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Vitor Ronaldo Costa
vitorrc@brturbo.com
A visão cósmica do homem integral tão
valorizada pelas antigas civilizações Egípcia e Hindu, é a mesma sustentada nos
tempos atuais pela Doutrina dos
Espíritos Allan Kardec acena com a realidade
multi-dimensional do ser encarnado ao comentar na introdução de O Livro dos Espíritos
que, o homem é constituído por três partes essenciais: o espírito, o perispírito e o corpo físico, cada qual a vibrar na
dimensão espacial que lhe é própria, muito embora, em constante dinâmica
interativa.
O desconhecimento da realidade
espiritual, da sobrevivência da alma após a morte física e da possibilidade de
relacionamento entre os dois planos da vida, restringe as possibilidades da
Medicina clássica ao defrontar-se com os transtornos decorrentes da eclosão
mediúnica e da mediunidade reprimida, para não falarmos das perturbações
obsessivas que pela sua complexidade merecem análises específicas.
Por ser um espírito encarnado o homem é
dotado de dois tipos de sentidos: os físicos e os espirituais. Pelos sentidos
físicos (visão, olfato, audição etc.) ele se comunica com os seus semelhantes
aqui na crosta, – é a vida de relação. Através dos sentidos espirituais ele extrapola
o nosso universo matemático projeta-se em outra dimensão espaço-temporal mais
sutil e contata os seres incorpóreos que povoam o campo da energia livre do
espírito.
Sabidamente a complexidade humana de uma
maneira em geral, está convenientemente aparelhada a captar e registrar as
irradiações psíquicas dos desencarnados tanto que, a esta predisposição
psico-biofísica mais bem caracterizada em uns do que em outros, nós espíritas a
denominamos mediunidade.
A Ciência ortodoxa em desconhecendo as
possibilidades espirituais do homem, sobretudo as questões mediúnicas, enfrenta
certa dificuldade em lidar com os fenômenos decorrentes desta faculdade
psíquica, a ponto de enquadrá-los apriorísticamente na condição de transtornos
mentais.
Nos surpreende o número de sensitivos
portadores de síndromes de natureza mediúnica rotulados de psicopatas e que
permanecem longos períodos em regime de internação hospitalar submetidos aos
procedimentos convencionais da Psiquiatria clínica. Tais criaturas jamais
poderiam ser tidas na conta de enfermos mentais e assim tratadas. Em verdade,
devem receber nas sociedades espíritas, o auxílio propiciado pela terapêutica
espiritual, que engloba desde os procedimentos desobsessivos clássicos até os
princípios da psico-pedagogia evangélica, qualificando-os adequadamente para
uma convivência harmônica com a mediunidade e a sua prática consciente sob a égide da moral cristã.
Boa parcela de profissionais da saúde,
desavisadamente qualifica de esquizofrênico, o médium portador de uma distonia
mental transitória resultante do desabrochar da sua faculdade psíquica ou de
uma influenciação obsessiva. Entre os sintomas apresentados na fase de eclosão
mediúnica destacam-se as “alucinações” auditivas e visuais, às vezes,
complicadas pelas súbitas mudanças de personalidades (incorporações) a se
efetivarem de forma agressiva ou lamuriosa. Do ponto de vista médico, tais
ocorrências sugerem manifestações típicas de surtos psicóticos agudos, pela
riqueza de sintomas e sinais enquadrados no âmbito da psicopatologia.
No entanto, a visão proporcionada pela
Doutrina dos Espíritos oferece uma nova alternativa de diagnóstico diferencial.
Uma vez afastada a hipótese de uma afecção neurológica passível de tratamento
convencional, nada impede que seja levado em conta o procedimento investigativo
típico da prática espírita. E as tais “alucinações” associadas aos “distúrbios
comportamentais”, recebem o diagnóstico de espiritopatias
enquadradas nos limites da mediunidade em fase de eclosão, a justificar as
ocorrências de incorporações descontroladas e, sobretudo, as manifestações
puramente psíquicas de vidência e audiência mediúnicas.
A aquisição de tais conhecimentos por
parte dos facultativos em geral, certamente modificaria o panorama da atual
Psiquiatria. Daí o importante trabalho que no presente momento vem sendo
desenvolvido pelas associações médico-espíritas que se multiplicam no Brasil. A
nossa preocupação tem sido a divulgação da proposta espiritista no meio
acadêmico, de forma a despertar a atenção dos profissionais da saúde, para os
acontecimentos de ordem mediúnica e obsessiva, tão freqüentes em meio à
população.
À medida que um maior número de
profissionais da saúde se familiarize com as questões mediúnicas, menor os
desacertos cometidos com os pseudo-pacientes ( médiuns perturbados), que
peregrinam pelos ambientes ambulatoriais e hospitalares em busca do verdadeiro
lenitivo proporcionado pela assistência espiritual adequada.
Mediunidade não é assunto relacionado
com patologia mental, desde que devidamente diagnosticada e conduzida com a
sabedoria necessária dentro do contexto espírita. Cremos que muito brevemente
os cientistas reconhecerão a faculdade mediúnica como uma predisposição
psico-biofísica inerente ao nosso psiquismo, uma extensão mais apurada dos
sentidos físicos, mas de especial importância no contexto evolutivo da espécie
humana.
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