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Marcus Alberto De Mario
Filosofia é "a ciência geral dos
princípios e causas, ou sistema de noções gerais sobre o conjunto das coisas;
esforço para generalizar, aprofundar, refletir e explicar, sistema de valores,
força moral e elevação de espírito com que o homem se coloca acima dos
preconceitos; sabedoria". (1)
O Espiritismo é uma doutrina filosófica
porque possui princípios e causas e se constitui num sistema devidamente
organizado explicando o homem e a vida.
Para compreendermos a filosofia espírita
necessitamos ter a visão de que o Espiritismo não está restrito apenas ao
"O Livro dos Espíritos", sua obra fundamental, mas espraia-se pelo
conteúdo das obras kardequianas, inclusive as chamadas subsidiárias, pois no
dizer de Kardec "ninguém, pois, se iluda: o estudo do Espiritismo é
imenso; interessa a todas as questões da metafísica e da ordem social; é um
mundo que se abre diante de nós". (2)
Esse mundo que se abre diante de nós
estrutura automaticamente uma filosofia espírita da educação. O aspecto
educacional do Espiritismo através de sua filosofia descortina um mundo novo
para renovação moral do homem a partir da constatação da imortalidade e da
reencarnação. E a palavra abalizada de Kardec sentencia: "É pela
educação, mais do que pela instrução, que se transformará a humanidade".
(3)
Para Herculano Pires, a "filosofia
da educação (...) abrange todo o contexto de ações e reações subjetivas que vai
do ser como ser ao social como social e como cultura. A filosofia da educação
extravasa de sua própria polaridade no momento em que transcende o social para
penetrar no cultural, no pleno domínio do espírito". (4)
E qual a filosofia da educação que penetra
no "pleno domínio do espírito"? É a filosofia espírita.
Não que outras doutrinas espiritualistas
tenham desconsiderado o Espírito, mas nenhuma possui a sistematização do
conhecimento do ser enquanto ser imortal criado por Deus, como possui o
Espiritismo, e sistematização em bases lógicas, racionais, comprovadas por
pesquisas sérias acerca da reencarnação e pelas investigações pós-morte
proporcionadas pela mediunidade.
Ney Lobo assim se refere à visão espírita do
ser e das coisas:
"A Doutrina Espírita (...) se ocupa
de toda a realidade em todas as suas dimensões. Da intimidade do átomo penetra
em ascensão, todos os reinos naturais, inclusive o dos Espíritos, culminando em
Deus. É até mais abrangente do que qualquer outra filosofia, pois inclui em
suas reflexões o plano dos Espíritos, objetivamente, como reais, e não como
entes abstratos, de razão ou míticos. Admite a filosofia espírita, as íntimas
relações dos Espíritos conosco, os encarnados, e suas manifestações no plano
físico, com reflexões especulativas sobre isso tudo, sem prejuízo das
experiências científicas correspondentes". (5)
Da filosofia emana a filosofia da educação,
que por sua vez desenvolve uma pedagogia, e com o Espiritismo não é diferente.
De sua filosofia temos com naturalidade a filosofia espírita da educação, que é
um sistema ético-moral tendo por base a moral ensinada e vivida por Jesus.
Através da filosofia espírita da educação
temos algumas coordenadas que nortearão todo o processo pedagógico da evolução
do Espírito:
- o educando é um Espírito reencarnado;
- todo Espírito é criado por Deus e possui potencialidades naturais;
- o educando possui idéias inatas e tendências trazidas de seu
passado (vidas anteriores);
- a formação de hábitos morais deve preponderar sobre a instrução
intelectual;
- o educando deve construir sua perfectibilidade;
- a vida é educação;
- a reencarnação é instrumento pedagógico divino; e
- o amor, sentimento maior, comanda a educação do Espírito.
Essas são algumas das coordenadas
pedagógicas trazidas à luz pela filosofia espírita da educação, e que estão
devidamente traçadas em "O Livro dos Espíritos" e nas demais obras da
Codificação.
Como já citamos, no dizer de Herculano Pires
a filosofia da educação abrange o domínio social e cultural do homem - espírito
reencarnado - e, também, penetra no pleno domínio do Espírito, no entendimento
que o mundo corpóreo e o mundo espiritual interagem, sendo a humanidade o
conjunto dos dois mundos, que se interpenetram.
Essa cosmovisão do ser e da vida, de forma
sistêmica, é apanágio da filosofia espírita, o que nos leva a considerar,
necessariamente, que temos em mãos uma nova educação: a educação total do
Espírito!
Estudar a filosofia espírita e suas
conseqüências educacionais para chegar à prática pedagógica espírita no lar e
na escola é tarefa que não se pode adiar, pois significa legar ao mundo a chave
para sua transformação.
Todas as correntes de pensamento e pesquisas
as mais diversas sobre o homem esbarram quase sempre na leitura do mesmo como
ser biológico, cognitivo, com o seu psiquismo atrelado aos complexos mentais de
ordem física. A transcendentalidade do ser é apenas fuga religiosa ou
interpessoal, busca de equilíbrio interior para uma existência sem continuidade
após a morte, quando o Espírito completa, alarga e mesmo modifica tais
pensamentos e pesquisas, sempre válidos mas carentes da realidade do homem como
Espírito imortal criado por Deus.
Vemos então a educação debater-se sobre as
questões de ordem ética e moral sem conseguir soluções satisfatórias, e
perguntamos: não está na hora de levar a filosofia espírita da educação para os
educadores e para escola? A prática educacional condiciona-se aos fins da
educação, e que fins podem ser esses dentro da visão materialista do ser?
Somente a filosofia espírita pode alavancar
o fazer educacional para fins superiores.
Referências bibliográficas:
1.
Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa
Ilustrado, Editora Civilização Brasileira, 1973;
2.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, introdução, item
13.
3.
Obras Póstumas, Allan Kardec, página 384.
4.
Pedagogia Espírita, Herculano Pires, Editora EDICEL.
5.
Filosofia Espírita da Educação, vol. 1, Ney Lobo,
Editora FEB.
Fonte: Jornal
Mundo Espírita - Agosto/1997
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