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O Homem que fazia Pão

 

Anton Kiudero

  

Certa vez havia um homem, em sua aldeia, que vendo o padeiro fazer pão, resolveu fazer o pão em sua casa. Tomou os ingredientes, misturou, sovou, assou..... mas o pão não ficou lá muito bom, ficou uma pedra. Então o homem foi ao padeiro e lhe pediu que lhe ensinasse a fazer pão. O padeiro o fez vir consigo e foi fazendo a massa, explicando o porque de cada ingrediente, o tempo de descanso, a temperatura e o tempo para assar. O nosso homem feliz voltou a casa e seguindo fielmente a receita do padeiro, fez um pão, fez o segundo, fez mais um e finalmente conseguiu assar um pão delicioso. Após um ano o homem passou a achar que era o "melhor padeiro do mundo" e que ninguém sabia fazer pão como ele. Estava plenamente feliz. Tinha a receita perfeita, e sabia como misturar e assar os elementos, para cada pão ser idêntico ao anterior. Tinha absoluta fé de que não iria errar e que todos os pães seriam perfeitos.

Nesta ocasião chegou a sua aldeia, uma caravana de mercadores, que haviam viajado por várias terras e trouxeram, belos tecidos, potes coloridos, jóias raras, vasos com formas diferentes, e também seus cozinheiros e padeiros, vindos de vários reinos. E os padeiros se puseram a assar pães para os integrantes da caravana, atraindo, por curiosidade, o nosso homem que ficou encantado com os pães que viu saindo do forno. Pães com diferentes formas, cores, sabores e odores. As vezes um pão ou outro de um tipo não saia exatamente igual a outro, mas mesmo assim eram deliciosos e eram comidos alegremente.

Nosso homem, olhou, olhou e pensou com seus botões (ou, se preferirem, com a corda que lhe segurava a túnica). "É verdade eu achava que fazia o melhor pão do mundo, estava total e honestamente convencido disto, tinha absoluta certeza, antes mesmo de começar a trabalhar de como seria o produto final. E agora sei que nada sei, tenho que conversar com estes padeiros e pedir-lhes que me mostrem como fazem o pão". E assim fez, e os padeiros, com alegria, mostraram como fazer os diversos tipos de pão, utilizando variadas combinações de grãos, sal, mel, fermento, algumas especiarias e tempos diferentes para o descanso e finalmente, tempo e temperatura diverso para cada variedade.

O nosso homem tudo aprendeu, e após a caravana partir, passou a fazer pães tão saborosos que atraiam até pessoas de aldeias próximas. Mas algo havia mudado na forma com que ele se via. Apesar de fazer mais e melhores pães do que nunca, já não se considerava o "melhor padeiro do mundo". Apesar de conhecer todos os truques, sabia que nem todos os pães seriam perfeitos, então não tinha a fé cega anterior no seu trabalho. Tinha sim, confiança plena de que o seu trabalho estava sendo bem feito. Compreendia que era um entre muitos e pensava: "se encontrei estes padeiros em uma pequena caravana que viajou apenas por um ano, que outros padeiros deve haver em outras caravanas que tardam cinco ou mesmo dez anos para passar? Devem saber muito mais sobre pães."

Passou-se algum tempo e uma tempestade de areia, daquelas que só acontecem a cada cem anos, se abateu sobra a aldeia de nosso homem. Tudo ficou destruído, as casas desabaram, famílias inteiras ficaram soterradas, as fontes secaram e toda a região transformou-se num imenso deserto. De repente o nosso homem ficou só, no meio do deserto, sem suas ferramentas e sem suas preciosas anotações. Andando sem rumo encontrou grupos de pessoas aqui e ali, como ele sem rumo e encontrou também algumas plantas que jamais havia visto, algumas com grãos, outras sem, e como todos estavam com fome, o nosso homem colheu plantas onde as via, triturou alguns grãos com algumas pedras, preparou, assou e produziu um pão diferente de todos os que havia produzido antes, com ingredientes que lhe eram desconhecidos. Alimentou a todos, e procurando mais, encontrou outras variedades de plantas e também com estas fez pão, alimentando os que estavam a sua volta, até que recomeçaram a reerguer suas casas e suas aldeias.

Nosso homem começou a pensar: "como pude fazer pães com produtos que desconhecia? Sem meus apontamentos? Sem minhas ferramentas e sem meu forno? Porém ficaram ótimos." Estava nestes pensamentos quando se aproximou dele um rapazinho, com uma cesta de pequeninos pães que sentando-se ao seu lado começou a conversar: "Veja, olha quanto você aprendeu sobre pães. Me lembro de quando você não sabia fazer pães e copiou o padeiro e o pão ficou duro. Lembro-me também de quando você
pediu ao padeiro que lhe ensinasse, e depois de muito esforço você conseguiu aprender e a confiar plenamente em seu trabalho, achou até que "era o melhor padeiro do mundo". Recordo-me também de quando você encontrou os padeiros da caravana, e compreendeu que nada sabia e que tinha tudo a aprender ainda, e com muito tempo e trabalho ficou conhecido em toda a região. Mas a melhor parte, a de que mais me recordo, é quando você ficou sem nenhuma ferramenta, nenhum ingrediente conhecido e não podendo utilizar nada do que aprendeu e no que trabalhou por anos, utilizando apenas sua intuição, descobriu formas de utilizar plantas e ingredientes desconhecidos e com eles alimentar seu povo." E dizendo isto o rapazinho ia saindo, quando o homem ainda teve tempo de perguntar: "Quem é você, que nunca vi, e que conhece a minha história?". O rapazinho, com um sorriso, disse apenas: "Sou o guardião dos padeiros" e esvaneceu-se no ar deixando um alegre odor de pão fresco no ar.

Todos nós passamos por 3 fases no processo de aprendizado:

Fase 1 - Muito estudo e dedicação - trabalho mental e concreto que gera uma grande dose de orgulho, satisfação e confiança total (fé) no que fazemos. Corresponde à escola primaria, onde nós da altura de nossos 6 anos, chegamos em casa e afirmamos: "EU já sei Ler!". também ocorre no aprendizado inicial de qualquer assunto ou oficio, seja manual ou mental. O processo é o mesmo.

Fase 2 - Mais estudo e dedicação - também trabalho mental e concreto, porém com a compreensão de que aprendemos uma pequena parte do assunto. Corresponde à escola secundária e universidade, quando dizemos: "Aprendi muito, estou aprendendo todo dia, mas falta muito ainda".

Fase 3 - Trabalho intuitivo, livre de amarras mentais e concretas. É a intuição consciente, para quem o tempo e o espaço como o conhecemos, não existe. É quando, sabendo de nossas limitações e pequenez, nos deixamos levar pelas asas da mente, desligada do cérebro que lhe serve de morada, e livre de conceitos e preconceitos, mergulhando no seio da imortalidade de onde emanam todas as verdades, trazemo-las ao nosso mundo mental cerebral e dizemos: "Eu nada sei!".

Corresponde ao que ocorre com os gênios, místicos, santos, filósofos, profetas e inventores de todas as épocas. Mozart e Beethoven mergulhavam no mundo da música e a traziam absolutamente pronta. Édison dizia que uma invenção era um minuto de inspiração e longos anos de transpiração para torná-la realidade. E por aí a fora.

Parte da humanidade se encontra ainda na fase 1, parte pouco maior já se encontra na fase 2 e uma pequeníssima minoria já vive a fase 3.  E estamos todos evoluindo, com muito esforço, para em alguns séculos uma parte menor se mantenha na fase 2, uma parte maior se encontre na fase 3 e uma pequeníssima minoria se encontre em uma fase 4 da qual hoje ainda nada sabemos, e tampouco a conseguimos imaginar.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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