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Marcelo Henrique Pereira*
Recentes pesquisas atestaram a existência de
Izumo, uma proteína que permite ao espermatozóide fundir-se com o óvulo durante
a fertilização, iniciando o processo que resultará em 60 trilhões de células do
corpo humano. A descoberta leva à intensificação de pesquisas para tratamentos
contra infertilidade e, também, para a produção de novos métodos
anticoncepcionais.
Eis, aí, mais uma evidente prova de que as
coisas são, em si, neutras, em sua origem e formatação básica, variando para
mais ou para menos, para o proveito ou para o prejuízo (leia-se aqui a
tradicional dicotomia bem e mal), conforme seu uso. Isto, é claro, levando-se
em conta os argumentos de muitos religiosos – e, até, de espíritas – que não
aceitam os métodos artificiais de anticoncepção, apregoando que o Criador é
quem decide.
Este Determinismo não se concilia com a
Filosofia Espírita, que, ao contrário, coloca o ser espiritual como o ator
principal de sua existência, e não mais um títere da Divindade. Nós é que
dispomos, livremente, de nossas potencialidades e atribuições, na vida sob a
cápsula material ou fora dela, e o encontro de nossas opções com os preceitos
da Lei Universal é que determinam os condicionantes futuros de nossas atuais (e
pregressas) ações.
Assim, neste e em outros segmentos da Vida,
a Natureza – e suas leis naturais – tem seu curso alterado, sempre que a razão
humana entender neste sentido, ou seja, a aplicação de nossa inteligência,
conhecimento e sentimento gera a alteração dos resultados, quase sempre em
favor do próprio homem.
Insumos e agrotóxicos fazem as espécies
vegetais resistirem às pragas. Represas e barragens desviam rios e lagos,
propiciando segurança aos povoados e utilização produtiva da energia gerada a
partir da água represada. Vacinas e remédios são produzidos a partir dos
“venenos” ou dos próprios elementos contidos em animais e plantas,
proporcionando alívio, tratamento e cura de diversas doenças. Se assim não
fosse, estaríamos vivendo, ainda, sob o império de diversificadas ameaças,
muitas das quais intransponíveis para os homens de outros tempos, mas que se
tornaram conquistas e vitórias, justamente porque homens de ciência não se
deixaram quedar ante os primeiros (e repetidos) insucessos.
Neste sentido, o homem imita a Natureza:
veja-se que uma proteína, presente no espermatozóide masculino é que propicia
vencer a barreira natural do óvulo, permitindo a fecundação. Sem ela, o
processo não se concretizaria.
Quantas Izumos existem em nosso dia-a-dia?
Em quais situações alçamos mão de elementos específicos para quebrar
resistências e provocar alterações construtivas nos diversificados ambientes de
nossa vida? Que armas utilizamos para alterar trajetórias, beneficiando-nos
diretamente desta mudança?
Lembremos de pessoas que fazem (ou fizeram)
parte dos cenários conjunturais em que estamos inseridos – por opção e/ou
necessidade. Vizinhos, colegas de trabalho, companheiros de estudo, parceiros
de iniciativas, parentes, etc. Quantos e quais destes nos eram, até certo
momento, ameaças, barreiras, dificuldades e, até mesmo, antagonias? Em que
instante decidimos “mudar o rumo” das relações interpessoais com tais sujeitos?
O que fizemos (e/ou o que o outro fez) para transmutar relacionamentos difíceis
em ligações possíveis? No campo dos relacionamentos – este intricado complexo
em que afloram dívidas e compromissos de ontem e de hoje – creio que seja
possível a você relembrar uma ou mais situações em que um liame obrigatório (em
face das circunstâncias e do cenário) de inimizade, concorrência desleal ou
disputa acirrada de egos, resultou, com o empenho de ambas as partes, e com o
decurso do próprio processo de inter-conhecimento, em vínculo de afinidade, ou,
como diz o adágio popular, “uma relação de ódio em amor”.
Poder-se-á, então, dizer que a “primeira
impressão”, negativa, muitas vezes, no contato com o outro, desfez-se e, agora,
quando tudo parece melhorar e “se encaixar”, aconteceu, de fato, o “primeiro
encontro” entre tais Espíritos.
Assim sendo, use as Izumos a seu favor, e,
com elas, rompa os obstáculos, mitigue as diferenças, aproxime-se do outro, num
exercício alteritário, de profunda compreensão e entendimento. Sua atmosfera
psíquica agradecerá.
* Diretor de
Política e Metodologias de Comunicação da Abrade e Secretário para a Promoção
da Juventude e Delegado da CEPA.
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