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Recordando Herculano Pires

 

Carlos Alberto Ferreira

  

O Professor, como carinhosamente o chamavam, foi professor catedrático, jornalista, tradutor, cronista, poeta, filósofo, romancista, sociólogo, chefe de família exemplar, etc. Legou-nos mais de meia centena de livros, na sua grande maioria espíritas. Segundo Francisco Cândido Xavier, foi o «metro que melhor mediu Kardec». Quanto mais lemos e estudamos a sua vasta obra, mais confirmamos que foi o maior intérprete do pensamento do Codificador. Foi, também, o grande defensor da pureza doutrinária, sempre, aqui e ali, adulterada pela ignorância e leviandade humanas. Nesta rubrica iremos publicar paulatinamente artigos que nos legou através da imprensa espírita do grande país irmão. Artigos estes que confirmam, não obstante a sua simplicidade, o que acabámos de dizer.

A Terceira Revelação - O Que é o Espiritismo

O Espiritismo é a última revelação divina recebida pelos homens, de acordo com a promessa de Jesus no Evangelho de João: «E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco.» (14:16).

Sua missão é guiar os homens à Verdade, restabelecendo o ensino do Cristo em sua pureza primitiva e abrindo novos horizontes à compreensão humana da vida: «Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a Verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão-de vir. Ele me glorificará, porque há-de receber do que é meu, e vo-lo há-de anunciar.» (16:12, 13 e 14).

Com Moisés, os homens receberam do Alto a I Revelação da realidade espiritual da vida. Essa revelação, que foi reunida pelos hebreus na grande codificação da Bíblia, sobrepunha-se a todas as formas religiosas do tempo, e conduziu o povo hebraico à concepção do Deus Único. Mas na própria Bíblia encontramos o anúncio da II Revelação, do advento do Messias, que se cumpriu com a vinda de Jesus, oferecendo ao mundo a mais elevada forma de religião até então possível. E foi o próprio Messias quem anunciou, como vimos no Evangelho de João, a III Revelação, destinada a restabelecer os seus ensinos, que seriam deturpados pelos homens, e a ampliação de acordo com as novas necessidades da evolução terrena.

A I e a II Revelações foram pessoais e locais, transmitidas por Moisés e Jesus a um determinado povo: o hebreu, incumbido de transmiti-las aos demais povos. A III Revelação não foi pessoal nem local, mas espiritual e universal. Os espíritos a deram em todo o mundo, através de suas comunicações, e Allan Kardec a codificou, como os hebreus codificaram a Bíblia e como os cristãos codificaram o Evangelho. Os hebreus reuniram os vários livros escritos sobre a I Revelação, e deles fizeram a Torah, ou a Bíblia, que hoje conhecemos. Os cristãos tiveram de reunir os vários livros escritos sobre a II Revelação, ou seja, os relatos dos quatro evangelistas, as epístolas e o Apocalipse, e com eles formar o Evangelho ou Novo Testamento. Os espíritas, pelas mãos de Kardec, o missionário, reuniram as comunicações mais esclarecedoras dos Espíritos do Senhor, que constituíam a falange luminosa do Espírito da Verdade, e com elas formaram a Codificação do Espiritismo.

Assim como a I Revelação foi rejeitada por muitos hebreus, tendo Moisés de agir com energia para impô-la ao seu povo, e assim como a II Revelação foi rejeitada por quase todo o povo hebreu, a ponto de Paulo precisar levá-la aos gentios para que ela se difundisse no mundo, assim também a III Revelação foi rejeitada por judeus e cristãos, sendo aceita apenas por uma minoria. E assim como as igrejas judaicas da época chamaram Jesus de embusteiro e de instrumento do Diabo, levando-o à condenação e ao suplício, assim as igrejas cristãs de hoje chamam Kardec de embusteiro e o Espiritismo de instrumento do Diabo, tentando aniquilá-lo. Mas assim como as duas primeiras revelações triunfaram, a terceira também triunfará. Porque essa é a vontade do Pai, que está nos Céus.

(in «Diário de São Paulo», compilação da Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, São Bernardo do Campo, SP).

 

Fonte: «Revista de Espiritismo» nº. 34 - FEP

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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