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O "Sim" Somente, não Educa

 

Adésio Alves Machado

  

Iludem-se, lamentavelmente, certos pais que pensam educar filhos dizendo sim, aceitando o que eles fazem, impõem, dizem e querem, mesmo que erradamente, quando contrariam todos os princípios de respeito ao próximo. É, sem dúvida, uma forma acomodatícia de educar, é não querer aborrecer-se, é evitar desagradar-lhes, de entrar em choque com eles. Não se trata, salientemos, de contrariar por contrariar, não! Mas terem a noção exata, sim, do que estão proibindo, a explicação correta a ofertar ao filho na hora de dizer o porquê não permitem que façam isto ou aquilo.

Logicamente, ninguém gosta de se ver proibido de fazer algo que deseja, principalmente quando se é jovem. É justamente aí que começa o instante de educar, aparecendo a base do processo educativo, e de forma objetiva. Esse mal-estar íntimo causado pela negação aos propósitos acalentados pelos filhos vai criando uma nova visão da vida para a criança e o jovem. É inconteste que, contrariando-se o que o filho incorretamente quer, porque se percebe que ele não tem o devido discernimento para a utilização benéfica do que é por ele objetivado, educa-se.

A facilidade oferecida ao filho pelos pais deseduca, desvaloriza o que lhe é ofertado, facultando ao filho crescer com a idéia de que tudo que ambiciona lhe deve ser dado, com isto perdendo toda a noção de valor das coisas. Nesses momentos realça-se o egoísmo e o orgulho vigentes no íntimo do filho.

Por que hoje, na fase madura da vida, valorizamos certos bens, certos confortos, certas comodidades? Porque não os tivemos no passado. Hoje nos são caros, preciosos. Quem passou fome, deve saber o que é estômago vazio, mas quem sempre desfrutou de mesa farta, desconhece totalmente o que seja não ter o que comer. Quem gasta somas respeitáveis com seus prazeres pessoais e de seus familiares não tem a mínima noção do que seja sustentar uma família com um salário mínimo ou com o que se consegue fazendo biscates. Quem anda com a carteira cheia de cartões de crédito e de talões de cheques não sabe o que é sair de casa sem um centavo no bolso e ter de pegar carona nos ônibus, assim mesmo quando o motorista permite.

A vida é uma escola onde se aprende justamente a viver; e viver, em sua realidade, é lutar pela obtenção do que se almeja, usando de equilíbrio e bom senso em tudo. Ela, a vida, educativa como é, utiliza-se de dois caminhos: o da dor e o do amor, sabendo-se que “a dor fará o que o amor não conseguiu”.

Assim estruturados, compete aos pais transmitirem responsabilidade aos filhos, entregando-lhes, pouco a pouco, as rédeas de suas vidas. É a liberdade com responsabilidade, a forma mais eficiente de se educar. O pai diz não faça, não vá, mas transfere ao filho a opção de fazer e de ir, dizendo-lhe : “Olha, por mim você não faria tal coisa e não iria a tal lugar, mas se você acha que deve fazer e pode ir, faça e vá. Agora, se algo sair errado e você sofrer as conseqüências, a culpa é sua. Assuma-a”. Esta, nos parece, a melhor e mais eficiente maneira de educar, qual seja a de transferir responsabilidade para quem não a quer ter, deseja jogar a culpa de seus insucessos nos ombros, muitas das vezes já enfraquecidos, dos seus pais. Muitos filhos e filhas agem assim, ficam perguntando a opinião dos pais e mães sobre tudo o que desejam fazer: que roupa e sapato devem usar, que perfume, se compra esta ou aquela peça de roupa, se vai ao tal baile, a tal festa de rua...

É notório que os espíritos aqui reencarnados têm uma tendência para a acomodação. Ora, pensam esses filhos que trazem de outras vidas a nódoa da acomodação que, se alguém pode fazer por eles certas tarefas, por que iriam se preocupar com elas? Não agem de forma consciente, com raras exceções, mas a maioria imagina que deva ser assim, competindo aos pais sanarem este mal pela raiz, aprendendo a dizer NÃO, exatamente não fazendo aquilo que compete aos filhos. Porventura não é desta forma que a vida nos vai ensinando? Quantos NÃO recebemos de DEUS no transcorrer desta existência? ELE nos concede tudo quanto queremos e sonhamos ter? Não, não é mesmo? Por que então iríamos fazer todas as vontades de nossos filhos, muitas das vezes com grandes lutas? É o tal propósito do pai e da mãe que não querem ser apenas pai e mãe, mas super-pai e super-mãe. Não será isto vaidade, orgulho?

A melhor postura educativa a ser adotada pelos pais e mães é a transferência de responsabilidade, tirando-a de seus ombros e transferindo-a aos filhos. É o dizer NÃO com suavidade. Outras atitudes educativas muito eficientes, na maioria das situações, são aquelas dos pais começarem a restringir o campo de atuação dos filhos, diminuindo-lhes a mesada, quando for o caso, e privando-os do que mais eles gostam.

Quanto mais atrasado o espírito, mais ele se acha sujeito ao determinismo da vida; quanto mais evoluído, mais livre para agir, atuar, interferir na própria vida e na dos outros. Apto está para fazer escolhas, ceder ou coibir, fazer ou deixar de fazer, optar entre o bem e o mal, entre o certo e o errado.

O filho mandão, atrevido, petulante, geralmente é profundamente orgulhoso e egoísta. Para ele o mundo há de girar em torno de seus pés, todos haverão de se lhe curvar à vontade, ao seu querer, às suas ordens. O passado sobreleva-se ao presente desses espíritos.
Podem achar que exageramos, mas não é bem assim.

Filhos nessas situações estão relembrando (inconscientemente) vidas passadas onde foram os mandões, os “obedecidos”, os que não admitiam ser contrariados em suas vontades ou podem ser os “cobradores” de seus pais, buscando hoje o que lhes foi negado ontem. Querem, deste modo, seguir o que se encontra guardado no “porão” de suas mentes, entregam-se obedientes às ordens desse inconsciente, desse “quarto de despejo” construído em suas casas mentais.

Torna-se necessário “fechar o coração” ao filho exigente, autoritário, presunçoso. Sabemos o quanto custa à mãe fugir do desejo de assistir, ajudar, prover seu filho do que ele quer e que ela acha que seja o melhor. Entretanto, insistir na posição de não transigir a tudo que ele quer é altamente educativo. Produzirá, em pouco tempo, excelentes resultados.

A palavra chave é RESPONSABILIDADE por tudo o que se faz.

Quando os pedidos e a vontade do filho são atendidos de forma passiva, os pais estão criando o “imaturo psicológico”, isto é, uma criatura desajustada para a vida relacional, a começar no lar, estendendo-se ao ciclo de amizade, à vida conjugal e profissional, o que acarretará, naturalmente, hoje ou amanhã, grandes decepções, amarguras, desapontamentos para o filho, como também dores e sofrimentos aos pais que presenciarão o resultado de suas fraquezas e acomodações.

Caso Deus atendesse passivo a todas as nossas vontades, o que seria desse mundo? Nem é bom pensar!...

Digamos NÃO quando gostaríamos ... muito, de dizer SIM. Estaremos, assim, livrando os nossos filhos de se tornarem verdadeiros parasitas sociais, desajustados psicológicos, pessoas orgulhosas e egoístas, conseqüentemente sem a mínima noção de fraternidade, de amor universal.

 

* o autor é corretor de imóveis, escritor, expositor espírita e radialista em programas espíritas de rádio em quatro cidades da região centro-norte do Estado do Rio de Janeiro.

 

Fonte: Revista Internacional de Espiritismo – Fev/2005

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

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* * *

 

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Nós somos semeadores

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