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Desobsessão: Retaliações e Conduta

 

Rogério Coelho*

  

“(...) Voltarei para minha casa donde saí”. Mt., 12:44.

Não há como ser diferente... É pura lei física: ação e reação. Toda ação desobsessiva desencadeia uma reação nos obsessores. Daí o rigoroso preparo da equipe de encarnados para lidar nesse mister.
Em primeiro lugar nem a Casa Espírita e tampouco a equipe socorrista têm compromisso com os resultados positivos da ação, uma vez que todo processo está correndo sob as vistas de Deus e a Sua vontade prevalecerá sempre.

Pode parecer paradoxal, mas em muitos casos a “doença” é o remédio mais eficiente para o paciente, que voltaria aos mesmos equívocos anteriores uma vez que se encontrasse livre do assédio obsessivo sem a devida sedimentação de uma nova conduta de Vida.

Não podemos ingenuamente acreditar que o simples afastamento do Espírito perturbador favoreça a saúde física e mental do obsidiado, sempre sujeito a recidivas lamentáveis e, conseqüentemente, a novos desequilíbrios, caso não se proponha a uma recuperação plena com o cultivo das virtudes do amor, do estudo e do trabalho perseverante no Bem. Tais as condições básicas para o êxito e a consolidação da cura, de maneira que a responsabilidade do final feliz do processo repousa mais nos ombros do obsidiado do que propriamente na Casa Espírita ou na equipe de trabalhadores que se empenhou no caso.

Eis o oportuno ensinamento de Irmã Angélica[1][1]:

“(...) A obsessão é resultado de um demorado convívio psíquico entre os dois Espíritos afins, seja pelo amor que desatrela as paixões inferiores ou através do ódio que galvaniza os litigantes, imanando-os um ao outro com vigor.

Quando são tomadas as primeiras providências pa­ra a terapia desalienante surgem os efeitos mais imediatos, como decorrência dessa atitude:

Primeiro: a revolta do inimigo, que muda a técnica da agressão, reformulando a sua programática perseguidora, mais atacando a presa com o objetivo de desanimá-la;


Segundo: enseja uma falsa concessão de liberdade, isto é, afrouxa o cerco, antes pertinaz, permanecendo, porém, em vigília, aguardando oportunidade para desferir um assalto fatal, no qual triunfem os seus planos infelizes. Na primeira hipótese, a vítima, não adestrada no conhecimento da desobsessão, porque se sente piorar, raciocina, erradamente, que a medicação lhe está sendo mais prejudicial do que a enfermidade e, inspirada pelo cômpar, planeja abandonar o procedimento novo, o que, às vezes, realiza, permitindo à astuta Entidade liberá-lo, momentaneamente, das sensações constritoras para o surpreender, mais tarde, quando as suas reservas de forças sejam menores e os recursos de equilíbrio se façam pouco viáveis... No segundo caso, sentindo-se menos opresso, o obsidiado se crê desobriga­do dos novos compromissos e volve às atitudes vulgares de antes, tombando, posteriormente, na urdidura hábil do seu vigilante carcereiro espiritual. Jesus afirmou com razão, que ‘o Espírito imundo, ao sair do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso, e não o achando, diz: Voltarei para minha casa donde saí; ao chegar, acha-a varrida e adornada. Depois vai e leva consigo mais sete Espíritos piores do que ele; ali entram e habitam. O último estado daquele homem fica sendo pior do que o primeiro.’

Sempre é conveniente recordar que todo obsidiado de hoje é algoz de ontem que passou sem a conveniente correção moral, ora tombando na maldade que ele próprio cultivou.

Como é compreensível, o vício mental decorrente da convivência com o hóspede gera ideoplastias perniciosas de que se alimenta psiquicamente o hospedeiro. Mesmo quando afastado o fator obsessivo, permanecem, por algum tempo, os hábitos negativos, engendrando imagens prejudiciais que constituem a psicosfera doentia, na qual se movimenta o paciente. Um dos mais severos esforços que os enfermos psíquicos por obsessão devem movimentar é o da reeducação mental, adaptando-se às idéias otimistas, aos pensamentos sadios, às construções edificantes. Neste capítulo, tornam-se imperiosas as leituras iluminativas, a oração inspiradora, o trabalho renovador, até que se criem hábitos morigerados, propiciadores de paisagem mental abençoada pelo reconforto e pelo equilíbrio. Graças a tais fatores, nem sempre a cura da obsessão ocorre quando são afastados os cruéis perseguidores, mas somente quando os seus companheiros de luta instalam no mundo íntimo as bases do legítimo amor e do trabalho fraternal em favor do próximo, tanto quanto de si mesmos, através do reto cumprimento dos deveres.

Porque os homens esperem sempre por milagres nos seus cometimentos, quando lhes são impostos o esforço e a dedicação através do tempo, quase sempre desertam do compromisso ou relaxam-no, dizendo-se desencantados com os outros de quem exigem uma conduta superior, que a si próprios não se permitem. Justificam-se sem justificarem os outros; escusam-se, mas tornam-se juízes rigorosos daqueles com os quais convivem, ou a quem re­correm, buscando ajuda. Por isso, a saúde mental que decorre da liberação das alienações obsessivas se faz difícil, porque ela depende, sobretudo, do enfermo, no máximo do seu esforço e não exclusivamente do seu animoso perturbador.

Consideremos, ainda, que a libertação de uma conjuntura deste tipo não imuniza ninguém em relação ao futuro. Desde que não se erradiquem os fatores propiciadores do desequilíbrio psíquico, a pessoa sintonizará, por fenômeno natural, com outros Espíritos com os quais se afinará, por identidade de propósitos, de sentimentos, de ideais.

A gleba humana deverá se arroteada com o arado do amor e cultivada pelas mãos da Caridade. Após a desvinculação com o obsessor, a criatura deverá persistir nos pensamentos edificantes, produtores de energia positiva que destrói os “cascões mentais” em que se envolveu, rompendo a carapaça de sombra que a asfixia, ensejando-se aptidões para o trabalho abençoado, gerador de um clima emocional que, se for mantido, sedimentará a cura e propiciará a paz real. Uma vez liberados um do outro obsessor e obsidiado e à medida que este último cresce no bem, vai naturalmente defrontar outros problemas para resolver, situação que se repetirá até o momento da liberdade plena. Portanto, ninguém espere repouso e prazer, nem anele, de imediato, por comodidade e por bem-estar que não merece. A Terra é mãe generosa e a existência carnal constitui ensejo reparador, salvadas raras exceções, quando o Espírito se encontra em ministério missionário e propulsionador do progresso da Humanidade, mesmo assim, nesses casos, a dor e a soledade, os testemunhos de muitos tipos não lhe ficam à margem.

Jesus abençoou o trabalho e o dever com o próprio esforço, ensinou-nos que o crescimento para Deus somente se dá através da lapidação íntima, através do labor da fraternidade verdadeira entre as criaturas do caminho da nossa evolução”.

[1][1] - Manoel Philomeno de Miranda/Franco, D.P. “Painéis da Obsessão” – Capítulo 20

*O autor é funcionário aposentado do Banco do Brasil, Presidente-fundador da Soc. Muriaense de Estudos Espíritas, orador e escritor espírita.

 

Fonte: O Clarim – maio/2005

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

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