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Centro Espírita
Celeiro de Luz
Poucos fenômenos religiosos são mais
paradoxais e repetitivos do que a expectativa apocalíptica ou seja, a crença
numa transformação radical e iminente do mundo. Por um lado, a primeira coisa
que se pode dizer dessa crença é que, em todas as vezes que se manifestou,
mostrou-se sempre equivocada. Por outro lado, apesar de desapontar
constantemente, continua a surgir, com maior ou menor intensidade, e a arrastar
ocasionalmente grandes massas de pessoas que nela confiam cegamente.
O que intriga os cientistas é que, embora se
apóie sempre sobre pressupostos falsos, a crença apocalíptica pode assumir
grandes proporções e canalizar imensas forças. Pode inspirar seus seguidores a
praticar monumentais sacrifícios (vide suicídios coletivos das seitas
apocalípticas de Jim Jones, do Templo Solar, dos davidianos de Waco, etc.).
Pode engendrar comporta mentos radicais, desde os mais pacíficos até os mais
violentos. Além disso, uma outra característica importante dos grandes movimentos
apocalípticos é que eles raramente desaparecem, mesmo depois que seus
prognósticos de destruição total mostram-se completamente falsos. Seus
integrantes apenas reescrevem a história passada do seu respectivo movimento,
de modo a eliminar as previsões que se mostraram errôneas.
Outro aspecto típico do fenômeno é que,
ironicamente, as mesmas esperanças e temores apocalípticos produzem reações
contraditórias, na forma de movimentos muitas vezes diametralmente opostos. No
seu aspecto negativo, paranóico, violento e destrutivo, valem os mesmos
exemplos citados das seitas que praticaram o suicídio coletivo. No aspecto
positivo; encontramos o próprio movimento new age, com todas as suas propostas
messiânicas de um futuro melhor, mais pacífico, próspero, saudável e feliz.
Embora o jogo milenarista de temor do final
dos tempos versus esperança num mundo melhor exista em atividade contínua pelo
menos desde o início da nossa cultura judaico-cristã, existem épocas em que ele
se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando imensas parcelas da população.
Tais épocas costumam estar relacionadas aos assim chamados " anos de
números redondos ", como as viradas de século e, principalmente, as
viradas de milênio.
Quando se estudam as características das
crenças milenaristas e apocalípticas no coletivo social durante esses períodos
históricos, uma primeira constatação salta à vista: o quadro de fundo histórico
e psicológico é sempre o mesmo.
No ano 1000, época da primeira virada de
milênio em tempos cristãos, todas as características milenaristas estavam
presentes: ondas de conversão em massa à então religião dominante, o
cristianismo; profundas reformas governamentais e eclesiásticas peregrinação em
massa aos lugares santos, particularmente Jerusalém; proliferação de seitas
heréticas e de movimentos apostólicos paralelos à Igreja; execução de hereges e
violência popular contra judeus e muçulmanos; surgimento da "Paz de
Deus", primeiro movimento coletivo em prol da paz de toda a história
mundial. Quando o ano 1000, apesar de toda a excitação que o acompanhou, falhou
em trazer consigo o esperado final dos tempos, as esperanças voltaram-se para o
ano 1033. Alegou-se então que este seria o ano do apocalipse, já que Cristo
morrera aos 33 anos e o propalado fim do mundo ocorreria mil anos após a sua
morte, e não ao seu nascimento.
O exame dos documentos dessa época traça um
panorama histórico digno de muita reflexão. Esses documentos retratam um mundo
selvagem, com a natureza ainda quase intocada, onde os seres humanos, ignorantes
e supersticiosos, armados de instrumentos irrisórios, lutavam de modo em geral
inglório contra os poderes da terra e as forças da natureza. Cercados pela
doença, atormentados pela fome, passavam a maior parte da sua vida tentando
arrancar à terra uma parca alimentação.
Ao lado de toda essa tragédia, alguns
chefes, senhores da guerra ou da religião, percorriam com soldados armados
aquele universo miserável, apoderando-se das poucas riquezas da população para
encher seus palácios ou suas igrejas. Como podemos ver, qualquer similitude com
a realidade histórica dos dias de hoje não é mera coincidência. O mundo mudou
muito em matéria de hábitos e costumes, em matéria de tecnologia e ciência. Mas
a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere
muito do quadro que existia na virada do ano 1000. Ainda existem, de um lado,
minorias laicas poderosas que gozam de riquezas materiais, e do outro lado uma
enorme massa de pobres e miseráveis. Ainda pululam lideres religiosos que
exploram a credulidade alheia e amealham fortunas à custa dela.
Todos os fatores que caracterizam tempos
milenares estão bem presentes. Mas é, curiosamente superdesenvolvida área
cientifica que emergem as mais impressionantes previsões apocalípticas: a
hecatombe atômica continua a nos ameaçar, o efeito estufa, a destruição da
camada de ozônio, a poluição da terra, água e do ar, o esgotamento recursos
terrestres, etc., etc.
O perigo é real - : todas ameaças à
sobrevivência da humanidade - motivadas pela ganância, incúria e
irresponsabilidade própria humanidade - não podem ser negadas. Apesar disso em
termos estritamente científicos, do mundo não acontecerá tão cedo. A partir das
observações dos importantes astrofísicos, o cosmos se manterá em expansão ainda
bilhões e bilhões de anos, até começar a encolher, contraindo-se até o
desaparecimento. Nosso sol um dia vai se transformar numa gigantesca estrela
vermelha, como as estrelas que hoje se encontram no final das suas vidas. Seu
volume irá inchar enormemente, e sua superfície se estenderá para alem das
órbitas de Mercúrio, Vênus e Terra. Nosso planeta se encontrará num ambiente de
3 mil graus centígrados, e será rapidamente transformado em vapor. Tudo isso
vai acontecer dentro de... cinco bilhões de anos.
Se podemos, portanto, dormir sossegados
ainda por muito tempo quanto aos apocalipses astrofísicos, o mesmo não se pode
dizer daqueles ecológicos. Eles reclamam providências urgentes. As ameaças aos
oceanos, por exemplo. Segundo os cenários mais pessimistas desenhados pelos peritos
em climatologia, o aumento global da temperatura previsto para as próximas
décadas (cerca de 0,3 graus a cada dez anos) implicará uma elevação do nível
dos mares de 20 centímetros ao redor de 2030, e de 65 centímetros ao redor de
2100. Elevação suficiente para varrer do mapa muitas ilhas rasas, como as
Maldivas, e para ameaçar várias cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Veneza
e San Francisco,
A crescente desertificação é outra fenômeno
ligado às mudanças climáticas. Calcula-se que 70 mil quilômetros quadrados de
terra fértil são abandonados a cada ano por exaustão do solo, e outros 200 mil
têm sua produção em declínio. O fenômeno está ligado também a práticas erradas
de irrigação: sem drenagem acurada, capaz de permitir um bom escoamento das
águas, os sais minerais se acumulam no solo quando a água evapora. Certos
cálculos afirmam que 14% da superfície da Terra é atingida por erosões causadas
pelo homem.
A superpopulação do planeta é outro dado
ameaçador. Ela permaneceu constante durante dezenas de milhares de anos. Depois
começou a crescer num ritmo cada vez mais impetuoso. Se partirmos do ano um,
quando existiam cerca de 250 milhões de seres humanos, dobraremos essa cifra em
cerca do ano 1650. Apenas 150 anos depois, no início do século 19, ocorreu a
segunda duplicação. Hoje, dobramos a população mundial a cada 40 anos. Em 2050,
as projeções indicam que haveria entre 7,7 bilhões e 11 bilhões de seres
humanos a caminhar sobre a Terra.
Graças principalmente à ação humana, para
muitas espécies de animais o apocalipse já aconteceu ou está acontecendo. Em
termos técnicos, chama-se a isso ~ diminuição da biodiversidade. Na prática,
significa que a espécie humana cancela outras espécies do planeta a uma
velocidade impressionante. Junto às florestas destruídas, desaparecem os seus
habitantes, os animais e as plantas que constituem mais da metade do patrimônio
genético do planeta. Calcula-se que a cada 15 minutos uma espécie inteira
desaparece para sempre. São perdas que não conseguimos sequer avaliar, pois não
sabemos quais das plantas que cancelamos da lista da vida podem conter um
elemento precioso para a indústria dos medicamentos, que baseia boa parte dos
seus preparados em substancias colhidas na natureza. Conhecem-se melhor as
dimensões dessa tragédia quando a atenção se volta para alguns animais-símbolo,
como é o caso do rinoceronte. Os de Sumatra estão reduzidos a não mais de 400
exemplares; os javaneses, a apenas 70; os indianos, a 2 mil; o rinoceronte
negro africano, a 2.400; o branco africano, a 7.500. Diante desses números, a
esperança de sobrevivência da espécie é praticamente nula.
A poluição ambiental é hoje um dos
principais sinais da possibilidade de um apocalipse ecológico. Não existe um só
ponto da superfície do planeta que não esteja tocado pela poluição. Traços dos
gases venenosos exalados pelos escapamentos dos automóveis europeus e
norte-americanos encontram-se até no Pólo Norte, onde originam um fenômeno
denominado "névoa polar", que altera artificialmente as cores da
atmosfera. Apenas uma pequena parte da Terra está ainda relativamente intacta.
São as zonas mais extremas, mais inóspitas dos desertos e das geleiras. Na
Europa, elas se limitam a partes restritas da Islândia, Suécia e Noruega. As
zonas de maior interesse naturalístico da Rússia, em particular as da Sibéria,
são as que neste momento correm maiores perigos.
Arrastados pelo aumento da população e pela
difusão de um estilo de vida baseado na grande produtividade e no alto consumo,
todos os principais indicadores ecológicos correm para o vermelho. A reservas
de cereais alcançaram seu ponto mais baixo. Em todo mundo pesca-se muito mais
do que os mares e os rios podem oferecer e desse modo se reduzem as reservas e
não se permite a adequada reposição dos cardumes. As florestas tropicais
desaparecem ao ritmo alarmante de 1% ao ano: do encontro para o meio ambiente
de 1992 no Rio de Janeiro até os dias atuais, cerca de 750 mil quilômetros
quadrados de florestas foram devastados. Com eles desapareceu parte do manto
pluvial que estabiliza a atmosfera do planeta.
O apocalipse ecológico dos nossos dias é
constituído por uma cadeia de fenômenos entrelaçados, que se influenciam uns
aos outros, como num efeito dominó. No ano 2005, pela primeira vez na história
da humanidade, o número de cidadãos urbanos - que até há pouco eram ínfima
minoria - irá superar o número de cidadãos do campo. Em 2020, a população
urbana já será de 61% do total. Essa explosão trará consigo uma completa
transformação dos hábitos de consumo e dos hábitos de vida, de conseqüências
ainda imprevisíveis. De acordo com alguns especialistas mais drásticos, um bom
exemplo do caos ambiental urbano que nos espera é São Paulo. A metrópole
paulista devora 12 quilômetros quadrados de verde ao ano. Em apenas meio
século' sua área devastada passou de 180 quilômetros quadrados para mais de 900
quilômetros quadrados!
A ciência contemporânea, embora negue a
possibilidade de um apocalipse total, entendido como fim do mundo, está atenta
aos pequenos apocalipses que acontecem na realidade de cada instante. Por esse
motivo, muitos cientistas falam hoje abertamente da possibilidade de uma
completa reorganização sistêmica do mundo e da sociedade humana. É para debater
esse fenômeno que instituições como o Center for Millennial Studies foram criadas.
O Fim do
Mundo Segundo as Religiões
CATÓLICOS: O fim do mundo para a doutrina
católica é o momento do Juízo Final e do retorno do Messias. A esse derradeiro
julgamento acorrerão todos, os vivos e os mortos, para serem julgados pelas
suas ações. Mas, de modo um tanto diferente do que ocorria no passado, quando
os que incorreram em pecados mortais eram condenados ao inferno perene, a
teologia católica moderna mais e mais faz referência ao aspecto
todo-misericordioso de Deus.
PROTESTANTES: As igrejas evangélicas não
defendem uma visão catastrófica do fim do mundo. Preferem acreditar no retorno
de Jesus no dia do Juízo Final. Os protestantes lêem o livro do Apocalipse em
chave simbólica, para lembrar aos crentes que devem ter confiança, que são
observados e vigiados e que a última palavra é sempre aquela proferida pela
graça de Deus.
JUDEUS: Para a religião hebraica não haverá
um fim catastrófico do mundo, mas sim uma época futura de grandes
transformações que tenderão para o bem. Os judeus esperam a chegada do Messias,
que assinalará o advento de uma nova era de total harmonia entre os homens e o
retorno mundial à crença num único Deus.
MUÇULMANOS: No islamismo existe a idéia de
uma destruição final precedida pela "maior de todas as guerras", e
por um segundo dilúvio, desta vez não de água, mas sim de fogo, no "Dia do
Juízo". Deus punirá os culpados e premiará as pessoas de fé.
BUDISTAS: O fim de cada ser está relacionado
ao perene ciclo cármico dos nascimentos, mortes e renascimentos, fruto das
ações individuais e coletivas nesta vida e nas encarnações precedentes. Através
da meditação, todos os seres poderão interromper esse ciclo e compreender que
tudo aquilo que existe é pura ilusão.
HlNDUISTAS: Também possuem uma visão cíclica
da vida e do mundo. Para os hinduístas, existiram e existirão muitos inícios e
muitos fins de mundos. Cada época é caracterizada por um gigantesco caos final,
com uma tremenda batalha entre as forças do mal e do bem, antes do surgimento
de uma nova era.
ENTREVISTA
CONCEDIDA POR DIVALDO EM CRICIUMA EM 03.03.99
O Espírita - Estamos no final do milênio, é
o fim do mundo ?
Divaldo Pereira Franco - O mundo não se vai
acabar. Mesmo por que nada se acaba tudo se transforma desde a tese de
Lavoisier. Estamos nos aproximando de um ciclo que se encerra como é natural,
periodicamente os ciclos culturais tem uma fase final como as civilizações. Se
nós olharmos as civilizações orientais vemos o apogeu da Assíria, da Babilônia,
da Índia, do Egito e a sua decadência. O grande êxito da Grécia e a sua decadência,
o Império Romano e naturalmente mais tarde também a sua divisão em duas partes
e por fim o transtorno que invadiu o mundo durante o período medieval. A Terra
como é natural é um planeta de provas e expiações que naturalmente está sendo
transferido para mundo de regeneração, e as dores que nós estamos
experimentando, nada mais são do que um processo de transformação que nos vai
abria a porta para um novo ciclo de evolução. O fim do mundo é uma figura
simbólica, por que o mundo não se acabará e nem tampouco nós outros.
Fonte: Site Celuz - www.contato.net/celuz/inde.html
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