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Alexandre Fontes da Fonseca*
e Álvaro Vannucci**
O caso do nascimento
de gêmeos em Israel a
partir de embriões congelados revela: os espíritos que reencarnaram por esse
processo permaneceram ligados ao embrião por 12 anos!
Recentemente,
a literatura científica registrou um caso de nascimento de bebês a partir de
embriões congelados que permaneceram congelados por 12 anos [1]. Neste artigo pretendemos abordar o tema “embriões congelados” e o possível uso de
suas desejadas células-tronco, baseando-nos no fato científico acima, lembrando
das palavras de Kardec: “Os fatos, eis o
verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. Na ausência dos
fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado.” (Ítem VII da
Introdução de O Livro dos Espíritos
[2]). Antes desse caso, o maior período de
tempo em que um embrião permaneceu congelado - e foi utilizado para o nascimento de um bebê - foi de 7 anos [3].
O
processo usualmente empregado é conhecido como criopreservação
que consiste no congelamento e preservação de embriões humanos à temperaturas
muito baixas (temperatura do nitrogênio líquido: 196 oC
NEGATIVOS) [1]. Desde o nascimento do primeiro bebê de proveta em 1978 [4], o processo de fertilização in vitro, isto é, dentro de um tubo de
ensaio, se tornou uma forma de tratamento muito comum para o problema de esterilidade. Devido ao fato de que
apenas 20% a 30% dos embriões produzidos pela técnica de
fecundação in vitro resultam
em gravidez, à cada tentativa os médicos inserem
vários embriões ao mesmo tempo no útero da mulher. No
entanto, devido a fatores de ordem financeira [5] e ao período fértil da
mulher [5], um número maior de embriões é produzido por ocasião de uma
fertilização in vitro, onde o
excedente é destinado à criopreservação
para que novas tentativas sejam feitas
posteriormente, caso seja necessário ou desejado pelo casal.
Um importante detalhe é
que somente no processo de congelamento e descongelamento, 30% dos embriões morrem [5]. Apesar de existirem pesquisas
que buscam minimizar esse índice de mortalidade [6], não existe técnica que
garanta 100% a sobrevivência de todos os embriões que
passam pelo processo de criopreservação.
Diante
desse contexto, analisaremos os aspectos doutrinários relacionados ao tema
servindo-nos das questões de 344 a 360 de O
Livro dos Espíritos [2]. Se um espírito, de fato, se liga ao seu futuro corpo no momento da concepção (questão 344)
então, desde a primeira divisão da célula-ovo
já temos um ser humano que, mesmo em formação, tem o seu direito à vida
resguardado pela Lei (dos homens e de Deus). Por outro lado, se existem corpos para os quais nunca houve um espírito
ligado (questão 356), isso significa que alguns
embriões não possuem espírito e, portanto, não passam de um amontoado de células. Segundo os espíritos, em resposta à questão
358, “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus.
Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma
criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas
provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.” Sabendo
disso, como saber se um determinado embrião possui ou não um espírito ligado? A
vidência, infelizmente, não se constitui em método seguro para responder essa
questão pois essa faculdade depende do estado do médium e pode ser usada por espíritos
infelizes para enganá-lo. Diante da preocupação de estarmos cometendo um crime
de transgressão à lei de Deus, conforme a resposta à questão 358, os embriões congelados devem ser preservados. Isso, aliás, está escrito
nos “Direitos do Embrião” [7] publicado pela Associação Médico Espírita do
Brasil, AME-Brasil, na revista da Abrame (Associação Brasileira dos Magistrados
Espíritas), cujos ítens 1 e 6 são transcritos a seguir:
1) Os direitos do embrião começam com a
fecundação;
2) Como ainda não existem meios para
identificar quais os embriões congelados que possuem ligações com Espíritos
reencarnantes, todos devem ser preservados;
Por
mais que as pesquisas com as células-tronco sejam a esperança de muitas criaturas sofredoras, como recentemente
argumentado por Nunes Filho [8], o Espiritismo não sustenta a utilização dos
embriões congelados nessas pesquisas, conforme a citação dos Direitos do
Embrião [7], e mencionado por outros companheiros espíritas [9].
Temos
em Missionários da Luz [10], de André
Luiz, um exemplo de descrição (cap. 13) do processo de reencarnação de
Segismundo. Segundo André Luiz, “... o elemento
(espermatozóide) vitorioso prosseguiu a marcha, depois
de atravessar a periferia do óvulo, gastando pouco mais quatro minutos para alcançar o seu núcleo.” Após observar
que o instrutor se manteve em serviço de divisão da cromatina, André Luiz
relata que ele ajustou a forma previamente reduzida de Segismundo sobre o embrião recém formado
observando que “essa vida latente começou a
movimentar-se.” A informação que nos interessa é a afirmativa de André
Luiz de que “Havia decorrido precisamente um quarto de hora, a contar do instante
em que o elemento ativo (espermatozóide)
ganhara o núcleo do óvulo passivo.” (Grifos em negrito nossos). Na falta
de outras referências, o valor de 15 minutos pode ser tomado como típico no
processo de ligação do espírito à célula-ovo.
Nas clínicas e
hospitais que trabalham com inseminação artificial, os embriões são congelados quando
atingem 2 a 8 dias de idade, quando já se iniciou o
processo de divisão celular [4]. Portanto, não há dúvidas de que um
embrião formado in vitro, para o qual um espírito foi destinado ou atraído, a
ligação entre ambos já existe no momento do congelamento. Sabendo do fato de
que uma percentagem significativa de embriões não
sobrevive ao processo de congelamento e posterior descongelamento, questionamos
o uso do método de criopreservação, sugerindo
um novo ítem para os Direitos do Embrião: que ele não seja congelado. Isso
implicaria em modificação dos métodos oferecidos para os casais com problemas
de fertilização pois o ideal seria que nenhum embrião fosse congelado. Isso
certamente encarecerá o processo, mas estamos falando de vidas humanas e de
espíritos que por serem nossos irmãos, merecem
todo nosso esforço e respeito. Vale aqui, lembrar que
existe uma outra
alternativa para a obtenção de células-tronco de origem embrionária sem a
necessidade de destruir o embrião. Foi ao ar no dia 14 de janeiro de 2005, no
programa Globo Reporter, uma reportagem sobre células-tronco em que uma
pesquisadora da Universidade Tufts, em Boston, descobriu que os fetos em
desenvolvimento no útero de sua mãe fornecem células-tronco quando algum tecido
ou órgão materno está lesado [11]. As células-tronco provindas do feto podem
ser extraídas da corrente sanguínea da mãe, reproduzidas em laboratório e
testadas quanto ao seu potencial terapêutico sem prejuízo algum tanto para mãe
quanto para o feto [11]. Essa alternativa evitaria o sacrifício de embriões e as controvérsias em
torno do assunto.
Em
resposta à questão 345 de O Livro dos
Espíritos [2], os espíritos dizem que “(...) Mas,
como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se
rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova
que escolheu.” Isso significa que nenhum
espírito está, a
priori, condenado a permanecer ligado a um
embrião congelado por tempo indeterminado. Se ele desejar, e tiver condições espirituais, poderá desligar-se do embrião que, então, passará a ser apenas um amontoado de células. Mas esta atitude, que não o isenta da responsabilidade pela decisão
tomada, não garante que todos os embriões que são congelados por um
período de tempo longo não possuam espíritos ligados.
O caso que motivou o título deste artigo é um fato que demonstra isso.
De modo a
vermos qual a situação de um espírito ligado por 12 anos a um embrião congelado, recorremos à questão 351 de O Livro dos Espíritos, onde Kardec
pergunta se entre a concepção e o nascimento, o espírito goza de todas as suas
faculdades. Os espíritos dizem que “Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa
fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do
instante da concepção, começa o Espírito a ser tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o
momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de
contínuo até ao nascimento. Nesse
intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o
sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam,
assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição
de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a
pouco ao retornar ao estado de Espírito.” (Grifos nossos). Essa resposta
deixa claro que o espírito não fica necessariamente dormindo, inconsciente ou
inerte durante o intervalo entre a concepção e o nascimento. Dependendo de seu
estágio evolutivo, ele pode se deslocar para longe do
seu embrião, estudar e trabalhar no Plano Espiritual, da mesma forma como um
encarnado durante o sono. Como a fase embrionária
é mais próxima do momento da concepção do que do nascimento, a
perturbação tende a ser pequena, podendo o
espírito gozar de mais liberdade quanto ao uso de
suas faculdades.
*Alexandre
é pós-doutorando do Instituto de Física da USP, em São Paulo, membro do conselho
editorial do Boletim do GEAE (http://www.geae.inf.br),
colaborador do Centro Espírita Allan Kardec, em Campinas, e colaborador do Centro
Espírita Irmão Agostinho em Brotas, SP.
**Álvaro é Físico e Professor da Universidade de São Paulo.
Referencias:
[1] A.
Revel, A. Safram, N. Laufer, A. Lewin, B. E. Reubinov, A. Simon, Twin delivery
following 12 years of human embryo cryopreservation: Case report, Human Reproduction 19, p. 328, 2004.
[2] A. Kardec, O Livro dos
Espíritos, Editora FEB, 76a. Edição, Rio de Janeiro, 1995.
[3]
S. Ben-Ozer, M. Vermesh, Full term delivery following cryopreservation of human
embryos for 7.5 years, Human Reproduction
14, p. 1650, 1999.
[4] Site da Genetics & IVF, http://www.givf.com/embryov.cfm
[5] J. Toner, Transfer of Frozen Embryos into a
Surrogate’s Natural Cycle, artigo do seguinte site: http:www.surrogacy.com/medres/article/frozvsn.html
[6]
L. L. Veeck, R. Bodine, R. N. Clarke, R. Berrios, J. Libraro, R. M. Moschini,
N. Zaninovic, Z. Rosenwaks, High pregnancy rates can be achieved after freezing
and thawing human blastocysts, Fertility
and Sterility 82, p. 1418, 2004.
[7] AME-Brasil, Direitos do Embrião, Revista da Abrame 3, p. 15, 2004.
[8] A. D. Nunes Filho, Células-Tronco e Doutrina
Espírita, Revista Internacional de
Espiritismo Dezembro, p. 569,
2004.
[9] M. A. Moura, Em dia com o Espiritismo III, Reformador Dezembro,
p. 34, 2004.
[10] A. Luiz, Psicografia de F. C. Xavier, Missionários da Luz, Editora FEB, 26ª
Edição, 1995.
[11]
http://enews.tufts.edu/stories/083004FetalCellsFosterResearch.htm
Fonte: Artigo Publicado na Revista
Internacional de Espiritismo Abril,
pp. 135-137 (2005).
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