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Clone, mas Diferente

 

Roberto Lúcio Vieria de Souza

  

Com este título, a revista Veja, de 29 de janeiro de 2003, publicou uma reportagem sobre a experiência da clonagem da gatinha “Rainbow” e os resultados, a partir do nascimento de sua cópia e de outros clones observados. A conclusão dos veterinários da Universidade do Texas A&M, responsáveis pelo nascimento da Cc (cópia carbono) de “Rainbow” foi a seguinte:

“apesar de compartilharem o mesmo código genético, os animais clonados não são cópias fiéis dos originais.”

Essas primeiras conclusões abrem um grande espaço para as reflexões de todos nós, em especial, quando possuidores dos conhecimentos auferidos da Doutrina Espírita.

Não basta levantarmos a explicação sumária de que a existência do Espírito e a sua individualidade faz-nos compreender o fato. Cientistas ocupados com a área da genética, pesquisadores dos programas de estudo dos códigos genéticos, certamente, já haviam pensado nas possibilidades de mutações diversas, as quais poderiam provocar os resultados agora encontrados.

Os acostumados com a observação das etapas da leitura do DNA (ácido desoxirribonucléico) sabem que, mesmo em uma mesma criatura, os RNAs mensageiros produzidos a partir de um único gene podem conter diferenças na seqüência de bases, que ao serem traduzidas pelos ribossomos, possibilitarão a montagem de proteínas distintas, às vezes, de funções distintas e até antagônicas.

O fenômeno responsável por esses acontecimentos é tecnicamente denominado “splicing”, palavra inglesa que significa “emendar, unir, juntar”.

Na realidade, o que acontece (simplificadamente) seria o seguinte:

Para a informação contida no DNA ser transferida para as diversas funções celulares, ela precisa primeiramente ser copiada, num processo chamado transcrição, gerando o RNA (ácido ribonucléico). O RNA difere daquele por ter apenas uma cadeia e por apresentar no lugar da base timina a uridina. Entretanto, ele só se tornará funcional depois que partes desta cadeia forem retiradas ou reorganizadas, dando origem a uma nova seqüência de bases, no chamado “splicing”, formando o RNA mensageiro.

As partes retiradas são chamadas “introns” e as reintroduzidas em outras áreas ou unidas são os “exons”.

As pesquisas atuais não têm respostas definitivas para a existência desses “introns” e o porquê do direcionador desse processo de modificação da mensagem celular.

O certo é que fenômenos como esse e outros já observados seriam cientificamente a explicação para as possíveis individualizações da mensagem genética, que começa a ser comprovada pela experiência com os clones de animais e que, certamente, ficaria mais evidente com a clonagem de humanos, pela maior individualização do princípio espiritual, em sua fase hominal. Para o materialista, no entanto, as respostas seriam insatisfatórias, produzindo novos questionamentos, em especial: o que levaria a essas mudanças? Qual o elemento direcionador desse processo? Os estudiosos sobre os fractais, já de algum tempo, levantam que os fenômenos na natureza, diferentemente dos produtos fabricados seriadamente pelos homens, seriam semelhantes e não idênticos em seu todo e em suas partes, criando para explicar tais condições equações matemáticas de alta complexidade. Essa constatação falaria da ação de uma Inteligência Superior a direcionar todo o processo da criação e da implementação de uma marca individual nas criaturas, dando-lhes desde já uma qualidade própria e um caminho pessoal, a partir de determinada etapa de crescimento.

Se a experiência com a clonagem demonstra que um mesmo princípio material (DNA) produz resultados materiais diferentes, isso implica numa hipótese de que algo, transcendente a esse princípio direcionaria as diversas etapas do processo, produzindo tal resultado final.

Esse elemento transcendente, ainda rejeitado por uma parte dos cientistas, é o espírito, que segundo os orientadores de Kardec, é a individualização do princípio inteligente, presente no Universo, que se faz distinto do princípio material, “mas,

a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria”.( O Livro dos Espíritos – perg. 79 e 25.)

Os estudos que se sucederão, a partir das conclusões atuais sobre os clones, certamente confirmarão as palavras de Emmanuel, contidas na questão 35 do livro O Consolador1:

“As leis da genética encontram-se presididas por numerosos agentes psíquicos que a ciência da Terra está longe de formular, dentro dos seus postulados materialistas.

Esses agentes psíquicos, muitas vezes, são movimentados pelos mensageiros do plano espiritual, encarregados dessa ou daquela missão junto às correntes da profunda fonte da vida. Eis por que, aos geneticistas, comumente se deparam incógnitas inesperadas, que deslocam o centro de suas anteriores ilações.”

É importante frisar que André Luiz, já em 1958, através da psicografia de Francisco C. Xavier e de Waldo Vieira, no livro Evolução em Dois Mundos2, antecedia os resultados que começam a ser encontrados, oferecendo-nos uma explicação mais ampla de suas causas:

“No ato da fecundação, reúnem-se os pronúcleos masculino e feminino, mesclando as unidades cromossômicas paternas e maternas, a fim de que o organismo, obedecendo à repetição na lei da hereditariedade, se desenvolva, dentro dos caracteres genéticos de que descende; mas agora, no reino humano, o Espírito, entregue ao comando da própria vontade, determina com a simples presença ou influência, no campo materno, os mais  complexos fenômenos endomitóticos no interior do ovo, edificando as bases de seu próprio destino, no estágio da existência cujo início o berço assinala.”

André Luiz apresenta-nos, ainda, um importante caminho de pesquisa, que nos possibilitará, no futuro, a compreensão desses mecanismos modificadores individuais da mensagem genética, através da teoria dos “bióforos”. Sobre o assunto, ele assim se expressa, no livro citado acima:

“Portanto, como é fácil de sentir e apreender, o corpo herda naturalmente do corpo, segundo as disposições da mente que se ajusta a outras mentes, nos circuitos da afinidade, cabendo, pois, ao homem responsável reconhecer que a hereditariedade relativa mas compulsória lhe talhará o corpo físico de que necessita em determinada encarnação, não lhe sendo possível alterar o plano de serviço que mereceu ou de que foi incumbido, segundo as suas aquisições e necessidades, mas pode, pela própria conduta feliz ou infeliz, acentuar ou esbater a coloração dos programas que lhe indicam a rota, através dos bióforos ou unidades de força psicossomática que atuam no citoplasma, projetando sobre as células e, conseqüentemente, sobre o corpo os estados da mente, que estará enobrecendo ou agravando a própria situação, de acordo com a sua escolha do bem ou do mal.”

Fica, portanto, para nós estudiosos e, em especial, para os pesquisadores a compreensão real de que estrutura celular seria os chamados “bióforos”, estudando, posteriormente, os seus mecanismos de ação. No entanto, a Ciência, em sua caminhada, apresenta, mais e mais, questionamentos de tal profundidade, a exigirem uma visão de maior transcendência, deixando mais evidente a realidade da hipótese do elemento espiritual, de sua individualidade e de sua supremacia sobre o elemento material.

Enfatizando, também, que seria a postura dessa individualidade espiritual a responsável pelas possibilidades ou não de modificações no campo da matéria, clareando-nos que a verdadeira eugenia só se realizará pela transformação moral do homem e, conseqüentemente, da Humanidade.

29

1 XAVIER, Francisco C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel, 23. ed. Rio de Janeiro, FEB, 2001 p. 37.

2 ––––––– e VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1994, cap. VII, p. 57, 58 e 59.

 

Fonte: Revista Reformador – abril/2003

 

 

 

 

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