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Iracema Linhares Giorgini
“A
paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento e
esse exagero se torna mau quando tem por conseqüência algum mal”.
Por que isso acontece?
É uma reminiscência da natureza animal que
ainda predomina no homem.
Agir sob o império e domínio de um estado
passional é agir cega e descontroladamente o que conduz a tormentos
inimagináveis, escravizando, dilacerando os sentimentos mais nobres,
Nesse aspecto veremos:
o homem apaixonado pela bebida, abandona o trabalho,
as aspirações nobres, bebe mais e mais, mantém-se caído, passa o tempo, a vida
semi-hebetado.
o apaixonado pelo jogo, noites e dias a frente de
cartas, dados, roletas, galos, cavalos, etc. sem perceber o mundo, sem notar
familiares, lar, amizades, amor.
o apaixonado pelo dinheiro, priva-se até do mínimo
necessário para ter mais, guardar e amontoar mais.
Vivem enfim, em função do objeto da sua
paixão, sofrendo horrivelmente, caso perceba algum empecilho que atrapalhe,
interfira nas buscas desenfreadas. É um estado mórbido, onde a satisfação, a
plenitude, o estar bem nunca é alcançado.
Paixão não se satisfaz - quer, exige,
necessita - usa de todos os meios e nunca se plenifica, se sente alimentada.
Desejos sensuais, gozos de sensações
exaltados, posse, poder, prestígio constituem-se de modo geral como as mais
comuns, que prendendo o ser, ata-o aos aspectos materiais da vida.
No momento atual apresenta como o grande
desafio, inimigo mesmo desse homem que se embrutece, nada se permitindo ver,
perceber, além do círculo fechado em que a sua paixão o retém.
E no entanto, que paradoxo! O princípio da
paixão é natural, necessário, uma vez que usado na sua real função e objetivo,
conduz o homem, a humanidade a grandes realizações. Incentiva, dá colorido,
luz, vibração, estímulo para prosseguir.
Funcionam aí como alavancas que decuplicam
as forças desse homem que cumpre assim, nesse crescer, os desígnios da
Providência.
Nesse aspecto, necessário despertar também
aí para dirigi-las pela razão, na vontade disciplinada, nos objetivos elevados.
Transformar-se-á então em força motriz que colore a vida em elevação e beleza.
Nos dois casos é ela comparada a cavalo que
marcha por estrada ladeada por barrancos e precipícios.
O animal trotará bem, se contido pelo freio,
guiado pelas rédeas de cavaleiro firme e experiente, percebe-se dirigido. Se
porém, não achar essa condição, como os freios nos dentes, desabalará em
corrida, deixará a estrada e, sem dúvida, sobrevirá o desastre, a fuga dos
objetivos, cansada pela incapacidade de direção e governo daquele que monta.
Se as coerências da razão não indicarem
limites, objetivos justos, maiores, ideais, crescimento, superação, teremos o Homem
fraco, que dominado perde os próprios limites, na indignidade das ações que
passa a realizar e viver, prejudicando tantos quantos com quem convive.
agregando em si, os desequilíbrios que semeia.
Bibliografia:
KARDEC,
Allan - O Livro dos Espíritos - q. 908
Fonte: Jornal
Verdade e Luz Nº 192 – Jan/2002
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