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Dr. Jorge Andréa
O grande impulso da ciência foi dado pela
civilização ocidental, no último século do 2.° milênio d.C. A posição material
muito contribuiu para estudos e análises dos fenômenos; realmente houve uma
pesquisa reducionista, de perto observando a matéria. Entretanto, com o apuro
científico, se foi observando que, além da matéria existia algo mais como que
completando o fenômeno. Assim, projetou-se o dualismo (matéria e espírito) como
elementos separados, correspondendo a seus próprios parâmetros.
Nos dias atuais o dualismo, bastante
difundido no ocidente, não está satisfazendo os porquês que, aqui e ali, a
ciência vai exigindo. Muitos fenômenos tem mostrado e como que revelando a
impossibilidade de dissociação desses elementos (matéria e espírito) isto é, a
necessidade da existência de um campo específico orientando e motivando a zona
material, pertencentes à mesma fonte criadora. Assim vicejou a idéia monística,
que já vem de longa data fazendo parte dos pensamentos orientais.
Devido as exigências do dualismo, com
acendrada pesquisa reduclonlsta, existe um real cansaço no pensamento
ocidental, que se acentua pela insistente idéia de que as leis e a
fenomenologia mais avançada serão reveladas na exclusiva pesquisa material. Por
isso, algumas correntes de pensamento entendem que há necessidade do ocidente
lançar as suas sondas para o oriente monístico, a fim de colher idéias e
modelos psicológicos intuitivos. Tais modelos já foram bem ventilados, na
antiga Grécia, por Pitágoras, Sócrates, Platão e muitos outros, inclusive
Heráclito, cujos trabalhos filosóficos foram propostos e sedimentados numa posição
de unicidade, onde as forças opostas da vida estariam subordinadas ao equilíbrio
do Logos; isto é, Heráclito percebeu a necessidade de existência de um elemento
orientador de características psicológicas nos campos da vida.
O sentido dualista, no século XVII, tomou
posição com Descartes que Ihe deu reinado no cenário da vida. Já era coisa boa,
porquanto nesta época falava-se, acatava-se e defendia-se exclusivamente a
posição espiritual com forte teor de misticismo. Entretanto, a ciência, com a
visão mecanicista do universo, avançou com as elaborações de Isaac Newton, que
praticamente dominou a ciência por todo século XIX e metade do século XX. De
meados do século XX para cá houve um chamamento de unicidade, fazendo ressaltar
no estofo científico a necessidade do pensamento monístico como uma das fontes
promissoras do conhecimento.
A ciência, com suas novas exigências, está
procurando seguir o caminho unicista, embora, aqui e ali, com seu racional
sempre alerta, afasta-se um pouco do processo intuitivo. Esses dois modelos, o
racional e o intuitivo, são úteis e necessários. Utilizar uma única trilha é
bem difícil, pela exigência de adequação calcada na seleção de experiências. O
modelo racional limita-se a um fato separado dos demais; no modelo intuitivo a
visão é de conjunto. Neste último, o freio da consciência está quase sempre
presente por não conseguir acompanhar o processo de largos horizontes,
propiciando, muitas vezes, perda de contato.
Acreditamos no campo científico, na
unificação do racional com o intuitivo como uma real exigência da evolução do
pensamento, isto é, do psiquismo humano. O exagero de apreciação, tanto no
modelo reducionista quanto o intuitivo, nos levam a extremos desconfortáveis.
Foi o que aconteceu com muitos grupos humanos orientais que se hipertrofiaram
em conduta mística sem os devidos suportes. Por sua vez, o ocidente se foi
afogando no excesso de endeusamento das técnicas materiais.
Grande parte do oriente e ocidente estão
desejosos de encontrarem o ponto de equilíbrio, buscando a unidade. A fim de
que haja crescimento de nossa civilização, terá de haver unicidade em todas as
proposições, onde o ideal como fonte criativa será a bandeira do entendimento.
A física moderna, com suas pesquisas, chegou
à conclusão de muitos conceitos orientalistas pregressos, embora reveIados de
modo simbólico. O que observamos, com nossos padrões científicos, nas coisas,
não é o próprio território e sim pequenas partes de seu mapa, onde os conceitos
serão compreensivelmente limitados e longe da realidade. Bem claro que os
nossos métodos e modelos científicos são importantes para focalizarmos a
pesquisa, embora não representem a trilha definitiva. Assim é que a criação do
conceito espaço-tempo, na teoria da relatividade, foi a grande viga mestra
científica dos tempos atuais na elucidação de muitos porquês. Certas escolas
orientais não dão importância que os ocidentais possuem sobre as figuras
geométricas representativas dos campos materiais; eles estão mais ligados nas
razões do espaço-tempo refletindo verdadeiros e autênticos "estados
particulares de consciência", donde ressaltam inusitadas percepções. As
experiências meditativas do oriental, atingindo estados dimensionais diversos,
de acordo com a evolução que cada qual possui, assemelha-se, até certo grau, às
razões da física moderna (F. Capra).
Os campos dimensionais atômicos,
mostrando-se às expensas das partículas que lhes definem a natureza, seriam
sustentados por desconhecidos campos dimensionais, refletindo-se em variadas e
infinitas modalidades de vida. Cada dimensão refletiria o seu próprio modo de
vida, sustentado por campos mais avançados, em cadeia, cujos dinamismos seriam
acolitados pela essência divina—a reflexão do Deus Imanente—, onde seu ponto de
irradiação-impulsão estaria no Infinito—o Deus Transcendente.
A vida não representa posição estática como
algo, um ponto ou uma coisa a ser avaliada; é um estado de contínua mutação
dinâmica. Nada se encontra parado. As interações são imensas dando origem aos
fenômenos que não são objetos ou pontos, mas um movimento contínuo que tentamos
pará-lo para entendê-lo como alguma coisa.
A realidade última, que se perde fenomenicamente
em manifestações diversas, é bem especificada no mundo oriental. Está
representada pela palavra Brahman que é vida e dinamismo; está nos Upanishads,
aquilo que se move e não tem forma. Os budistas referem-se a Dharmakaya (o
corpo do ser) como sendo a qüididade; na China o Tao dos taoístas possui a
mesma representação.
Dentro do mundo do átomo, onde vários
modelos estão sempre em constantes mutações, a teoria da relatividade e dos
quanta ainda representam conceitos valorosos e mesmo bases para muitas
avaliações. Um modelo unicista tentando fornecer um pensamento de totalidade,
como se fora um legítimo holismo, ainda está sendo muito questionado, apesar
dos trabalhos realizados pelo grande físico Stephen Hawking. Uma coisa,
entretanto, que vem da filosofia oriental a esbarrar na ciência dos nossos
dias, como autêntico valor, é a inclusão da consciência humana como elemento
essencial de adequação nas futuras teorias do mundo atômico; isto é, a
influência do pensamento humano no mundo da matéria e das energias, de modo a
participarem de um bloco de equilíbrio.
Visão de tal quilate só poderá ser abordada
intuitivamente. A análise intelectual não possui lastros para esse entendimento
por ter limites avaliativos. A física moderna ainda não conseguiu unificar a
teoria quântica com a teoria geral da relatividade numa teoria quântica da
gravidade, embora seja esse o caminho na opinião dos físicos teóricos de maior
credibilidade.
A teoria quântica procura demonstrar o teor
dinâmico, por excelência, das partículas atômicas traduzindo interconexões,
onde estará presente e incluída a consciência humana do observador. O tecido
cósmico é complexo e ainda pouco compreendido, embora o físico Geoffrey Chew,
com seus modelos, esteja tentando uma posição que traduza o interrelacionamento
dos eventos dinâmicos, onde uma parte qualquer seja o resultado do todo. Assim,
não existem elementos fundamentais, sendo a estrutura da rede o intercâmbio
coerente das inter-relações no campo ultramicroscópico do átomo. Logo, as
partículas não representam elementos separados, mas ajustados padrões de
energias em constante processamento dinâmico.
David Bohm criou a idéia de holomovimento,
onde o todo pode ser encontrado numa das partes, embora sem detalhes; tudo
isso, ligado a uma ordem que denominou de "ordem implícita", e que
poderíamos denominá-la de "ordem espiritual" na intimidade dos
fenômenos. Estes se organizam e se mostram diante a imposição do comando
espiritual na estruturação dos elementos.
Muitos físicos e ainda poucos biologistas
estão buscando e caminhando para o Espírito; aqueles por serem ambiciosos em
seus vôos científicos, estes pela prudência e respeito às regras oficiais. A
futura ciência estará intimamente relacionada ao Espírito, porquanto os
fenômenos e fatos, sem exceção, estarão banhados e envolvidos em suas
irradiações. O impulso espiritual funcionaria como estrutura organizadora;
devido ser esta tão ajustada e seguindo caminhos bem adequados, mostrando ordem
inteligente, propiciou a idéia dos físicos de considerarem o Universo como um
"pensamento organizado". É como se existisse uma incontável cadeia
PSI (degraus evolutivos), subordinada ao grande PSI Divino, caminhando sem
cessar em busca do Infinito...
Fonte: Busca do Campo Espiritual pela Ciência – Jorge Andréa dos Santos.
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