doenças de
origem genética. Entretanto, o estudo dos fluidos e suas propriedades poderá
nos revelar uma nova fisiologia e, como conseqüência, as doenças que seus
desvios provocam. A presença desses fluidos, está intimamente relacionada com
nosso padrão de atividade mental. A literatura espírita é farta em afirmar que,
todos nós, somos expressão da vida mental que nós mesmos escolhemos construir e
refletimos em nossa aparência a composição fluídica que selecionamos.
Os
desequilíbrios mentais, que a neurobiologia de hoje entende como decorrentes
das alterações em neurotransmissores, com certeza, iniciam sua perturbação a
partir dos fluidos que permitimos nossa mente projetar no cérebro, desviando a
química que nos preside o equilíbrio do pensamento.
A Ectoplasmia
A
partir dos fenômenos das mesas girantes, a mediunidade proporcionou aos
pesquisadores do século XIX uma imensa variedade de manifestações físicas,
entre elas a materializações de entidades espirituais. Nessa fenomenologia é mobilizada
uma grande quantidade de ectoplasma permitindo o estudo da sua elaboração e
constituição química. Todos os que estão presentes no ambiente da experimentação
estarão doando uma cota maior ou menor de fluidos mas é do médium que sae, por
todos seus poros e orifícios de excreção, o material mais ou menos denso que
permitirá a presença das silhuetas que se corporificarão no ambiente onde o
público aguarda.
No
âmbito do estudo que estamos abordando, interessa anotar que o conteúdo
bioquímico do ectoplasma procede na esfera física, do citoplasma das células do
aparelho mediúnico. Em conjugação com os fluidos dos dois planos da vida é que
o fenômeno adquire as propriedades de transição que permitem aos espíritos
adentrarem a nossa dimensão.
A Respiração restauradora
O
ar, como fonte insubstituível de vida, é percepção do senso comum a qualquer de
nós. O ato de respirar está intimamente ligado a nossa sobrevivência.
Anaxágoras atribuía ao ar a origem de tudo. A Bíblia registra que recebemos a
vida a partir do sopro de Deus. Nos textos de Galeno, como já notamos, as expressões
espírito e pneuma (ar) eram equivalentes. Para ele o pneuma vital
era absorvido pelos pulmões e circulava do coração até ao cérebro para nos
manter vivos. Na cultura oriental os exercícios respiratórios têm indicação
mais importante que a atividade muscular.
Um
dos fundamentos da doutrina espírita é de que a vida decorre da presença do
principio vital que vivifica a matéria orgânica dando-lhe a propriedades de
reagir.
A
atividade constante dos nossos órgãos se faz as custas desse princípio vital e
seu esgotamento leva o corpo a morte. Por outro lado, nossa atividade mental
nos permite absorver da espiritualidade os fluidos que agregam elementos para sustentação
do principio vital. Mais atividade corresponde a mais vida, tanto do ponto de
vista físico como espiritual.
André
Luiz nos aponta em seus textos que a respiração é porta de entrada restauradora
para a realimentação de nossas energias vitais.
Fonte:
www.geocities.com/chibeni/artigos.htm em 26/06/205
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