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A Insensatez da Vingança

 

Mauro Paiva Fonseca

  

O objetivo da existência é a busca incessante da felicidade e da paz, com as quais, progride a criatura rumo à perfeição; por isso, a Vontade Divina, conforme nossas necessidades de progresso, situa-nos, ao reencarnarmos, em ambientes onde, ao contato com as imperfeições, fraquezas e violência dos que nos cercam, somos compelidos ao exercício de valores morais como a tolerância, a resignação, a paciência, a indulgência e o perdão, com que faremos crescer nosso acervo de expressão espiritual, objetivando o cumprimento dos impositivos da Lei do Progresso.

Assim, gradualmente, de estágio em estágio, estaremos nos escoimando das deficiências que ainda maculam, obstando o advento das almejadas felicidade e paz, a nós destinadas pelo Criador e anunciadas pelo Divino Mestre.

Os parâmetros para avaliação das necessidades de cada um são obtidos com base nas vivências passadas, e nas necessidades futuras. Há, assim, um fator determinante para os resgates indispensáveis. Por essa razão, a condição primeira para que soframos é estarmos comprometidos com a Justiça Divina.

A gama de sofrimentos é vastíssima! Será que eles correspondem apenas aos erros praticados? Obviamente que não! Há sofrimentos necessários à sedimentação em nossa estrutura espiritual intrínseca, dos elevados atributos morais do Espírito. São sofrimentos, não por necessidade de resgate, mas para caldearem, na fornalha abrasadora das aflições e angústias, os sentimentos decorrentes do amor que dedicamos aos outros, como o amor paternal, o conjugal, o filial e o fraternal generalizado, ensinando-nos a aceitar sem revolta, sem lamentação ou impaciência os travos das dores morais deles decorrentes. São indispensáveis ao progresso, porque, qual vacina imunizadora, acabam por nos tornar inatingíveis aos seus danosos efeitos.

Conforme leis que nos governam, os sofrimentos-resgates poderão originar-se de acontecimentos fortuitos, quando o agente seja desconhecido, ou através do aproveitamento dos potenciais de inferioridade que ainda sejam atributos dos semelhantes à nossa volta, utilizados, neste caso, como agentes, instrumentos da justiça para que ela se cumpra.

O convívio com criaturas e sistemas imperfeitos, capazes de nos infligirem os mais variados constrangimentos, cerceamentos, limitações, vicissitudes e agressões, tem como objetivo incorporarmos em definitivo, ao acervo dos valores que nos sejam próprios, os elevados atributos morais da alma.

Se considerarmos que “a cada um conforme suas obras”, do que decorre ser “a semeadura livre, mas a colheita obrigatória”, concluiremos que, de qualquer modo, a necessidade de resgate pela falta cometida será inevitável, independentemente de como ele ocorrerá, não tendo qualquer sentido o revide, o desforço, a vingança, pois, na verdade, aquele que nos penaliza é, embora sem o desejar, mau grado nosso, auxiliar do nosso progresso! A causa do sofrimento é, pois, não a vontade do agressor, mas a necessidade de resgate, registrada na nossa natureza íntima perispiritual, e que, pela sintonia estabelecida, faz-nos vulneráveis a eles.

Assim, somos nós que, pela condição moral que nos é peculiar, atraímos os acontecimentos funestos. Deste modo, que sentido terá a vingança?

É evidente que quem nos feriu cometeu um erro, pelo qual responderá inevitavelmente diante da Divina Lei, porque somente a ela cabe distribuir justiça com absoluta perfeição. Se, entretanto, procuramos estabelecer a cobrança por conta própria, na realidade não estaremos fazendo justiça, mas promovendo vingança!

Uma vingança insensata e inútil, porque nenhum benefício trará ao nosso progresso, e que, uma vez consumada, terá satisfeito apenas à nossa inconformação diante dos desconhecidos motivos do nosso infortúnio.

Como nos ensina o Evangelho de Jesus, “não paga o justo pelo pecador”.

Colhermos apenas a semeadura do presente, e do passado remoto, pois a reciprocidade é um fato inegável, e à natureza e à gravidade da falta corresponderão, inevitavelmente, a natureza e intensidade do sofrimento.

Se sofrermos com resignação, o débito terá sido resgatado e proveitosa será aquela oportunidade redentora; ter-nos-emos libertado de um gravame a pesar-nos na economia espiritual. Se, ao contrário, revidarmos o mal recebido, além de havermos perdido a oportunidade, teremos dado uma inequívoca demonstração de nossa inferioridade moral, igualando-nos ao agressor! Paremos para pensar: em que a vingança nos beneficia? Ela nos fará mais sábios? Mais belos? Mais serenos? Certamente não; mas mostrará inequivocamente a mesquinhez de nossa alma. Por isso, instruindo o apóstolo, o Mestre ensinava:

“Perdoarás não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”

 

Fonte: Revista Reformador – Fev/2000

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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