|
Domério de Oliveira
Sob a ótica da Medicina Legal,
hereditariedade é o fenômeno biológico pelo qual se opera a transmissão de
caracteres físicos e morais dos pais aos filhos. Temos, assim, a hereditariedade
fisiológica que, por si mesma, não pode explicar determinados fatos que vão
além dos seus acanhados limites. Há certas particularidades, no campo da
hereditariedade, que demonstram heranças que nada têm a ver com os caracteres
biológicos dos ascendentes. Filhos de pais, sem quaisquer índices de
inteligência, nascem com faculdades intelectivas fulgurantes e com inatas
vocações para as artes, para a ciência, para a literatura, a música e outros
ramos do conhecimento. Assim sendo, a hereditariedade, no seu amplo sentido,
para ser melhor compreendida, tem de ser completada, também, com o conceito da
hereditariedade psíquica, ou seja, aquela herança que o Espírito já traz
consigo mesmo, quando retorna o vaso carnal. Meus amigos, quem, a não ser o
Espírito Imortal, pode constituir o fio condutor que, através de um contínuo
nascer e morrer de formas, rege o desenvolvimento da evolução? Sim, através das
múltiplas vivências, o Espírito vai amadurecendo e acumulando experiências, bem
como, vai adquirindo cultura, patrimônio inalienável que o acompanha. Daí,
então, a hereditariedade psíquica que transcende as barreiras da
hereditariedade fisiológica. Esse conceito de hereditariedade psíquica, por
certo, conduz à inevitável conclusão extraída de fatos já vivenciados relativos
à sobrevivência de um Princípio Psíquico depois da morte. Sócrates já nos
ensinava que "viver é recordar".
Os animais, nossos irmãozinhos menores,
também, possuem o seu "corpo astral", (Perispírito), que sobrevive à
morte do corpo físico e que é, justamente, aquele "fio condutor",
ligando as numerosas fases das reencarnações.
Sim, meus amigos, se o Psiquismo,
(Espírito), já está demonstrado, como fazendo parte dos fenômenos biológicos,
forçoso é admitir que ele, assim como sobrevive à morte orgânica, deva
preexistir ao nascimento. Ao Espírito são confiados os últimos produtos da vida
e a continuidade do transformismo evolutivo, como Unidade Diretora que é de
todas as suas formas sucessivas. A hereditariedade nos apresenta determinados
fenômenos que só podem ser explicados à luz da hereditariedade psíquica, ou
seja, o Espírito herdando de si mesmo as suas qualidades ou os seus defeitos.
Quantas vezes, os filhos superam os pais e os gênios nascem de antepassados
medíocres! Como pode o mais ser gerado pelo menos?
Entre pais e filhos prevalecem mais as
semelhanças orgânicas do que as qualidades psíquicas. Notemos que a gênese do
psiquismo, a formação do instinto, da consciência, por certo, são problemas de
outra maneira insolúveis, caso não sejam analisados e equacionados à luz da
legítima herança psíquica.
Um rio não pode criar-se a si mesmo; também
o Espírito não pode criar-se a si mesmo. E, como o rio, o Espírito percorre uma
longa distância, vencendo os acidentes da jornada, para alcançar a amplidão do
oceano. Não podemos aceitar a tese de algumas crenças de que a Alma nasce com o
corpo. Nesta hipótese, se a Alma nasce com o corpo fatalmente deve morrer com o
corpo e, nesse caso, a lógica nos conduzirá ao mais desesperado materialismo. Isso
não é verdade, porque já está provada cientificamente a sobrevivência do
Espírito.
Meus amigos, tudo obedece a uma lei fatal de
causalidade, uma lei íntima, invisível e inviolável, contra a qual nada podem a
astúcia e a prepotência. Nunca se pode fugir às conseqüências das próprias
ações. O Bem ou o mal que alguém faz, o faz para si mesmo.
Devemos considerar que antes da
hereditariedade fisiológica, há uma hereditariedade psíquica que se sobrepõe
àquela, resumindo todas as nossas obras e encerrando o nosso destino.
Mantemos com os nossos Pais uma relação de
afinidade. Por isso mesmo reencarnamos nos ambientes onde devemos reencarnar e
cruzamos com aquelas criaturas que devemos cruzar, ou por um toque de bem
querer ou para restabelecimento de elos partidos.
Nossos Espíritos, normalmente, escolhem o
lugar e o tempo em que, prescientes das provas, as têm que vencer.
Curvemo-nos, assim, ante nossa
hereditariedade psíquica, pois, espiritualmente, somos os nossos próprios
herdeiros e, assim sendo, temos que arcar com a partilha dos nossos Bens ou dos
nossos males.
Fonte:
Jornal Verdade e Luz Nº 166 – Nov/1999
|