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Joanna de Ângelis
(Espírito)
Conceito - Múltiplas, através dos tempos, hão sido as
conceituações do amor. Variando desde as exaltações grandiloqüentes aos
excelsos ideais da Humanidade, tem descido aos mais vis estágios da
sensualidade desgovernada e criminosa.
Inspirando guerras de religião, como
devotamento a Deus, ou levantando Nações contra agressores infelizes, sua
mensagem tem transitado das explosões bárbaras às culminâncias da santificação.
Para uns significa o alvo legítimo das
nobres emoções do sentimento elevado; para outros é impulso grotesco da carne,
em conúbio com a ambição desatrelada e a posse insaciada.
Empédocles, por exemplo, motivado pela
vitalidade poderosa do amor, definiu-o como sendo a "força que preside à
ordem no mundo", incidindo, sem dúvida, no conceito de que a Divindade é
amor, enquanto a Criação resulta de um ato de amor. Já Heráclito, desapercebido
da transcendência do amor, informava que o amor tem como estímulo os
contrastes, sem mais significativas conseqüências. Sócrates, na sua doutrina
Maiêutica, distinguia-o pela feição divina - aquela que reúne todos e tudo - e
pela expressão vulgar - como corrupção, aquela que abastarda os homens e os
vence inexoravelmente.
A doutrina hedonista, de Epicuro, não
conseguiu situá-lo além das exigências de natureza fisiológica e sensual,
animalizando-o apenas.
Zenão tomou-o pelo ideal de beleza, que
engendra a força estóica da libertação dos sentidos mais grosseiros, elevando o
ser.
Plutarco descobriu-lhe as exteriorizações em
forma de paixão arrastadora como de fervor enobrecido.
Os modernos pensadores da linhas
utilitaristas, os sensualistas e existencialistas reduzem-no ao apetite sexual,
desconcertando o equilíbrio dos centros genésicos, e, estimulados pela idéia da
libido freudiana, não fazem honesta distinção entre o fator eminentemente
reprodutor no uso do sexo e a perversão do abuso, no prazer anestesiante das
imposições grandulares.
Os santos, os heróis da abnegação, os
apóstolos da Ciência, da Arte, do Humanismo e da Fé; no entanto, nele
encontraram sempre o élan de enobrecimento e a força superior que os
sustentaram nas ingentes batalhas que empreenderam pela beleza, pela vida, pelo
progresso, pelo engrandecimento dos homens.
Jesus exalçou-o à maior culminância,
lecionando-o pela vivência e assim reformulando os ideais e os conceitos éticos
até então vigentes, conclamando a que todos se amassem, mesmo em relação com os
inimigos e verdugos, por serem exatamente esses os mais carecentes da força
persuasiva e poderosa do amor.
Com a dinâmica do amor, Ele revitalizou as
esperanças humanas e inaugurou um reino ideal de paz e fraternidade, que
lentamente, vem dominando a Terra, fazendo desde agora antever-se a
possibilidade de felizes e prósperos dias para todas as criaturas do futuro.
O amor, sem dúvida, é hábito divino
fecundando a vida, pois que, sem o amor, a Criação não existiria.
Nos vórtices centrais do Universo o amor tem
caráter preponderante como força de atração, coesão e repulsão que mantém o
equilíbrio geral.
Desenvolvimento - Um estudo filosófico do amor apresentando-o sob
dois aspectos a considerar: o que procede das tendências eletivas e o das
inclinações domésticas. No primeiro grupo estão as expressões do ideal ou
manifestações platônicas, o que dimana da razão, o sensual, o fisiológico... E
no outro, os da consangüinidade, tais: o amor familial, o conjugal...
O amor por eleição procede das fontes
íntimas do sentimento e se expressa na oscilação variável dos impulsos
imediatos, desde a brutalidade, em que se exterioriza, animalizado, até às
excelentes manifestações do fervor estético e estésico, em que se sublima, nas
culminâncias da santidade.
Desse modo, mesmo quando enlouquecido,
enseja experiência de aprimoramento, transitando do campo das formas para as
rutilâncias da renunciação.
Assim, o egoísmo, que se traduz como amor ao
próprio eu, é enfermidade de largo porte, em cujo campo medram problemas e
desaires de complexidades diversas.
A ambição resulta do desconcerto do amor,
que desvaira.
A calúnia traduz a loucura do amor.
A renúncia representa a sublimação do amor.
A fraternidade exterioriza o amor que se
espraia.
A autodoação manifesta o amor que encontrou
Deus e se oferece ao próximo.
Há sempre lugar e oportunidade para o
elevado exercício do amor. Inserto no espírito por herança divina, revela-se a
princípio como posse que retém, desejo que domina, necessidade que se impõe, a
fim de agigantar-se, logo depois, em libertação do ser amado, compreensão
ampliada, abnegação feliz, tudo fazendo por a quem ama, sem imediatismo, nem
tormento, nem precipitação. Sabe esperar, consegue ceder, lobriga entender
sempre e sempre desculpar.
O amor é tudo. Resume-se em amar.
O trânsito das exteriorizações em que se
expressa é caminho para as suas próprias culminâncias.
Jesus e Amor - Quantos O precederam na condição de Seus
embaixadores, compreenderam-lhe o impositivo e alguns tentaram vivê-lo. Muitos
que vieram depois, sob
Sua inspiração, conseguiram exemplificá-lo.
Foi, porém, Ele quem o atingiu na mais pura exteriorização, fazendo de todas as
suas horas, palavras, pensamentos e ações, atos de amor.
Grassando a hediondez da brutalidade, a se
traduzir pela violência da força e mediante a vilania da corrupção, Sua vida é
uma resposta aos vencedores-vencidos em si mesmos, mantendo inalterada
serenidade, com absoluto desinteresse pelas ilusões da transitoriedade física,
de tal modo característica e real que reformulou o código vigente e
reestruturou o pensamento dos dias porvindouros.
Amou os não amados sem se preocupar com os
perseguidores dos fracos, fracos que também são em si mesmos.
Amou os vencidos sem recear os seus
escravizadores, a seu turno escravos de outros senhores, que podem ser:
paixões, posições ou engodos.
E quando instalou o primado do amor na
Terra, deixou-se crucificar para adubar o solo das almas com o seu sacrifício,
como a dizer que no amor se encontram o princípio e o fim de tudo e de todas as
criaturas.
Estudo e Meditação:
"O amor e a caridade são o complemento
da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja
possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de
Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos. (O Livro dos Espíritos, Allan
Kardec, questão 886)
"O amor é de essência divina e todos
vós, do primeiro ao último, tendes, no fundo do coração, a centelha desse fogo
sagrado. É fato, que já haveis podido comprovar muitas vezes, este: o homem,
por mais abjeto, vil e criminoso, que seja, vota a um ente ou a um objeto
qualquer viva e ardente afeição, à prova de tudo quanto tendesse a diminuí-la e
que alcança, não raro, sublimes proporções." (O Evangelho Segundo o
Espiritismo, Allan Kardec, cap. XI, item 9.)
Fonte: Livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de
Joanna de Ângelis.
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